Será que não há algo errado com a instrução de asa rotativa em São Paulo?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Ocorreu na manhã de hoje mais um acidente com helicóptero de instrução baseado no Campo de Marte, na capital paulista. A maioria das ocorrências verificadas nos últimos anos com helicópteros de instrução de S.Paulo não tem apresentado maior gravidade. Mas, neste caso, houve duas mortes, de dois jovens de 22 e 32 anos, o que é muito lamentável.

Não sou especialista no assunto (pelo menos, não ainda), nem possuo dados mais apurados (mas os estou buscando), mas a impressão que fica é de que alguma coisa está muito errada com a instrução de asa rotativa em São Paulo. Será que é porque aumentou muito o volume de voos de instrução em helicóptero aqui na capital? Não sei, mas estou procurando saber. Se alguém tiver informações sobre o assunto para compartilhar, sinta-se á vontade. Assim que reunir mais dados, volto a escrever sobre isso aqui.

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Atualização das 15:00h: Sobre o acidente referido no início deste post, vejam esta nova reportagem do G1, onde destaco o que segue abaixo:

Mailson [o instrutor morto no acidente], que deixa um filho de 5 anos, havia iniciado cursos de pilotagem há cerca de um ano e há dois meses era instrutor da Go Air.

 

15 comments

  1. Alexandre
    5 anos ago

    Acredito que o problema da instrução no Brasil é o mesmo do MAIOR problema do Brasil: EDUCAÇAO.
    O processo de formação dos pilotos, principalmente de asa rotativa, é muito fraco. Faça uma pesquisa, e pergunte a qualquer piloto que acabou de checar PCH se ele se sente seguro para exercer a profissão de imediato como piloto solo de um R44, por exemplo sem ter nenhum receio, receio este que não existiria se o piloto se sentisse bem preparado…Muitos dos que responderem SIM, não sabem oque estão dizendo…Algo que “aumentaria” o preço da hora de vôo, mas que eu acho ESSENCIAL para diminuir os acidentes, é o aumento da remuneração dos instrutores de instrução básica no helicóptero. Isso atrairia pilotos mais experientes que poderiam até trabalhar de “part- time”, oque já acontece em algumas escolas. Não sou contra pilotos com poucas horas darem instrução, desde que eles SEJAM BEM PREPARADOS para isso. Os instrutores “inexperientes” deveriam receber treinamento específico e intenso dos instrutores mais experientes, e ai então serem liberados para começar a ministrar instrução.
    Isso elevaria o valor do curso, sim elevaria, mas a curto prazo acredito que seja uma das formas de começar uma grande transformação na formação dos pilotos brasileiros

  2. Fred Mesquita
    5 anos ago

    Aqui no Nordeste a exigência para ser instrutor de aeroclube e escolas de aviação (a maioria delas) é de ter, pelo menos, umas 1.000 horas de instrução real. E paga-se muito bem por aqui….

  3. Acho que a medida da ANAC de exigir 200hs de experiência na categora desejada pra ser INVA vai cair como uma luva no intuito de acabar com essa farra de querer virar INVA únicamente pra acumular horas.

    Sinceramente eu penso que pra ser INVA de verdade é necessário vocação. Alguém q se dispõe dar instrução visando somente o acumulo de horas põe sua própria vida e a do instruendo em risco, pois não faz seu trabalho com afinco e a dedicação de realmente ensinar.

    • RodFigueiroa
      5 anos ago

      Com isso o ensino fica comprometido e o alunos vão sendo empurrados, mesmo com instrução deficiente, devido a alta demanda e pouca disponibilidade de voos. Um dos resultados que podemos ver com esse quandro é o de ‘profissionais’ desqualificados, despreparados para exercerem a atividade aérea com segurança.

