O triunfo do Neil Armstrong e o “Cmte. Zé Linguiça”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Não dá para ver, mas tem um duende cochichando no ouvido do Neil Armstrong neste desfile…

Na última edição da revista Veja, na coluna do J.R.Guzzo – com o título de “Zé Linguiça”, um artigo que não tem nada a ver com aviação ou com a morte do astronauta Neil Armstrong, que ocorreu no mesmo dia em que a revista chegou às bancas (25/08) -, explica-se a origem do termo “triunfo”. De acordo com o colunista, quando um general romano voltava vitorioso para casa depois de enfrentar um exército equivalente, e tivesse matado pelo menos 5mil soldados inimigos e trazido presos os líderes rivais, havia um desfile comemorativo em sua homenagem, e esse evento era chamado de “triunfo” na Roma antiga. Só que havia um detalhe: para evitar que esse general tivesse seu ego excessivamente inflado, era colocado um escravo na sua comitiva que, de tempos em tempos, ficava repetindo “memento mori“, “memento mori“… – que significa “lembre-se de que você vai morrer um dia”. Faziam isso para que o general não perdesse a sua perspectiva mortal.

Quando a TV noticiou a morte do Comandante Neil Armstrong, foi ao ar o célebre desfile – uma versão moderna do “triunfo” romano – dos tripulantes da Apollo 11 (vide foto acima), e eu acho que devia haver algum duende invisível no carro dos astronautas repetindo “remember that you’re gonna die one day” ao ouvido do Capt. Armstrong. Só isso poderia explicar a extrema humildade que o aviador mais famoso do mundo teve nos mais de 40 anos após o evento. Depois de dizer a célebre frase “one small step for man...”, o primeiro homem a pisar na Lua tornou-se um simples professor universitário, e jamais se aproveitou de sua condição de celebridade. Em resumo: Armstrong foi um exemplo de aviador não só pelo que fez (e não foi pouco!), mas também pelo que não fez.

Escrevo isso para lembrar aos ilustres colegas berimbelados que um aviador muito melhor do que vossas excelências jamais teve um milésimo da empáfia que muitos dos senhores têm. Conheço vários “Cmtes. Zé Linquiça” que não perdem a oportunidade de se chamarem “aviadores”, de incorporarem o “comandante” ao nome, e de tratar os menos experientes com total desprezo e arrogância (alguns destes aparecem em comentários aqui do blog de vez em quando, inclusive). A estes, gostaria de repetir o que diziam os escravos romanos e o duende do Neil Armstrong:  lembre-se de que você vai morrer um dia, Cmte. Zé Linguiça – e, a depender de sua arrogância, talvez esse dia nem demore muito!

8 comments

  1. Fadrini
    5 anos ago

    conheço muita gente que precisa desse mesmo “duende invisível”

  2. Hoff
    5 anos ago

    Excelente conexão entre os dois artigos. Os “Zé Linguiça” começam desde cedo, principalmente nas escolas**.

  3. alestockler
    5 anos ago

    Excelente texto e uma justa homenagem a quem de fato entrou para história. Espero que os “Zé Linguiça” da vida tenham se tocado.

  4. Heron
    5 anos ago

    Legal Raul, mais uma vez aproveitando a oportunidade para deixar uma mensagem para formação ética e de caráter dos futuros (e atuais) profissionais que leem o Para ser piloto

    “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam;”
    Mateus 7:12

  5. Humberto
    5 anos ago

    Excelente! Quantos “Zé Lingüiça” a gente não encontra na vida… Na aviação é mais evidente por ser um “pequeno círculo”.

  6. Carlos César
    5 anos ago

    Ótimo texto Raul.Sábias palavras. Lembrei-me de uma frase:
    Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes.
    Leonardo da Vinci

  7. roquini
    5 anos ago

    rsrs ótimo texto!!!

    • Cassio
      5 anos ago

      Parabéns por ter lembrado deste texto que eh muito legal mesmo. Infelizmente temos muitos ze lingüiças em todas as áreas. Abs

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