A EJ vai ter franquias de escola de aviação

By: Author Raul MarinhoPosted on
322Views10

De acordo com esta nota publicada no site da EJ, a escola sediada em Itápolis-SP e com filial em Jundiaí-SP abrirá cinco unidades em regime de franquia nos próximos anos. Onde isso deverá ocorrer não foi revelado pela empresa, mas certamente deverá ser fora do estado de São Paulo, onde a escola já atua. Isso será, em minha opinião, um golpe fatal para muitos aeroclubes que ainda sobrevivem basicamente por não enfrentarem concorrência. Analisaremos esta questão neste post.

Sem entrar no mérito da qualidade ou do preço da instrução aeronáutica que a EJ oferece, o fato é que o know-how administrativo que a escola detém é, de fato, excepcional – tanto é que até a certificação ISO-9001 a escola possui. E é justamente este o calcanhar de aquiles dos aeroclubes brasileiros, na maioria dos casos administrados de maneira amadora e, não raras vezes, por gestores mal intencionados muito mais preocupados consigo mesmos do que com a instituição que deveriam defender.

O modelo de formação aeronáutica baseado em instituições não-lucrativas (que é o que os aeroclubes são: espécies de ONGs de instrução aérea) fazia todo o sentido nos anos 1930-40, quando as preocupações eram, essencialmente (e nesta ordem): 1)formar aviadores da reserva para um eventual conflito armado, 2)viabilizar os voos de recreio para os aficionados do hobby de voar, e 3)formar profissionais para a aviação geral e comercial que estava nascendo. A instrução aeronáutica era inviável como uma atividade empresarial, tanto é que os aeroclubes só sobreviviam às custas de subsídios governamentais e de contribuições beneméritas. Ocorre que o mundo mudou, as prioridades também (hoje, quase que somente formar mão-de-obra para a aviação profissional), e não existem mais subsídios ou benemerências; as escolas de aviação com fins lucrativos se viabilizaram, e os aeroclubes estão, cada dia mais, tornando-se uma relíquia de uma época que não existe mais.

Só para se ter uma ideia, nos anos 1980, o ASP-Aeroclube de São Paulo tinha mais de 40 aviões (e chegou a ter até helicópteros), e a EJ nem existia; hoje, é a EJ que possui mais de 40 aeronaves (algumas delas com glass cockpit, e até um Cirrus), e o ASP mal conta com 15 equipamentos operacionais, de idade média de mais de 30 anos. Isso significa que, na prática, a EJ tomou o espaço anteriormente ocupado pelo ASP, e é isso o que deverá ocorrer onde as franquias da EJ forem instaladas: veremos uma redução dramática ou mesmo o desaparecimento de alguns aeroclubes Brasil a fora. Pelo menos, isso é o que se pode esperar.

10 comments

  1. Gustavo
    5 anos ago

    Na verdade a maioria dos aeroclubes que vejo falar estão com sua situaçao financeira complicada, ou só falam isso pra nao mostrar que a coisa anda bem, entao com uma concorrente forte dessa categoria por perto a coisa iria sim complicar, alias nao só para o aeroclube que iria ficar complicado, mas pra quem deseja fazer os cursos e nao tem condiçao de pagar uma EJ da vida também.

  2. Fred Mesquita
    5 anos ago

    Quem escolher ir fazer os cursos na EJ não está preocupado em economia. Preocupa-se sim com a qualidade de ensino, que a meu ver é uma das melhores do Brasil.

    Sem querer desmerecer as outras escolas de aviação, mas o que faz ela uma escola de 1º mundo é a vontade de querer trabalhar com honestidade e qualidade naquilo que faz.

  3. Lucas Neves
    5 anos ago

    Concordo plenamente e tenho uma observação a fazer a respeito dos aeroclubes mais baratos!

    Com o preço de hora que eles cobram eles conseguem se manter, porem nao irao conseguir adquirir novas aeronaves, o valor da hora sera suficiente apenas para manter os avioes de 30 anos, porem quando estes tiverem 40 a 50 anos e necessitarem de manutencoes mais caras, esses aeroclubes irao enfrentar serias dificuldades financeiras, pois terao poucos avioes, e os que eles tem estarao em revisoes prolongadas, possiveis trocas de peças vitais dos motores e etc!

    Efim acho que a EJ é a Azul do mundo da instrução começou pequena e aos poucos esta engolindo os concorrentes um a um!

  4. Luciano
    5 anos ago

    Deus queira que eles abram uma franquia aqui no estado de Alagoas… A situação aqui tá uma negação… Tenho que ir fazer aula em caruaru porque aqui não tem avião… e o aeroclube tá entregue as traças…

  5. Jose Carlos
    5 anos ago

    Concordo, e como exemplo temos o aeroclube de Jundiai com a EJ no mesmo espaco e cada um com sua clientela. Precisa de um a EJ no camp de Marte.

    • André Mello
      5 anos ago

      Quanto mais franquias da EJ, mais INVAS contratados.

      Um aeroclube tem em média meia dúzia de INVAS enquanto só na EJ em Jundiaí o numero é em torno de 30 !

      Seria um favor a todos que querem ingressar na carreira, eu mesmo estou com INVA checado já, só esperando uma ligação de Itapolis…. aí tchau !

  6. Eu vejo a EJ mordendo uma fatia do mercado que não afeta os aeroclubes. Ela atende uma classe que geralmente inicia seu curso com verba suficiente para ir do PP ao PC+MLTE+IFR em um ano sem passar aperto financeiro e pagando de R$350 a R$400 na hora de voo durante seu PP-A e PC-A sem reclamar muito do preço.

    Na minha visão, aeroclubes atendem àqueles cujo o sonho é muito maior que a grana em caixa pra bancar sua formação. Por isso penso que os aeroclubes que tiverem aeronaves cujo a hora de voo não exceda os R$280,00 irão continuar por ai. Com menos alunos talvez, mas morrer acho difícil.

    A não ser que o aeroclube já esteja em situação financeira complicada. Ai com certeza uma filial da EJ por perto seria como um tiro de misericórdia.

Deixe uma resposta