Ainda o problema da instrução de helicópteros em São Paulo

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Ontem, eu publiquei um post com a seguinte pergunta-título: “Será que não há algo errado com a instrução de asa rotativa em São Paulo?“. Hoje, a imprensa traz algumas evidências de que pode ser que haja, sim, alguma coisa errada com a instrução de helicópteros em São Paulo. Leia as matérias reproduzidas abaixo (fonte: Aeroclipping, do SNA). Depois retorno para meus comentários.

Folha de São Paulo

Aeronáutica pediu para a fiscalização ser reforçada
Recomendação foi feita à Anac, em fevereiro, devido a um acidente
Agência afirma que não recebeu relatório sobre o assunto; sindicato diz que voo de helicóptero é arriscado em São Paulo
RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO
RICARDO BUNDUKY
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Em fevereiro, a Aeronáutica recomendou à Anac que criasse “mecanismos” para aumentar a eficiência da fiscalização em escolas de aviação e aeroclubes.

A motivação foi justamente a queda de um helicóptero R22 -igual ao modelo do acidente de ontem- em 27 de outubro de 2008, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

A aeronave, da escola Golden Fly, também fazia voo de instrução, nas proximidades da rodovia Ayrton Senna. Os dois ocupantes saíram ilesos.

Quem fez a recomendação foi o Cenipa, órgão da Aeronáutica que apura e previne acidentes aéreos.

A investigação apontou que falhas nos procedimentos de instrução e de segurança contribuíram para o acidente. A principal suspeita é que a falta de combustível fez o motor perder potência -o helicóptero, então, caiu.

Segundo o Cenipa, o piloto não acompanhou o abastecimento da aeronave e julgou que ela tinha mais combustível do que havia.

Questionada, a Anac disse não ter recebido a recomendação do Cenipa -embora o órgão da Aeronáutica cite a agência como um dos destinatários do documento, emitido em 28 de fevereiro.

A agência diz que procurará hoje o Cenipa -que à tarde havia encerrado o expediente- para verificar se a recomendação foi enviada.

Para Carlos Camacho, diretor de segurança do Sindicato Nacional dos Aeronautas, a operação de helicópteros em São Paulo é arriscada. “É um paliteiro sendo sobrevoado.”

Ele diz que o problema está na baixa altitude em que os helicópteros sobrevoam a cidade, entre 150 a 240 m. “Em Nova York, só voam helicópteros nessa altitude em extrema necessidade.”

G1

Polícia começa a ouvir depoimentos sobre queda de helicóptero em SP
Dois pilotos morreram após aeronave cair em galpão na Zona Oeste.
Acidente aconteceu na manhã desta quarta-feira (11).
Do G1 SP

A Polícia Civil vai começar a ouvir nesta quinta-feira (12) os depoimentos que podem ajudar a explicar a queda de um helicóptero na região da Água Branca, Zona Oeste de São Paulo, nesta quarta-feira (11). Dois pilotos profissionais que estavam na aeronave morreram.

A aeronave, utilizada em voos de instrução, caiu sobre um galpão às 10h20. O helicóptero havia partido do Campo de Marte, na Zona Norte. Mailson Rocha Lopes, de 23 anos e Denis Franklin Tomasi, de 32 anos, morreram. De acordo com o registro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Mailson era piloto comercial. E o outro ocupante da aeronave era piloto privado.

Mailson, que deixa um filho de 5 anos, havia iniciado cursos de pilotagem há cerca de um ano e há dois meses era instrutor da Go Air. De acordo com o irmão dele, o capitão da Polícia Militar Mauro Rocha Lopes, ele dava aulas no momento do acidente.

“É muito triste. Ele era tão jovem, estava começando tudo agora. Tinha um filho de 5 anos que acabou de fazer aniversário. Mas acredito que tenha sido uma fatalidade. Ele comentava que as aeronaves passavam por manutenção dentro dos prazos determinados. Só que o helicóptero é uma máquina, pode falhar”, afirmou Mauro.

