Azul/EJ vs. Azul/PUC: qual o melhor programa de formação aeronáutica?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Assim que o “Programa ASA” (convênio da Azul com a EJ e o Santander para a formação de pilotos) foi lançado, eu já levantei a lebre aqui. Logo no meu primeiro post sobre este assunto, eu falei da vantagem que este convênio teria sobre o outro programa mais antigo, celebrado com a FACA-Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS no ano passado, também com o objetivo de formar pilotos para a Azul. Repetindo o que escrevi sobre esta comparação no dia do lançamento do “Programa ASA”:

Logo de saída, chama a atenção o fato de este ser um programa aparentemente muito mais vantajoso que o da PUC-RS, uma vez que custa bem menos (R$80mil contra R$120mil, em valores aproximados), e é muito mais rápido (10 meses contra 3 anos). Mas vamos entender melhor os detalhes (como se sabe, o diabo mora neles) para poder comentá-lo adequadamente.

Bem, agora eu acho que já entendi todos os detalhes de ambos programas, então chegou a hora de comentar adequadamente as diferenças entre os convênios Azul/EJ e Azul/PUC. Para tal, eu solicitei à coordenação da FACA/PUC-RS que nos explicasse, sob o ponto de vista deles, qual é essa diferença. O texto da resposta da minha consulta segue abaixo (assim como a consulta em si), e em seguida eu retorno para os meus comentários. (O texto é bastante extenso, mas o trecho que especificamente compara os dois convênios está no final, em negrito).

Prezado Senhor Raul,

Bom dia.

Agradecendo pelo seu interesse e manifestações a respeito de nosso trabalho, conforme exposto, e tentando ir ao encontro de sua expectativa segue:

1.       A parceria que firmamos com a AZUL Linhas Aéreas estabelece que os egressos de nosso Curso de Bacharel em Ciências Aeronáuticas – Habilitação de Piloto de Linha Aérea (teórico), (visto que a Licença de PLA-A somente será atingível após acumular aprox 3.000 horas de voo) poderão participar de um processo seletivo para ingresso na empresa, simplificado, com a apresentação de aprox. 160 horas de voo registrada na CIV ( as horas requeridas para a obtenção da Licença de PC-IFR/Multi, em torno de 160 horas);

2.       O Curso de Bacharelado em Ciências Aeronáuticas da PUCRS é concluído em seis semestres, operacionalizado de forma que as atividades acadêmicas deverão ser desenvolvidas concomitantemente com as atividades práticas de voo simulado e em avião, de forma que, para o aluno concluir o curso deve ser possuidor da Licença de PC-A/IFR/Multi e ter concluído com aproveitamento todas as atividades acadêmicas;

3.       Possuímos o próprio Programa de Prática de Voo (PVPUCRS) constituído de 07 fases, sendo 03 de voos simulados (IFR/Mono, IFR/Multi e LOFT e Jet Trainer, perfazendo um total de, no mínimo, 165 horas) e 04 fases de prática de voo em avião (PC-Básico, PC-Avançado, PC-A-IFR/ Mono e PC-A-IFR/Multi, perfazendo um total, incluindo as horas do PP-A, de aproximadamente 160 horas de voo);

4.       A AZUL e o Banco Santander possuem uma parceria onde foi desenvolvida uma linha de crédito disponibilizada aos nossos alunos e escolas/aeroclubes parceiros da PUCRS e que aplicam o Programa de voo PVPUCRS.

5.       A parceria da AZUL com o Banco Santander beneficia os alunos que necessitem de financiamento para custear as horas práticas de vôo, já que os sistemas de créditos educacionais não financiam esta formação.

6.       A PUCRS através de seu Curso de Ciências Aeronáuticas prepara profissionais com o perfil como segue:

“O profissional formado deve ser um piloto de alto nível de proficiência, em conformidade com os requisitos da autoridade aeronáutica, atuando em âmbito técnico e gerencial, de forma a ser capaz de prever, reconhecer e agir, rápida e adequadamente, diante das mudanças constantes em todos os segmentos da aviação e da sociedade.

