Mudança de paradigma na formação aeronáutica brasileira

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Na foto acima, a sede do Dubai Aviation College. Será este o novo paradigma para a formação aeronáutica brasileira?

Recebi neste final de semana, dos amigos do SERIPA-IV, um intrigante artigo/editorial, de autoria do Cap.Av. (mestre e, à época em que o texto foi escrito, doutorando pela COPPE/UFRJ) Felipe Koeller Rodrigues Vieira, sobre a necessidade de uma mudança de paradigma na formação aeronáutica brasileira. O texto original, conforme publicado na revista “Conexão SIPAER”, está disponível neste link: Mudança de paradigma da formação aeronáutica. A seguir, eu reproduzirei o trecho do artigo original (com grifos meus) que será o foco dos comentários que farei em seguida.

Nota à margem: Estou impressionado com a qualidade da produção acadêmica dos militares da FAB – este paper do Cap.Koeller é um bom exemplo. Só lamento o fato da aviação civil brasileira não aproveitar adequadamente este excelente material.

A NECESSIDADE DE MUDANÇA DO PARADIGMA

A realidade entre a maioria dos aviadores e outros profissionais da Aeronáutica parece ser a de técnicos isolados totalmente de uma prática científica. Diferentemente de outros campos do saber e, principalmente de outras tecnologias, como, por exemplo, a medicina, a odontologia e a engenharia.

Médicos, dentistas e engenheiros, frequentemente, em sua prática diária, coletam dados que são apresentados em congressos científicos das suas especialidades. Mesmo aqueles profissionais que são mais afeitos à prática do que à pesquisa, e que não escrevem trabalhos, comparecem a esses congressos para acompanhar o progresso dos seus campos, informando-se dos avanços obtidos e aprendendo novas técnicas desenvolvidas por colegas pesquisadores.

Esta conjunção da ciência e da técnica, impulsionadora do mundo contemporâneo, chama-se tecnologia.

(…)

Melhor expressando, nos processos tecnológicos de alto nível, como a aeronáutica pode ser considerada, as ferramentas da pesquisa científica são fundamentais para o desenvolvimento da atividade-fim. Devendo a pesquisa servir à prática e, ao mesmo tempo, dela se servir.

Na falta dessa interação, como acontece hoje na aeronáutica, pode ser esperada uma estagnação no desenvolvimento (…).

(…) Talvez por todas essas considerações a técnica de pilotagem seja comumente descrita como: a arte e a ciência de conduzir uma aeronave. Uma das dificuldades de se realizar teorizações abstratas sobre esta atividade talvez resida no fascínio que ela exerce em todos os envolvidos.

(…)

De fato, são necessários inúmeros conhecimentos científicos para a condução segura de uma aeronave. Um bom comandante necessita utilizar, em sua atividade diária de voo, conceitos extraídos de diversos ramos da ciência como, por exemplo: aerodinâmica, ciência dos materiais, termodinâmica, psicologia, administração, direito, fisiologia, medicina, nutrição, eletrônica, informática, meteorologia, cartografia, geografia, linguística, didática, teoria dos sistemas e cibernética, entre outros. E a conjunção de todos esses saberes ainda não seria suficiente para fazê-lo um aviador. Ainda existe uma vastidão de conhecimentos profissionais específicos relativa à aeronáutica, à aviação e à pilotagem.

Infelizmente, porém, ainda existe um grande vazio teórico (…) que torna a verdadeira atividade profissional da aviação desconhecida do grande público e velada para a maioria dos pesquisadores da ciência.

Fica patente, então, a necessidade de mudança do paradigma de formação de aviadores civis vigente, focado apenas na apreensão da técnica de pilotagem e escassos conhecimentos básicos, para uma formação de caráter acadêmico, executada em instituições de ensino superior, e inserida no contexto da ciência e da tecnologia contemporâneas.

