Situação dos PCHs recém-formados

By: Author Raul MarinhoPosted on
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#nãotáfácilpráninguémnaaviação, né?

No post anterior, sobre o Seminário da ABRAPHE, faltou falar sobre o que apurei acerca da situação profissional dos PCHs recém-formados, conversando com amigos nos intervalos das palestras. Diferente do que supunha – que o pessoal da asa rotativa estivesse em situação mais confortável do que nós, da asa fixa (vide este post) -, o que ouvi sobre a situação dos PCHs recém-formados não é muito diferente do que está ocorrendo com os PCAs em igual situação: muita dificuldade para encontrar um emprego, e muita gente na fila para uma vaga de instrutor nas escolas de aviação. Apesar de todo o oba-oba com o tal do Pré-sal, o fato é que as empresas de táxi aéreo que exploram os contratos com as companhias petrolíferas não estão contratando praticamente ninguém, e há muita gente com 500h+ na fila da entrevista há vários meses. Parece que o efeito “apagão de pilotos” foi ainda mais forte na asa rotativa (justamente por causa do Pré-sal), e os seus efeitos estão sendo sentidos agora pelo mercado.

A propósito, sobre o “apagão de pilotos” na asa rotativa, vejam a reportagem abaixo, publicada na IstoÉ Dinheiro de 09/07/2010, e reparem na declaração do presidente da Líder Aviação sobre a intenção da TAM de entrar no segmento:  “Claro que há espaço para mais competidores e a TAM é muito bem-vinda. Minha única pergunta é: de onde eles vão tirar piloto?”. Então… Onde? Vai no Campo de Marte, que você os encontra às baciadas!

TAM aterrissa no pré-sal

Marco Antonio Bologna, presidente da holding que comanda a companhia aérea, é quem busca oportunidades para o grupo. A nova tacada é a criação de uma nova empresa de transporte offshore

Por Eliane Sobral

Vídeo: De olho em um horizonte mais tranquilo, Marco Antonio Bologna, presidente da holding da TAM, afirma que a empresa agora quer lucrar com o pré-sal

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O executivo Marco Antonio Bologna pode dizer que passou por quase todos os grandes eventos envolvendo a companhia aérea TAM. Trabalhou em conjunto com Rolim Amaro, o lendário fundador da companhia, foi presidente da empresa e se viu no meio de uma crise profunda, quando um avião da empresa caiu em Congonhas, em julho de 2007 –, o que o desgastou obrigando a deixar o comando da empresa.
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Bologna: “Esta será uma das maiores empresas dentro do nosso grupo e também dentro do setor”
Em março de 2009, ele voltou como presidente da TAM Jatos Executivos, o braço da companhia que vende aviões particulares, e, desde abril deste ano, por indicação da família Amaro, assumiu a presidência da holding. Hoje, Bologna é o estrategista que fareja novas oportunidades de negócios para o grupo.

E a mais nova aposta do executivo já foi delineada e será colocada em prática até o fim do ano. Trata-se da entrada da TAM no setor de transportes offshore, que leva funcionários de petroleiras do continente para as plataformas. “Estamos de olho nos negócios que serão gerados com o pré-sal”, diz Bologna com exclusividade à DINHEIRO.
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Grande filão: só a Petrobras desloca 65 mil funcionários entre o continente
e as plataformas de petróleo todos os meses
A TAM não vai entrar sozinha no novo negócio. Bologna negocia a formação de uma joint venture com a americana Petroleum Helicopter Inc. (PHI). Com frota de 260 helicópteros e operação em mais de 40 países, a PHI é, segundo o executivo, “a segunda maior operadora de transporte offshore do mundo” (a primeira é a Bristow Group).

No ano passado, a receita operacional da companhia americana foi de US$ 487,1 milhões e o lucro operacional somou US$ 51,3 milhões – só com o transporte offshore. A nova empresa da TAM, que inicialmente vai operar com três helicópteros, chega para incomodar a concorrência.

“Vamos brigar com a Líder pela dianteira no setor do transporte offshore”, diz em referência à sua principal concorrente, a Líder Aviação. E a briga promete repetir aqui, o que já acontece no cenário externo. A Bristow, principal concorrente da PHI no Exterior, tem 42,5% do capital da Líder – cuja receita, em 2009, atingiu R$ 600 milhões.

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“Claro que há espaço para mais competidores e a TAM é muito bem-vinda. Minha única pergunta é: de onde eles vão tirar piloto?”, alfineta o presidente da Líder Aviação, Eduardo Vaz. Segundo ele, o grande problema do segmento de transporte offshore é a falta de infraestrutura aeroportuária – uma vez que os embarques a partir do continente são realizados obrigatoriamente de aeroportos – e carência de mão de obra especializada. A TAM tem duas opções: ou usa sua experiência em treinar equipe própria ou pode contar com a aprovação de um projeto de lei que tramita no Congresso que permitirá “importar” pilotos do Exterior.

O principal cliente neste segmento é a Petrobras que, sozinha, demanda helicópteros para deslocar nada menos que 65 mil passageiros entre o continente e as plataformas de petróleo em alto-mar todos os meses. Esse tipo de transporte gera receita anual de US$ 500 milhões e, nos últimos cinco anos, vem registrando crescimento da ordem de 10% ao ano.

