A falta da “cultura de segurança” na aviação brasileira

By: Author Raul MarinhoPosted on
1292Views13

O texto deste artigo encontra-se publicado em https://paraserpiloto.org/blog/2018/03/15/recordar-e-viver-o-acidente-de-2012-com-o-king-air-em-jundiai-pp-wca/

13 comments

  1. Eduardo
    6 anos ago

    Por que as investigações do CENIPA demoram tanto?

    • Raul Marinho
      6 anos ago

      Boa pergunta.

    • Fred Mesquita
      6 anos ago

      Com o grande número de acidentes aeronáuticos no Brasil, falta de pessoal qualificado e falta de investimento por parte do Governo Federal ao Cenipa, é uma das respostas na demora das investigações.

  2. Bruno Leite
    6 anos ago

    Eu tenho o seguinte pensamento… “não faça se não se sentir seguro!”.

    Aprendi isso quando trabalhei na Vale. Por vezes foi provado que acidentes acontecem justamente quando a possibilidade de que eles ocorram sejam ignoradas.

    Infelizmente nós humanos aprendemos de fato a partir da experiência prática, se não passamos por ela podemos ignorar (e assumir) as consequências e seguir em frente. Acredito que se alguém passar pelo susto de estar pilotando um avião e ele quase cair… certamente essa experiência fará lembrar disso na próxima vez que tiver que executar o que precisa ser feito em situação semelhante. No entanto o avião pode cair e não te dar uma segunda chance!

    No caso desse terceiro acidente relatado… penso o seguinte… quando chegar minha vez vou combinar com o instrutor de não marcar nenhum compromisso importante logo depois da missão, pois imagine se no trajeto de volta o tempo piore (como no caso desse acidente) e temos que desistir de seguir em frente (o mais prudente) e dormir no local em que estamos e aguardar um próximo dia com tempo melhor. Então, se não pensarmos nesses imprevistos e tivermos compromissos importantes os envolvidos certamente irão insistir naquilo que sabem que é errado!

    Igual a lei seca… a pessoa sabe que pode causar um acidente (e tirar a própria vida ou a de outra pessoa) ou mesmo perder a habilitação em uma blitz. Mesmo assim 70% dos que estão ali bebendo insistem em dirigir na volta pra casa. Já vi um pai de 3 filhos deixá-los órfãos (isso mesmo a mãe faleceu um ano antes de sua morte) após ser atropelado por um motorista bêbado.

    Paralelamente nos perguntamos… podemos confiar nos INVAs? Afinal você foi informado que eles tiveram treinamento e são capacitados para agir em situações adversas.

    Meu amigo, entenda de uma vez por todas: dinheiro move o mundo e tempo é dinheiro, no entanto acredite no poder de um NÃO… se não se sentir seguro não faça! Não deixe seu sentimento de que poderá ser boicotado por isso leve-o a concordar em correr riscos. Se preferir volte de ônibus se o instrutor insistir, imagine se esse jovem de 19 anos estivesse nessa encruzilhada e opta-se por ter voltado de ônibus?! Estaria vivo… mas isso é uma suposição, de fato não tenho a mínima ideia do que aconteceu.

    Quanto ao dono do avião… mais vale ter um dia a mais para explorar o seu avião ou perdê-lo num acidente?

    Para o aluno fica o recado… diferentemente da lei seca, você pode perder sua vida ao invés de apenas perder sua habilitação, pense nisso!

    Revoltante isso!

  3. Ricardo
    6 anos ago

    Ótimo Post Raul, infelizmente esta é a nossa realidade.

  4. Rodrigo (@_aerorodrigo)
    6 anos ago

    Raul, em primeiro lugar agradeço e lhe parabenizo pelo belo texto.

    Infelizmente é isso aí que você expôs, este é um dos grandes fatores que me preocupam muito na aviação geral, as coisas são levadas muito superficialmente quando se tratando de segurança, (não todas as vezes logicamente, mas na maioria dela.) Em alguns aeroclubes/escolas não há o interesse em demonstrar e discutir este assunto, cultivar e apoiar questões de segurança das mais simples ou avançadas. Gostei quando você colocou a parte do “Não pega nada, não!”, já passei por isso no inicio da minha instrução, foi uma das vezes em que percebi que temos que ter pulso forte e saber a hora certa de falar um sonoro “Não!” mesmo que seja para seu INVA. Relacionado a Cultura de Segurança agora no quesito de operação da aeronave, algumas escolas tem a coragem de retirar a seção de procedimentos de emergência dos manuais das aeronaves, entregando ao aluno somente uma copia do manual com operações normais, alem do mais, os procedimentos muito raramente são demonstrados ao aluno, exceto quando treinando uma pane de motor e por ai vai, e ainda pior (e preocupante) quando perguntamos como agir em determinada situação e seu instrutor demonstra pouca proficiência, nesse momento você se vê e se sente sozinho na cabine.
    Já que não temos essa Cultura tão importante na aviação geral, nos resta então fazer o nosso melhor e passar isso aos próximos que vem por aí, materiais temos muitos como você mesmo citou a FAA, os Safety Briefings deles trazem sempre dicas de como aprimorar a operação aérea, leio muito e passo adiante, inclusive para instrutores, que por vezes ficaram impressionados – porque não dizer – com as inúmeras dicas e detalhes que fazem a diferença na segurança das operações.

  5. Fred Mesquita
    6 anos ago

    Na ânsia de fazer as horas de voo o mais rápido possível, custe o que custar, muitos novos pilotos estão decolando seus aviões (ou pegando carona mesmo) sem pensar em cultura aeronútica. Esse corrida em busca de experiência e horas de voo de forma imediata ainda vai ceifar muitas vidas, como num jogo de “roleta russa” na qual esses sempre pensam que só acontece com os outros.

    É de se lamentar que dentro desse novo movimento nacional à procura do “grande sonho de vida”, não exista nenhuma regra e/ou limites para o que vem a seguir. Estamos largados à sorte grande, à revelia.

    Como dizia o Boris, “Isto é uma vergonha”.

Deixe uma resposta