Comento

Quanto ao diagnóstico do problema, nada a acrescentar: o autor foi brilhante quanto à percepção de que o modelo vigente de formação aeronáutica – baseado nos cursos de PP e PC nos aeroclubes/escolas – está ultrapassado, e não atende às reais necessidades da aviação brasileira. Mas não estou certo de que a proposta de mudança de paradigma na formação aeronáutica brasileira (o trecho em negrito logo acima) seria a melhor alternativa para readequar a formação dos pilotos brasileiros. “Alguma coisa” tem que ser feita? Sim! Mas será que o caminho apontado no final do artigo é a melhor opção? Tenho minhas dúvidas…

O Cap.Koeller entende que a formação aeronáutica brasileira deveria ser responsabilidade das instituições de ensino superior, pois estas estariam preparadas para proporcionar a “conjunção da ciência e da técnica”, uma vez que “nos processos tecnológicos de alto nível, como a aeronáutica pode ser considerada, as ferramentas da pesquisa científica são fundamentais para o desenvolvimento da atividade-fim. Devendo a pesquisa servir à prática e, ao mesmo tempo, dela se servir.”. Ora, se a AFA-Academia da Força Aérea (uma instituição de ensino superior de aviação militar) serve à necessidade da FAB, por que não adotar uma solução equivalente para a aviação civil? Faz sentido, afinal de contas nós já não temos a FACA-PUC/RS (Faculdade de Ciências Aeronáuticas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) prestando bons serviços na formação de pilotos civis?

De fato, eu mesmo já falei aqui sobre a qualidade de ensino da FACA-PUC/RS. Mas será que seria viável “replicar FACAs” Brasil a fora? Temo que não. Para começo de conversa, o ensino da faculdade gaúcha é ultra-elitista (as mensalidades beiram os R$2mil, e isso não inclui a parte prática), e poucos teriam condições de bancar uma formação de custo tão elevado. Depois, há o desafio intrínseco à massificação do ensino de excelência, truque que nenhuma instituição de ensino de alto nível do mundo conseguiu dominar sem perder a qualidade. Fosse isso possível, seria fácil melhorarmos a qualidade da educação superior brasileira em todas as áreas, mas infelizmente não é assim que funciona. Assim, entendo que “replicar FACAs” não seria uma alternativa viável. Mas, e quanto à multiplicação de outras faculdades de Ciências Aeronáuticas sem relação com a FACA?

Esta seria a saída mais óbvia, mas verificando a qualidade do ensino e pesquisa que é oferecido pelas demais faculdades de Ciências Aeronáuticas/Aviação Civil do país, acho que não haveria progresso significativo na formação aeronáutica do Brasil – principalmente quanto à educação e pesquisa científica – se esta fosse a solução adotada.  O que mais vemos no ensino aeronáutico brasileiro de nível superior são instituições oferecendo um currículo muito parecido com os tradicionais cursos de PP e PC dos aeroclubes, e pouca ou nenhuma produção científica. Desculpem-me os professores e alunos das faculdades de Ciências Aeronáuticas e congêneres, mas cadê as publicações científicas de autoria de seus acadêmicos? Quantos pesquisadores de suas instituições são citados em publicações acadêmicas de prestígio? Que avanços tecnológicos foram proporcionados por vocês? E os congressos científicos de Ciências Aeronáuticas, quando ocorreram? E intercâmbios com faculdades de Ciências Aeronáuticas do exterior, existem exemplos para serem exibidos? Eu desconheço trabalho científico de qualidade sendo realizado por estas faculdades. E uma boa mostra disso é o currículo do autor do paper citado, o Cap.Koeller. Mesmo sendo ele um aviador – logo, seria de se esperar que realizasse sua produção científica numa instituição de ensino superior de Ciências Aeronáuticas –, lemos no rodapé do seu artigo que o mestrado que ele possui foi concluído na UFRJ, assim como o doutorado em andamento na data da sua publicação, realizado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes da COPPE. Não é curioso isso?

