PCH, a bola da vez!

By: Author Raul MarinhoPosted on
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No ano passado, eram os pilotos de avião que estavam em falta (o tão comentado “apagão de pilotos”), e a imprensa não se cansava de informar que qualquer sequelado que passasse na frente do aeroclube conseguia um emprego para ganhar R$40mil. Hoje em dia, todo mundo está muito mais cauteloso ao falar sobre o tal boom da aviação, especialmente depois da demissão em massa promovida pela Gol.

Agora, a bola da vez é a aviação de rosca. Leia abaixo a reportagem publicada em 16/04 no Jornal do Commércio (original aqui). Volto depois para comentar.

OPORTUNIDADE

Vaga certa para piloto de helicóptero

Os negócios do setor de petróleo e gás estão aquecendo a demanda por estes profissionais

Publicado em 16/04/2012, às 07h32

Raissa Ebrahim

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O aquecimento da indústria de petróleo e gás e as descobertas de reservas no pré-sal têm feito a carreira de piloto de helicóptero prosperar. A cada ano, mais vagas são abertas em todo o País, incluindo Pernambuco, com destaque também para as idas e vindas de executivos a Suape. Em todo o Brasil, o número de licenças emitidas anualmente saltou de 187, em 2006, para 450, em 2011, segundo os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A formação é cara e exige tempo. Hoje as principais demandas, assim como os melhores salários, são por profissionais nos setores executivo e offshore. A remuneração inicial costuma ficar em torno de R$ 6 mil. Pilotos mais experientes, no entanto, podem ter um ganho que ultrapassa R$ 15 mil.

Na área executiva, a principal função é de taxi aéreo, que leva profissionais do alto escalão de grandes empresas a seus compromissos. Já os que fazem voos offshore costumam prestar serviço a petroleiras, transportando equipes para as plataformas.

De acordo com a Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), o Brasil tem hoje aproximadamente 3.400 pilotos de helicóptero licenciados em exercício. “São poucos os pilotos desempregados, não chega a 5%. A demanda atual está sendo atendida”, afirma o presidente Rodrigo Duarte.

Para se ter ideia, a frota de helicópteros no Estado de Pernambuco vem crescendo entre 10% e 15% nos últimos três anos, segundo a associação. Números da Anac mostram que atualmente o Estado ocupa a 11ª colocação em número de helicópteros registrados no País, com total de 25 aeronaves.

Localmente, a única opção para formação de pessoal é o Aeroclube de Pernambuco, no Pina, Zona Sul da capital. Mas lá só é dado o curso teórico, que custa cerca de R$ 2 mil e tem duração entre 3 e 4 meses. Para fazer o prático, é preciso sair do Estado e ir para locais de referência, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Curitiba. Foi justamente nesta última localidade que o publicitário Fernando Bastos resolveu apostar. Ele largou tudo há alguns anos e resolveu apostar na carreira. “Nunca tinha pensando na profissão, mas terminei me encantando quando via alguns modelos no aeroclube. E está dando certo”, comemora. Ele também diz saber dos desafios, está ciente que precisa de muito mais horas de voo do que as exigidas pela Anac para conseguir as melhores oportunidades. “O mercado realmente está absorvendo, mas é preciso se dedicar”, aconselha.

Comento

De fato, o crescimento da demanda de pilotos de helicópteros nas plataformas é enorme, e o mercado está muito preocupado com a falta de tripulantes para os helicópteros encomendados. Só que uma coisa permanece inalterada (e não vai mudar): somente PCHs-Pilotos Comerciais de Helicópteros com mais de 500h de voo é que podem trabalhar nas plataformas, e isso não é “frescura” das empresas de táxi aéreo, não. Na verdade, trata-se de uma exigência da convenção coletiva de trabalho dos petroleiros, que requerem helicópteros biturbinas operando somente no período diurno, PLA-Hs-Pilotos de Linha Aérea de Helicópteros comandando, e PCHs com no mínimo 500h como F/Os-First Officers, sendo que todos os tripulantes e equipamentos têm que estar homologados para operar sob regras de voo por instrumento para helicópteros (IFR-H). Como PCHs com IFR-H  são coisa rara no mercado, as empresas até contratam pilotos sem esta habilitação, e concedem, elas mesmas, o treinamento de voo por instrumentos. Mas as 500h não tem jeito… Ninguém vai pegar um piloto com 100h e dar 400h de voo pro sujeito se qualificar, seria inviável economicamente.

