EJ anuncia alterações nos cursos de PP e INVA devido ao novo RBAC-61

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Alertado pelo leitor Vinicius Casagrande (obrigado, Vinicius!), reproduzo abaixo a nota publicada ontem no site da EJ (os grifos são meus) sobre algumas alterações operacionais que a escola está adotando em virtude da publicação do novo RBAC-61. Comento em seguida porque eu acho que o rumo que a escola está adotando foi muito bem pensado em termos empresariais.

A EJ começa operar sob regras do RBAC 61

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), publicou no dia 22 de Junho de 2012 o novo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil 61 (RBAC 61) que trata das concessões de licenças e certificados para pilotos. Algumas novidades foram publicadas, entre elas a licença de tripulação múltipla (MPL), onde uma empresa aérea poderá habilitar um piloto iniciante para voar suas aeronaves, esta formação permite que o piloto voe somente na empresa formadora e somente um tipo de aeronave, baseado numa formação teórica reforçada, utilizando simuladores de voos avançados na maioria do treinamento.

Para pilotos que não voarem nos últimos 180 dias os equipamentos certificados e averbados em sua licença de piloto, deverão realizar novo treinamento teórico e prático, num curso de reciclagem, ou seja, terá seu certificado de habilitação técnica invalidado, por outro lado, pilotos com experiência recente nos últimos 180 dias, não precisarão revalidar sua(s) habilitação(ões).

Os candidatos a instrutores de voos a partir do dia 22/06/2014, deverão ter no mínimo 200 horas em comando para participar do curso. A EJ Escola de Aviação, a partir do dia 01/01/2013 já exigirá esta experiência para os cursos de instrutores, apesar da exigência parecer absurda, concordamos que o instrutor é a peça fundamental na formação básica e avançada de pilotos. Estamos estudando uma forma de atender as exigências publicadas, com programas de baixo custo e valorização do profissional no mercado de trabalho.

O Treinamento de Piloto Privado de Avião, passará para 48 horas, incluindo treinamento noturno que passa a ser obrigatório, conforme nova regulamentação.
Qualquer dúvida, nossos atendentes estão a disposição.
Josué de Andrade

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Comento

Este é o primeiro movimento de que tenho notícia, partindo de um aeroclube/escola, sobre alterações operacionais decorrentes da publicação do novo regulamento. Muitos outros deverão vir por aí, e este blog os informará na medida do possível. Por isso, solicito aos leitores que ficarem sabendo de iniciativas neste sentido que me informem, pois este é o tipo de informação difícil de se obter se não se está matriculado num aeroclube/escola.

Bem, mas falando sobre a nota em si, e começando pelo menos relevante: A mudança na carga horária do curso de PP me pareceu mais uma iniciativa mercadológica para capitalizar em cima da novidade do RBAC do que uma verdadeira necessidade técnica (as 3h noturnas poderiam ter sido inseridas no programa de treinamento anterior sem nenhum problema), e por isso não vou fazer maiores comentários sobre o fato. Mas a antecipação da obrigatoriedade das 200h de experiência em comando para o curso de INVA, de 22/06/2014 para 01/01/2013, me pareceu bastante importante, e merece ser mais bem analisada. (Como administrador de empresas, acho interessante analisar as estratégias empresariais).

Em primeiro lugar, percebam que a nota fala sobre a necessidade das 200h para fazer o curso de INVA na EJ, ela não está somente dizendo que os instrutores da instituição terão tal experiência (o que não é explícito, mas me parece óbvio que também acontecerá). Sabendo-se que a escola é uma das mais importantes do país – e que, por isso, costuma ser um “benchmark” para o restante do mercado, é de se perguntar se isto não se tornará o padrão já no início de 2013. Ou isso, ou os instrutores oriundos da EJ acabarão sendo sobre-valorizados no mercado. Então, eu acho que a concorrência (pelo menos as escolas que se propõem a serem reconhecidas como sendo de primeira linha) acabará seguindo os seus passos – mas foi a EJ que liderou a mudança, o que é sempre bom em termos de imagem.

Porém, o que achei interessante mesmo foi a empresa dizer que “estamos estudando uma forma de atender as exigências publicadas, com programas de baixo custo e valorização do profissional no mercado de trabalho.” Bem… Como ex-aluno da EJ, sei que uma qualidade que eles não possuem é a de ser uma escola barateira. Mas, por outro lado, eles também não oferecem produtos acima do valor de mercado quando é de interesse da empresa ganhar no volume – um exemplo disso é o curso de Jet Training deles, agora um dos mais barato do mercado, depois que surgiram vários concorrentes (alguns anos atrás, quando havia pouca concorrência, era muito mais caro). Então, se eles estão falando em baixo custo, na verdade o que deve estar por trás disso é algum programa de comercialização de horas de voo em larga escala para o sujeito que pretenda fazer as horas em comando para se tornar INVA.

Se for isso o que vai acontecer (e eu acho que vai), trata-se de uma sacada muito inteligente da empresa. Quem pode adquirir esse tipo de produto é o piloto recém formado como PC sem outra alternativa, e a maior parte das horas pode ser voada sem instrutor, nos aviões de custo mais baixo que a empresa conseguir disponibilizar. É um produto único, que não interfere com os cursos homologados de PP ou PC (da EJ ou da concorrência), típico para dar rentabilidade pelo volume – e ele tem tudo para ter um volume altíssimo. Seria uma saída para quem não teria outra maneira de se qualificar para o curso de INVA – que ela mesma está estimulando para que as novas normas entrem em vigor o mais cedo possível. Enquanto a maioria dos aeroclubes deve estar rezando para que 22/06/2014 nunca chegue, a EJ quer que essa data fatídica aconteça logo em 01/01/2013! Muito bem sacado em termos de estratégia empresarial! Meus parabéns á diretoria comercial da EJ.

 

 

 

9 comments

  1. Skyhawk
    5 anos ago

    Nesse novo RBAC-61 não sei se ficou muito claro. Já está valendo ter 200h em comando para checar o INVA ou começará a ser válido somente após 2 anos da publicação?

    • Fred Mesquita
      5 anos ago

      Toda lei (ou regra) nova tem que ser dado um tempo para começar a valer. A fim de que todos se acomodem e acostume com as novas mudanças. É o mesmo quando aconteece numa medida provisória.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Só em 2 anos.

  2. Urubú
    5 anos ago

    Será que só pq querem morder mais 50hs desde “já” significa alguma vantagem? Sei lá, acho que quem faz a formação é o aluno e não a escola, tem varios caras ai quase checanco o PC e não sabe nem fazer uma navega direito, quando acabar a bateria do iPad quero ver… Voar sozinho acho burrice, muitos se formam achando que voa pra caramba e quando vai ver mesmo, perdeu a oportunidade de receber pelo menos umas 100hs de feedbacks onde é feito o ajuste fino do voo, pegar o GPS e sair por ai fazendo curvas com G, fritando o motor e enrolando a fonia é tranquilo, na boa acho que se eu der 40hs de trinamento para a minha coroa ela faz igual. Admiro a EJ como empresa visando mercado e lucro e questiono muito o valor agregado da instrução.

  3. Diorley
    5 anos ago

    Em Porto Alegre, a Escola de Aviação Born to Fly já adequou o programa de treinamento aos novos requisitos do RBAC-61.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Isso inclui a exigência das 200h para o curso de INVA, como na EJ? Dê mais detalhes, por favor.

      • Diorley
        5 anos ago

        Negativo, nada consta ainda sobre curso de INVA.

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