Cultura de segurança aeronáutica tipicamente brasileira

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Vejam o vídeo abaixo – uma projeção de slides de imagens da aviação de garimpo – para que seja possível ter uma ideia do que é essa modalidade da atividade aeronáutica em nosso país. Reparem, principalmente, em como é realizada a manutenção das aeronaves, inclusive com a reconstrução completa de superfícies aerodinâmicas. Esta é a cultura de segurança aeronáutica brasileira “de raiz” – que, como deixa bem claro o autor do vídeo, é motivo de orgulho e que deixa saudade.

15 comments

  1. jonatan lima
    5 anos ago

    é o tipo da coisa não tinham ou ainda não tem estrutura mas vidas tinham quer serem salvas no meio do mato, e lá estavam pilotos com coragem pra isso .

  2. Raul Marinho
    5 anos ago

    O que é, por exemplo, música sertaneja “de raiz”? Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Pena Branca e Xavantinho, etc. – toda essa gente que cantava moda de viola no contexto rural. E o que é a música sertaneja “universitária”, “breganeja”, etc.? Michel Teló, Gustavo Lima, Luan Santana, e todo o resto que se diz “rural”, mas cujo objetivo é basicamente faturar uns trocos de um público urbano com fetiche pela vida no campo (mas que não tem a menor ideia do que isso significa, de fato).
    Em relação à aviação de garimpo, é mais ou menos a mesma coisa. Tem a aviação de garimpo “de raiz”, que o Beto e o Maurão se referem, praticada num contexto pioneiro; e tem a aviação acochambrada, marginal, eventualmente até criminosa, que quer se mostrar como se fosse igual à primeira, mas não passa de uma mera fraude à segurança aeronáutica, deslocada no tempo e no espaço daquela operação pioneira.
    Se formos rígidos quanto à segurança, até o Santos Dumont seria condenado – afinal, ele voou um equipamento não homologado, em aeródromo idem, e sem habilitação nem CCF/CMA! Mas, no contexto do início do século XX, aquilo fazia sentido. Com a aviação de garimpo dos anos 60/70/80, a mesma coisa. O problema é que ainda hoje se tenta reproduzir os procedimentos de segurança daquela época atualmente, num contexto urbano em que se tem acesso a equipamentos e materiais de última geração. E se justifica a operação marginal pelo que se fazia décadas atrás… Isso é que é um absurdo!

    • betoarcaro
      5 anos ago

      E a “Aviacao”?? Quanto mais ela for feita “só pra ganhar dinheiro”, mais perigosa fica!!
      Aí se reproduzem, atualmente,”desnecessariamente”, os conceitos “necessários” (que eram!) no Garimpo!!
      Nas Escolas, Aeroclubes, na Executiva, na Linha Aerea, na Agrícola, etc.
      Li um artigo do Dick Collins, semana passada, onde ele explicava por que “Voar nunca vai ser barato”.
      Muito interessante! Nao sei se te mandei! Vou procurar…

    • José Roberto Arcaro Filho
      5 anos ago

      Quase não tem muito à ver, e quase “TEM TUDO À VER”, taí o artigo do Dick Collins.
      What do you think, Mr. Marinho??
      http://airfactsjournal.com/2012/10/the-big-bucks-a-reason-for-the-declining-pilot-population/

      • Raul Marinho
        5 anos ago

        Pois é, esse artigo está na minha lista de textos a serem comentados no blog já há algum tempo (eu o conheci por sua indicação no Twitter), mas a falta de tempo está crítica, com essa história de escrever livro…

        Bem, de fato, “Quase não tem muito à ver, e quase ‘TEM TUDO À VER'”, sim, com o tema do post. Especialmente quanto à aviação-de-garimpozação (com o perdão do neologismo quase ininteligível) de alguns aeroclubes. Eu, por exemplo, voei em um (que vc conhece muito bem), que é fortemente inspirado na aviação de garimpo (não sei se já era na sua época). O resultado? Sofri uma pane parcial de motor devido à negligência da manutenção – fato que, não tenho dúvidas, está ligado à cultura de insegurança da instituição, inspirada na aviação de garimpo – embora fora de contexto no tempo e no espaço. Mas essa aviação-de-garimpozação também possui raízes econômicas: seria uma forma de tornar a hora de voo palatável a um público maior, quando se sabe que a aviação bem feita não tem como ser barata (e nesse ponto, entramos no artigo do D.Collins).

        And so… What do you think, Mr. Arcaro??