Quando o presidente da ABRAPHE-Associação Brasileira de Pilotos de Helicópteros fala de uma taxa de desemprego inferior a 5%, ele deve estar se referindo aos pilotos como um todo, a maioria veteranos. Pois entre os recém-formados, o desemprego é imenso – não saberia arbitrar um número, mas eu conheço muito mais gente desempregada que empregada, entre os PCHs com menos de 500h. O ponto que a reportagem omite é que existe um buraco negro para o PCH percorrer entre o momento em que ele pega o brevê de Piloto Comercial (às 100h de voo), e a abençoada linha das 500h na CIV-Caderneta Individual de Voo. Além da citada restrição para voar nas plataformas, os novatos são impedidos de entrar no mercado dos helicópteros menores (da aviação executiva, na maioria) por restrições das seguradoras, que se recusam a endossar apólices de equipamentos operados por novatos (ou então cobram um sobrepreço proibitivo). E como, para os equipamentos menores, praticamente não existe a função de copiloto ou F/O (onde os Pilotos Comerciais de Avião costumam trabalhar no início da carreira), as opções para um PCH recém-formado trabalhar são muitíssimo restritas. Sobram, na prática, a instrução, as atividades “marginais” (rastreamento de cargas roubadas, por exemplo), e os equipamentos cujos proprietários não fazem seguro (estes últimos, pilotados preferencialmente pelos veteranos, justamente porque não estão segurados…).

Enquanto esse nó do desemprego para o recém-formados não for desfeito, não vai adiantar nada aumentar o número de PCHs formados, pois o mercado continuará desabastecido de pilotos de helicóptero viáveis profissionalmente. Isso é o que precisa ficar claro para quem pretende ingressar na área.

21 comments

  1. walter
    3 anos ago

    Sou apaixonado por helicóptero,tem um sonho de segui essa carreira,mais a muito dificuldade para chega às 500 hrs de vôo.Investi 80 mil reais para pch, e lá na frente ter dificuldades para consegui um emprego é um absurdo. Então esse sonho fica longe de ser realizado.Ja ouvi falar comentários de pilotos pchs trabalhar de graça só para ganha hrs de vôo, muito tenso isso.Por fim sou mais investi esse dinheiro todo em uma faculdade ou abri uma pequena empresa.

  2. Allan F. Alonso
    4 anos ago

    qual a melhor alternativa para conseguir trabalho logo após ter PCH ? até hoje era dar instrução, mas como vai aumentar para 200 horas em comando vai ficar raro tbm

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Essa é a pergunta de US$1milhão, Allan..

      • Allan F. Alonso
        4 anos ago

        kkkk valeu, ajudou bastante

      • Allan F. Alonso
        4 anos ago

        Estou me Formando agora em Ciências Aeronáuticas, tenho ponto por isto ? sei que para avião é muito importante hoje em dia, para helicóptero também é ?

        • Raul Marinho
          4 anos ago

          Obviamente, não atrapalha… Mas o que faz diferença mesmo são as horas de voo e a habilitação IFRH – além, é claro, do QI.

          • Allan F. Alonso
            4 anos ago

            É realmente, 90% dos meus colegas empregados foram por Q.I.
            Muito obrigado pelas respostas, estou em uma fase de decisão e não é fácil, acho q vou investir mesmo no IFRH e ir pra luta..

