Para Ser Piloto

Formação Aeronáutica e Segurança de Voo


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II Seminário Contato Radar: Empregabilidade e Segurança na Aviação

Nos dias 30 e 31 de julho, no auditório da Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo-SP (Vila Olímpia), ocorrerá este ano mais uma edição do Seminário Contato Radar, desta vez focado em Empregabilidade e Segurança na Aviação. No evento deste ano haverá uma série de novidades, como os workshops na parte da manhã, e a presença de diversos executivos e empresários de companhias aéreas, escolas (do Brasil e do exterior) e entidades representativas de pilotos (SNA e ABRAPAC) e empresas aéreas (ABEAR), além de autoridades do setor. Outra novidade deste ano é a possibilidade de participação como voluntário na produção do evento (detalhe: nenhum organizador ou palestrante está sendo remunerado, portanto TODOS somos voluntários).

As informações sobre a programação, sobre como realizar inscrições, sobre como participar como voluntário, etc., ficarão concentradas neste sub-fórum do Contato Radar, que recomendo visitar e seguir. A minha oficina e palestra, especificamente, ocorrerão no 2º dia, 31/07, e o tema a ser tratado é o que foi discutido neste post e nesta outra palestra (Transpoair/UnG), porém ampliado e aprofundado.

Nos vemos lá!


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“O boom de jatinhos na Copa”

Vale a pena ler esta matéria da Isto É desta semana – “O boom de jatinhos na Copa” – para comprovar o que já se fala aqui há tempos: a Copa não terá praticamente nenhuma influência sobre a aviação brasileira ou sobre o mercado de trabalho para pilotos. Nem na aviação geral, foco desta reportagem, que mostra o descaso das autoridades para com esse segmento da aviação brasileira.


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“Tenho 36 anos, estou pensando em ser piloto, e…” – Ou: a dúvida que não cala! Afinal, idade é um problema na aviação?

Incrível como, desde que comecei a escrever sobre formação aeronáutica, uma das dúvidas mais frequentes tem a ver com o problema da idade: pessoas “velhas” (e não é raro que jovens de vinte e poucos anos se incluam no grupo!) querendo saber se, pela “idade avançada” estariam ou não aptas a seguir carreira na aviação. Já respondi essa pergunta centenas de vezes, já escrevi posts (vide o “Tô velho para a aviação?“, que acaba de completar 3 anos), mas não adianta, sempre aparece alguém querendo uma opinião mais, digamos, “customizada”. E, por acaso, ontem um amigo de longa data e um leitor (num comentário a este post), ambos com 36 anos, me escreveram com a mesma dúvida de sempre. Então, vamos, mais uma vez, tratar do assunto da idade na aviação.

Idade pode ser um problema para um piloto ser contratado? Sim, em ambos os sentidos. A TAM, por exemplo, impõe restrições crescentes a partir dos 35 anos. Por outro lado, pilotos muito jovens podem ser preteridos para cargos na aviação executiva. Mas, na verdade, muito mais importante do que a idade é como se comporta o mercado de aviação: se a demanda for muito maior que a oferta, os empregadores tenderão a dar pouca ou nenhuma importância à idade; enquanto que numa situação inversa, nem com a idade “certa” consegue-se emprego. E termina aí a resposta a esta questão, não há mais nada de relevante a comentar sobre isso do ponto de vista dos empregadores e do mercado. Mas há alguns aspectos a acrescentar do ponto de vista dos próprios candidatos a piloto, que acho que vale a pena falar. Então, respondendo ao que não foi perguntado, vamos lá:

1) O problema da redução do salário no início da carreira de piloto

Um piloto recém-formado ganha muito pouco. Tem aeroclube que paga R$15/h e ferve de gente se candidatando – isso dá, no fim do mês, algo entre 1 e 2 salários mínimos. E é aí que a coisa complica para os mais velhos, que estão num momento da carreira em que geralmente ganham bem mais do que isso. Então, mais importante do que saber se “eu estou velho para aviação”, é preciso se perguntar até que ponto se está disposto a viver um tempo (que pode durar vários anos) com um salário bem menor do que se ganhava na sua carreira antiga.