Então, se a solução for enveredar pelo caminho universitário para reformar a formação aeronáutica no Brasil, dando-lhe um caráter mais científico, teremos de construir tudo praticamente do zero. E é aí que eu fico realmente preocupado… Não vou entrar em detalhes sobre o que eu penso dos “programas de inclusão universitária” do Governo Federal (ex. PROUNI) e da multiplicação dos campi federais ocorrida nos últimos anos para não me estender demais nesse artigo (e criar polêmicas desnecessárias). Mas não posso deixar de registrar minha opinião de que esta opção não atenderia aos mínimos requisitos de qualidade que a aviação brasileira requer – e, se for para termos uma formação aeronáutica de baixa qualidade, então é melhor deixar tudo do jeito que está, pois o modelo atual tem a virtude de ser de baixo custo, pelo menos. As boas faculdades públicas dos Estados – em particular as prestigiadas universidades paulistas USP, UNICAMP e UNESP – não me parecem inclinadas a oferecer cursos de Ciências Aeronáuticas. Talvez uma ou outra universidade federal estabelecida, como a própria UFRJ já citada, talvez pudesse se interessar pelo assunto, mas convenhamos: será que teremos volume suficiente de oferta de ensino aeronáutico para suprir o que o país demanda somente com estas poucas instituições? Sou cético quanto a isso. É por estes motivos que não compartilho da opinião do Cap.Koeller quanto à “universitarização” (com o perdão do neologismo) da formação aeronáutica brasileira.

De qualquer maneira, eu concordo com o autor do artigo quando ele diz que há “a necessidade de mudança do paradigma de formação de aviadores civis vigente, focado apenas na apreensão da técnica de pilotagem e escassos conhecimentos básicos”. Se eu divirjo quanto a esta mudança passar por “uma formação de caráter acadêmico, executada em instituições de ensino superior (…)”, isso não significa que ela (a mudança no paradigma) não possa TAMBÉM passar pela Universidade. Não tenho uma proposta pronta e acabada de reforma da formação aeronáutica brasileira guardada no bolso do colete, mas penso que podemos encontrar uma solução híbrida para este problema, utilizando inclusive o legado dos aeroclubes/escolas de aviação do país (por que não?); as escolas de ensino profissionalizante (Ex. SENAI); as instituições de ensino técnico e tecnológico (Ex. ETECs e FATECs); e, sim, as universidades – mas não exclusivamente estas, conforme a proposta original.

Cerca de dois meses atrás, eu cheguei a propor aos leitores do blog a confecção de uma proposta neste sentido, quando a SAC-PR (Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República) anunciou a criação da tal da “Universidade do Ar”. Ocorre que, como fica claro a quem acompanhar a sequência de comentários e atualizações do post acima referido, logo ficou evidente que a “Universidade do Ar” era, na realidade, um mero projeto de um novo programa de bolsas de estudo para aeronautas, não uma escola propriamente dita. Aí, a proposta caiu no vazio…

Eu, honestamente, tenho dúvidas do quão produtivo seria discutir uma proposta de reforma do sistema brasileiro de formação aeronáutica num momento em que o principal órgão do Governo Federal para a aviação (a SAC-PR) lança um programa chamado “Universidade do Ar” focado na concessão de bolsas de estudo. Parece-me mais uma iniciativa marqueteira e paliativa do que uma iniciativa verdadeiramente efetiva para reformular o sistema. Entretanto, nem sempre estou correto nas minhas percepções, então fica o convite aos leitores para opinar quanto ao tema: se acharem conveniente ressuscitar a discussão proposta dois meses atrás, vamos a ela!

