Sobre o problema da certificação de proficiência linguística

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Vejam abaixo uma reportagem publicada na Folha de São Paulo de hoje (fonte: Aeroclipping do SNA) sobre o problema da certificação de proficiência linguística exigida pela ANAC (o popular “ICAO test”) – especificamente, sobre os pilotos que realizaram a prova na Espanha e depois a convalidaram no Brasil. Comento em seguida.

Inglês ruim ameaça licença de pilotos de avião no país

Ao menos 37 podem perder autorização para comandar voos internacionais
Anac suspeita de testes de inglês feitos em escola de Madri; idioma é importante para a segurança de voo
RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) mandou pilotos de voos internacionais refazerem a prova de inglês -obrigatória para atuar nesse tipo de voo- por suspeitar que eles não sejam tão fluentes no idioma como dizem.

A medida, segundo a agência, atinge 37 pilotos. O número, porém, pode ser maior: um único advogado mostrou à Folha uma relação com 94 pilotos afetados.

Essas pessoas têm até 15 de dezembro para se submeter a uma nova prova de inglês. Caso não o façam, perderão o direito de atuar em voos fora do território brasileiro.

O inglês é padrão e obrigatório na aviação internacional. A má comunicação pode pôr em risco a segurança e contribuir para um acidente.

A maior parte dos tripulantes é da TAM, a companhia aérea brasileira com mais voos para fora do Brasil. Há ainda alguns da Gol e de empresas de aviação executiva.

IMBRÓGLIO

Todos os tripulantes notificados pela Anac haviam feito a prova de inglês no exterior, em uma escola em Madri avalizada pela Aesa, autoridade de aviação espanhola. Em dezembro de 2011, a Anac passou a reconhecer esses testes como válidos.

O imbróglio começou porque a agência desconfiou do grande número de pilotos que iam a Madri para fazer a prova de inglês e comparou os testes que esses tripulantes haviam feito no Brasil (em órgãos autorizados por ela) com os da capital espanhola.

Resultado: quem fazia o teste na Espanha, na maioria dos casos, melhorava a nota em relação à obtida no Brasil. Em alguns casos, quem foi reprovado na prova brasileira foi aprovado em Madri.

INSPEÇÃO

Em maio, a Anac mandou duas inspetoras para visitar a escola, chamada Flight Crew Training Academy.

Em relatório ao qual a Folha teve acesso, ambas sustentam que “o objetivo do teste de proficiência linguística aplicado pelo centro avaliador (…) não está em conformidade” com os padrões internacionais estabelecidos pela Oaci (Organização de Aviação Civil Internacional).

Em junho, a Anac começou a notificar os pilotos. A medida se deu em “prol da segurança operacional da aviação civil”, diz o relatório.

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OUTRO LADO

Aeronautas criticam a decisão da Anac e recorrem à Justiça

Pilotos notificados pela Anac foram à Justiça para que a prova de inglês que fizeram na escola em Madri continue a valer -o que os dispensaria de um novo teste.

Um pedido de liminar foi negado. O advogado deles, Carlos Duque Estrada, disse que já recorreu da decisão.

Ele sustenta que a decisão da Anac ignora o direito adquirido dos pilotos e é incoerente. A Anac, em dezembro, havia validado as licenças obtidas em Madri.

“Se eles dizem que o inglês desses pilotos é insuficiente -e não é- e afeta a segurança, não deveriam deixá-los voar nenhum dia, e não ameaçar suspender a licença em seis meses se eles não refizerem a prova”, afirmou.

Segundo ele, todos os pilotos são experientes, alguns com mais de 15 mil horas em voos internacionais, e falam inglês. “Quer dizer que a Anac é melhor que a agência europeia de aviação? O nível de qualidade lá é maior do que no Brasil”, afirmou. Ainda de acordo com o advogado, os pilotos decidiram fazer a prova fora do país porque é mais barata (“cerca de R$ 400, contra R$ 2.000 no Brasil”) e rápida, pois é emitida de um dia para o outro.

A TAM disse operar “todos os seus voos internacionais de acordo com os regulamentos do setor e nos mais elevados níveis de segurança. A empresa cumpre as exigências da Anac referentes à proficiência de língua inglesa”. A Gol diz que todos os seus pilotos têm documentação em dia. A Folha não conseguiu falar com a Flight Crew.

Comento

Esse argumento do preço do teste é uma barbaridade! O teste custa, no Brasil, entre R$350 e R$550, e ninguém vai fazê-lo na Espanha para economizar. Quanto à rapidez… No Brasil, demora cerca de 30 dias, mas mesmo que na Espanha o resultado fosse imediato, o piloto vai ter que passar pela convalidação na ANAC, e duvido que o processo dure menos de um mês. E por que todo mundo vai fazer o teste na mesma escola de Madri? Não seria de se esperar que os testes no exterior acontecessem em diversos lugares? Acho que não há dúvidas sobre o que motivou essa “coincidência”, né?

O fato é o seguinte, pessoal: conforme não me canso de dizer aqui, não adianta querer dar uma de “ishpérrto” na aviação (na verdade, em nada na vida, mas na aviação principalmente). Sempre aparece uma alternativa “jeitosa” para resolver os problemas difíceis da carreira, mas sempre dá chabu. Se você tem dificuldade em passar no “ICAO test” (e não é tão difícil como dizem, eu asseguro), estude mais, veja filmes em inglês, treine o ouvido nas horas vagas, contrate um professor, faça aulas pelo Skype, sei lá, tem tanta coisa que pode ser feita hoje em dia… Mas recorrer a este tipo de expediente de fazer prova na Espanha, e achar que a ANAC é tonta de cair nessa é que não dá, né? A agência pode até ser lenta, ineficiente, etc, mas ela não é estúpida.

4 comments

  1. Gabriel
    4 anos ago

    Gostaria de saber se alguém tem alguma informação sobre o sistema de convalidação da prova.
    Eu fiz a minha na Inglaterra, nao por ser mais barata nem mais facil, muito pelo contrario… So aproveitei que estava la pra fazer uma prova que é mais reconhecida na Europa, porem agora a dificuldade de sequer entrar em contato com o setor especifico na ANAC para obter informações sobre o processo ja é impossível!
    Alguém que ja realizou o processo tem alguma informação para ajudar?

  2. Fabio Barros
    5 anos ago

    Todos agora vão correr para Cultura Inglêsa em um País chamado Brasil que se fala Português e a ANAC também irá descredenciar essa escola ? Ora!? onde já se viu Cultura Inglêsa em um País que fala Português? , vai para a Inglaterra mesmo não sendo Homologado pela ANAC mas lá se fala Inglês corram todos sem tempo!!!!!! ” o povo não quer saber o que é ou não homologado ” noi que apena seu mininu um cadinho de pao pa cume.

  3. Leonardo Engracia
    5 anos ago

    Olá, Raul. Concordo em número, gênero e grau. É o “barato” que sai caro.

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