Acidente com helicóptero Esquilo de instrução em MG

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Alertado pelo leitor Calegari, compartilho com vocês a notícia do acidente ocorrido ontem com o helicóptero Esquilo da EFAI Escola de Pilotagem, publicada no site do jornal Estado de Minas. Sobre este assunto, três comentários:

  1. Salvo engano, este era o único Esquilo de escola de aviação no Brasil; o que significa que, por causa deste acidente, agora só existem R-22’s e S-300’s disponíveis para instrução em asa rotativa no país. Devido a isso, entendo que ficará muito complicado checar a habilitação IFRH daqui para a frente.
  2. Conforme assinalou o Calegari: “seria importante fazermos uma análise a respeito do ocorrido, com o intuito de mostrar para os ‘instrutores de Ego inflado’ (que não é o caso do Comandante Bosco), que por mais que se tenha muita experiência e conhecimento, o risco de acidente em uma instrução é altíssimo, e que toda atenção deve ser dedicada à instrução”.
  3. A matéria do Estado de Minas está muitíssimo bem feita. Parabéns à repórter Cristiane Silva, que escreveu um texto muito preciso sobre o assunto – coisa rara na imprensa brasileira.

21 comments

  1. Roger Batista Cordeiro
    5 anos ago

    Prezados, o que tenho a acrescentar é que a aviação deve ser levada com muita responsabilidade e muito treinamento, pois é uma profissão arriscada e diferente das demais. O estudo e o treinamento contínuo diminuem bastantes as chances de um acidente, principalmente fatais. A humildade e a disciplina também são fatores preponderantes. Abraço a todos. Roger- INVH.

  2. Cmte Toth
    5 anos ago

    E pior que a pouca experiência, é a irresponsabilidade. Tem uns pilotos dessa nova safra voando em Offshore que enchem a cara de maconha… da pra confiar?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Nesse caso, acho que é seu dever preencher um RELPREV reportando o fato. Temos até o RBAC-120 para lidar com isso.

  3. Toporkiewicz
    5 anos ago

    Vcs viram a mensagem de esclarecimento no site da Efai sobre o acidente? Isso que é atitude!
    Outras empresas (não só da aviação) diante de uma situação semelhante fazem de conta que não houve nada ou até mesmo mudam de nome.
    Mesmo diante do lamentavel acidente a Efai está de parabéns!

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Não localizei a referida mensagem no site da EFAI. Vc poderia reproduzi-la aqui prá gente?

      • Segue, Raul:

        A EFAI – Escola de Pilotagem Ltda. frente ao acidente ocorrido na tarde de hoje (20 Ago 2012) vem a público informar o seguinte:

        A aeronave, um HB350B, de propriedade da escola encontrava-se em voo de treinamento, tendo decolado do Heliponto Viganó 2 às 14h30 minutos com duas pessoas a bordo, o Cmte Edvaldo dos Santos Francisco, em voo de recheque anual para revalidação de habilitação técnica junto à ANAC; e o Cmte João Bosco da Cunha Ferreira, Diretor da EFAI e examinador credenciado por aquela Agencia.

        Aos 20 minutos de voo, no final de uma aproximação para a área utilizada para os treinamentos, na lateral esquerda da cabeceira 09 do aeroporto Carlos Prates, a aeronave não atingiu o ponto desejado, vindo a colidir com um barranco localizado poucos metros antes.

        Com o impacto, a aeronave sofreu danos graves e as operações de pouso e decolagem foram suspensas pela INFRAERO de forma a permitir a movimentação dos veículos de apoio.

        Os ocupantes sofreram ferimentos leves, sendo removidos conscientes para o Hospital João XXIII para exames mais detalhados. O último boletim médico aponta estado estável de ambos pilotos, tendo o Cmte Bosco sofrido uma fratura na tíbia direita e outra na coluna; e o Cmte Edvaldo uma fratura na coluna.

