Curso de aviação promovido pela Associação das Vítimas do JJ3054

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Vejam abaixo a reprodução de uma nota auto-explicativa publicada hoje no jornal gaúcho “Zero Hora” (fonte: Aeroclipping do SNA). Retorno em seguida para meus comentários, e para uma outra notícia relacionada à segurança de voo e o acidente com o Airbus da TAM, ocorrido em São Pulo em 2007.

Espaço para curso pode sair do papel

Um pedido dos parentes das 199 vítimas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, há cinco anos, deve sair do papel no ano que vem. Trata-se de um centro com cursos de capacitação de aviação. O espaço será gerido pelo Centro Paula Souza, responsável pelo ensino técnico em São Paulo. Pelo projeto, o programa oferecerá cursos de um semestre sobre segurança, logística aeroportuária, transporte e armazenamento de carga e atendimento ao público.

A melhoria da segurança na área da aviação comercial é uma das bandeiras da Associação dos Familiares e Amigos do Voo TAM JJ3054 (Afavitam).

Comento

Desnecessário dizer o quão nobre foi esta iniciativa da Afavitam, e o quanto este blog apóia esta mesma bandeira. Estou entrando em contato com a associação no sentido de obter mais detalhes sobre o tal curso, e assim que tiver novidades publico aqui.

Mas, ainda sobre o assunto segurança de voo e o acidente de 2007, vejam a reportagem abaixo, publicada no “Jornal de Turismo” (a fonte é o mesmo Aeroclipping), sobre o problema do memorial às vítimas do JJ3054 poder estar influenciando os pilotos em aproximação para Congonhas:

Memorial esta afetando moral das tripulações que pousam e decolam em Congonhas

Estudos internacionais que analisam o impacto psicológico do ambiente de stress pós-acidentes nas tripulações tecnicas desaconselham a perpetuação de registros em ambiente de trabalho. É esse o efeito que a Praça esta trazendo nas tripulações exatamente em momentos críticos de pouso e decolagem, já que o memorial fica exatamente na cabeceira da pista de Congonhas. A noite, os efeitos luminosos, onde cada ponto de luz representa uma das vitimas, tem criado clima de comoção nos comandantes e co-pilotos que relembram a perda de colegas e de um lamentável acidente.

“Trata-se de uma justa homenagem as vitimas do vôo 3054, porém quando foi idealizado não se avaliou o impacto do monumento, principalmente a noite, nas tripulações que operam diariamente em Congonhas” afirmou um comandante da TAM, que pretendem pedir a Associação de Pilotos da própria companhia que discuta os efeitos psicológicos sobre o grupo de vôo e que leve o caso a Associação Internacional.

Foi inaugurada sob chuva, na noite de da última terça (17) a Praça Memorial 17 de Julho, projetada em homenagem às 199 vítimas do acidente aéreo ocorrido há exatos cinco anos no local. Naquele dia, o avião da TAM vindo de Porto Alegre saiu da pista do Aeroporto de Congonhas, zona sul paulistana, e bateu contra um prédio fora do terminal.

No dia da inauguração foi rezada missa campal e parentes depositaram flores ao redor do monumento. No centro da praça está a única árvore que restou após o acidente. Em volta dela, foi construída uma fonte onde estão gravados os nomes dos mortos.

Para o presidente da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ 3054 (Afavitam), Dário Scott, o monumento atende às expectativas dos parentes das vítimas. “ A gente sempre procurou homenagear a vida, trazer uma energia positiva para esse local onde os nossos familiares morreram de forma tão brutal”, disse. “Ficou um espaço de reflexão para todos que passam aqui na cabeceira do Aeroporto de Congonhas sobre a responsabilidade de seus atos em um sistema de transporte, como o de transporte aéreo”.

Mãe da jovem Raquel, que com 19 anos vinha no voo JJ 3054 para passar férias com amigos, Zeoni Soares Warmiling ressaltou que apesar do “momento especial” com a entrega do monumento, os parentes ainda esperam punição para os responsáveis pela tragédia. “Esperamos que a verdade apareça e que a justiça, mesmo que branda, seja feita”, disse.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acredita que o projeto, que custou R$ 3,6 milhões e começou a ser construído em 2011, ajudará parentes das vítimas a lidarem com a perda. “Essa praça é uma maneira que achamos de levar um pouco mais de conforto aos familiares dessas 199 vítimas”.