O egresso do Curso deverá ser capaz de assimilar novas tecnologias, identificar implicações sociais, econômicas, políticas e diplomáticas; decidir sobre aspectos técnicos e administrativos; ser responsável pelo bom clima de trabalho e relacionamento interpessoal, e conduzir a aeronave com segurança e eficácia, otimizando os recursos existentes.

I. O Curso de Ciências Aeronáuticas deve ensejar como perfil do graduado, capacidade e aptidão para:

I.1. Compreender as questões científicas, técnicas, sociais e econômicas de alto nível.

I.2. Atuar em âmbito técnico, gerencial e segurança operacional, de forma a ser capaz de prever, reconhecer e agir, rápida e adequadamente, diante das mudanças constantes em todos os segmentos da aviação civil e da sociedade.

I.3. Assumir plenamente o comando, observados os níveis graduais do processo de tomada de decisão.

I.4. Desenvolver gerenciamento sistêmico, de pessoal, qualitativo e adequado, revelando a assimilação de novas informações e conhecimentos.

I.5. Apresentar flexibilidade intelectual e adaptabilidade contextualizada no trato de situações diversas, presentes ou emergentes, nos vários segmentos do campo de atuação de um Bacharel em Ciências Aeronáuticas.

I.6. Analisar problemas sistêmicos ou de pessoal e propor ações corretivas.

I.7. Implantar sistemas de gestão e controle da Segurança da Aviação Civil atendendo a requisitos de legislações nacionais e internacionais.

I.8. Construir conhecimentos a partir de pesquisa, contribuindo para  o desenvolvimento e a inovação tecnológica e promovendo a elevação da cultura e da competitividade no segmento da Aviação Civil Nacional.

I.10. Compreender o contexto empresarial nacional e internacional do segmento da aviação civil de forma a permitir uma ação efetiva, eficiente e eficaz no seu âmbito de atuação.

I.11. Apresentar uma visão estratégica empresarial, competência para planejar e gerenciar projetos na área de administração, incorporando uma atitude empreendedora e inovadora de gestão em seu âmbito de atuação.

I.12. Empreender, através de análise crítica, a antecipação e promoção de transformações das organizações nacionais e internacionais da aviação civil.

I.13. Liderar grupos de pesquisas para promover a inovação e o desenvolvimento em sua área de atuação.

II. A Graduação de Bacharel em Ciências Aeronáuticas – Piloto de Linha Aérea, da PUCRS, deve possibilitar ao egresso os conhecimentos que revelem, pelo menos, as seguintes competências e habilidades:

II.1. Conduzir aeronaves de grande porte com segurança e eficácia, otimizando os recursos existentes. Para tanto, devem ser desenvolvidas habilidades de coordenação motora, precisão e exatidão, concentração, raciocínio lógico, abstrato e espacial, rapidez de percepção e atenção difusa;

II.2. Comunicar-se, em inglês, de forma adequada e proficiente com os órgãos de controle do tráfego aéreo e com autoridades aeronáuticas civis internacionais, segundo níveis e requisitos definidos por órgãos nacionais e internacionais que constituem os respectivos sistemas de aviação civil;

II.3. Identificar as implicações sociais, econômicas, políticas e diplomáticas concernentes às suas decisões e ações;

II.4. Avaliar, ser capaz de se adaptar e utilizar as novas tecnologias usadas em aviões comerciais de grande porte utilizadas em rotas internacionais;

II.5. Assumir a responsabilidade pelo gerenciamento do voo em todos os aspectos e pela manutenção de um bom ambiente de trabalho. Para tanto, devem ser desenvolvidas suas habilidades de administrar recursos humanos, técnicos e materiais;

II.6. Exercer papel de liderança, trabalhar em equipe, gerenciar crises e suportar pressões dentro de padrões típicos do contexto profissional, compreendendo o processo como um todo;

II.7. Representar adequadamente a empresa e o país, devendo, para tanto, desenvolver sua habilidade de interagir positivamente com autoridades representativas do segmento aeronáutico civil nacional e internacional, comunicar-se eficazmente, ter capacidade analítica e ética.