A propósito, fica também o convite para os acadêmicos, professores e coordenadores pedagógicos das faculdades de Ciências Aeronáuticas e congêneres para me corrigir, caso eu esteja equivocado quanto à qualidade da pesquisa científica de suas respectivas instituições. E eu estou enviando o link deste post para a coordenação da FACA/PUC-RS e para o autor do artigo (Cap.Koeller) para se integrarem à discussão, caso seja de seus respectivos interesses. Vejamos se será possível construir um debate saudável sobre uma proposta de reforma da formação aeronáutica brasileira. No que depender de mim, contem com todo apoio.

– x –

Atualização das 13:20: Informa-me o autor do paper referido neste post que sua atual patente é a de Major Aviador (Capitão era a sua patente à época da publicação do artigo). Então, onde se lê “Cap.Av.”, leia-se “Maj.Av.”, por favor.

18 comments

  1. Matheus Peres
    5 anos ago

    Raul, me interessei pela aviação há pouco tempo, em torno de 1 ano atrás, então tenho uma visão muito limitada. Logo, corrija possíveis erros de raciocínio ou de estratégia no meu comentário.
    Porém algumas situações ficam claras a qualquer vista, e a defasagem da instrução aeronáutica que temos aqui é uma delas.
    Concordo com o que disse e havia pensado na possibilidade de um ensino médio concomitante a um técnico voltado para aviação, como ocorre em cursos de engenharia no CEFET, por exemplo. Acredito que a formação iniciada aos 15 (quando o adolescente termina o ensino fundamental e inicia o médio) e com 4 anos de curso, daria uma base científica imensa para então começar a cursar o PP / PC, ou, se não for este o caso, poderia gerar uma base interdisciplinar para outros profissionais, como um engenheiro aeroespacial, por exemplo.
    No primeiro caso, poderia haver uma combinação, estudando-se as matérias que hoje são ministradas nos cursos de CA por aí afora no segundo grau técnico e entrando na parte prática nos cursos de PP / PC.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      É uma boa idéia. Mas e quem quiser entrar na aviação mais tarde?

  2. Madison
    5 anos ago

    Tem um tempo que os EUA “acordaram” para a necessidade de incutir, nos meninos e meninas da “Middle School”, o gosto pela aviação.
    É a “universitarização embrionária”, pegando o gancho no neologismo do Fepile Koeller:

    http://www.faa.gov/education/student_resources/ace_camps/

    • Madison
      5 anos ago

      Digo “Felipe”!

  3. Fred Mesquita
    5 anos ago

    É muito fácil falar ou apontar a forma ideal de como deveria ser a forma de ensino da aviação civil no Brasil, mas nosso pais não tem a estrutura mínima para tal formação. Qualquer pessoa diria a mesma coisa tal qual é o grau de dificuldades no ensino atual, mas essa forma de ensino já vem se arrastando desde ha mais de 30 anos, e nada mudou nesse tempo, só piorou. Hoje e sempre a maior dificuldade encontrada está na captação financeira de quem realmente tem o dom para esse fim e falar de universidade de aviação civil só fecharia ainda mais as portas, fazendo com que nossa aviação fosse estagnada a não mais crescer e sim, paralizar por completo.

    Sou daquele que pensa que o Governo Federal deveria ser o grande (ou maior) participador principal em busca dessa melhoria, direcionando tais ensinos a instituições mais preparadas, tal como o SENAI ou SENAC, ou algo parecido. Quando os aeroclubes brasileiros recebiam ajuda do antigo DAC as coisas eram mais fáceis e a competitividade era quase que de igual para igual entre todos. Atualmente parece que tudo está sucateado, ou quase isso. Também vejo a falta de incentivos fiscais aos mesmos… enfim, nossa atual ANAC deixa muito a desejar em todos os aspectos. É de se lamentar profundamente.

  4. Felipe
    5 anos ago

    Prezado Raul Marinho:

    Achei excelente seu artigo e fiquei muito feliz que o que escrevi serviu para fomentar seus pensamentos sobre o assunto. Vou, sim, entrar nesta discussão contigo de forma construtiva. Neste momento exato não tenho muito tempo para tecer comentários, mas vou fazê-lo em breve.

