A mudança de postura da EJ e um comentário sobre o mercado de ensino aeronáutico do Brasil

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Recebi há pouco um e-mail do leitor Carlos Henrique, alertando sobre um comunicado recém-publicado no site da EJ, em que a escola informa ter mudado sua postura quanto à adoção prematura dos requerimentos do RBAC-61 para INVAs. Conforme publicado aqui em 27/06 passado (cinco dias após a publicação do novo regulamento, portanto), a escola informava que “A EJ Escola de Aviação, a partir do dia 01/01/2013 já exigirá esta experiência para os cursos de instrutores, apesar da exigência parecer absurda, concordamos que o instrutor é a peça fundamental na formação básica e avançada de pilotos. Estamos estudando uma forma de atender as exigências publicadas, com programas de baixo custo e valorização do profissional no mercado de trabalho.” Pois muito bem. Vejamos o que a escola informa agora sobre este mesmo assunto:

A publicação da RBAC 61 em junho deste ano, tem causado muita discussão sobre a experiência mínima para formação de instrutores, a princípio a EJ Escola de Aviação publicou uma nota que a partir de janeiro de 2013  iria adotar o nova regulamentação, entretanto, resolvemos aguardar o desfecho deste assunto que poderá ser modificado até a data de início da nova exigência que é 22 de junho de 2014. Até lá iremos manter o curso sem a exigência das 200 horas em comando como prevê o novo regulamento.

Isso, na prática, significa que não deve ter havido procura pelos “programas de baixo custo e valorização do profissional no mercado de trabalho” – isto é: a venda de pacotes de horas de voo para os pilotos atingirem o limite mínimo de 200h em comando para se tornarem INVA na EJ. Este fato, somado à estratégia da Born to Fly de vender pacotes de horas de voo com desconto noticiado ainda hoje, sugere que as escolas mais elitizadas do mercado devem estar enfrentando dificuldades comerciais neste momento.  Pelo menos, é assim que interpreto essas novidades, se estiver equivocado, peço que me corrijam.

 

12 comments

  1. Josué de Andrade
    5 anos ago

    Na verdade, a EJ não vende pacotes ou grandes quantidades de horas para experiência de pilotos já formados, principalmente a quantidade para chegar as 200 horas em comando para instrutores, pois, sabemos muito bem o valor destas horas. Na primeira publicação, a idéia era contratar pilotos do mercado com a experiência exigida e prepara-los para a função de INVA a partir de 2013, mas com os rumores da revisão da RBAC61 e o mercado estagnado em 2012, resolvemos aguardar o desfecho desta história e a reação do mercado em 2013.
    Concordo com o Raul sobre a dificuldade que as escolas enfrentarão em 2013, mas a EJ não pratica política de vendas agressivas ou desnecessárias, respeitamos nossos clientes.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Pois é, eu nem acho que uma venda “agressiva” de pacotes para o sujeito completar as 200h PIC necessárias para o cheque de INVA seja um “desrespeito” ao cliente, pelo contrário. Se esse cliente necessita destas horas, e está disposto a pagar, oferecê-las num pacote seria mais um serviço a ser prestado.
      Eu acho, Josué, que esse tipo de produto ainda venha a ser uma “commodity” no mercado após 2014, e não vejo por que a EJ deveria ficar fora desse mercado.

  2. Renato Guardiola
    5 anos ago

    Bom, considero casos como esse meros devaneios das “escolas de aviação”. Escolas de aviação são negócios, e visam lucro. Muito lucro, de preferência. Logo, tentam explorar qualquer migalha possível para encher o cofre. E eu sempre conheci a EJ como escola que cobra mais (as vezes muito mais) do que o mínimo necessário para a obtenção das licenças. Tenho amigos que desembolsaram uma fortuna para fazer simulador IFR, pois a escola não vende menos do que o pacote estabelecido.

    Não é isso que tira o mérito da escola, pois cada um sabe onde gasta seu dinheiro. Tenho amigos satisfeitos com a escola e a estrutura que ela oferece. Mas estrutura boa cobra seu preço.

    Abraços!!

  3. Fred Mesquita
    5 anos ago

    A data de início da nova exigência que é 22 de junho de 2014 ou 2013 ???

  4. Deltawing
    5 anos ago

    Eu acho que as ações e comunicados da XPTO nem sempre podem ser interpretados como se ela fosse um agente econômico racional. Em particular aquele comunicado de 27/06/2012 me pareceu produto de uma atitude bastante impulsiva e um tanto irracional da escola.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Discordo. A XPTO é, sim, um agente econômico racional, e naquele momento ela tentou gerar uma onda, só que o mercado esvaziou, o interesse não se mostrou efetivo na pratica, e a onda virou uma marolinha e sumiu.

  5. João
    5 anos ago

    Não sei se a XPTO chegou a oferecer um pacote de 200h, pelo menos para mim, não ofereceram. Quando os questionei quanto a esse comunicado, pois estava fechando a compra do meu pc+inva, eles desconversaram, dizendo que o assunto ainda não havia sido discutido e decidido, mostrei o comunicado e mesmo assim continuaram sem me dar uma posição concreta.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Pois é, eu acho que o comunicado de 27/junho deve ter afugentado potenciais alunos de INVA da escola temorosos de precisarem ter as 200h PIC já em 01/01/2013 (como foi o seu caso, por sinal), e por isso eles voltaram atrás antes mesmo de lançar o tal pacote.

    • Cadu
      5 anos ago

      João, se els te posicionarem a respeito, avise a gente aqui também.

      Abs

      • João
        5 anos ago

        Acabou que ficou por isso mesmo. Não comprei o curso e as horas de inva por conta da indefinição.

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