7.       Nós não formamos apenas pilotos para a AZUL Linhas Aéreas, formamos bacharéis com titulação em Ciências Aeronáuticas –Habilitação PLA-A (teórico) capazes de serem muito mais do que simplesmente pilotos para conduzir aviões, conforme é notório pelo perfil de nosso egresso apresentado no item (6). São profissionais que possuem capacidade operacional diferenciada, com doutrina e cultura de rotinas para operar jatos comerciais com alto grau de automação digital, acompanhados da capacidade de pensar, de desenvolver, de serem proativos. Os nossos egressos decidem onde ou para quem trabalhar, tanto nacional como internacionalmente. É claro que ter um empregador respeitado e conceituado, com uma oportunidade de trabalho, pelo menos inicial, é muito importante, faz a diferença;

8.       Você questiona o aspecto competitividade do ponto de vista tempos e custos para a formação. Estas comparações não são passíveis de realização, pois os produtos finais são completamente distintos. A considerar o resultado final o que parece ser rápido e barato, na verdade, é caríssimo e muito longo, pois aqueles que buscam o caminho curto ingressam com a escolaridade de ensino médio e saem com a mesma escolaridade e são apenas pilotos;

9.       Além do exposto nossos graduados têm outros diferencias como ser Elemento Credenciado em Prevenção de Acidentes pelo CENIPA  formação  em SGSO da ANAC.

Pensando ter ido ao encontro se sua expectativa, permanecemos a postos para complementações que possam fazer-se necessárias, bem como deixamos aqui o convite para você nos visitar.

Atenciosamente,

Hildebrando Hoffmann – Coord do Curso

Para que fique claro qual foi o meu questionamento que o Prof. Hoffmann se referiu (trecho sublinhado, acima), também copio abaixo o texto da minha mensagem inicial para a FAC/PUC-RS:

Prezados senhores,

Sou piloto e blogueiro sobre formação aeronáutica, com o blog “Para Ser Piloto” (http://paraserpiloto.wordpress.com/), que hoje possui razoável importância entre o público de futuros pilotos, estudantes de aviação, e pilotos recém-formados, com cerca de 2mil visitas diárias. Inclusive, cito frequentemente a FACA/PUC-RS no meu blog, como uma referência no ensino superior de Ciências Aeronáuticas, a “única faculdade de CA que recomendo”, como vocês poderão notar se pesquisarem o assunto no meu blog. Mas eu não estou lhes escrevendo para dizer que aprecio o trabalho de vocês. Vamos ao ponto.

Como é de seu conhecimento, a Azul Linhas Aéreas celebrou recentemente um convênio com a EJ Escola de Aeronáutica para um programa de formação de pilotos (o “Programa ASA”) que, de acordo com o anunciado, seria implementado em 10 meses, a um custo aproximado de R$80mil. Pois muito bem. No ano passado, a mesma Azul celebrou um convênio com vocês (noticiado no meu blog, inclusive: http://paraserpiloto.wordpress.com/2011/09/09/parceria-puc-rsazulsantander/), só que o interessado no programa Azul-FACA/PUC-RS levará 3 anos para estar apto a ingressar na Azul (ou melhor, a participar do processo seletivo para copilotos da empresa), a um custo aproximado de R$120mil. Sob o ponto de vista de alguém interessado unicamente em ingressar na Azul, parece-me que o caminho FACA/PUC-RS é menos vantajoso para o interessado que o caminho da EJ (no mínimo, é mais longo e oneroso). Mas é claro que existem argumentos em favor da FACA/PUC-RS, e é isto que me interessa. Gostaria de saber, pelo ponto de vista de vocês, por que alguém se interessaria no convênio da Azul com a FACA/PUC-RS ao invés do equivalente com a EJ. Evidentemente, sua resposta será publicada no blog.