Ir para o escritório todo dia é um martírio, a paixão por voar bate forte no peito, o aerococus já está no sangue, mas… E para pagar as contas no fim do mês? Depois de investir R$80mil ou mais, o sujeito ainda vai ter como viver mais uns 3, 4,…, X anos ganhando menos do que gasta? Para um rapaz de 20 e poucos anos que nunca trabalhou (ou trabalhou em empregos mal remunerados) é relativamente fácil encarar a dureza do começo da carreira de piloto. Mas e o sujeito que mora sozinho, que tem carro, cachorro, papagaio – ou pior, que é casado, tem filhos, etc? Isso sim complica para os mais velhos! Então, pense bem nisso, que é muito mais importante do que saber se a TAM impõe restrições aos maiores de 35.

2) O Apetite por riscos, 1ª parte – Chega uma hora em que não dá mais para por uma mochila nas costas e sair por aí (e, mais uma vez, a questão do estilo de vida)

Suponhamos que a questão da redução do salário esteja superada. O cara tem uma mega-poupança que cobrirá o rombo no orçamento, ou está disposto a uma vida estoica por prazo indeterminado. Agora vejamos outra coisa que pega para quem já não é tão novo assim: a, digamos, mobilidade. Suponhamos que, como recém-formado, aparece para um paulista uma oportunidade de pilotar um Cessna 210 para um fazendeiro no Pará, e será preciso mudar-se para Marabá.

Para um rapaz de vinte e poucos anos, solteiro, que mora com os pais, essa não é uma decisão muito arriscada. O cara vai, e se não der certo, ou aparecer outra oportunidade melhor, ele volta, ou vai para outro lugar: a mochila é a casa dele! Mas para um sujeito mais velho, isso não é tão fácil: o cidadão tem um apartamento montado, negócios, namorada… Não é tão fácil assim colocar três cuecas, duas camisetas, e uma escova de dentes numa mochila e sair por aí. E se for casado (e se a mulher tiver uma carreira própria, então, mais complicado ainda) e tiver filhos, aí sim que eu quero ver… Fora isso, há a questão do estilo de vida de um piloto, discutido neste post – “Sobre ‘paixão por voar’ e ser piloto profissional” -, que tem que ser levada em conta. Então, se você já não é tão novo, essas questões de mobilidade e do estilo de vida precisam ser muito bem pensadas.

3) O apetite por riscos, 2ª parte – Alguém aí se lembra do ímã do “Papai não corra”, que ficava no painel dos carros?

ímã papai não corra

Se você dirigiu algum carro com um ímã desses no painel, então este post é para você!

Segurança na aviação é, em si, um valor absoluto, e independe de idade, cultura, etc. Mas a percepção de risco, essa sim, varia enormemente, e uma das causas dessa variância é a idade do piloto: quanto mais velho, maior a tendência de que, na média, as pessoas sejam mais “medrosas”. Todavia, nada influencia mais nessa citada percepção do que os filhos (que, normalmente, aparecem quando a pessoa atinge uma certa idade), e não foi por outra razão que os ímãs de painel (na época em que os painéis dos carros eram metálicos) que faziam sucesso nos anos 1960/70 tinham a fotografia dos filhos (que ficavam no lugar do São Jorge, no exemplo acima), junto da inscrição “Papai não corra”.

Onde eu quero chegar é no seguinte ponto. No começo da carreira de piloto, muitas vezes as oportunidades que surgem apresentam um nível de segurança bastante precário, mas que para um sujeito jovem, com uma percepção de risco mais “elástica”, pode até ser aceita. Todavia, para alguém mais velho, especialmente com filhos, essa percepção de risco é mais rígida, o que resulta numa diminuição das possibilidades profissionais no fim das contas. (Vejam bem, eu não estou incentivando ou justificando as operações mais arriscadas, somente descrevendo algo que se vê na prática, no dia a dia da aviação).

