“O futuro das Asas Rotativas – Cenário Brasileiro”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Ontem (07/11), no Seminário da ABRAPHE, ocorreu uma palestra de enorme interesse para os leitores deste blog: “O futuro das Asas Rotativas – Cenário Brasileiro”, proferida pelo prof. Adalberto Febeliano (professor do curso de Aviação Civil da UAM), cujos principais pontos eu compartilho abaixo:

O perfil dos pilotos que atuam nas plataformas:

Uma informação que eu desconhecia é que a idade média dos pilotos que atuam nas operações das plataformas é bastante elevada:

  • 65% deles têm entre 40 e 60 anos;
  • 10% deles têm 60 anos ou mais; e
  • 3% (!!!) deles tem menos de 30 anos.

Esta é uma informação importante, que mostra que deverá haver uma elevada rotatividade de pilotos nos próximos 10-15 anos. Mas, por outro lado, o fato de haver tão poucos jovens na operação é um sinal de que demora muito tempo até um piloto de helicóptero estar apto a ser contratado para atuar na plataforma. Enfim, este é um dado interessante para entender como funciona a operação de plataforma, que é o objetivo de muita gente na asa rotativa.

Os números da formação aeronáutica

De acordo com cálculos que o prof. Febeliano realizou a partir de dados da projeção de produção de motores (os fabricantes não divulgam suas projeções), nos próximos 5 anos deverá haver uma necessidade de aproximadamente mais 200 PCHs/ano, para atuar nos equipamentos a turbina.  Para acomodar os helicópteros a pistão, estima-se mais uns 20% sobre este número – então, arredondando, pode-se concluir que a necessidade de novos PCHs, já contando com a aposentadoria e abandono da profissão (por problemas de saúde ou outros), é de aproximadamente 250 PCHs/ano.

Ok, esta é a demanda por pilotos – mas, e a oferta? Até 2009, formavam-se cerca de 200-250 PCHs/ano, mas vejam os números de 2011. No ano passado, embora os números de novos PCHs tenham ficado na média histórica de 250 novos pilotos ou um pouco mais, formaram-se 450 PPHs!!! E, embora ainda não se tenha os dados de 2012, sabe-se que a esmagadora maioria dos PPHs prossegue para o PCH, ou seja: neste ano, devem se formar cerca de 400 PCHs ou mais, sendo que a demanda permanece a mesma (ou até tenha se reduzido um pouco, já que a alta cambial deste ano deve ter reduzido um pouco a importação projetada de helicópteros).

Resumindo: de cada 2 PCHs formados em 2012, somente 1 deverá encontrar uma colocação no mercado. Está explicada a situação descrita no post de ontem, sobre a situação dos PCHs recém-formados.

A agenda da formação de pilotos de helicóptero para o futuro

Finalmente, o prof. Febeliano elencou o que deveria ser a agenda da formação de pilotos de helicóptero para o Brasil nos próximos anos, com a qual concordo:

  1. O problema do IFRH: Há uma necessidade gigantesca de novos PCHs habilitados IFRH no Brasil, mas a instrução por instrumentos está travada na asa rotativa – e, de fato, esse é o ponto que deve estar no topo das prioridades.
  2. O custo da formação: De fato, não dá para aceitar que um PCH gaste mais de R$80mil na sua formação, este não é um valor razoável em nenhum lugar do mundo, quanto mais num país com a renda per capita média do Brasil.
  3. Pelo menos uma via gratuita de formação: deveria haver, nem que seja para formar algumas dezenas de PCHs/ano, pelo menos uma opção gratuita de formação aeronáutica, para poder reduzir o elitismo da profissão.
  4. A qualidade na operação dos “parapúblicos”: o prof. destacou que, nos últimos anos, a maior parte dos governos estaduais adquiriu helicópteros para as suas polícias e para as demais atividades do poder público, mas não há garantia de que esses tripulantes estejam sendo formados com um mínimo de qualidade.

23 comments

  1. Dantas
    5 anos ago

    Prezado Raul, acompanho diariamente seu blog que aliás, considero de grande utilidade pública aeronáutica, sou um dos PCH’s que engrossa a fileira dos desempregados, gostaria de saber se há mais alguma novidade sobre o Programa de treinamento de Pilotos de helicópteros Off shore Prominp/Anac. Grande abraço !

