Fusão Azul-TRIP e o mercado de trabalho

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Não se fala de outra coisa no mercado aeronáutico nesta semana que não a fusão da Azul com a TRIP, conforme noticiei ontem. Mas, para nós, daqui deste blog, só nos interessa avaliar as consequências específicas do fato para a formação aeronáutica e de mercado de trabalho. Então vamos lá, vejamos quais são elas:

  • Se não houvesse a fusão, é muito provável que a TRIP acabasse caindo no colo da TAM, mais ou menos como aconteceu com a Pantanal. Portanto, não acho que “perdemos uma companhia aérea”, já que a TRIP iria desaparecer de qualquer maneira, cedo ou tarde. E, já que é assim, que ela tenha desaparecido para fortalecer uma 3ª força no mercado, o que deixa as empresas aéreas do país em maior equilíbrio, o que é uma boa notícia. (O mercado não ficou mais concentrado, ao contrário do que parece).
  • Parece-me que o “marido traído” nessa história (ou a “esposa traída”, já que o nome é feminino) foi a TAM, que tinha mostrado interesse em adquirir 31% da empresa tempo atrás (o que não se concretizou ainda, acredito, devido aos recentes resultados negativos da Vermelha), e mantinha um acordo operacional com a companhia regional. Agora, a TAM vai ter que dar um jeito de suprir a falta da TRIP para sua operação regional, seja com a criação de um departamento de aviação regional dentro da empresa, seja com a reativação da Pantanal (praticamente não sobrou empresa para ser comprada no mercado). Portanto, a TAM deverá contratar tripulantes para isso, o que é uma boa notícia.
  • Não acredito que haverá demissão de tripulantes, ou de trabalhadores das áreas operacionais, já que a Azul+TRIP deverá manter sua estratégia de aumentar market share. Já quanto a trabalhadores das áreas administrativas, é evidente que haverá cortes. Para quê duas diretorias financeiras, duas diretoriais comerciais, etc?
  • Não é uma boa notícia para os tripulantes o fato de que a empresa que mais cresce no setor aeronáutico brasileiro ser justamente a que paga os menores salários do mercado… Mas, por outro lado, os salários+benefícios da Azul são um pouco melhores que da TRIP, então para o conjunto de tripulantes da Azul+TRIP deverá haver algum alento.
  • Com a compra da TRIP, a Azul fica mais próxima da abertura de capital (que deverá acontecer somente quando o panorama econômico mundial melhorar), o que deverá viabilizar seu verdadeiro salto. Quando isto ocorrer, é bem provável que a empresa deixe de ser tão regional, comece operar com aviões maiores e, finalmente, melhore seu padrão salarial. É uma esperança…

Como disse no post de ontem, eu acho a fusão Azul+TRIP (ou, sendo mais preciso, a compra da TRIP pela Azul) é mais positiva que negativa para nós, tripulantes. Mas veremos como a banda toca…

8 comments

  1. Chumbrega
    4 anos ago

    Informações confiáveis de conhecidos nos dois grupos dizem que saiu a lista de senioridade unificada (Captains, FOs, FAs) da TRIPAZUL. A princípio a impressão é de que a distribuição foi “justa”, pelo menos pra que tá no “meio do bolo”.

    Acerca do que se define como compra ou não de uma empresa, em especial a LATAM… não entendo muito disso, mas me parece que nos dois casos (novazul e sobretudo LATAM), não houve transação financeira ou saída de nenhum dos sócios do negócio, ou das empresas tidas como adquiridas. à luz do CPC 15 (combinações de negócios), pelo que eu li, me parece portanto que em ambos os casos foi fusão sim. Na mais nebulosa das hipóteses, foi incorporação. Por exemplo: se você vende um carro, é esperado que o comprador te pague e que ele deixe de incorrer nos custos e de auferir os ganhos de ter aquele carro. Isso não aconteceu em nenhum dos casos. Mas o Raul tem um background bem melhor nisso e parece ter uma opinião diferente. Entretanto, quem vai mandar (na novazul e na latam) já tá bem claro: são os estrangeiros.