Então, para quem é mais velho, acho que cabe uma reflexão sobre o apetite de riscos que se tem versus o tipo de aviação que existe onde se pretende trabalhar. Há determinados locais, notadamente no Norte do país, onde a segurança de voo é encarada de uma maneira muito peculiar – coisa que, para um rapazote pode ser até desafiador. Mas para um quarentão, pai de família, pode ser que esse tipo de ambiente não tenha tanta graça assim (não sei se estou me fazendo entender…).

Concluindo

Com uma boa reflexão quanto a estes três pontos acima, acho que a pessoa fará mais por si do que ficar pesquisando os limites de idade nos processos seletivos das companhias X ou Y. Porque eu acho que essa história de idade na aviação tem mais a ver com autoconhecimento do que conhecimento sobre o mercado, no fim das contas…

 


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Piloto consegue checar o PLA sem as infames horas em comando sob supervisão

Desde que o RBAC-61 foi publicado, em junho de 2012, que o cheque de PLA fora de companhia aérea está, na prática, inviável – vide a discussão sobre o assunto disponível no post  “Sobre o cheque de PLA fora de companhia aérea“, que aborda o cerne da questão: as tais horas em comando sob supervisão. A situação chegou a tal ponto que as pessoas interessadas em obter o PLA fora de cia. aérea começaram a pensar em ir para os EUA e obter a ATPL na FAA para, em seguida, convalidar a licença americana para a de PLA na ANAC. Não sei se alguém efetivamente apelou para esta estratégia, mas olhem só o absurdo da “volta” que a pessoa teria que dar para conseguir obter a licença de PLA no Brasil!

Entretanto, a situação começou a mudar. No workshop sobre a revisão do RBAC-61, o pessoal da GCEP/ANAC já sinalizou sobre a intenção daquela gerência em eliminar essas infames horas sob supervisão da nova versão do regulamento. E, agora, a ANAC publica uma Decisão, a de número 36/2014, antecipando esta mudança, que é a que segue abaixo, reproduzida do Diário Oficial de hoje (agradeço ao amigo Álvaro Horowicz por ter me alertado quanto ao fato). Com isto, o RBAC-61 já fica, na prática, alterado imediatamente quanto à obrigatoriedade das horas em comando sob supervisão, uma vez que a agência jamais poderia decidir de maneira diferente nas próximas petições que eventualmente sejam enviadas à agência. Esta é a primeira boa notícia, mas não a única (e, talvez, nem a mais importante).

A outra boa notícia relacionada a esta Decisão nº36/2014 vem da forma com que ela ocorreu. Salvo engano, uma Decisão sobre uma exceção ao RBAC-61 originada de uma petição de um piloto é fato inédito na história da ANAC. Vou tentar contatar o piloto beneficiário da Decisão, o sr. Hélder Reis Nunes (e se alguém conhecê-lo, solicito pedir-lhe entrar em contato comigo), para saber como ele peticionou à agência, se foi por e-mail ou por carta registrada, se precisou de um advogado para tal, etc., e vou explorar melhor este aspecto em um post futuro. Pois me parece que há uma mudança na maneira como a ANAC vinha tratando as demandas dos pilotos junto à agência, que ocorria somente por via judicial, para a via administrativa mais, digamos, “amigável”. a propósito, amanhã eu vou participar de um evento na ANAC que trata justamente de como os usuários da agência podem se relacionar com ela – vide “ANAC: ‘Workshop sobre participação da sociedade‘” -, e este é um assunto sobre o qual vou tentar obter mais informações.

A seguir, a íntegra da Decisão nº36/2014:

SECRETARIA DE AVIAÇÃO CIVIL

AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL

DECISÃO No36, DE 22 DE ABRIL DE 2014

Defere pedido de isenção de cumprimento do requisito de que trata o parágrafo 61.141(a)(1)(i)(A) do RBAC no 61. 