    Achei muito interessante e perspicaz sua percepção sobre minha própria pós-formação. É como se eu mesmo tivesse te contado isto. Tive que buscar mestrado e doutorado em cursos que não da nossa área pois na nossa área eles simplesmente inexistem. O problema é que, para dar aula em um mestrado em aviação, é necessário que o professor tenha doutorado (mesmo que em outra área). Assim, estou buscando obter os títulos que me deem legitimidade no mundo acadêmico para poder, então, criar os cursos de pós-formação na área da aeronáutica e aviação.

    Quanto ao custo da formação universitária, pense no seguinte: quanto custa a formação de um médico pela USP? Quanto custa a formação de um advogado pela UERJ? Quanto custa a formação de um biólogo pela UNICAMP? Certamente muito caro! Então, porque o Estado Brasileiro banca esta formação? Porque estes profissionais são NECESSÁRIOS para a sociedade.

    Quando eu penso em “universitarização”, para usar seu neologismo, estou pensando naquela criança, inteligente e saudável, porém pobre, que estuda para entrar em uma universidade pública brasileira. Ele pode se tornar médico, engenheiro, advogado, biólogo, etc… se formar, arrumar um bom emprego, guardar dinheiro e, só então, bancar sua própria formação aeronáutica?

    Ora, faculdades particulares de medicina também são caríssimas, idem para direito, engenharia e etc… Mas se estes profissionais são importantes para a SOCIEDADE Brasileira, então, esta pode, e deve, criar condições para que todos possam ter acesso à nossa profissão!

    E quem duvidar que pilotos, controladores de voo e mecânicos de aviação são importantes para o Brasil, basta lembrar de quando, por outros motivos, ocorreu o “caos aéreo”. Até o Congresso Nacional CANCELOU suas atividades naquele dia porque os profissionais não conseguiram chegar em Brasília.

    Só para pensar…

    Abraços,

    Felipe Koeller R. Vieira

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Poxa, Felipe, se esse foi o seu comentário de quando vc está sem tempo, quero ver o que virá qdo vc tiver condições de comentar o post com tempo…

      Bem, mas fico muito feliz em receber sua resposta, e de vc ter entendido corretamente meu ponto de vista. Já tenho bastante o que falar sobre o que vc escreveu acima, mas vou aguardar pelo seu comentário definitivo para tornar o debate mais produtivo.

      Um grande abraço,

      Raul

      • Rogerio
        5 anos ago

        Estou ancioso para ver os post, frutos deste debate.

    • Moises
      5 anos ago

      Bom dia,
      sou fascinado pela aviação desde de criança, e vi o meu sonho estagnado por toda minha juventude, hoje tenho 38 anos, não trabalho na área da aviação, porém estou lutando para que o meu sonho se torne uma realidade. Vejo que o Felipe foi muito feliz em suas colocações quando exemplificou a importância de profissional setor aeronautico como em qualquer outra área, bem como a ineficiência e negligência por parte dos orgãos governamentais pertinente a formação e a qualificação destes profissionais.
      Ressalto ainda, que o governo deveria dar incentivos educacionais para formação de profissionais da setor aeronáutico, pois vejamos quantos estabelecimentos de ensino superior fomentados pelo (s) governo (s) possue (s) no Brasil destinado a este setor? isso sem falar que estamos falando apenas na parte de didática, pois ainda lhe faltaria a parte prática, no caso de pilotos. Aliado aos problemas já existentes, gostaria de destacar que os cursos práticos no Brasil ainda ainda é e continuará sendo para uma menoria, ou seja elitizado, e me pergunto; Porque o governo paga cifras altissimasmas em outras formações e se omite para este setor? a sociedade teria menos necessidade destes serviços?
      É preciso que jovens percam uma juventude frutífera, simplemente por falta de oportunidade assim como eu perdi? Hoje eu já poderia sim me profissionalizar, mas certamente não atingiria a plenitude do sonho de um aviador de sucesso, que é chegar numa linha aéria renomada, pois a idade seria um outro entrave para concretização desse sonho.
      Quanto a universitarização para este setor, tenho tambem minhas dúvidas se seria o melhor caminho, pois acredito que deveria haver uma grade estrutural com uma formação mais ampla em todos os aspectos inerentes a aviação e que houvesse uma atualização nos modos operandi de ensino nos aeroclubes brasileiros.