Fico no aguardo de seu retorno.

Um grande abraço,

Raul Marinho

Comento

Sendo absolutamente pragmático e objetivo: para quem está interessado em ingressar na Azul como copiloto da maneira mais eficiente possível, de fato não há dúvidas. O “Programa ASA” é, realmente, o caminho mais rápido e barato para chegar à cabine de comando de um avião da Azul. “OK, Raul, obrigado, já entendi quem ganhou a comparação. Obrigado pelo post (você poderia ter dito isso num texto menor, né?). Agora deixa eu ir cuidar da minha vida, que o Facebook me espera”. Êpa! Calma lá! Não tão rápido, garoto! Volta aqui que o tio Raul tem umas coisinhas para falar para você!

Tanto o programa Azul/PUC quanto o Azul/EJ tem como foco o público mais jovem, a famosa “geração Y” (ou “geração da internet”) que a imprensa tanto fala, uma geração impaciente e focada no curto prazo. Para um típico Y, o “Programa ASA” (da Azul com a EJ) cai como uma luva: imagine o que significa para um garoto de 18 anos a perspectiva de estar na cabine de um EMB-195 dentro de um ano!? “Os cara pira”!!! Mas será que é realmente este o melhor caminho? Tenho minhas dúvidas… Para começo de conversa, qual a diferença real que existe entre entrar no mercado de trabalho com 19 ou com 21 anos? Na prática, nenhuma, né? Mas vamos reler um trecho do texto do Prof. Hoffmann, para ver que diferença faz realizar uma formação abrangente como a oferecida pela FACA/PUC-RS:

Os nossos egressos decidem onde ou para quem trabalhar, tanto nacional como internacionalmente. É claro que ter um empregador respeitado e conceituado, com uma oportunidade de trabalho, pelo menos inicial, é muito importante, faz a diferença;

Isso quer dizer o seguinte: estudando na FACA/PUC-RS, você começará sua carreira como copiloto da Azul; participando do “Programa ASA”, você terminará sua carreira na cabine de um avião da Azul. A diferença não é onde o programa de formação desemboca – e, em ambos, ele dá no mesmo lugar –, mas sim até onde cada uma das pessoas, formada de uma maneira ou de outra, poderá chegar. A diferença é sutil, mas de suma importância.

Na realidade, de acordo com o Prof. Hoffmann, até a pergunta-título deste post (“Azul/EJ vs. Azul/PUC: qual o melhor programa de formação aeronáutica?”) está equivocada. É o que ele diz neste trecho:

Você questiona o aspecto competitividade do ponto de vista tempos e custos para a formação. Estas comparações não são passíveis de realização, pois os produtos finais são completamente distintos.

E é verdade! Não existe um “Programa de Treinamento Azul/PUC” como existe o “Programa ASA”. No primeiro caso, a participação da Azul nada mais é que a cereja de um bolo chamado “Bacharelado em Ciências Aeronáuticas na FACA/PUC-RS”, e o financiamento do Santander, o “plus a mais adicional”. Já o “Programa ASA” é centrado na possibilidade de ingressar na Azul ao final do curso, seguida pela possibilidade ímpar de obter financiamento das hora de voo, ficando a formação aeronáutica propriamente dita em último lugar. Pelo menos, foi isso o que revelou a pesquisa que propus aos leitores do blog algumas semanas atrás.