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Olha, Dantas… Tenho até vergonha de falar isso, mas é o seguinte: depois da palestra do Mauro Silva no Seminário da ABRAPHE, eu saí do auditório para conversar com os amigos do SERIPA-IV que haviam acabado de chegar, mais o próprio Mauro, e o Cmte Rafael, e com isso acabei perdendo a maior parte da palestra da Petrobrás, que tratou, dentre outros temas, do PROMIMP. Então, a informação que tenho sobre isso é parcial, mas pelo que entendi, há de fato a intenção de implementar o programa, mas o assunto está agora no âmbito da ANP, e pelo visto não vai sair tão cedo. Em resumo, é isso, mas assim que tiver informações mais completas, eu publico um post sobre o assunto, ok?
      Abs,
      Raul

      • mauropiloto1
        5 anos ago

        Caro Raul, precisávamos desse momento, não sinta vergonha não.

        Saímos do Palco com a sensação de dever cumprido.

        Você entrou e foi brilhante, passando a informação do Blog e sua Importância no Cenário da Aviação.

        Nós aqui só podemos Aplaudir o seu desempenho, portanto era mais que necessário uma parada pós Palestra, pois não vi nenhum Palestrante participar de nenhuma Palestra de outros Palestrantes.

        Para variar, você foi além do que se esperava, devido ao seu compromisso com seu Blog.

        Fica aqui registrado o meu reconhecimento pelo trabalho que você desenvolveu nesse Seminário e espero poder contar contigo nos próximos Eventos.

        Grande abraço

        Mauro

        • Raul Marinho
          5 anos ago

          Muito obrigado, Maurão!!! – Muito embora meu desempenho tenha ficado aquém do que pretendia, pois minha conversa com o Cmte Rafael me desconcentrou, e subi ao palco com zero de consciência situacional…

  2. Pica fumo
    5 anos ago

    Quem vai querer contratar um piloto de R-22 com 500h+ no eqpt e IFRH teótico se tem um monte de milico com hora pra caramba, IFR pratico, hora de bell a rodo, hora de Pumma, pantera, e la vai fumaça…..
    é por isso que a maioria é de 40 a 60 anos, e nao acredito q isso mude. Conheço bastante militares aviadores e adivinha onde todos querem ir trabalhar quando se aposentarem?

    • mauropiloto1
      5 anos ago

      Olá Pica Fumo!

      Deixa eu te falar alguma coisa a esse respeito.

      Realmente é uma tendência natural o Militar quando dá baixa entrar na Aviação Civil, mas isso só acontece quando ele está com seus 40 e tantos anos, ao contrário do PCH que pode ter as 500 horas e seu IFRH teórico com apenas 20 anos de idade, ou seja, é difícil para o Civil mas não Impossível, basta seguir em frente e batalhar seu lugar ao Sol.

      Trabalhei por mais de 20 anos na Executiva e te digo com a maior sinceridade que adoraria me aposentar na Off Shore.

      Hoje em dia é como na 121, muito bem feita.

      Abc

      Mauro

  3. Marcos
    5 anos ago

    A maioria que termina o PPH, demora em média uns dois anos para tornar- se PCH, devido ao alto custo. Além disso, muitos acabam desistindo… acredito que o pessoal da asa rotativa dificilmente irá ficar desempregado, até porque, a empresa que trabalho presta serviços para uma empresa de off-shore e as expectativas são excelentes… a projeção até 2015 é de “triplicar” a quantidade de aeronaves.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Pois é, de expectativa excelente em expectativa excelente, o Campo de Marte está cheio de PCH desempregado há meses…

      • Bruno Serpa
        5 anos ago

        A situação não eh diferente aqui no Rio. Em uma mercado fechado, o primeiro emprego pode se tornar uma tarefa complexa, onde o Q.I. vale mais que a competencia.

      • Marcos
        5 anos ago

        Prezado, Raul!

        Se as expectativas não fossem excelentes!!! eles não teriam recebido investimentos do exterior, e nem estariam triplicando a frota de aeronaves.