  5. roquini
    5 anos ago

    Raul, como sabe estou terminando meu PP agora portanto minha visão pode parecer um tanto superficial. Ótimo post, ele nos tira de uma zona de conforto e nos motiva a pensar sobre nossa formação e o que temos feito para melhorar a qualidade no ensino, melhorando toda uma cadeia de profissionais.
    Pode me (ou nos) ajudar em alguns trechos? Acredito que, assim como eu, muitos leitores do seu blog estão iniciando na carreira aeronáutica e podem ter uma visão ainda “limitada”.

    “baseado nos cursos de PP e PC nos aeroclubes/escolas – está ultrapassado, e não atende às reais necessidades da aviação brasileira”
    – Quais seriam essas necessidades da aviação brasileira? A partir do momento que conseguirmos identificar quais os reais “problemas” conseguiremos propor soluções mais diretas e eficientes.
    – O modelo está ultrapassado ou, por se tratar de uma gama muito grande de informações, possa ser apenas considerado “superficial”, nos passando apenas a base de um processo maior, havendo a necessidade de uma maior especialização?

    ” O que mais vemos no ensino aeronáutico brasileiro de nível superior são instituições oferecendo um currículo muito parecido com os tradicionais cursos de PP e PC dos aeroclubes, e pouca ou nenhuma produção científica”
    – Complementando a questão acima, os cursos de PP e PC não deveriam passar uma base sólida necessária para se exercer a função de piloto? Quanto a se aprofundar mais na teoria, chegando a um nível de produção científica, não seria um foco diferente para um curso de “especialização”?

    Com a minha visão ainda limitada, vejo que os cursos de PP e PC podem ser equivalentes a um curso profissionalizante, onde o indivíduo adquire os conhecimentos necessários (na mais que isso) para atuar na área.

    O que deveríamos esperar de um aeroclube/escola de formação de PP e PC? E o que deveríamos esperar de instituições de nível superior como AFA e FACA-PUC/RS?
    Talvez fosse necessária a criação de um meio termo?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Roquini, eu acho que grande parte do que vc pergunta vai acabar sendo respondido no decorrer dos debates sobre a formação aeronáutica brasileira, que estão só começando. Na verdade, eu não tenho as respostas para tudo, também estou buscando encontrá-las, mas algumas coisas já estão claras:
      -O ensino dos cursos teóricos de PP e PC nos aeroclubes/escolas tornaram-se meros adestramentos para que os alunos consigam passar na banca da ANAC (salvo as exceções de praxe), e é preciso ensinar teoria aeronáutica prå valer de novo.
      -Não há integração entre os cursos teøricos e práticos dentro do próprio aeroclube, o que é um absurdo.
      -O conteüdo programático está obsoleto: ele é praticamente idêntico ao que era ensinado nos anos 1970.
      Estas são só algumas das questNoes iniciais, muito mais virá por aí. Por isso, fique atento ao debate que vc sEo vai ter a ganhar!
      Abs,
      Raul

  6. Madison
    5 anos ago

    Caro Raul, parabéns de novo pela proposta séria de discussão. Trabalhando com a formação de PPs e PCs no curso das investigações de acidentes, concordo com suas considerações sobre o artigo.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Muito obrigado, Madison! Seria um prazer que os amigos do SERIPA-IV também participassem desta discussão!

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