Finalmente, mas não menos importante, há a questão da segurança de voo. Ainda nesta semana, eu vou publicar um artigo aqui sobre a visita que eu fiz hoje ao SERIPA-4, cujo foco foi a (falta de) cultura de segurança na formação aeronáutica. E, já antecipando um dos assuntos que pretendo abordar, há o fato dos aeroclubes/escolas negligenciarem o ensino da segurança aeronáutica solenemente – e a EJ não é exceção: pelo menos no período em que lá voei, nunca vi nenhuma iniciativa no sentido de conscientizar os alunos quanto ao problema da segurança aeronáutica. Não é este o caso da formação aeronáutica oferecida pela FACA, conforme atesta este trecho do texto do Prof. Hoffmann:

Além do exposto nossos graduados têm outros diferencias como ser Elemento Credenciado em Prevenção de Acidentes pelo CENIPA  formação  em SGSO da ANAC.

Isso, na verdade, é muito mais do que “conscientizar os alunos quanto ao problema da segurança aeronáutica”: a FACA forma profissionais da segurança aeronáutica, o que é muito diferente!

Concluindo…

Eu estudei em instituições de ensino (não aeronáutico) de primeira linha – fiz o ensino médio na EsPCEx-Escola Preparatória de Cadetes do Exército (na época, uma escola de excelência no ensino de “2º grau”, como se chamava o ensino médio), e o curso superior em Administração de Empresas na FEA-USP –, e sei, por experiência própria, o que representa estudar em escolas de ponta. O resultado vai muito além dos benefícios diretos, como passar no vestibular, ou conseguir um bom emprego depois de formado – muito embora eles também aconteçam. Eu passei no vestibular da USP (a temida FUVEST) praticamente sem esforço devido à ótima formação que tive na EsPCEx, e consegui ingressar no programa de trainees do Citibank assim que colei grau na FEA, mas isso não foi o mais importante. Na verdade, as consequências de obter uma formação de excelência são até difíceis de serem mensuradas… Como se quantifica a satisfação pessoal de pertencer à elite da área em que se atua? Assim como diz a propaganda da Visa, existem, de fato, certas coisas que não têm preço.

É por isso que, mesmo sem conhecer pessoalmente a FACA/PUC-RS (e, muito menos, sem obter qualquer benefício em troca), eu sempre recomendei aos meus leitores que, se forem fazer um curso de Ciências Aeronáuticas, que façam o curso da PUC-RS. Eu faço isso porque eu sei que, formando-se lá, você estará no topo da aviação civil brasileira, e as consequências disso não irão se restringir à facilidade de entrar na Azul, ou à possibilidade de financiar as horas de voo (que são vantagens significativas, não as estou desdenhando!). Assim como eu tive o privilégio de estudar em escolas de excelência, eu gostaria que os meus leitores trilhassem caminho semelhante na aviação. Ora, se eu me proponho a ter um blog de “coaching em formação aeronáutica”, é meu dever orientar os meus leitores para obter a melhor formação possível! É por isso que eu faço merchandising gratuito para a FACA/PUC-RS, mesmo sendo eu um egresso da EJ.

12 comments

  1. G.
    1 ano ago

    O que eu posso afirmar é que, em momentos de crise como neste atual, 4 anos depois do post, não me arrependo de ter cursado a PUCRS. Este post até teve relevância pra mim na situação e hoje sou bacharel daquela faculdade

    Como bacharel da PUC eu vejo que tenho deficiências (se tenho!) em questão de conhecimentos operacionais, e como exemplo disso eu não soube apontar pra uma simples bomba de óleo quando me foi aberto o capô do motor do AB 115 em um aeroclube, quando um INVA da insituição estava testando meus “conhecimentos de curso superior”, quase desdenhando da formação. Mas eu sabia para que servia! E a pressão ideal (arco verde) do óleo naquela aeronave também! Hahahaha.

