Voo “visumento” & CFIT – cenas dos próximo capítulos

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O vídeo acima foi publicado no blog Canal Piloto em 28/02 deste ano, e mostra uma rara gravação de um CFIT-Controlled Flight Into Terrain (“Voo Controlado em Direção ao Terreno”) acontecendo, que é quando o avião entra voando no solo. O CFIT acontece, em grande parte das vezes, por causa do “voo ‘visumento'”, que é voar IMC (condições de voo IFR) sem respeitar as regras de voo por instgrumentos – geralmente, utilizando um GPS como único instrumento de voo.

Voltaremos a este assunto aqui no blog, em breve.

8 comments

  1. Enderson Rafael
    5 anos ago

    Oi, MSA, vc vai bem? A diferença entre um remédio e um veneno é a dose, e o GPS é exatamente isso. Nesse caso eles tiveram bem mais sorte que juízo. Aqui nos EUA a gente aprende a usar VOR voando VFR no PP pra balizar a rota, pra confirmar onde está (interpolando radiais de dois VORs distintos), às vezes até pra facilitar a rota até o destino (usando a radial, por exemplo). Mas isso é um backup. Eu acho o VFR uma coisa meio bizonha. Funciona bem em voos locais, mas se afastou mais que 50NM começa a ficar esquisito, tem restrição demais, vc vive a um passo de romper o visibility and cloud clearence requirements. O IFR, se bem feito, é a solução pra todos os problemas, e aqui vc faz o IFR exatamente após o PP, antes mesmo de iniciar o PC. O VFR é um “visumento” legalizado, pra falar bem a verdade. Por isso tem tantas restrições. Basta vc olhar uma carta VFR e outra IFR pra perceber: qual delas tem mais penduricalhos?! Isso indica exatamente o que é: o VFR é complicado quando vc precisa voar longas distâncias, em especial pra lugares que nunca foi. A chave do sucesso (ou da sobrevivência) é o planejamento criterioso do voo. Hoje não faltam recursos de cartografia e meteorologia. Meter-se em confusão é quase um a escolha sua. Afinal, “o piloto verdadeiramente habilidoso é aquele que não precisa usar de toda a sua habilidade para sair de uma situação na qual ele mesmo se colocou”;-)

    • No meu entendimento, aqui no Brasil ainda é necessário ser saber voar VFR de verdade. O mesmo voo visual que se aprendia na década de 50. Isso por causa da probreza de auxilios a navegação que temos por aqui.

      Aqui no sudeste ainda dá pra brincar com os VOR se você voar acima do FL050. Mas mesmo assim é muito limitado.

      Minha dica é : Se for voar pra um lugar pra onde você nunca voou, risca a WAC e estuda bem suas principais referencias ao longo da rota, e calcula ao menos os estimados principais. Acho que nessa hora que é legal você por em prática aquilo que você se preparou pra ser: Piloto! hehehe … e o engraçado que voar visual não é tão difícil. O pessoal tem é preguiça de fazer planejamento de voo. Fazer conta, tirar os RM, procurar maior elevação na rota… acho isso tão bacana. Mas independente de gosto, essa é uma atribuição e dever do PILOTO.

      Pra uma rota que você faz com frequencia até vai. Você conhece o caminho de cor… não precisa ficar com muita cerimônia.

      Se estuda tanto, se rala tanto, pra quando chegar a hora de usar o conhecimento, o caboclo deixa todo o aprendizado dele de lado e se pendura no GPS. Como diriamos aqui em MG: “Não dô conta disso não” ehhehe.

      Uma situação em que o cara pode se dar mal: Pane elétrica (coisa não muito rara de acontecer). Por consequencia o GPS do avião vai pro brejo (avionics off e Alt. e Master switch off). “- Ah, mas eu tenho um aqui na bolsa como back up”. Legal, você descobre que o GPS de bkp está com bateria descarregada, afinal você quase nunca usa ele…. nesse caso nem a tomada de 12v do avião dá pra vc usar numa situação dessa. E ai?

      Isso já aconteceu com um amigo meu. A sorte dele é que ele já estava a 30min do destino e manteve a proa. Houve pouco desvio e ele conseguiu pousar sem maiores problemas (sem flap hehe). Ah, e ele não tinha o GPS de BKP na “manga” hehe

      Situação pouco provável de acontecer? Talvez. Mas como diz o ditado: Uma desgraça nunca vem só. É melhor se formar piloto com “P” maiusculo do que arriscar.

  2. Fred Mesquita
    5 anos ago

    Eu sempre falo, que muitos pilotos de hoje em dia desenvolveram o pensamento que o GPS é o único instrumento de navegação à disposição. São averso (ou desconhecem) ao planejamento de rota, voo se utrilizando cartas de rota, wac e demais auxílios básicos de navegação aérea. A doutrina exclusiva de ter um único meio de auxílio à navegação aérea ainda deve ceifar muitas vidas.

    • RodFigueiroa
      5 anos ago

      É como costumava dizer um professor de navegação:
      “Piloto que só voa pelo GPS morre!”
      E ele está corretíssimo.

  3. Madison
    5 anos ago

    Sempre é válido lembrar:
    Eastern 401… O “pai dos CFITs” é rico em ensinamento, e junto c/ Tenerife desenvolveu o CRM…

  4. RodFigueiroa
    5 anos ago

    Eu me arrepio e me impressiono toda vez que assisto esse vídeo.

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