A aeronave pertence à Master Escola de Aviação Civil, que também é conhecida como Go Air. Ao G1, a empresa confirmou apenas que se tratava de um voo de instrução. Ainda não há informações sobre as causas do acidente nem se o piloto alertou à torre de comando sobre algum problema antes da colisão.

Barulho
Testemunhas que viram a queda do helicóptero disseram que a aeronave fazia barulho forte e que o piloto “parecia buscar algum lugar para amortecer a queda”. O vendedor Sérgio Antônio de Souza, de 47 anos, que trabalhava em uma loja de motos aquáticas ao lado do local do acidente, viu o momento em que a aeronave começou a cair. “A hélice de cima estava perdendo velocidade e ele estava caindo com muita velocidade. Parecia que ele estava procurando algum lugar para amortecer a queda”, disse. O impacto, no entanto, foi muito forte.

Já o motorista João Gaspar aguardava no galpão para carregar seu caminhão. No momento em que deixava o veículo para ir até a portaria, ele escutou o barulho da aeronave perdendo força. “Eu olhei para cima e ele já estava caindo. Nós viemos para portaria e ele acabou de cair”, declarou. Segundo ele, o motor do helicóptero já tinha parado uma vez antes da queda, mas o piloto conseguiu retomar o controle. A aeronave só caiu quando o motor falhou pela segunda vez. Logo depois da queda, ele entrou no galpão e conseguiu ver um dos ocupantes ainda respirando.

‘Abalada’
A Go Air disse estar “profundamente abalada” e que lamenta o acidente que vitimou Mailson e o aluno Denis. A empresa explica que a aeronave decolou do Campo de Marte para realizar trajeto de 15 minutos até a área de instrução. Após o treinamento, no regresso, a aeronave perdeu o contato via rádio com a Torre de Controle por volta das 10h20. O voo foi planejado para uma duração de uma hora e havia combustível suficiente para duas horas de operação. A manutenção da aeronave estava em dia e de acordo com os registros oficias. O helicóptero havia partido do Campo de Marte às 9h19, segundo a Infraero.

A Go Air disse que está prestando todo o apoio e suporte necessários aos familiares das vítimas e irá acompanhar a investigação. As operações da empresa foram suspensas em luto de três dias.

A Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe) divulgou nota dizendo lamentar o acidente. As vítimas era associados da entidade. Segundo o órgão, o acidente ocorreu durante o trajeto de volta da aula de instrução realizada fora da área urbana de São Paulo. Para a Abraphe, o acidente foi “uma fatalidade” diante dos índices que remetem à queda no número de acidentes com helicóptero no país. Segundo dados coletados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), até junho deste ano foram quatro acidentes envolvendo helicópteros no Brasil, sendo um fatal. Em todo o ano de 2011 foram 27

A Abraphe diz atuar na prevenção de acidentes promovendo campanhas e disseminando informações aos pilotos.

Comento

Em primeiro lugar: “fatalidade” uma ova! “Fatalidades” são quase impossíveis de acontecer nos acidentes aeronáuticos. “Fatalidade” seria se um meteorito caísse na aeronave, que parece não ser o caso. E, para piorar, de acordo com a matéria da Folha, há um problema endêmico relacionado à instrução de asa rotativa em São Paulo. Ou seja: além de não ser uma “fatalidade”, também não é um caso isolado. O problema é grave e requer ação imediata.

Não dá para aceitar a postura da ANAC, que diz desconhecer as recomendações do CENIPA. Mas se a ANAC dá essa importância toda para as recomendações de segurança, imaginem as escolas… Acho que não dá mais para fazer de conta que se cumpre o que o CENIPA recomenda. Ou se leva a sério a segurança na instrução de asa rotativa em São Paulo, ou é melhor suspender todas as operações até que se cumpram estas recomendações. É uma medida drástica? Sem dúvida, mas não adotá-la fará com que os acidentes daqui para a frente sejam reclassificados como assassinatos.