    Mas vou falar a verdade: a minha formação é diferenciada. Numa crise desgraçada dessas, estou co-coordenando o programa de treinamento IFR e MLTE da instituição, refazendo o treinamento para adequar a necessidades do aeroclube (lembrando que não posso ser o coordenador oficial, perante a ANAC), trabalho com SGSO e já dei duas palestras promocionais de segurança de voo. Só posso recomendar: façam a FACA. Ela vai ficar ainda melhor, pois tenho informações que a instituição vai ministrar a parte prática.

    Abraços.

  2. Cleiton Moraes
    2 anos ago

    Raul, ainda existe esse programa na EJ? Vou comecar a tirar as habilitações agora, e vai ficar no mesmo preço que fazendo na EJ.

    • raulmarinho
      2 anos ago

      O programa está suspenso.

      • Cleiton Moraes
        2 anos ago

        sabe se existe algum programa parecido, em qualquer outro lugar do Brasil, de qualquer outra empresa que não seja a Azul? Por favor, me deixe saber.

  3. Antonio Guerra
    4 anos ago

    Gostaria de saber o seguinte,……… tenho 53 anos , sou eng civil, e tenho pc monomotor , alem de aoutros cursos . Tenho muita vontade de entrar na aviação novamente , mas me sinto velho , Será que não estou iludido ? preciso fazer faculdade no RS ou posso fazer INVA depois multi e ifr? E´dificil ingressar no mercado depois de tantos anos? Moro em São Paulo , onde seria mais facil e barato tirar o INVA ?

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Se o mercado estivesse aquecido, vc conseguiria uma colocação com 53 anos. O problema é que hoje nem com 20 se consegue emprego… Aí vc se requalifica e espera o mercado melhorar, e qdo isso vai acontecer? Qdo vc tiver quase 60? Percebe como a situação tá complicada?

  4. Raphael Resende da Silva
    5 anos ago

    Prezado Raul,
    posso falar com propriedade da FACA-PUCRS, pois atualmente curso o segundo semestre.
    Farei um breve resumo de como fui parar lá.
    Desde menino sempre gostei de aviação, porém, como sou de Brasília, onde todos prestam concurso público, é uma coisa bem natural, meus pais me direcionaram para fazer o mesmo, comecei a cursar Direito, e depois de uns anos no curso, vi que não era exatamente isso que me faria feliz. Após conversar com o meu pai, disse a ele que minha vontade era de ser piloto de avião. Daí você deve estar se perguntando: ” e eu com isso?”. Bom, em um dia em estava em uma churrascaria e conheci um amigo da minha sogra e durante o papo, ele havia me dito que se eu quisesse ser piloto que valia muito a pena fazer a faculdade de Ciências Aeronáuticas, onde ele se formou na primeira turma, e que já trabalhou na VARIG, RIO-SUL, CRUZEIRO DO SUL, e hoje é em colocado na ANAC aqui do Porto Alegre.
    Então resolvi seguir os conselhos dele e fui a PUCRS conhecer o curso, logo após sair da PUCRS havia decidido que pela minha idade, 26 anos(e acredite que tem gente mais velha que eu estudando lá e saindo empregada e bem vista no mercado), não haveria outra opção do que fazer a graduação, pois na condição de ser Bacharel em Ciências Aeronáuticas, você tem vários campos de trabalho, não se limitando em ser piloto(é claro que é o que eu quero), mas se um dia perder o CMA(pois não tem como se prever o dia de amanhã, mesmo se cuidado, certos problemas de saúde podem acontecer a qualquer momento) , tenho condições de continuar trabalhando em alguma outra área da aviação.
    Para ser muito sincero, após o primeiro semestre na faculdade eu tive a certeza que havia feito a melhor escolha para minha vida(e não estou fazendo lobby da PUCRS, até porque eu não ganho nada financeiro deles.),
    Bom, sem se prolongar muito mais, apesar de financeiramente ser um pouco mais caro, logicamente você acaba adquirindo mais conhecimento, e isso é algo que não há contestação.