        • betoarcaro
          5 anos ago

          Somos notoriamente criaturas terrestres.
          Não somos geneticamente “talhados” para o vôo.
          Quanto você pagaria para se transformar numa criatura alada(aprendizado)?
          Quanto você pagaria pra “ensinar” os teus sentidos a se orientarem no meio aéreo, como fazem as criaturas aladas “Originais”(Mais aprendizado)?
          Quanto você pagaria para se transformar numa criatura alada, e não ter problemas com as suas asas(Manutenção)?
          Quanto você pagaria pra poder voar a hora que quiser, sem ter que esperar que outros “Mandem” você voar(Ter avião próprio)?
          Tudo isso tem um “Custo”!
          Não pode, nem nunca vai ser “Barato”!
          Se for, desconfie, pois não vai ser “Perfeito” e você vai ter problemas, podendo até voltar a ser uma “Criatura Terrestre Eterna” (a sete palmos debaixo da terra!)
          Afinal, se você fosse comprar um novo “DNA, gostaria que ele fosse perfeito, não?
          DNA’s perfeitos não são baratos!!
          Vejo a Aviação dessa forma.

          • Raul Marinho
            5 anos ago

            Vixe… Vou solicitar à Vigilância Sanitária que examine o que estão colocando no chope do bar do aeroporto de Americana.

            • betoarcaro
              5 anos ago

              Hehehe…. Exagerei? Não sei não… Só tava inspirado!

            • betoarcaro
              5 anos ago

              Hehehe…. Exagerei? Não sei não… Só tava inspirado!
              E o livro, sai ou não sai? Se estiver difícil, vem tomar um Chope aqui com a gente, que resolve!!

              • Raul Marinho
                5 anos ago

                Então… É justamente sobre essa “inspiração” que eu fiz o meu comentário.

  3. Mauro Silva
    5 anos ago

    Caro José Roberto !

    Só posso dar-lhe os Parabéns por seu Post.

    Trabalhei por 1 ano e 3 meses em Garimpo, voando Helicóptero e Avião e digo para quem quiser ouvir, que foi como Voar na Guerra ou em Combate, a única diferença é que não atirávamos em Voo, mas éramos 24 horas por dia ameaçados por Operar nas mais Imprevisíveis condições.

    Orgulho?

    Tenho sim por estar Vivo e ter Sobrevivido a tudo o que passei e ter salvado várias Vidas fazendo resgates de Acidentes Aéreos.

    Eu era Piloto Executivo em São Paulo, quando a Empresa que eu trabalhava fechou um contrato com uma Mineradora para Voar no Garimpo de Roraima.

    Era ir ou ser mandado embora.

    Na época, eu estava fazendo todo o esforço do mundo para ficar em São Paulo, pois já vinha de 4 anos e meio de Amazônia Voando Sismografia pela Petrobrás.

    Éramos em 4 Pilotos aqui em São Paulo e quando viram o meu Currículo (Amazônico) não pensaram 2 vezes e me mandaram para o Garimpo do PAAPIÚ em Roraima.

    Um ano e três meses vivendo a maior Loucura de minha Vida.

    Pelo menos a Empresa que eu trabalhava, tinha suporte financeiro $$ e a nossa Manutenção era muito boa, os mecânicos muito bons e isso foi determinante para que conseguíssemos ficar tanto tempo por lá e ter voltado inteiros.

    Não foi o que aconteceu com a Grande maioria, pois aconteciam 2 acidentes por dia (em média).

    Cheguei a VER um sequenciamento para pouso em Boa Vista de 8 Aviões, nunca tinha visto isso antes.

    O Garimpo pode ter sido Devastador para a Natureza, mas foi a Alavanca Comercial de Boa Vista.

    Alguns anos antes do Garimpo, ainda Voando pela Petrobrás, tive que ir para Boa Vista, a 20 minutos para pouso chamei a Torre e não obtive resposta, fui chamando repetidas vezes e nada, pensei que o Rádio da Aeronave estava em Pane.

    Cheguei no Circuito de Tráfego e fiquei esperando por um sinal luminoso e nada, observei que estava totalmente deserto e pousei.

    Fui até o saguão do Aeroporto e apareceu um Guarda, perguntei aonde estava todo mundo e ele me disse:

    “Só tem gente aqui de Quarta e Sábado quando vem o Avião de Manaus”

    Quando o Garimpo chegou, o movimento de Aeronaves ultrapassou 400 Operações por dia entre pousos e decolagens.

    Movimentou muito dinheiro na Cidade, mas acabou.

    Acabou o sonho de muitos que pensavam no Ouro, mas a maioria que morreu (garimpeiros) eram pessoas com um passado tenebroso que não teriam liberdade caso pisassem na Cidade, ou seja, seriam presos.

    Bandidos de toda a espécie se enfiavam no mato em busca da fortuna e para se esconder da Polícia.

    Garimpo é isso e os Aviadores (em sua grande maioria) eram pilotos que estavam começando na carreira, uns nem Pilotos eram mas sabiam Voar, outros eram Pilotos e mecânicos das Aeronaves e tudo feito de uma forma rudimentar, pois não é possível ter Infra-estrutura no meio do mato.