– x –

Atualização de 13/07: Vejam abaixo matéria publicada no portal “Último Segundo” do iG:

Escola de aviação registra 5 acidentes durante aulas em menos de dois anos
Queda de helicóptero no bairro da Lapa, em São Paulo, foi a primeira com mortes. Falhas nas aeronaves ocorrem desde novembro de 2010, diz a empresa

A escola de aviação Master, conhecida como Go Air, registrou cinco acidentes durante voos de instrução em menos de dois anos, em São Paulo. A instituição é proprietária do helicóptero que caiu e matou duas pessoas, nesta quarta-feira (11), na zona oeste. Além disso, a mesma aeronave, um Robinson 22 com prefixo PR-HOL, já havia se envolvido em um acidente em 2010.

Segundo a assessoria da Go Air, os cinco acidentes ocorreram a partir de novembro de 2010 e o de ontem foi o primeiro com mortes. A escola afirmou também que os incidentes foram investigados pelos órgãos responsáveis de aviação. Todas as ocorrências envolvem o aeronave do tipo R22, o único modelo utilizado pela empresa para voos de instrução.

Ontem, um helicóptero da escola caiu em um galpão no bairro da Lapa, na zona oeste, deixando os dois ocupantes mortos. De acordo com os bombeiros, a queda da aeronave foi registrada às 10h23, na rua Guaicurus. No galpão de bobinas de metal da empresa Transnovac, havia apenas um motorista no momento do acidente. Ele não se feriu e viu o helicóptero perder altitude.

As duas vítimas – Denis Frank Tomazi, de 32 anos, que pilotava a aeronave, e Mailson Rocha Lopes, de 24 anos – morreram no local com quadro de politraumatismo. Com a queda, um buraco foi aberto no telhado do galpão. A cabine com os pilotos despencou de uma altura de 8 metros e caíu no chão.

Investigações

De acordo com a Infraero, a aeronave decolou às 9h19 do Campo de Marte, em Santana, na zona norte da capital. As causas do acidente ainda não foram esclarecidas. E o caso segue sendo investigado pelo 7º DP, da Lapa, onde os representantes devem ser ouvidos ainda hoje.

O Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) recolheu a aeronave para perícia. A previsão é de que o laudo técnico seja concluído em 90 dias.

26 comments

  1. TONEY FONTES
    5 anos ago

    Esta mais pra ANARC… volta DAC

  2. Cristiano Aranda Flaminio
    5 anos ago

    Segundo documento postado semana passada neste blog, o PROMINP fez um estudo dos helicópteros em instrução no país. 82% são Robinson, 14% Schweizer e outros 4% entre Bell, Agusta e Helibrás. Os acidentes em instrução são 100% Robinson.
    Realmente é necessário verificar o que o Raul propõe, para saber se existe um problema real com o Robinson associado à instrução (especialmente instrução com pouca experiência)

  3. Renan
    5 anos ago

    Caro Raul, boa tarde!

    Primeiramente deixe-me parabenizá-lo pelo blog. Este é o meu primeiro comentário e espero que possamos trocar várias idéias neste espaço.

    Sobre o assunto: concordo que a ANAC peca na fiscalização. E também concordo que precisamos melhorar e muito na Cultura de Segurança que você acertadamente divulga em todos os artigos de seu blog.

    Mas não concordo com o tom generalista que o artigo ficou, talvez esse tom até mesmo não foi de propósito. Mas me explico: diariamente são centenas de pousos/decolagens de instrução de asa rotativa em SP, quase a totalidade ocorrem no Campo de Marte e usando R22. Hoje, bem mais de 50% dos vôos em SBMT são de asas rotativas. Eu também não tenho os números frios, mas minha impressão é de que o índice de incidentes é pequeno em relação ao número de vôos.

    Mas o que considero mais importante é que existem escolas em que incidentes não são registrados há tanto tempo que nem mesmo posso dizer se já aconteceram. Não estou aqui para fazer propaganda ou julgar, mesmo porque não tenho dados e nem a intenção, mas apenas saliento que se formos generalistas corremos o perigo de não encararmos o cenário da maneira mais eficaz.

