Orientações sobre como lidar com a falta de “cultura de segurança” na aviação agrícola

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Este post sobre a falta de “cultura de segurança” na aviação brasileira rendeu comentários muito interessantes. Um deles, porém, me deixou particularmente preocupado: é o que segue copiado abaixo, sobre o problema da falta de “cultura de segurança” na aviação agrícola – que, parece-me, é um dos segmentos da atividade aeronáutica brasileira mais frágeis quanto à “cultura de segurança” e à segurança aeronáutica em si. Por este motivo, achei importante dar um destaque maior na sua resposta, para a qual solicitei a ajuda do Cel.Res. Madison do SERIPA-IV para a sua redação. Esta segue logo após o comentário. Em seguida, minhas considerações finais.

O comentário do leitor Diorley:

“Raul, concordo com a grande maioria dos teus comentários. Mas infelizmente no caso da aviação agrícola o negócio é diferente mesmo (diferente pra pior!). Eu fico imaginando um badeco, ou um observador ou funcionário em geral que se encontra no meio do mato, a mais de 300 km da civilização ou de aeroporto homologado, vendo barbaridades acontecerem, o cidadão toma nota de tudo escondido e quando de volta a civilização 3 meses depois preenche um RELPREV kilométrico e detalhado. Quem em sã consciência acredita que essas barbaridades relatadas no interior do Mato Grosso serão apuradas por alguém???? Eu duvido muito. Imagine agora dezenas de RELPREV’s “agrícolas” chovendo por ai!

Não acredito que seriam investigados, não tenho nenhuma esperança disso acontecer.

A resposta/orientação do Cel.Res. Madison, do SERIPA-IV:

Diorley, há uma crescente profissionalização na aviação agrícola. Talvez não no ritmo imposto pelo crescimento da economia, mas há. Da mesma forma, há uma tendência de diminuição de alguns fatores contribuintes nos acidentes. Algo está melhorando!

Se não fôssemos crer na necessidade de RELPREVs para a aviação agrícola… Para quê então – em última análise – seguir um MCA 58-17 (Manual do Curso de Piloto Agricola – Avião), ou então o RBAC-120 (regulamentação sobre substâncias psicoativas na aviação), ou o reformulado RBAC 137 (regulamentação sobre a operação aeroagrícola)?

A legislação, por vezes revisada, já é assinada precisando de algumas mudanças? Sim.

É uma aviação que lida com operações marginais? É fato.

É aviação de risco, onde o piloto lida com variáveis adversas que exigem gestão COORDENADA e CONTINUADA? Sem dúvida. É o aclive/declive da plantação, as condições da pista de terra/grama/cascalho, o sol, o “balão”, os fios, o “veneno”, a pressão da safra… E tantos outros fatores que podemos enumerar, que fazem com que tenhamos RESPEITO pela atividade, tão necessária e, por vezes, pouco valorizada.

Muito tem que ser ainda feito? Não há dúvida. As investigações de agrícolas nos apontam isso.

Daí, crer que “não preencher e enviar ao CENIPA/SERIPA o RELPREV” não seja a melhor saída.

ANAC, SINDAG, CENIPA e SERIPAs estão aí para atuarem, sim.

Diversificando (e ajudando na segurança de voo): vejam a propriedade com que o www.agronautas.com aborda temas. Vejam a diversidade de assuntos no www.sindag.org.br

E vejam também um pouco da influência do fator humano, em artigo vindo de quem trabalhou muito no assunto, clicando neste link.

Nossa fronteira agrícola precisa (e como) da aviação agrícola. E a aviação agrícola não pode prescindir (e como) de segurança de voo.

Comentário do Raul

Quando solicitei a ajuda do Cel.Res. Madison para responder ao comentário do leitor, não imaginava receber informações tão completas e interessantes sobre o tema. O que vai acima é tão rico que suportaria uma monografia de conclusão de curso em qualquer faculdade de Ciências Aeronáuticas do Brasil (sem o menor exagero). Aos verdadeiramente apaixonados pela aviação – não estou me referindo aos que colocam “fotomontagens inspiradoras” no Facebook, mas aos que gostam de se aprofundar nos assuntos aeronáuticos -, o paper do Maj.Av. Alexander Coelho Simão (último link, acima) é diversão “prá mais de metro” (como se diz na minha terra).

Agradeço, em meu nome, em em nome dos leitores daqui, a colaboração que o Cel.Res. Madison tem prestado a este blog. Ela, sem dúvida nenhuma, levou a qualidade do Para Ser Piloto a um novo patamar. Muito obrigado!

3 comments

  1. roquini
    5 anos ago

    Impressionante .. cada vez que eu entro e vejo uma matéria (já estamos falando de matéria, um post é muito simples para a riqueza de informações que nos passa) eu saio com mais e mais material para ler e aprender!!!

    Obrigado!!!!!!!

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