  4. Renato Guardiola
    5 anos ago

    Quem sabe a ABRAPHE não tenha algo a acrescentar…

  5. toporkiewicz
    5 anos ago

    Pois é Raul, novamente Master/GoAir, novamente R22, novamente instrução! Algo precisa ser revisto.
    Recentemente visitei uma das várias escolas em Marte, até onde sei a capacidade do R22 é de 109kg por assento, algumas fontes dizem ser de 116kg, mas a direção da escola aceita aluno de até 100kg. Não é estranho?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      A Go Air é a escola com maior frota e a que voa mais, por isso é de se esperar que ela esteja mais propensa a se envolver em acidentes, em termos de números absolutos, que as outras. Sobre o problema dos pesos, também não vejo irregularidade.

  6. RodFigueiroa
    5 anos ago

    Também não tenho formação para falar sobre, mas já é a segunda ou terceira ocorrência envolvendo a instituição em questão, isso em um período de tempo relativamente curto. Não estou apontando defeitos, responsáveis e tão menos culpados, mas é de se levarem em conta os acontecimentos anteriores.

    • Jair Lopes
      5 anos ago

      Bom sou PPA mais conheço pessoas que trabalham com a venda dos modelos R22 R44 R66 importado pela Audi que esta localizada no hangar Tucson em Campo de Marte, em um bate papo esses dias atras teve um comentário que a Audi deixaria de importar O Robinson pois neste ano mais de 30 acft tinham se acidentado…o tão esperado R66 mesmo turbo helice nao se houve falar por ae coisa muito boa não… enfim a Robinson precisa avaliar suas acft pois não é só aqui que eles estão caindo mais sim no mundo todo.

      • toporkiewicz
        5 anos ago

        Acredito não ser o caso do acidente de hj, mas somando a irresponsabilidade de muitos (voar em uma arena de rodeio, decolar de um estacionamento de shopping, etc..) o resultado é catastrófico.

      • Ricardo Hoffmann
        5 anos ago

        Os senhores vão me desculpar, sou INVH e voo R22, e é perfeitamente aceitável que a máquina que mais sofre acidentes no mundo ser o Robinson pelos seguintes motivos enumerados: aeronave com baixo custo de aquisição e manutenção, geralmente são pilotos com baixa experiência que as pilotam por serem as máquinas de acesso ao mercado, e mais uma senhores, peguem um estudo na própria ANAC e vejam quantos Robinson tem no Brasil se comparadas as 1600 totais de asas rotativas, creio que chegaremos a um número de quase 500, uma média de 30%. Muito cuidado antes de falaram mal da Robinson, afinal quanto mais se voa maior o risco de acidentes. E quanto ao fato do INVH, o único modo de acesso ao mercado para o Piloto de helicóptero é este, afinal as máquinas são geralmente mono-place. Então legal, o cara se forma PCH e vai fazer o que, voar PR-BIC para acumular as 500horas, afinal não tem outro meio.

        • Raul Marinho
          5 anos ago

          Seus argumentos são válidos e, inclusive, boa parte deles já foi dita por mim aqui em outros posts. Mas me diga uma coisa: o que está acontecendo com a instrução de asa rotativa em SP? Qual a sua opinião, já que vc é do ramo?

          • Ricardo Hoffmann
            5 anos ago

            Primariamente, acredito que alguma anormalidade possa estar ocorrendo, afinal não se aceita um acidente com vítimas fatais como normal. E é muito fácil, um pré-julgamento feito de forma externa. Mas eu considero como um erro operacional, até mesmo pela recorrência, afinal algum procedimento adotado na instrução está sendo falho. Meu telhado é de vidro, por isso prefiro não arremessar pedra no telhado dos outros. Mas ressalto, um cidadão recém checado INVH tem sim que ter certas restrições de vôo, afinal ainda precisa ganhar experiência para poder executar manobras de solo e de emergência com um risco reduzido, mas cada escola e centro de instrução deve definir qual o risco que quer estar submetida. Acho sim, que deve haver uma investigação forte em cima disto, visando mitigar os riscos e aparar determinadas arestas que ainda causam estas fatalidades.

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