A DIRETORIA DA AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL – ANAC, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo art. 11, inciso V, da Lei no 11.182, de 27 de setembro de 2005, tendo em vista o disposto no art. 8o, incisos XVII e XLIII da mencionada Lei, e considerando o que consta do processo no 00065.041391/2014-71, deliberado e aprovado na Reunião Deliberativa da Diretoria realizada em 22 de abril de 2014, decide:

Art. 1o Deferir, conforme peticionado pelo piloto Hélder Reis Nunes, código ANAC no 112360, o pedido de isenção do cumprimento do requisito que trata o parágrafo 61.141(a)(1)(i)(A) do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil no 61 (RBAC no 61), referente a requisitos de experiência para a concessão da licença de piloto de linha aérea – PLA.

Art. 2o A isenção deferida nos termos desta Decisão fica condicionada à comprovação, pelo referido piloto, de:

I – experiência de 250 (duzentas e cinquenta) horas de voo como piloto em comando; e

II – atendimento a todas as demais exigências para a concessão da licença de PLA.

Art. 3o Esta Decisão entra em vigor na data de sua publicação. 

 


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Azul, a nova opção de carreira internacional no Brasil (inclusive com A350)

O blog Senhores Passageiros, da Folha, já noticiou isso hoje, mas eu acho que vocês irão preferir ler a nota da empresa enviada para os funcionários, que segue abaixo. Agora é oficial: a Azul vai mesmo se tornar uma opção para desenvolver uma carreira internacional na aviação, inclusive voando os novos Airbus 350, no futuro.

azulinter


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Vídeo sobre a 1ª Transpoair/UnG

A seguir, um vídeo sobre a 1ª Transpoair/UnG, evento da aviação de que eu tive o prazer de participar, em março último. Prestem atenção à fala do Cmte Bogsan, quando ele fala dos altos e baixos da aviação e do fato de que os candidatos a ingressar neste mercado têm que se preparar cerca de 4 antes das fases de alta para obter sucesso (que é o que não me canso de falar aqui, mas sempre é bom quando outra pessoa diz a mesma coisa).


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Programa de estágio na área comercial da TAM

Repasso a seguir as informações sobre o programa de estágio na área comercial da TAM, recebidas do amigo Rodrigo Silva:

Obs.: Em caso de dúvidas, entrar em contato diretamente com a TAM. Nem eu nem o Rodrigo estamos preparados para responder a dúvidas sobre este assunto.

PROGRAMA DE ESTÁGIO DA ÁREA COMERCIAL – 2014

LOUCOS POR AVIAÇÃO

PROGRAMA DE ESTÁGIO DA ÁREA COMERCIAL – 2014

Nossa Área Comercial está em busca de jovens estudantes “loucos por aviação” para atuarem neste time como estagiários.

O objetivo deste programa é desenvolver jovens talentosos e com grande potencial para assumirem uma posição comercial no futuro.

REQUISITOS NECESSÁRIOS

- Estar cursando, em 2014, o último ano dos cursos de ENGENHARIA MECÂNICA, ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, RELAÇÕES INTERNACIONAIS ou MARKETING;

- Ter fluência no idioma inglês;

- Possuir disponibilidade de 30 horas semanais para o estágio.

Se você tem interesse nesta oportunidade, ou conhece um estudante com estas características, envie um currículo para a Katiuscia – katiuscia.silva@tamexecutiva.com.br – com o título “Estagiário TAM”.

Desejamos boa sorte aos candidatos!


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“Will Work To Fly”: um site que vale a pena conhecer

Vejam só que interessante este site recentemente criado nos EUA: Will Work To Fly. Trata-se de um portal de relacionamento entre potenciais alunos de aviação e instrutores de voo, em que os primeiros propõem pagar os honorários dos segundos por meio de permutas de serviços. Por exemplo: eu sou um encanador que quer aprender a voar, e proponho pagar minha instrução reformando o encanamento da casa do instrutor. Então, eu publico um anúncio no site e, em havendo um instrutor interessado, ele entra em contato comigo, e nós fechamos negócio. Também há um programa de bolsas de estudo em gestação no mesmo site.

Não que este seja um serviço facilmente replicável para a realidade brasileira, mas o conceito por trás é interessante, e pode servir de inspiração para outras iniciativas criativas na área de instrução aeronáutica.  Enfim, acho que é um site que vale a pena conhecer.

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