Em nenhum momento foi considerado que o memorial poderia afetar psicologicamente os tripulantes em operação em Congonhas, exatamente na etapa critica de pouso e decolagem.

 

6 comments

  1. gabi
    5 anos ago

    Apesar da dor dor parentes das vitimas o monumento não deveria ter sido construido sem nenhum embasamento técnico ou pesquisa sobre os efeitos em passageiros e tripulantes que o monumento venha a causar. Também a de se ver a questão desses tais cursos, após um acidente como esse a abertura de um curso me parece mais uma “acusação indireta” aos tripulantes envolvidos no acidente não apenas esse da TAM mais todos os outros que tem ocorrido. Como citaram aí, parece que não há quem “pense”. Ainda hoje vejo casos de pessoas que preferem viajar 10 horas de ônibus a fazer um vôo de 30 ou 40 minutos estando as passagens no mesmo valor. E os familiares das vítimas, quantos deles nunca mais entrarão numa aeronave??? Será que ao invés de criar novos cursos para tripulantes, não seria de bom grado fornecer um acompanhamento psicologico para familiares de vítimas e também palestras sobre a segurança de vôo para a parcela da população que não voa??? Bom respeito o comentario de todos esse é o meu não sendo ele a verdade absoluta.

    Bons vôos a todos.

  2. “o projeto, que custou R$ 3,6 milhões e começou a ser construído em 2011”

    Passo em frente a este local praticamente todos os dias e desde 2011 não havia sequer alguma atividade de obras lá, apenas as madeirites (pichadas, por sinal) isolando a área. De repente, na 2ª quinzena de Junho mais ou menos, começaram a trabalhar homens e máquinas em ritmo acelerado e já estamos aí, com a obra pronta e inaugurada, cuja cerimônia ironicamente aconteceu debaixo de forte chuva, como naquele fatídico 17 de Julho de 2007. Incrível como ano de eleição faz tudo andar mais rápido.

    Sobre o curso, é muito admirável a iniciativa da Associação. Sem dúvida uma boa notícia para os entusiastas da área. Melhor ainda se realmente for gerida pelo respeitável Centro Paula Souza.

    Att.

  3. Colella
    5 anos ago

    Delicado para os dois lados da moeda. Realmente merece reflexão. Abraços

  4. wagner
    5 anos ago

    Matéria interessante essa sobre o efeito psicológico que o memorial pode causar nas tripulações e na minha opinião também nos passageiros, pois quando o avião para no ponto de espera da 17R e as pessoas olham para fora (antigamente um monte de escombros e hoje um memorial) as lembranças não são nada boas.
    Por outro lado os familiares das vítimas, que tiveram uma perda incalculável tentam amenizar sua dor através desta homenagem.
    Será sem dúvida uma grande vitória a todos (tripulantes,familiares e sociedade) ver os responsáveis por esta tragédia sendo punidos, pois este acidente da um exemplo de como o Brasil está atrasado – Quase 200 pessoas morrem e quem vai parar na cadeia ? Só me lembro do dono da casa de “massagem” ter sido preso.

  5. Roberto Lima
    5 anos ago

    Cada coisa! A inabilidade é uma triste realidade. Não, não estou falando do acidente, deste não tenho como nem vontade de avaliar o que ocorreu com os tripulantes na ocasião. O que quero dizer é sobre um projeto de monumento no qual nada mais foi levado em conta: segurança, moral dos pilotos, complicações pelas luzes, etc. Afinal, era para lembrar e pensar em evitar novos acidentes? Ou é justo para o contrário disto?
    A Afavitam, penso, não é responsável pelo absurdo, mas onde estão os que deveriam e são pagos para “pensar”? Aliás, pensar é uma atividade cada vez mais escassa.
    Por outro lado, belíssima iniciativa de um espaço para cursos de capacitação visando a segurança.
    Abraços

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