“Sim, temos pilotos”

By: Author Raul MarinhoPosted on
415Views15

Na edição de dezembro da revista Aero Magazine, saiu publicada uma matéria chamada “Podem sobrar pilotos”, que foi amplamente comentada aqui. Já na edição deste mês da mesma revista, na seção de carta dos leitores, saiu publicada a seguinte resposta de um leitor, Kleber Sabbado, que reproduzo abaixo. Acho que vale a pena ler esta opinião, de um profissional da área.

SIM, TEMOS PILOTOS

Gostaria de parabenizá-los pela matéria “Podem sobrar pilotos” (AERO 211). O assunto é oportuno. O que falta hoje no mercado são pilotos com mais de 4.000 horas de voo, porque os que têm essa experiência já estão empregados. Eu mesmo conheço pessoas que estão começando a voar com 35 e até 40 anos com a ilusão de que logo estarão empregadas ganhando 10 mil reais por mês. Na verdade não estão faltando pilotos. Sou comandante de uma empresa aérea e, sempre que temos seleção para contratar 40 pilotos, por exemplo, aparecem 240 candidatos. Gostei muito da matéria. Ela mostra a realidade. Desejo sorte a esses novos pilotos.


15 comments

  1. Adriano Murilo
    6 anos ago

    Ola Raul Marinho ,
    Queria Saber Sobre Os Exames De Visao , Pois Tenho Um Problema Nos Olhos
    Chamado Miopia
    Queira Saber Se Ira Me Prejudicar Na Carreira e Qual Estrategia Usarei Para
    Sair Dessa.
    Abraço

    • Raul Marinho
      6 anos ago

      Adriano,

      Baixe o RBAC-67 (tem um link no blogroll), e confira tios os requisitos médicos, se vc quiser. Mas te adianto que, se sua miopia for corrigida com óculos/lentes e vc enxergar no mínimo 80%, vc não terá problemas.

  2. Fabiano Primo
    6 anos ago

    Eu acho isso muito relativo tudo isso pois o que vejo e tem pessoas querendo atropela etapas ja querem comecar no top ao inves comecar no malote ou em uma aeronave de pequeno porte (fazendeiro/ empresario) para adquirir uma convivencia maior com o meio para dai sim subir mais um patamar. quanto a essas coisas e nao me preocupo(isso nao segnifica acomodar) nada na minha vida foi facil ja estou acostumado a ralar para consegui algo e tenho certeza q nesse ramo nao sera diferente pois querem moleza mastigue agua.

    • Alisson
      6 anos ago

      Grande verdade. 99% dos alunos dessas salas abarrotadas de alunos de PP teórico estão de olho numa vaga na Azul, TAM, GOL … Seguindo o famigerado “sonho de infância” que muitas vezes não passa de um encanto por aviões, e na verdade nem é vocação. Aviação tem que nascer pra isso, e não só achar avião bonito.

      Quem nasceu aviador, vibra com qqer coisa que tenha asas e voa. Topa qualquer parada, pois pra ele o que importa é estar envolvido com a atividade aérea.

      Quem lucra com esse oba oba são as escolas. Entendo que por baixo dessa poeira toda que tem se levantado com essa história de apagão de pilotos, só um pequeno percentual de pessoas irão perseverar. E o mercado de trabalho da aviação civil vai continuar como sempre foi: indefinido e cheio de variáveis.

      Abraços.

      • Luciano Cavalcante
        6 anos ago

        Alisson, muito bom o seu ponto de vista… Tenho que concordar em parte com o seu raciocínio, mas tenho que descordar de outros pontos… SIM, tem que ter vocação, dedicação e querosene de aviação correndo no lugar do sangue sim para poder pensar em se tornar um aeronauta! Mas isso não é só aqui… é em qualquer profissão! Entendo que nos outros meios até dá para um cara que nasceu para ser um profissional “x”, por algum motivo “y”, hoje trabalha como profissional “z”… Mas aqui tem que ser aviador NATO mesmo e nem adianta tentar se tornar só porque é bonitinho ou coisa e tal que não vai nem entrar na taxiway…. O fato de um aluno iniciante sonhar com as “vagas” nas companhias áreas emergentes é normal e natural… Isso acontece com todo mundo. Tem que sonhar um pouco, talvez depois passe, quando a realidade nos encarar de frente.