    PS – RBAC 61 revisão 1. Novidades ?!?

  2. julio
    5 anos ago

    HAAAAAAAAAAA,só pra lembrar a nova marca AZUL OU TRIP ainda nao foi definida onde a Azul como muita gente acha é que mais forte … Mais isso nao é verdade… A Trip comanda todos os aeroporto de minas gerais e toda a regiao do amazonas e nessas regioes ninguem conhece a marca Azul…

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Então tá então… Conversamos em 2013/14. Se a marca remanescente for a da TRIP, pode entrar em contato comigo que eu te mando um Chicabon pela TRIP Cargo. Mas mesmo que a marca remanescente for a da TRIP (o que é absurdamente improvável), isso não muda o fato de que A AZUL COMPROU A TRIP, conforme explicado abaixo.

  3. carlos
    5 anos ago

    Raul, as informações aqui postadas, nao sao bem claras, ou melhor nao sao verdadeiras… Todos ja sabem que a Azul nao comprou a Trip e sim houve uma fusao… A Tam nunca ja mais compraria a Trip , pq todo mundo ja sabe que a Tam deve ate as calças para o governo e nao tem grana pra nada… A fusao da Trip e Azul é de duas empresas que fecharam no azul no ano passado… A trip fechou com um FATURAMENTE DE 400 MILHOES DE REAIS… quanto outras empresas fecharam no vermelho…O acorde da TAM COM Trip IRA ACABAR NOS PROXIMOS MESES… Onde ja fomos avisados denao vender mais voo com a aparceira…

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Em 22 anos de mercado financeiro, eu nunca vi uma fusão de verdade acontecer: é sempre uma empresa maior comprando uma menor. No começo, vc acha que é fusão, mas passam alguns anos e vc vai ver e… Tchãrãm!!! Cade a empresa menor que estava aqui? Desapareceu! A maior “fagocitou” a menor completamente! e isso não vai ser diferente no caso Azul+TRIP, pode apostar. Ou vc tem alguma dúvida de que vai ser o Neeleman e sua turma que estarão dando as cartas na empresa de agora em diante? “Fusão” é só um termo politicamente correto para que o grupo vendedor não se sinta por baixo. Veja, por exemplo, a “fusão” entre Itaú e Unibanco… Quem é o Unibanco hoje? Nada! O banco é Itaú e ponto – mesmo que os Moreira Sales tenham assento no Conselho do Itaú.
      No caso da LATAM, porém, existe uma particularidade: empresas estrangeiras não podem ter mais de 20% do capital de empresas aéreas no Brasil, de acordo com o CBA. Por isso, existe um “acordo de acionistas” – absurdamente complexo e parcialmente confidencial – que dá a impressão que houve uma fusão entre TAM e LAN. Mas não se engane, a LAN comprou a TAM – só que, por causa do CBA, a TAM atua como uma espécie de “laranja” da LAN na gestão da empresa no Brasil. Mas o presidente da TAM-Brasil tem que pedir bênção dos chilenos até para ir no banheiro… Deu para entender como funcionam as coisas no mercado de capitais?

      Bem, passemos então à TAM que “não tem grana para nada”… Na verdade, a TAM achava que poderia usufruir da TRIP sem desembolso de dinheiro, só com o code share, por isso que ela não a comprou. Pesou nisso o prejuízo de 2011, e o fato dos chilenos estarem focados na absorção da operação principal no Brasil (da TAM), e não quererem desviar o foco para uma operação secundária, como é da TRIP. Agora, dizer que a TATAM não tinha dinheiro, ou que não podia por “dever ao governo” é o cúmulo da ingenuidade… Lamento.

  4. Fred Mesquita
    5 anos ago

    Acho mesmo que a Azul é a empresa que tem a condição de competir um dia com a TAM (protegida pelo governo do PT). A seriedade do pessoal que comanda a Azul os torna mais preparados para os acontecimentos futuros.

  5. pedropramos
    5 anos ago

    Raul, espero mesmo que essa nova ERA da Azul possa mesmo trazer bons ventos p/ todos !

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