        Uma equipe do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – SERIPA III encontra-se em deslocamento do Rio de Janeiro para Belo Horizonte para o início da investigação que levantará os fatores contribuintes para o acidente, com vistas à prevenção de outros.

        A ação inicial no local do acidente, primeiro passo de uma investigação desse tipo, foi realizada por uma equipe do CIAAR (Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica) designada pelo SERIPA III com o fim de levantar as informações no local do acidente e liberar a remoção da aeronave, reestabelecendo as operações de pouso e decolagem no aeroporto Carlos Prates.

        A EFAI encerra essa nota reforçando sua crença na importância da Segurança de Voo para suas operações, marcadas por este único acidente em 12 anos de atividade.”

        • Raul Marinho
          5 anos ago

          Puxa, que dignidade da EFAI! Vc teria o link da nota, por favor?

          • Raul, segue o link.

            http://www.efai.com.br/index.php#info

            A nota é exibida automaticamente quando se entra no site.

            Pode ser que você, e outros colegas não estejam, conseguindo visualizar por conta de uma imcompatibilidade de browser com a maneira que esse o site foi programado.

            Na caixa “Informações” (lado inferior direito), tem o link direto, que é o que passei agora nesse post.

            Abraço!

            • Raul Marinho
              5 anos ago

              De fato, pelo iPad não conseguia visualizar a mensagem, mas pelo notebook deu para ver. Obrigado pela orientação, já publiquei um post sobre o fato.

  4. Jones
    5 anos ago

    Concordo com o comentário do Caio.

    Atualmente trabalho no ramo Offshore. Tenho visto muitos pilotos com a CIV cheia de horas e pouca experiência de vida e isso para mim é um grande problema. Vejo garotos de 21, 23, 26 anos, doidos para entrar no offshore e transportar 15 pessoas ou mais em voos que na minha opinião, necessitam muito mais de corretas tomadas de decisões do que pé e mão. Basta olharmos a quantidade de acidentes com R44, um dos helicópteros com o maior número de inexperiêntes do Brasil.

    Vejo a coisa inversa. Quanto mais horas de voo essa garotada acumula, ao invés de evitarem o risco eles o procuram, com manobras cada vez mais arriscadas, para se mostrar.

    Acho bacana a garotada correr atrás do sonho, mas antes de assumir uma grande responsabilidade(mesmo no offshore iniciando como Co-piloto) para transportar trabalhadores, famílias e etc, essa garotada precisa crescer.

    Sou totalmente contra a contratação de um garoto de 20 e poucos anos que ainda vive nas asas dos pais e não tem experiência de vida, para assumir uma função tão importante. É o mesmo do que colocar alguém dessa idade para ser CEO/Diretor de uma grande empresa e tomar decisões arriscadas.

    Me desculpem os novos meninos da aviação, mas com raras excessões, o voo é arriscado.

  5. Righetti
    5 anos ago

    Caro Raul,

    Como já disse anteriormente, sou aluno da EFAI de PCH e posso te afirmar que o HZE não tinha papel algum na formação de IFRH, logo essa formação no Brasil não terá perda alguma devido ao acidente.

    A EFAI tem um Schweizer para esse treinamento, porém por não ser biturbina (tampouco monoturbina… hehehe) ele não serve pra checar.

    A formação IFRH ainda continua sendo um grande desafio nas terras tupiniquins…

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      O HZE não era usado para checar IFRH aí? Então me desculpe, estava enganado.

  6. jositinin
    5 anos ago

    Olá Raul, ontem também ocorreu o segundo acidente este ano envolvendo um aeroboero do Aeroclube de Ponta Grossa / PR. Infelizmente o instrutor não sobreviveu e o aluno está em estado grave. O que acontece com os Aeroclubes, mais especificamente neste caso, quando há dois acidentes em um mesmo ano? A culpa fica pela “talvez” uma melhor preparação dos instrutores, problemas das aeronaves ou a falta de estrutura e segurança por parte do Aeroclube? Matéria no G1 http://glo.bo/OOJava

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      O que acontece com a aviação geral do Brasil? – eu diria… Aguarde que vc encontrará muitas novidades sobre informações sobre segurança aqui no blog.