        Em parte, isso ajuda, pois proporciona um objetivo a ser alcançado (talvez no futuro isso mude…).
        Mas que as escolas de aviação estão “bombando” por aí com essa idéia de apagão (e lucrando em cima dos outros), hummm,… as salas de aula estão cheias e quase não tem aeronave disponível para fazer aula prática… tudo já agendado!!!

        Na verdade acho que falta uma pitada de tudo nesta caldeirada: Desde uma política de ensino melhor, um plano de ascensão progressivo que possa atender desde o aluno que acabou de checar o PC até aquele comandante que já tem milhares de horas e não pode nem diminuir o ritmo senão “cai”, criar meios lícitos para que o futuro piloto possa adquirir experiência sem ter que ficar mendigando voar de graça as custa de aproveitadores, a ANAC se movimentar de alguma forma em benefício do seu efetivo de pilotos civis e não das empresas aéreas, enfim…. falta muita coisa que fica bonito só no papel, mas que na prática é um “angu de caroço”.

        E aquela pessoa que pensa que vai checar o PC, colocar algumas horas no bolso e já pode correr pro abraço das empresas por aí… tá enganado MESMO. Fazendo um comparativo com o meio acadêmico no Brasil, tem gente que termina uma faculdade de anos, faz pós graduação e o escambau e por fim acaba tendo que ganhar muito menos do que o piso base da classe a que pertence só porque não tem muita experiência para determinada empresa… Agora imagine no meio aeronáutico que é uma das poucas profissões onde não existe margem para aprender com os seu próprios erros ou pecar pela pouca experiência que tem…. Eu, você, todos querem ser os melhores naquilo que fazem, o problema é que, aqui no meio da aviação, existem poucas formas (e quando tem alguma leva muito tempo para chegar lá) de se adquirir experiência… mas o problema está no sistema que precisa ser melhorado e acho que estamos juntos fazendo a nossa parte somando idéias para chegar no senso comum da melhoria continua do processo.
        Um abraço e vamos pra frente…

      • Amigos Alisson e Fabiano, NÃO DISCORDO de vc´s, entretanto penso que não devemos crucificar aqueles que vêem a coisa dessa maneira, muito pelo contrário, o próprio tempo vai fazer a seleção natural dos que são somente “fogo de palha” daqueles que realmente vão chegar lá (Mas estamos desejando que “nossos amigos fogo de palha” não se frustrem e não percam energia com uma coisa q não é a realidade que eles acreditam!)

        Digo por mim mesmo, não sou nem PP, não passo de um mero AeroEntusiasta, mas confesso que a aviação é algo que me fascina, se um dia vou chegar lá, não sei, quem sabe, condições financeiras eu não tenho nenhuma, mas se tem uma coisa que eu posso é Sonhar, Planejar e por que não tentar… (Por isso estamos no blog “Para ser piloto”, e não “Para quem é Piloto”)

        Não estou retaliando, muito pelo contrário, como eu disse NÃO DISCORDO de vc´s, o q vc ´s dizem é verdade, e a verdade é dura, machuca, e as vezes é preciso ouvir

        Acredito que a linha tênue que define Sonho de Realidade, factível de Impossível é o BOM SENSO, por isso que o futuro Aeronauta ou qualquer outro profissional deve munir-se de informações úteis para construir estratégias para atingir seu objetivo , em outras palavras, o que precisamos é “ ter a cabeça nas nuvens com os pés no chão”
        Por isso deixo abaixo uma nota bacana

        Um grande Abraço
        Heron

        [Filosofia do Sucesso]

        Se você pensa que é derrotado,
        você será derrotado.
        Se não pensar, quero a qualquer custo,
        não conseguirá nada.
        Mesmo que você queira vencer,
        mas pensa que não vai conseguir,
        a vitória não sorrirá para você,

        Se você fizer as coisas pela metade,
        você será um fracassado.
        Nós descobrimos neste mundo
        que o sucesso começa pela intenção da gente
        e tudo se determina pelo nosso espírito.