    Estou mais inclinado a perguntar: o que as escolas com poucos ou nenhum incidentes fazem diferente das escolas que têm tido incidentes acima da média? Essa diferença é real ou é apenas reflexo do número de aeronaves que cada escola possui? Não vou entrar em mais detalhes que acho pertinentes mas certamente você entende meu ponto aqui.

    Um grande abraço,
    Renan.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Não foi minha intenção fazer uma critica generalista. Na verdade, eu nem sei se existe um problema efetivo. Mas a impressão é que tem, sim – vide a matéria da Folha. O que quero é justamente reunir dados e informações para poder fazer una análise mais apurada.

      • Renan
        5 anos ago

        Entendo que não houve intenção de generalizar, mas me imaginando como um instrutor ou proprietário de escola (não sou nenhum dos 2) que segue os procedimentos e que se preocupa com segurança eu me sentiria um bocado frustrado com o título do seu artigo e em especial com a afirmação “Ou se leva a sério a segurança na instrução de asa rotativa em São Paulo, ou é melhor suspender todas as operações até que se cumpram estas recomendações.”

        Que a ANAC precisa fiscalizar melhor, não há dúvidas, mesmo que nenhum acidente houvesse ocorrido em tempos recentes. Pois há um sentimento forte de que “fiscalização não existe”, e isso é ruim para todos e mais ainda para quem direciona esforço e dinheiro nessa direção. Mas essa situação não é exclusiva da asa rotativa.

        Sobre a reportagem da Folha, é realmente grave se for constatado falha de comunicação entre esses 2 importantes órgãos. Mas como você sabe muito bem, temos que ter cuidado com essas reportagens pois as imprecisões parecem ser “regra”.

        Abs.

        • Raul Marinho
          5 anos ago

          Pois é, o problema é que eu não sei se há algum problema localizado em uma (ou algumas) escola(s), ou se há um problema sistêmico na instrução de asa rotativa em SPaulo. A escola pode estar corretíssima, mas o equipamento pode não ser adequado a este tipo de operação realizada em S.Paulo, por exemplo (aliás, há indícios levantados por um leitor apontando na direção do R-22, que estou investigando). E se a situação não é exclusiva da asa rotativa como vc diz (e não é realmente, eu mesmo vivi problemas de descaso com segurança na instrução de asa fixa, fato que já expus no blog mais de uma vez), o fato é que os helicópteros de instrução é que estão matando gente aqui em S.Paulo… Minha intenção é provocar quem atua na área, no sentido de apresentar dados e informações sobre a segurança da instrução de asa rotativa em SPaulo. E não há como fazer isso se não for incisivo como estou sendo. Então, eu sinto muito, mas não vou poder ficar fazendo muitas concessões no meu texto sob pena de não chegar em lugar nenhum. Um grande abraço, e muito obrigado pelas suas considerações de qualquer forma. Elas são importantes para que eu possa explicar melhor o que penso, e onde quero chegar. Raul

          • Renan
            5 anos ago

            A sua investigação sobre o R22 será muito interessante. Espero você compartilhar suas descobertas em breve no blog. Assim poderemos embasar melhor a discussão em torno da adequação da máquina, como o Toporkiewicz comentou.

            Sua provocação é muito bem-vinda, mesmo porque aqui é um espaço aberto em que pessoas podem contestar e assim qualificar ainda mais a discussão. Eu não estou contestando o seu artigo porque não tenho os dados e estatísticas, mas estou contrapondo pontualmente onde acho (e aqui é ênfase em ‘acho’) que cabem correções.

            Eu acompanho aviação somente recentemente, de final de 2010 para cá. Esse é o primeiro acidente fatal que me recordo em instrução em SP, você tem informação de mais ocorrências (tanto asa rotativa quanto fixa) ?