    Fico a disposição de qualquer dúvidas sobre a faculdade.
    raphael.fla84@gmail.com

    Atenciosamente., Raphael Resende da Silva.

  5. Thalyson Ramos
    5 anos ago

    Eu particularmente acredito que a PUCRS e muito mais vantajosa como ja foi citado acima pela qualidade do enssino, e acredito tambem que a profundidade dos conhecimentos ali abordados na parte operacional da aeronave tambem vao muito mais alem formando profissionais realmente capacidados para Voar grandes Aeronaves sendo responssavel pela vida de de centenas de pessoas, por ex. foi divulgado um artigo no site da Globo sobre as causas do A330 da Air France, este artigo nao e antigo foi postado neste sabado e dizia la que um dos motivos da queda da aeronave pode ter sido porque nem 1 dos 3 Pilotos tinha treinamento para aquela situaçao, agora me digam como pode Comandante e Co-pilotos em linhas Intercontinentais nao terem treinamento para uma situaçao de risco? Isso me leva a penssar que apesar de tanto empenho muitos profissionais deixam a desejar em algumas coisas que podem ser fatais em algum momento, e basicamente como no FS depois de algumas horas assistindo a tutoriais e um Voo Off parece ser facil Voar de SBCT-SBGL iniciando um a320 em dark and cold no solo CTB, mais se na hora do Voo digamos ocorre uma pane repentina sem a programaçao do individuo que esta simulando afirmo COM CERTEZA que seriam poucos que consseguiriam seguir ate SBGL, eu mesmo talvez nao consseguiria, entao sera que algums profissionais da realidade nao estao na mesma situaçao? observando o fato que apresentei sobre o Voo da Air France? Sera entao que nao devemos ir alem para realmente garantirmos a segurança no meio aeronautico aos que voaram conosco etc…? Eu particularmente creio que sim.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Concordo com vc em termos… Aqui no blog, eu já havia reproduzido uma parte importante do relatório alguns dias antes do G1 (http://paraserpiloto.wordpress.com/2012/05/29/falta-de-crm-mata/), e fica evidente que o erro principal cometido pelo copila – manter o manche puxado o tempo todo, mesmo com a velocidade baixa, causando o estol – foi básico demais par se dizer que “ele não sabia que tinha que dar nariz embaixo para a aeronave embalar e sair do estol”. Ora, se até eu, um mero PCzinho de Seneca sei isso! Lendo o relato, com minha bundona na poltrona de casa e os dois pézões no chão, dá a impressão de que o copila foi um idiota rematado, sem treinamento, etc. Mas não se espante se ele tiver sido o zero-um da turma de CA de Sorbonne (se é que Sorbonne tem curso de CA). Na hora do aperto, meu caro, a coisa é completamente diferente, e eu não estava lá para saber se eu não faria igual… Na verdade, nem o zero-um do curso de CA da PUC está livre de fazer as piores besteiras pilotando um avião. O ser humano é um bicho esquisito… O que faz a diferença mesmo para um cara formado num curso de ponta como o da PUC não é isso. É até onde ele poderá chegar na companhia: é ele quem, provavelmente, vai ser o piloto-chefe, o cara que vai escrever o SOP da empresa, vai representar a companhia junto à ANAC, vai desenvolver novos processos de treinamento e recrutamento, vai decidir que equipamento deve ser comprado, e por aí vai. Mas na cabine mesmo, talvez um cara com ensimo médio e formação de aeroclube, pode se sair melhor numa situação de emergência.

  6. Roberto Lima
    5 anos ago

    Excelente post. Muitíssimo bem colocado: privilegiar a qualidade antes de tudo o mais. A facilidade aparente não irá levar o pretendente além de ser um piloto da Azul (ao menos dificuldades aparecerão para passar daí). O programa PUCRS, mais longo, dará a capacidade de ir além, muito além da Azul.
    Parabéns pelo teu trabalho e boa orientação que oferece aos novatos.

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