        Se você pensa que é um malogrado,
        você se torna como tal.
        Se você almeja atingir uma posição mais elevada,
        deve, antes de obter a vitória,
        dotar-se da convicção de que conseguirá infalivelmente.

        A luta pela vida nem sempre é vantajosa aos
        fortes , nem aos espertos.
        Mais cedo ou mais tarde, quem cativa a vitória
        é aquele que crê plenamente…

        Eu conseguirei !!!
        (Napoleon Hill)

        • Alisson
          6 anos ago

          Concordo também com você, Heron. A propósito, lembro bem desse texto do N. Hill. Tive de decorá-lo num treinamento que fiz que se chama “Leader Trainning”. Talvez você o tenha feito também.

          Voltando ao assunto, nem é uma questão de julgar, condenar e crucificar ninguém. O que tentei foi dar uma possível explicação do por quê das escolas hoje estarem lotadas, principalmente as turmas de PP.

          Não sei qual tua idade, mas eu também só pude ter oportunidade de começar a tirar minhas carteiras com 33 anos. Antes disso, era só sonho mesmo. E se não tivesse chegado a hora ainda, eu continuaria sonhando. Tudo tem seu tempo.

          Um grande abraço.

  3. Calegari
    6 anos ago

    Acredito que não só na aviação, mas como em qualquer outra profissão que exija mão-de-obra qualificada, o fator experiência é um dos itens determinantes em uma seleção para emprego.

    Claro que quem está pensando que irá gastar 60,70,80,90 mil reais (isso mesmo, já estou estimando minha formação em 90 mil, entre horas vôo e outros gastos) e de imediato terá um emprego com seu nome e um salário de não 10 mil, mas de 5 mil o aguardando, vai se decepcionar, mas quero acreditar que essa não seja a realidade de um piloto voando seu PC, pois PP´s é fácil encontrar com esse pensamento.

    Meu conselho para quem está iniciando ou para quem pretende ingressar nessa profissão é que pesquise bem a respeito e tente conversar com alguém que já faz parte do meio, pois além do capital investido que tanto se fala, sua jornada irá exigir estudo, dedicação, disciplina, e tempo, onde muitas horas e porque não dias que normalmente eram dedicados a família e lazer serão empregados nessa nova jornada.

  4. Alisson
    6 anos ago

    A grande pergunta é: Quem vai preencher esse hiato entre os novatos (200hs PC/MLTE/IFR) e os experientes comandantes com 400 mil horas de voo, experiência interplanetária, Atlantis, Discovery e Endeavor na carteira????

    Esse “gap” existe devido à falta de um processo de progressão na carreira do aviador de uma maneira geral.

    No passado recente, CIAs aéreas não contratavam ou quando contratavam, só pegavam piloto já bastante voado. Taxi aéreo idem.

    Assim a taxa de natalidade de pilotos nesse periodo foi baixa. Por isso essa lacuna agora. De um lado uma renca de novatos, e no final da outra ponta, os dinossauros com muita experiencia. Mas no meio do caminho, nada.

    O que vai ser daqui pra frente. Só Deus sabe. Ou talvez nem ele. Só sei que o mercado de trabalho pra pilotos não tem nada de “favorável” como estão pintando.

  5. Só uma opinião

    Olha, o que tenho percebido no mercado de trabalho como um todo é o seguinte:

    Só vemos as empresas indo de encontro na formação de profissionais quando a Mão de Obra é muito rara ou dependente da escassez profissional, é o caso, por exemplo, dos Engenheiros que no Brasil atualmente são a bola da vez, logo esse fenômeno não é exclusividade do mercado de trabalho na aviação, (Claro, o objetivo aqui é discutir o mercado de trabalho para pilotos. Ok!)