            • Raul Marinho
              5 anos ago

              Minha investigação quanto ao R-22 não deu em nada. A aeronave teve problemas de cassação de certificação realmente, mas foi por problemas na fabricação das pás do rotor principal que já foram resolvidos. E há, realmente relatos de dificuldade de controlar o equipamento, mas o fato é que alunos novatos dos EUA ainda usam esse tipo, então acredito que não haja restrições mais significativas da FAA. Eu acho que seria recomendável utilizar outro equipamento na instrução primárias de PPHs e PCHs – um S-300 sem dúvida seria mais adequado -, mas o fato é que, fora de S.Paulo, a situação é bem melhor, e esse tipo é usado em todo o país. Logo, não é o R-22 que explica a situação específica da instrução de asa rotativa na capital paulista. Eu tenho informações de outros acidentes (vários outros) ocorridos com helicópteros de instrução em S.Paulo, mas elas são esparsas. Para divulgação, eu preciso encontrar um banco de dados abrangente e confiável, que até agora não foi possível achar. As informações do CENIPA não são específicas, muito menos as da ANAC.  Abs, Raul 

    • Toporkiewicz
      5 anos ago

      Renan, acho que o numero de aeronaves não justifica o indice de ocorrencias, existem escolas com frota maior, porém operam outra aeronave, e não ouvimos falar de incidentes com tanta frequencia.

  4. Simone
    5 anos ago

    Concordo que a ANAC só atrapalha o desenvolvimento da aviação brasileira, mas discordo quando afirmam que nossa aviação é perigosa, mania de brasileiro de desmerecer nossas coisas, nossa aviação é uma das melhores do mundo, nossos indices de acidentes são muuto menores que em outras partes do mundo e posso afirmar que somos melhores pilotos do que a maioria dos gringos.
    Qto a instrução há um vício desde sempre, normalmente os instrutores são pilotos recém formados, a procura de obter horas de vôo para se qualificarem a melhores empregos, portanto com pouca experiência para si próprio qto mais para ensinar alguém, eu fui um desses tb tinha pouca experiência e dei sorte, sobrevive a instrução.
    Não estou afirmando que a causa do referido acidente seja a experiência do instrutor, mesmo pq as investigações estão só iniciando, só quis falar algo sobre o que o colega falou sobre instrução ruim nas escolas de helicóptero em SP.
    A ANAC é a responsável por isso se realmente estiver acontecendo alguma violação nesse sentido, se nossa aviação está ficando com níveis de terceiro mundo é graças a incompetência de gerenciamento dessa agência, todas as taxas cobradas por essa entidade subiram estrondosamente com relação ao que era cobrado pelo DAC, hoje é cobrado mais de mil reais para um cheque, demora-se uma eternidade para conseguir um checador, depois outra eternidade para sair a carteira qdo na época do “incompetente” DAC, se eu não estiver enganada, o cheque saia por R$50,00 e carteira saia quase que imediatamente, eu sou da época que saia na hora, o próprio checador emitia, no final do cheque, a carteira provisória.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Quer dizer que vc acha que a instrução de asa rotativa em São Paulo está segura? É um direito seu, não tenho dados para contestá-lá neste momento, mas minha impressão é que não está não. E, de acordo com a Reportagem da Folha, o CENIPA também não.
      Mas não venha dizer que eu escrevi que a instrução em helicopteros é ruim nas escolas de Sao Paulo. Eu não disse isso (nem que é boa), somente comentei que se nem a ANAC dá importância às recomendações do CENIPA, é de se esperar que as escolas não sejam mais conscientes que a agência que as fiscaliza.