    Nós tínhamos, pois como disse a Empresa tinha Recurso Financeiro $$ e nesse período de 1 ano e 3 meses, trocamos 3 motores do Helicóptero, devido a desgaste prematuro e ingestão de partículas, fora os outros inúmeros componentes, mas a hora de voo era vendida a peso de Ouro, então qualquer manutenção valia a pena.

    Quem não tinha estrutura (a grande maioria) ficava sem manutenção preventiva e como as Aeronaves eram submetidas a esforço máximo o tempo todo, não tinham como resistir, quebravam mesmo e mataram muita gente.

    Um Amigo meu que Voou lá e estava começando a Carreira, tem hoje um Táxi Aéreo Regional e prosperou muito na Aviação.

    Outros que também Voaram lá, estão na Executiva em São Paulo e quando nos encontramos por algum acaso, a lembrança é inevitável.

    Realmente deixou marcas profundas em nós, vi as piores cenas de desastres, corpos mutilados, desfigurados e carbonizados.

    Nos primeiros Acidentes em que fiz resgate, passei mal.

    O cheiro é insuportável e as cenas impressionantes, mas eu pensava assim “se fosse comigo, alguém iria tentar me salvar”.

    E foi assim que consegui superar o horror e num dos resgates, salvamos 4 pessoas com vida, foi uma festa.

    Nesse dia o Herói foi o meu Mecânico “Almir Bezerra” que depois de alguns anos tirou a carteira de Piloto e por uma Grande Infelicidade sofreu um Acidente com o Cantor Marrone.

    Falar sobre o Garimpo é difícil, uma mistura de Sensações e Emoções, Perigos e Aventuras, Capacidade e Experiência, portanto quem foi e Voltou Inteiro, tem um sentimento muito diferente.

    Não atiro Pedras em quem foi, mas não aconselho ninguém a ir.

    Abc

    Mauro

    • betoarcaro
      5 anos ago

      Mauro,

      O Almir morou aqui em Americana, durante um tempo! Ex FAB, Super Mecânico e Piloto!
      Muito amigo!
      Os Aeroclubes e Escolas de Aviação hoje em dia, querem ter lucro, com aviões voando muito, hora de vôo barata, as vezes com preço abaixo do custo operacional da Aeronave, pra atrair muitos alunos.
      Nao duvido que a manutenção dos Aeroclubes/Escolas seja muito pior do que a que era feita nas Aeronaves de Garimpo!

      Abraços
      Beto

    • Voei com um Cmte que voou 2x no Garimpo. Uma antes e outra depois de ter voado e se aposentado em uma conhecida e falida Cia. Aérea. Como ele mesmo disse: na época, era o que tinha para fazer: voar garimpo. Emprego nas “melhores regiões” eram poucos. Ou você passava fome ou ia para lá, se quisesse trabalhar como aviador.

  4. José Roberto Arcaro Filho
    5 anos ago

    Devo dizer que este tipo de cultura de manutenção e segurança “De Raiz” não é privilégio Brasileiro.
    Em todos os lugares “Inóspitos”, ao redor do Globo, onde a Aviação foi Imprescindível ou uma questão de “Vida ou Morte”, onde havia dificuldade de transporte, equipamentos adequados, etc., isso aconteceu
    A Própria história da Aviação mostra isso, vide Vietnam (Air America), Alaska(até hoje!), as “Linhas dos Andes”, na Africa, etc.
    Aqui não poderia ser diferente, no “garimpo” dos 60/70/80. Talvez tenha sido só em maior escala!
    Enfim, esse tipo de operação “Marginal” só acontece quando é “Necessária !! Se acontece, hoje em dia, em alguma oficina homologada, é completamente “Absurda”.
    Acredito que em não se tratando de operações de “Garimpo do Mal”(Tráfico de Drogas, Armas, etc) temos realmente que ter “orgulho” dos Pilotos e Mecânicos “Garimpeiros”!
    Fazem parte da História da Aviação no Brasil.
    Os melhores profissionais que conheço em “Estruturas”, Grupo Moto Propulsor, e até de Aviônicos, começaram suas carreiras no Garimpo.
    Todos estão em posições conceituadas nas melhores oficinas de manutenção, e acreditem, nenhum carrega alguma mentalidade de “Raiz” nos dias de hoje.
    Na época, odiavam ter que fazer manutenção aeronáutica naquelas condições, mas, como já disse, era necessário.
    Tanto os Pilotos quanto os Mecânicos, aprenderam muito com aquela “realidade”.
    Pra maioria deles, eu realmente “Tiro o meu Chapéu”!!

    Abraços
    Beto

  5. Gustavo Franco
    5 anos ago

    Credo!

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