    O que falta mesmo é Mão-de-Obra “Qualificadissíma”, ou seja, profissionais com formação acadêmica exigida e vasta experiência prática e o atendimento a requisitos específicos e etc e etc…, talvez seja por isso que temos milhares de jovens saindo das universidades e ficando desempregados (ou em empregos que não condizem a sua formação) e ao mesmo tempo ouvimos os discursos eloquente das empresas reclamando da falta de profissionais no mercado como se colocando como vitimas dessa realidade.

    No livro O Sonho Brasileiro (o qual li por indicação sua Raul no Coaching…) de Thales Guaracy o ilustre Rolim Adolfo Amaro que criou a Tam e sua filosofia de negócios diz: “É melhor que os pilotos aprendam no avião dos outros.”

    Penso que as Companhias Aéreas como qualquer outra corporação não são instituições filantrópicas, tem um objetivo simples e claro chamado Lucro, (nem um problema com o lucro que é o combustível para sobrevivência), entretanto com as novas práticas corporativas no que tange à responsabilidade social acredito que o mercado em si poderia encontrar formas eficientes de fomentar a qualificação profissional tão necessária para melhor operação de seus negócios. No caso da formação de pilotos, precisa-se mudar um pouco a formar de pensar sobre o assunto… Em suma, concordo com sua posição no artigo
    O “apagão de pilotos” segundo a TAM – E um apelo veemente!

    Quanto ao relato do leitor da Aero Kleber Sabbado em conhecer uma galera com a ilusão de que logo estarão empregados ganhando R$10 mil / mês, penso que cabe a esses aspirantes conhecer um pouco mais do mercado em que pretendem atuar, é justamente esse o motivo que acompanho o conteúdo desse blog.

    E isso aí,

    Um grande Abraço, e mais uma vez obrigado por abrir esse espaço para nos orientar
    Heron

  6. Luciano Cavalcante
    6 anos ago

    Raul assim como você é um apaixonado pela aviação… , quando tive oportunidade quando militar, passei dois anos servindo no Porta Aviões da MB só para ficar mais perto d os helicópteros e do meio aeronáutico, vivendo cada dia intensamente… Mas como muitos outros entusiastas e amantes do meio, não venho de família rica que pudesse prestigiar meus gostos de querer ser um aviador civil e nem tive a oportunidade de passar para uma academia militar da vida para me tornar piloto… Hoje tenho 31 anos e estou a alguns meses na luta para tirar o meu PP, inicialmente, como o intuito apenas de poder cruzar os céus do nosso Brasil a bordo de uma aeronave. Claro que como todo futuro piloto, quero galgar muito mais que o PP e considerar o céu como limite para isso. Hoje sou um profissional da área de TI com uma carreira sólida e bem estável que está me proporcionando “investir” (dentro dos limites) neste meu sonho… Do jeito que as coisas estão indo, pretendo daqui a uns dois anos estar com o PC checado e com algumas horas de vôo no bolso… Venho acompanhando seu blog desde o início e vi que você já conseguiu subir alguns degraus significativos na formação aeronáutica que já pode te proporcionar competir no mercado de trabalho das grandes empresas nacionais por uma vaga de piloto. Com isso, pergunto: Independente das influências ou do seu conhecimento interpessoal com o meio, você hoje, está encontrando alguma dificuldade para competir no mercado de pilotos nacionais? Realmente a dificuldade persiste ou insiste em dificultar a conquista de tão almejado sonho (meu, seu e de tantos outros…)? Parabéns pelo post e pelo resumo da reportagem da revista Aero Magazine… Continuarei aqui te acompanhando, amigo! Como dizem por aí: “Sou brasileiro e não desisto nunca…” (espero)

    • Luciano Cavalcante
      6 anos ago

      Correção do inicio do texto “Assim como você, sou um apaixonado pela aviação…”

  7. Fred Mesquita
    6 anos ago

    Por mais que se possa falar que alguns ou muitos possam estar se iludindo a toa, esses preferem manter-se e viver nesta ilusão e mesmo assim ainda tentar algo que é quase impossível. Preferem acreditar em matérias jornalísticas sensacionalistas de que falta pilotos no mercado. Gastam o que não podem com essa falsa ilusão. Que depois não venham reclamar e “chorar o leite derramado”. Falta de aviso não foi.

Deixe uma resposta