      • Simone
        5 anos ago

        Raul aonde eu disse que você afirmou que a instrução de HE em SP é ruim?Li e re-li o que escrevi e não vi isso.
        Se você não entendeu sinto muito, eu afirmei que brasileiro tem mania de desmerecer a si próprio e as coisas brasileiras, não disse que era você.
        Qto a instrução de HE veja o que afirmei e que talvez possa ser a causa de tantos acidentes/incidentes, pilotos recém checados, com pouca experiência para si próprio ensinando outros sem experiência nenhuma, eu coloco minha cara a tapa, fui um desses instrutores, eu tinha em torno de 150h totais e comecei a dar instrução, não para acumular horas de vôo para galgar melhores empregos pois a escola era minha e justamente por causa da alta rotativa dos instrutores senti essa necessidade, quando o instrutor estava com a experiência bem adquirida eles partiam para outros empregos e éramos obrigados a contratar instrutores recém formados, tînhamos uma regra, só dava instrução em nossa escola quem fazia o curso completo com a gente, assim sabíamos o padrão de vôo do futuro instrutor e posso garantir que isso deu certo.
        Tivemos alguns acidentes/incidentes, o helicóptero nem precisa sair do chão para quebrar, é extremamente sensível e fácil de perder o controle, eu mesma sofri 2 acidentes na instrução, um erro meu e outro falha da máquina. O acidente por erro meu não foi no início de minha carreira, eu já tinha mais de mil horas de instrução e mais de mil no offshore, portanto nem sempre a falta de experiência é a causa do erro.
        E a instrução em aviões?? É a mesma coisa, os instrutores começam com pouca experiência para aumentar suas horas de vôo e assim ir para um emprego melhor, isso é um vício de nossa aviação e que a ANAC parece vai dificultar sua repetição exigindo 200h no equipamento, voltando ao passado, atenção, não estou achando ruim, acho é bom.
        Muitos acidentes em instrução de avião tb acontecem só que não repercurti tanto pq não acontecem numa grande metrópole como SP, as instruções de avião são obrigadas a serem deslocadas de Marte para o interior devido ao tráfego intenso de Marte e as manobras de instrução do avião conflitarem com o tráfego da comercial, o helicóptero treina todas as manobras a partir de 500ft e no avião não, não é mesmo?!?
        Agora o que percebo é um aumento na procura por cursos de helicóptero por pessoas que não têem vocação, só estão preocupadas em ter um emprego que paga bem, não estudam, voam mau e não respeitam a profissão.

        • Raul Marinho
          5 anos ago

          Bem… É que quando vc fala em “brasileiro”, eu entendo que vc está se referindo a “este brasileiro aqui”, mas agora entendi o que vc quis dizer. Lamento, foi um mal entendido de minha parte.

          Quanto ao problema do instrutor ser inexperiente para a função, o seu ponto de vista coincide com o meu. Já disse isso inúmeras vezes aqui. E também acho que o problema também acontece na asa fixa (o que também já afirmei aqui muitas vezes), só que, alem de geralmente ocorrer longe dos grandes centros como vc afirmou, há ainda o fato de que é muito mais fácil recuperar um avião do que um helicóptero.

          Desculpe-me se te entendi errado, vou me esforçar para melhorar. E muito obrigado pelos seus esclarecimentos e seus depoimentos pessoais, que agregaram bastante à discussão.

          Abs,

          Raul

          • Simone
            5 anos ago

            Tudo certo Raul, acho que conseguimos nos entender, kkkk…..parabéns pelo blog, sempre que puder estarei dando minha contribuição, vamos torcer que nossa aviação não desgringole como outras profissões, abraços

            Simone

  5. Renato Guardiola
    5 anos ago

    Ah, e tremenda bobagem falada pelo Sr. Carlos Camacho. Se 500 pés é muito baixo para se voar de helicóptero, ele deveria enviar uma recomendação ao COMAER para modificar nossa ICA 100-12, e apresentar os estudos que fundamentam esse argumento dele, provando que não dá tempo de executar uma autorotação com segurança a 500 pés.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      É a vontade irrefreável de dizer palavras de impacto na imprensa, em 99% das vezes, uma besteira sem tamanho. Mal típico de sindicalista (vide o mais famoso deles, nosso ex-presidente).

      • Simone
        5 anos ago

        Concordo com vcs, quem é esse cmte de mesa, e de asa fixa para falar de helicóptero, não entende nada e abra a boca pra alar asneiras…..aff!! É esse povo que nos defende??? Deixa que nos viramos sozinhos, não é mesmo!?!?