  3. Vinicius
    4 anos ago

    Me desculpem, numa boa, até hj só vi esse Raul metendo o pau e desestimulando os que estão ingressando agora na aviação! Como se fosse difícil conseguir emprego só na aviação!! Por acaso tem emprego fácil para quem acaba de se formar em direito, engenharia, medicina, economia, psicologia, odontologia, administração, etc, etc, etc… Não tem molezinha em lugar nenhum não meu amigo!

  4. Cardozo
    5 anos ago

    Complemento a tudo que falamos:

    http://aeromagazine.uol.com.br/voo-seguranca/211/artigo243030-1.asp

  5. Cardozo
    5 anos ago

    Primeiramente agradeço o espaço e parabenizo o Raul pela inciativa.

    Virei a estatística comentada.

    Investi aproximadamente 100 mil na formação + horas de voo para checar o tipo HU30 schweizer + horas para checar o tipo R44 + Cursos teóricos + aulas particulares + viagens para voar em outro estado+ hospedagem… e por ai vão os gastos. Sou piloto comercial de Helicóptero

    No todo estou atualmente com apx. 140 hrs de voo. Onde vou conseguir emprego, es a pergunta?

    Minha unica esperança é a instrução… preciso contar com a boa vontade das escolas que eu vooei me chamarem para ser instrutor.

    Detalhe… a mídia fez muita propaganda para a profissão… formaram muitos pilotos PCH e todos também querem ser instrutor.

    “Ferrou meus amigos”

    O meu conselho para os novos pretendentes a piloto é fazerem o curso se realmente forem apaixonados pela profissão e aceitem que vão se dar muitooo mau até conseguir trabalhar… talvez… gaste o dinheiro atoa e não consigam trabalhar.

    Desculpem por falar a realidade.

    • Mário
      5 anos ago

      É Cardozo, estou no mesmo barco que você..complicado demais…
      Boa sorte!

  6. lucio
    5 anos ago

    Os que conseguem as 500 horas, o que fazem para conseguir? Pagam de treinamento(alugando), até conseguir? ou é só com algum emprego? estágio?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Pagar 400h de voo a R$700/h? Vc acha que alguém faria um cheque de R$280mil, depois de gastar quase R$100mil com sua formação básica, para ser um PCH viável? Tem certas perguntas que poderiam ser evitadas com um mínimo de reflexão, né?

      • Fred Mesquita
        5 anos ago

        Quem gasta uma grana dessa nem precisa procurar emprego. Com isso na poupança, eu viveria da renda por uns 10 anos sem problema. Gastar tudo isso pra não ter a certeza de um emprego, só louco faria isso. (louco ou filinho de papai, que vai trabalhar de graça e o pai paga o salário por baixo dos panos)… já vi casos assim.

      • Mário
        5 anos ago

        Complicado mesmo, e nisso já foi meu dinheiro, minha moto, meu carro…e seis meses esperando uma oportunidade após formado. Sem contar a má fé das escolas que prometem vagas p/ todos e após formado você entra em uma fila com outros 35 em sua frente e o pior é que a fila não anda.

        Abraços e boa sorte a todos os PCH/INVH que como eu estão desempregados.

  7. Confesso que tenho um interesse maior pelos helicópteros, do que pelos aviões, porém esse “buraco negro” ate as 500 horas me causa um pouco de desconforto e preocupação, afinal de contas, ficar desempregado é osso!!!

  8. Marvin
    5 anos ago

    Mais uma vez Raul, obrigado por nos mostrar a realidade, que nunca é mostrada nas reportagens.

  9. Fred Mesquita
    5 anos ago

    As reportagens sempre falam da maravilhas que é a aviação mas omitem os impecílios que muitos terão ao longo da carreira para ter a habilidade minima exigida. Esse é o ponto negativo que faz muitos procurarem as escolas de aviação em busca de um sonho. Não que ninguém possa fazer o curso mas que essas informações deva ser repassadas a todos.

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