Passaredo entra em concordata

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Mais uma má notícia para quem está à procura de uma colocação no mercado de trabalho como piloto: a Passaredo Linhas Aéreas entrou hoje com um pedido de “recuperação judicial” (a antiga “concordata”) – vide nota recém-publicada na Folha Online, abaixo reproduzida. Este é o último recurso antes da falência, o que significa, na prática, que a empresa precisará comprovar que está fazendo todos os esforços possíveis para quitar as suas dívidas. Embora o plano de restruturação ainda não tenha sido apresentado, o normal numa situação dessas é que haja demissões em massa, para cortar custos. Ou seja: uma nova leva de pilotos demitidos deverá entrar no mercado em breve.

 A nota da Folha Online:

Passaredo pede recuperação judicial para tentar pagar dívidas
DE RIBEIRÃO PRETO

Após demitir mais de 100 funcionários e deixar de pagar encargos trabalhistas, a Passaredo Linhas Aéreas, empresa de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), entrou nesta sexta-feira (19) com pedido de recuperação judicial.

A medida, segundo a assessoria da Passaredo, tem o objetivo de viabilizar o pagamento de dívidas geradas por fatores como alto preço do combustível e uma concorrência “momentânea e predatória” em Ribeirão Preto, sua principal base de atuação há cerca de 17 anos.

O valor total da dívida não foi divulgado pela companhia aérea.

De acordo com a empresa, nos próximos 60 dias será apresentado um plano de pagamento aos credores. O documento mostrará como a Passaredo pretende honrar as dívidas.

“Este recurso legal visa preservar empregos, atender aos credores e manter a função social da companhia”, afirma nota da assessoria.

O pedido de recuperação judicial, segundo a Passaredo, não vai alterar o funcionamento da companhia. “Todos os voos programados serão mantidos, sem alterações para os usuários”, diz a nota.

DEMISSÕES

Em julho, a Passaredo demitiu 113 funcionários da região Sul do país. Na ocasião, a empresa afirmou que os cortes foram decorrentes da suspensão dos voos que eram operados em Porto Alegre (RS), Cascavel, Curitiba e Londrina (PR).

Quase dois meses depois das demissões, a Folha publicou que compromissos trabalhistas ainda não tinham sido honrados pela empresa. A companhia disse que pagaria os valores devidos no mês passado e que pretendia recontratar os demitidos da região Sul.

ESTRATÉGIA

Nos últimos meses a Passaredo afirmou ter dado início a uma guinada em sua estratégia de operação. As mudanças incluíram a troca da frota de jatos por turboélices (mais indicado para curtas distâncias) e a readequação da malha, com objetivo de focar as operações no transporte aéreo regional.

“[As alterações] permitem que a Passaredo apresente hoje uma performance saudável, viabilizando o caminho para o desenvolvimento dentro de um setor que é um importante pilar para a infraestrutura do Brasil”, afirma a empresa na mesma nota em que informa o pedido de recuperação judicial.

Além das operações, a companhia disse que manterá também os acordo comerciais firmados. Recentemente, a Passaredo fechou com a Gol a operação de voos mais curtos transportando passageiros da parceira.

14 comments

  1. Ferrari
    5 anos ago

    E para completar para beneficiar a deficitária estatal Aerolineas Argentinas, a presidente Crisina Kirchner vai proibir a GOL e a TAM de operar no Aeroparque, aeroporto próximo ao centro de Buenos Aires. Ambas serão transferidas para Ezeiza, a mais de 40 quilômetros do centro de Buenos Aires, perderão, portanto, competitividade e clientela

    • Chumbrega
      5 anos ago

      Caramba, sério?!?
      Deesa eu não tava sabendo. Realmente a Cristina vai jogar nossos hermanos no buraco. No curto prazo, perdem Gol, TAM e seus passageiros. Mas no longo prazo, quem vai se dar mal é a Argentina.

  2. Chumbrega
    5 anos ago

    Desejo boa sorte a todos os funcionários da Passaredo, aeronautas ou não!

    Essa incerteza (tão característica deste mercado) é realmente muito difícil, força a todos.

  3. Heron
    5 anos ago

    Olá Raul e “amigos” leitores do Para Ser Piloto

    Farei uma pergunta de certa forma ingênua, mas é uma dúvida que tenho e não pesquisei a respeito: Por que a o mercado brasileiro de transporte aéreo, tanto de passageiros, quanto de cargas é tão instável e sensível a crises e especulações?
    Com os avanços tecnológicos e o senso de urgência de uma sociedade cuja os negócios, fluxo de mercadorias e informações são cada vez mais intensos, não é de se pensar que a aviação deveria ser um dos negócios mais lucrativos num país que possui uma das maiores economias do mundo?

