Seguros & formação aeronáutica

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O que é que tem a ver o seguro de uma aeronave com a formação aeronáutica dos pilotos? Muito mais do que imagina a nossa vã filosofia… Na realidade, as limitações impostas pelas companhias seguradoras – que impõem cláusulas restritivas à operação de aeronaves por pilotos com pouca experiência – é um forte entrave à formação aeronáutica. Pilotos recém-formados têm muita dificuldade para completar sua formação básica (a recebida nos aeroclubes/escolas) porque os eventuais patrocinadores da formação avançada (certificação de TIPO, acúmulo de horas de voo, etc.) não o fazem devido ao fato de que suas aeronaves não estariam cobertas pelo seguro se fossem operadas por pilotos novatos.

Na aviação geral, especialmente na asa rotativa, este problema é bem conhecido. Pilotos de helicóptero têm muitos problemas para conseguir o primeiro emprego, pois antes das 500h, poucos operadores os contratam, por conta desta restrição das seguradoras. E na aviação agrícola, esta restrição atinge as 1.000h de voo! Na asa fixa “normal” (não-agrícola), onde é possível para um novato voar como copiloto, este problema é menos grave porque os aviões homologados para serem operados por um único piloto estarão livres da restrição se o comandante for experiente. Mas, e na aviação comercial, onde os aviões requerem dois pilotos, como é que fica a situação?

Em princípio, os Boeing/Airbus/E-Jet/ATR/etc. também requereriam que os copilotos tivessem mais que 500h de voo para que a seguradora aceitasse assinar a apólice. Isto é, por sinal, a justificativa que as empresas apresentam quando questionadas por que exigem experiência maior que 500h dos seus candidatos. Mas, se isto é verdade, como é que as empresas brasileiras estão contratando pilotos com menos de 500h ultimamente? Não me parece razoável que empresas como a Azul, por exemplo, estejam simplesmente burlando as regras, uma vez que: 1)A contratação de copilotos com pouca experiência pela empresa é um fato público (está no site da companhia, a propósito); 2)As seguradoras não são empresas ingênuas, pelo contrário: uma das áreas mais importantes de uma companhia de seguros é a especializada em prevenção a fraudes; e 3)As importâncias em jogo são multimilionárias, e nenhuma companhia aérea seria irresponsável a ponto de colocar em risco a cobertura de seguro para uma aeronave de dezenas de milhões de dólares. Deve haver alguma explicação para isso. E tem!

Eu questionei esse problema a um especialista na área, e ele me esclareceu que, ao contrário dos operadores da aviação geral, as companhias aéreas possuem uma escala tão gigantesca que torna possível negociar exceções nas apólices. “Num grupo de 200 pilotos, é possível a seguradora aceitar que 5% deles tenham experiência inferior a 500h na qualidade de co-pilotos” – exemplificou este especialista.

Assim, cai por terra mais esta justificativa das empresas por elas só aceitarem a inscrição de pilotos muito experientes em seus processos seletivos.

3 comments

  1. GILMAR MIRANDA GOMES
    5 anos ago

    O seguro de responsabilidade civil e contra danos a terceiros o ja conhecido RETA as companhias de segura vem cumprindo o seu papel, assegurando o bem de acordo com o tipo de voo, experiencia do tripulante tanto geral como no tipo da aeronave , os locais de operação , etc.., o grande calcanhar de aquiles não esta no RETA , e muito menos no seguro de casco, que é o seguro instituido com a finalidade de garantir o bem juridico… este tambem as companhias seguradoras tem criterios proprios de segurança tanto a elas como para o operador tipo , o piloto tem vasta experiencia no tipo, é piloto de linha aerea, tem flight saifyty , o qual barateia ao operador mas o grande problema até hoje sem solução é o seguro para o tripulante, que nenhuma seguradora se habilita e quando aceitam o premio é baixissimo e o valor a pagar inviavel colocando o tripulante como de grande risco, comparado a operadores de rede eletrica inviabilizando totalmente a possibilidade de o tripulante estar segurado e exercendo sua atividade com total segurança, na hora de contratar tem que informar a atividade, até porque no caso de sinistro , pode haver recusa pois o mesmo omitiu a profissão , pode ser considerado conduta de ma-fé… e isto vem causando um transtorno grande para aqueles que escolheu a profissão… Profissão essa considerada a mais segura, pois o avião é o meio de transporte comparado em segurança com elevador, e os pilotos por força da profissão são seres que tem saude perfeita, faz check up a cada seis meses não tem trigliceris alto colesterol, coração perfeito, normalmente fazem exercicios fisico, se alimentam bem , não bebem ou socialmente não fumam essa é a regra, vivem bem acima da media, a pergunta é porque não consegue fazer um seguro…

  2. José Roberto Arcaro Filho
    6 anos ago

    Acredito que as exigências das Seguradoras, pelo menos na Aviação “Executiva”, tem acrescentado “Qualidade”, aos Pilotos Novos!! Tenho visto, alguns proprietários de Aeronaves “Novas”, darem cursos no exterior (Flight Safety, Simuflite, etc.) a Pilotos com pouca experiência!! Aeronaves novas, às quais o seguro “de casco” compensa! Não deixa de ser “Educação Aeronáutica” feita com “Investimentos Privados”! Agora,em aeronaves mais velhas, como por exemplo, um King air 1985, esse seguro já não compensa. Acho que, em um “Mundo Perfeito” as Cias Aéreas deveriam tirar seus Tripulantes da Aviação Executiva, mas, também acho, que estamos num “Beco sem Saída” com relação à formação de Pilotos!! As perguntas que ficam, são: As restrições das seguradoras, são realmente um problema, nos dois “Mundos”(Executiva e LA)?? Em que estas restrições afetarão, ou não, na Educação dos Aeronautas?? Por que tenho visto um nível cada vez pior de “Gente” voando!!! Se eu tivesse um avião, não daria ele “na mão” dessa “Gente”!! Com seguro, ou sem seguro!!!

    Abraços
    Beto

    • Raul Marinho
      6 anos ago

      Um ponto de vista bem interessante, sem dúvida!
      Obrigado pela contribuição!

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