  6. Renato Guardiola
    5 anos ago

    Amigo Raul,

    tem uma postagem interessante no Forum CR do usuário Aerobronco falando dos perigos do R22, de relatórios da FAA.

    http://forum.contatoradar.com.br/index.php/topic/90281-pm-e-acionada-para-queda-de-helicoptero-em-sp/page__view__findpost__p__922425

    O interessante é que no EUA eles já tem medidas específicas para esse modelo R22, justamente pelo alto índice de acidentes com essa aeronave.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Cara, muito sérias essas acusações, hein? Vou investigar melhor esse assunto.

    • Franco
      5 anos ago

      Amigo,
      sou piloto comercial em uma escola de campinas e te afirmo com experiëncia de que nossa instrução é MUITO superior do que a instrução dada em São Paulo, perdi a conta de quantas Auto-rotações ( Procedimento de emergëncia ) efetuei.A frota da escola em Campinas já é maior do que esta escola de São Paulo, nunca tivemos nenhum problema sério devido ao alto padrão de cobrança e treinamento. Creio que existe uma falha no sistema em São Paulo, seja por concorrencia das escolas que por fim acabam fazendo uma manutencão meia boca para sempre estarem com aeronaves prontas pra voar, seja por contratação de instrutores sem experiëncia, não sabemos, mas sua origem precisa ser estudada.

      • Renato Guardiola
        5 anos ago

        Franco, o que você me diz do link postado logo acima, a respeito dos possíveis perigos na operação do R22, que motivou a FAA até exigir experiência mínima para se voar essa máquina.

        Abraço!

      • Righetti
        5 anos ago

        Sou PPH checado, fazendo o PCH (tudo na EFAI em Belo Horizonte – MG). No próprio treinamento PPH eu já perdi a conta de quantas auto-rotação simuladas nós executamos durante as intruções. Realmente é essencial que o procedimento seja algo tão treinado que seja até “banal” a sua execução pelo piloto. Em uma falha, o piloto não tem tempo pra pensar o que deve fazer, ele deve ter a atitude instantânea de abaixar o coletivo e só depois disso procurar o que deve ser feito e onde deve pousar. Dependendo a sua ALTURA, temos no máximo 1~1,5 segundos até a atitude de baixar o coletivo, senão morre. Se tiver bem alto, 2 segundo no máximo, mais que isso a pá já não gira em velocidade suficiente a criar sustentação e o vento relativo também não será o suficiente para fazê-la ganhar RPM novamente.

        Ainda assim, devemos esperar o termino da investigação para podermos saber o que realmente pode ter acontecido, por enquanto são apenas especulações vazias que podemos ter dessa fatalidade em questão.

  7. Marcos Buozi
    5 anos ago

    Explicando: Recheque por matrícula e não por tipo e/ou modêlo.

  8. Marcos Buozi
    5 anos ago

    A ANAC está preocupada em como fazer para atrapalhar a aviação.Daqui à pouco vamos ter que pedir recheque com um ano de antecedencia, fazer prova e recheque para cada matrícula de aeronave.É uma vergonha.Isto que dá, metalurgico gerenciando a aviação.

    • Freddy
      5 anos ago

      Tenho um amigo na executiva que voa C90, B350 e LJ45 e eles pedem recheque com 6 meses de antecedência e mesmo assim ficou com a carteira do LJ vencida.
      Pra ajudar, quando resolveram o problema colocaram co-piloto em vez de comandante.

      Outro amigo fez cheque inicial de IFR há 56 dias e até agora está aguardando análise.

      Isso é inadimissível !!!

  9. Fred Mesquita
    5 anos ago

    A ANAC ? Fiscalizar ?… está difícil viu Marinho. No Brasil estamos a ermo, jogados na sorte. Se ficalizassem 50%, pelo menos, seríamos uma potência em matéria de aviação. Mas como estamos sem horizontes, os acidentes aeronáuticos crescem e acontecem quase que diariamente.

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