Com a entrada do pré-sal em cena, os players do segmento apostam que ele vai dobrar de tamanho em menos de uma década. A rentabilidade também é de encher os olhos de qualquer executivo do transporte aéreo.

Enquanto nas companhias de aviação comercial a margem de lucro gira ao redor de 5%, no transporte aéreo offshore ela chega a 20%. Mais: especialistas acreditam que esse é o momento certo para entrar no segmento. “A Petrobras é a principal cliente, mas não é a única.

Há novas empresas se formando nesse mercado por conta do pré-sal”, diz Respício Santos, professor de transporte aéreo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Não posso dizer quanto pretendemos faturar, mas posso garantir que será uma das maiores empresas dentro do nosso grupo e também dentro do setor”, diz Bologna.

O executivo hoje despacha na mesma casa em que foi convidado a ingressar na TAM, quase dez anos atrás. O sobrado no bairro paulistano do Jabaquara, onde eram realizadas as degustações das refeições servidas na primeira classe da TAM, foi transformado num escritório com design moderno. “Dona Noemi vem aqui com frequência”, diz o executivo referindo-se à viúva de Rolim Amaro. É ali o escritório do estrategista da família.

Além do negócio de transporte offshore, Bologna trabalha em outras frentes. Em outubro do ano passado, transformou o programa de fidelização da TAM numa unidade independente de negócio, batizada de Multiplus Fidelidade, que permite usar os pontos do cartão em troca de serviços.

Bologna também quer impulsionar os negócios do centro de manutenção de aeronaves, que fica em São Carlos, no interior de São Paulo. “É um dos centros mais modernos do mundo e o que a gente quer é que seja também uma nova fonte de receita para o grupo”, diz. A ideia é ter um parceiro também nessa área. “Não vamos abrir o capital, mas queremos um sócio.” Alguém se candidata?

7 comments

  1. Muricy
    5 anos ago

    Olha Raul, quero muito ser piloto, mas vendo o cenário atual dá uma “brochada”, é claro que não podemos desistir na primeira barreira, mas até eu me formar vou ter uma idade significativa, perto dos 35 anos, será que vale a pena investir este montante e não conseguir espaço? O que você acha?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Eu acho que:
      1)Sua idade não é problema; e
      2)A aviação é cíclica, não se pode apavorar na baixa, nem soltar rojão na alta. Mantenha-se focado e invista na sua formação e networking, que uma hora o mercado vira e vc estará pronto para agarrar a oportunidade.

  2. Renato Guardiola
    5 anos ago

    Pelo que eu sei, por questões de seguro, as off-shores não podem contratar piloto com menos de 500 horas de voo.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Na verdade, não é só isso. O problema do seguro realmente existe, e é impeditivo inclusive na contratação de recém-formados na aviação executiva de asa rotativa. Mas com o poder de barganha de uma Líder, BHS, etc, eles dariam um jeito nisso (mesmo porque, o cmte sempre tem 1000h+, já que ele tem que ser PLAH). O complicado é que também há uma cláusula maldita na Convenção Coletiva dos petroleiros, que exige que TODOS os pilotos que atuarem nas plataformas tenham 500h+, e é aí que o bicho pega.

      • Righetti
        5 anos ago

        Cara, não acho tão maldita assim a convenção, apesar de sofrer em breve por causa disto uma vez que estou com 80 horas e nem chequei PC ainda.

        No meu ponto de vista,se faz necessário um “copila” na aviação offshore por várias razões. Se der um biziu no primeiro comando, você teria ficaria tranquilo em estar de passageiro com um copila com 100 horinhas de 22 para pousar um 76 em uma plataforma balançando?

        Até hoje eu só estive em helicópteros a pistão, mas pelo que dizem os mais experientes, rotativa a turbina é uma realidade completamente diferente e é necessário reaprender tudo. Sem dúvida antes de largar um 76 na mão de um piloto, ele passa por muito treinamento, horas e horas de simulador… Porém, sem dúvida alguma, a vivência de 500 horas faz muita diferença para esse piloto.

        Além disso, minha opnião é que essas 500 horas fossem mais bem aproveitadas. E penso que as empresas deveriam pegar o piloto com 100 horas e distribuir as 400 restantes em treinamentos específicos como treinamento em aeronave a turbina, carga externa, etc… Em troca disso o piloto teria que ter um contrato de permanência com a empresa, mas isso é contra a CLT, o que faz dela a “maltita” da história. A atual CLT é ruim para os empregados, paras as empresas e para o Brasil… (Thanks Getúlio Vargas)

        • Dantas
          5 anos ago

          Só sabe bem o que é esse impeditivo de no mínimo 500 horas quem investiu muito,se formou PCH, não consegue trabalho de jeito nenhum e está sentindo na pele o que é ficar de fora do mercado de trabalho. Ora bolas ! Todos sabemos que qualquer PCA ou PCH recém formado ainda tem muito o que aprender e só vai aprender mesmo de verdade sendo copila. Se o cara é PCH novinho, fez a banca IFR da Anac, 25 horas de simulador IFR, 20 horas de treinamento IFR-C, adaptação de tipo S-76 por exemplo e conseguiu checar IFRH e tipo S-76, acho que o indivíduo merece ter a oportunidade de ser copila de um PLA sem desmérito!

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