    Um forte abraço
    Heron

    • Chico
      5 anos ago

      Heron, não acho que sua pergunta seja ingênua. Pelo contrário, ela é muito plausível, até pelos argumentos que você próprio usou. Mas a verdade é que “fazer aviação” no Brasil é muito difícil!!! Para começar, tem o próprio “custo Brasil”, com tarifas aeroportuárias altíssimas sem nenhum retorno de infra estrutura (por exemplo, no começo do ano as tarifas aeroportuárias dobraram, bem como o tempo que vc fica no ponto de espera, apenas pra citar um exemplo – tinha que ser ao contrário: se vão dobrar as tarifas cobradas das empresas, tem que dobrar pistas pátios e etc). Veja também a folha de pagamento, que é muito onerosa. As leis trabalhistas brasileiras são feitas para proteger o trabalhador (eu acho que funcionam para isso), mas para o empreendedor elas são caríssimas. Eu sou empregado de uma companhia aérea, e acho bom as leis me defenderem. Mas em contra partida vejo que os encargos são muito caros para o nosso empregador. Isso sem contar com a carga tributária (impostos sobre o combustível, sobre o faturamento, sobre o lucro e etc). Em segundo lugar: o marco regulatório. A ANAC está progredindo, mas certamente em passo mais lento que o Brasil e que a Aviação Brasileira. O “serviço” prestado é caro e ineficiente. Por exemplo, vc sabia que um cheque no exterior custa para o operador (cia aéra, táxi aéreo ou privado) em torno de R$ 10.000, só de taxas pra ANAC. E olha que nem sempre ela envia INSPAC, sabia? Mesmo que o cheque seja feito por examinador credenciado da companhia, ela tem que pagar os dez conto. Veja um contrato de transporte aéreo com cuidado: vc vai perceber que o ônus é todo da empresa, por qquer coisa que saia errado. Se um busão quebrar no trecho SP-Rio, veja se a ANTT exige que a empresa pague alguma coisa. Não exige nada!!! Por que a empresa aérea tem que incorrer com todo o ônus? Mesmo no aspecto operacional: porque a ANAC suspendeu as operações RNAV da Trip, sob a justificativa que não estava autorizada na EO. É verdade, não estava. Mas é muito mais arriscado fazer NDB, alterar regra de vôo, fazer curvas no circuito de tráfego para o lado do outro piloto, e etc… A ANAC tem que evoluir, e servir mais ao interesse público que a seu próprio interesse! Outro ponto: Concorrência altíssima. Até poucos anos atrás, tínhamos 7 empresas voando em território nacional (ainda que algumas sejam regionais, e as diferenças de tamanho sejam grandes, eram de fato 7 empresas que operavam em todas as regiões) – Azul, Trip, TAM, Gol, Web, Passaredo e Avianca. No Brasil foram vendidas em torno de 80 milhões de passagens aéreas no mês passado. Supondo que parte significativa de quem usa avião o faz mais de uma vez por ano, vamos supor que 20 milhões de pessoas voaram. 20 milhões para 7 empresas. E temos 4 operadoras de telefone celular para 200 milhões de linhas ativas. Dá pra ver o quanto a concorrência, por algum motivo, é mais acirrada na aviação que em outros setores?? E, por fim, a característica de receita em real e custo em dólar. O departamento financeiro tem que ser composto por Gênios para gerenciar todo esse risco cambial ao qual a empresa está exposta, e ainda assim não é possível cobrir todo o risco… Cara, enfim, é muita coisa! Eu amo voar, mas a imprevisibilidade da indústria, como um todo, me deixa com dúvidas se vou ter emprego a cada dia que acordo. E essa situação é MUITO incômoda. Abraços a todos e força para a Galera da simpática passaredo

      • Heron
        5 anos ago

        Olá Chico, tudo bem? Obrigado por sua resposta (gostei mesmo), deu pra entender a complexidade do que é “fazer aviação no Brasil” Me instigou a fazer mais perguntas, mas fugiria o tema desta publicação
        Abç e boa semana

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Na verdade, a aviação é um ramo complicado em qualquer lugar do mundo. No Brasil, muito mais, devido aos fatores que o Chico comentou, mas em especial devido ao fato das receitas serem em R$s, e as despesas em US$s. E, como a concorrência é muito acirrada, é difícil haver lucratividade elevada.

  4. poxa vida… Lamentável…

  5. Vinicius
    5 anos ago

    Pra uma empresa que aparentava ir bem, é uma surpresa(ruin) e tanto…:(

  6. Fábio Otero Gonçalves
    5 anos ago

    Lamento muitos pelos colegas que ora perdem seus empregos, mas não é a primeira vez que a dita empresa mexe esse caldeirão, e talvez não seja a última. Já trabalhei lá, na co-irmã (Passaredo Air Plus, aquela dos Airbus A310-300), no final dos anos 90. Felizmente, “fui saído” (através de telegrama curto & grosso, por ter me recusado a fazer ordem unida com irresponsáveis e energúmenos, que pensam que aviação comercial é meio de morte, e não de vida) quando eles ainda estavam operando, então consegui recuperar boa parte do que me deviam, na Justiça do Trabalho, alguns anos mais tarde. Nunca existiram alí, naquela época (não sei como está agora) aquele conjunto das “best-practices”, nem do ponto de vista gerencial, nem do ponto de vista operacional. Geralmente é assim que acabam todas as que pensam poder reinventar a roda….ou a asa, pronto.

  7. PAULO
    5 anos ago

    Torço para que a empresa consiga se recompor, afinal são vários funcionários que dependem de decisões acertadas.

  8. Thiago Sabino
    5 anos ago

    Raul

    não vai ocorrer demissão em massa não. Na verdade, a recuperação judicial, apenas é um recurso que permite a empresa ter fôlego pra quitar dívidas com credores, de forma que isso não vire uma bola de neve, como estava virando.

    Isso, em última análise, é bom, vai dar oxigênio, a empresa vai se capitalizar um pouco, vai conseguir trazer mais aviões, e vai , no futuro, recontratar.

    Acredito que, em aproximadamente um ano, com a lição de casa feita, as coisas estejam melhores.

    Pode acreditar.

    Um abraço

    Thiago

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Olha, Thiago, eu torço para que vc esteja certo, mas minha experiência profissional mostra que, em 90% dos casos, há demissões em massa num processo de concordata, sim. Isso nós só saberemos om certeza após a empresa divulgar seu plano de recuperação, mas o esperado é que a Passaredo reduza a operação, concentrando-se nas rotas mais lucrativas, o que leva a demissões. Foi o que a Gol fez (e está fazendo), por exemplo, em seu processo de recuperação (extra-judicial, no caso), e não há por que ser diferente no caso da Passaredo.

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