      • Caio Pompêo de Camargo
        5 anos ago

        Raul, isso me cheira a nova geração vindoura. Sou PCH e instrutor teórico de motores em uma escola de Campinas-SP. O que vejo atualmente é a famosa geração Y que agora com seus 18 a 25 anos assume o comando de aeronaves. Esta geração que cresceu com joystick na mão é imediatista e subestima os reais riscos que envolvem se conduzir uma aeronave. É o perfil que pede para usar o iPad nas navegações visuais de PP, que esta acostumada a receber as coisas de forma mastigada, aprende tudo no Google, acha que vivenciou aquilo de forma satisfatória e não se preocupa com a transferência de conhecimento/experiência (eis uma boa pauta para discussão). Não estou generalizando, mas este estereotipo tenho visto de forma majoritária nas salas de aula nos últimos 2 anos.
        Não pode-se irrelevar a essência da capacitação e do que está envolvido na aviação, humildade e dedicação são e serão importantes sempre nesse meio que é pouquíssimo tolerante a erros e negligências. Maturidade atualmente vale mais do que uma CIV cheia de horas de vôo, com certeza…

  7. Conheço pouco da aviação de rosca, mas ao meu ver, a autorotação deveria ser treinada somente em simulador. Na minha opinião, é uma manobra arriscada demais pra ser simulada em voo real.

    Já vi muuuuuitos casos de acidentes em treinamento de autorotação. Com sei que nunca vão passar o treinamento de autorotação somente para o simulador, penso que o treinamento precisa ser reformulado de forma a aumentar a segurança em detrimento do fazer parecer real a pane.

    • Righetti
      5 anos ago

      Descordo Alisson. Não sou o mais experiente dos pilotos da “aviação de rosca” (odeio o termo… mesmo sendo correto é um tanto pejorativo…), porém compartilho da opinião dos mais experientes.
      Um piloto de helicóptero só vai ter contato com um simulador quando estiver no auge da sua carreira. Até lá ele passará por muitas máquinas menores e que não existem simuladores dela com uma fidelidade suficiente para o treinamento (R44, Jet Ranger, Esquilo, etc). Sendo assim, o piloto passaria sua fase mais inexperiente sem ter feito um treinamento essencial como a autorrotação.

      A autorrotação tem que ser um procedimento automático para o piloto de asa rotativa (esse termo é BEM mais agradável… hehehe), pois o piloto terá somente 2 segundo para configurar a aeronave em uma situação de pane. Imegine agora um piloto com suas míseras 100 horinhas com sua “ilustre” CHT de R44, vai fazer um voo e toma uma pane de motor, mas nunca praticou autorrotação… Sabe qual a chance de ele se salvar desta?

      Concordo que é um treinamento perigoso, porém não é qualquer instrutor que aplica esse treinamento, ao menos na EFAI onde somente instrutores com mais de 500 horas podem dar a instrução.

      Convenhamos, o perigo existe em qualquer aviação e treinamento dela, porém os riscos podem ser amenizados, e quanto a autorotação eu creio que o risco maior é não treina-la.

      • Nilson
        5 anos ago

        Belíssima resposta Righetti. Também odeio quando chamam meu helicóptero de avião de rosca!

      • Valeu pelos esclarecimentos. Eu não tinha essa visão.

        Como eu havia dito, não conheço quase nada do treinamento do piloto de asa rotativa, e por isso via a coisa como algo arriscado demais pra valer a pena ser simulado. Mas como você disse, esse treinamento é essencial e pode ser feito de uma maneira onde os riscos podem ser diminuidos sim.

        Abraço

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