O onipresente AeroBoero

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Toda pessoa que freqüenta aeroclube já deve ter visto esse aviãozinho com nome que parece xingamento: AeroBoero, ou simplesmente Boero (Boerinho, para os íntimos). Feio, antiquado, e pior, argentino, esse avião foi comprado pelo antigo DAC (hoje ANAC) nos anos 1990 para ser a espinha dorsal da instrução aérea no Brasil. Ainda hoje, muita gente voa nessa aeronave, mas poucos conhecem sua verdadeira história. Para conhecê-la, recomendo este post  do excelente blog “Cultura Aeronáutica” . Agora, vamos nos concentrar nas questões sobre instrução aeronáutica relativas ao Boero:

Vantagens do Boero:

Para quem tem interesse na aviação agrícola, ou em ser instrutor de vôo, o Boero é uma boa escolha, Por ter trem de pouso convencional (com a roda direcional atrás), o Boero tem a mesma configuração dos aviões agrícolas, também igual à do Paulistinha, outro avião de instrução bastante popular no Brasil, daí a vantagem de se ter experiência nesse tipo de aeronave. Este avião também tem fama de “dar mais pé e mão” (ou seja: um piloto que voa nele fica mais proficiente nos comandos de qualquer aeronave), fato controverso entre os instrutores, já que a grande diferença ocorre no solo, e não em voo. Finalmente, existe o fato de que esses aviões serem, geralmente, mais baratos para se voar, uma vez que o aeroclube não precisou adquiri-los (eles foram doados pelo antigo DAC, hoje ANAC).

Desvantagens do Boero:

Embora a hora de vôo no Boero seja mais em conta, os alunos geralmente precisam pagar mais horas para concluir seu treinamento nesta aeronave, e a maioria dessas horas a mais são despendidas em solo – com isso, a vantagem econômica do Boero praticamente se anula. O Boero é um avião mais “restrito”, o que significa que condições meteorológicas adversas (principalmente o componente de vento de través) irão cancelar mais vôos de instrução no Boero do que em outras aeronaves. No Campo de Marte, por exemplo, quando a cabeceira em uso é a 30 (decola-se para cima do morro da Casa Verde), a meteorologia tem que estar perfeita para o Boero decolar, enquanto que o Cherokee/Tupi decola do mesmo jeito da 12 e da 30. Além disso, como a hora de vôo no Boero é mais barata, a demanda por vôos nessa aeronave é maior, o que faz com que marcar vôos no Boero seja muito mais difícil do que nas aeronaves menos restritas e mais caras. Tudo isso vai fazer com que o tempo para o aluno checar no Boero seja significativamente maior do que em outras aeronaves. Existe também o fato do Boero ser uma aeronave mais propensa a sofrer acidentes, principalmente no pouso, devido ao seu trem de pouso estreito e centro de gravidade elevado.

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