        • Raul Marinho
          5 anos ago

          Ok, mas… “Excelente” para quem, cara pálida? Para os proprietários de empresas de táxi aéreo, pode ser; para os ex-pilotos militares com larga experiência em helicópteros IFRH de grande porte, também; mas para o cara que vendeu tudo o que tinha para checar o PCH, e hoje está mendigando emprego no Campo de Marte, com certeza não estrá nada “excelente”, não…

  4. Lucas Gomes Carvalho
    5 anos ago

    Muitos entram na aviação só por causa do Dinheiro…
    Se for pensando no dinheiro nem entre!!
    Vá escolher outra profissão, aviação é para quem gosta e não para ficar rico.
    Abraços

    • Muricy
      5 anos ago

      Concordo contigo meu amigo, mas gastar entre 60 e 80k e não ter este retorno é dose hein, se for para ser um hobbie, cheque somente o PPH aí tudo bem, mas se checou o PCH o cara quer trabalhar e como todo trabalho específico tecnicamente é bem remunerado, portanto, uma coisa puxa a outra, não dá pra negar!!!

      • mauropiloto1
        5 anos ago

        Realmente.

        Aplique 80 K e terá na melhor das hipóteses 0,5 % ou R$ 400,00 por mês.

        Invista em algum negócio Próprio, particularmente não investiria em negócio algum, 80 K não dá retorno algum em termos de Franquia ( que eu conheça ).

        Em uma Profissão que tem Futuro Promissor e não conheço ninguém que Voe por menos de R$ 2.500,00 por mês, acredito que é uma questão de persistir e batalhar, pois não vai cair do Céu, aliás o que cai do Céu em nosso Ramo é Acidente.

        Abc

        Mauro

  5. Arnaldo
    5 anos ago

    Raul,

    1 – Vc tem esses números atualizados para a asa fixa? Quantos pcs se formaram em 2011 e estimado p/ 2012?

    2 – Outra pergunta q nada tem a ver com o assunto, é sobre o ICAO. Vi um piloto experiente aqui no seu blog dizendo que jamais o Brasil terá 10% de pilotos com ICAO4+, entretanto, uma reportagem recente publicada pela Folha (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1073046-teste-de-ingles-e-barreira-para-pilotos-brasileiros-25-sao-reprovados.shtml) mostrou que desde 2007 mais de 6 mil pilotos já foram aprovados no teste, ou seja, quase 30% do total, mas veja, isto inclui pp, pc, pla, etc. Se considerarmos somente pilotos comerciais, será que mais da metada já foi aprovada?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Lamento, Arnaldo, mas não possuo nenhuma das informações que vc deseja.

      • wagner
        5 anos ago

        Olá Raul.
        O material das apresentações será disponibilizado pelos palestrantes ?

        Obrigado

        • Raul Marinho
          5 anos ago

          Não.

          • A.Sousa
            5 anos ago

            Ola Raul. Foi cimentado algo sobre a abertura do mercado a estrageiros nomeadamente a PCHs Portugueses?

            • Raul Marinho
              5 anos ago

              Olha, Sousa… Sei que tem algo, mas não sei lhe dizer exatamente o quê.

              • A.Sousa
                5 anos ago

                Sei que esta feita uma mudança na legislação , só não sei se já foi votada e aprovada para licença temporária até 60 meses. “”””Art. 158. Será admitida a contratação de mão de obra estrangeira como tripulantes e instrutores, em caráter provisório, na falta de tripulantes brasileiros.
                § 1º. O prazo do contrato de instrutores estrangeiros, de que trata este artigo, não poderá exceder a 6 (seis) meses.”
                § 2º. O prazo do contrato de tripulantes estrangeiros, de que trata este artigo, não poderá exceder a 60 (sessenta) meses.”””

                Seria fantástico termos uma abertura igual a que os Brasileiros mantêm aqui em Portugal. Abraço.

                • Raul Marinho
                  5 anos ago

                  Não, meu caro, essa proposta ainda não foi votada. E espero que NUNCA seja aprovada, pois se for, será o fim da formação aeronáutica brasileira.

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