Robinson-22 sob investigação do CENIPA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Depois de muita polêmica sobre a instrução primária dos pilotos de helicóptero no R-22, o CENIPA resolveu investigar a questão mais a fundo. É o que informa a matéria reproduzida abaixo, publicada originalmente no jornal “O Globo” (obtida no Aeroclipping do SNA):

Após acidentes com helicópteros, Aeronáutica analisará outros voos feitos pelo mesmo modelo
Aeronave Robinson 22 é a mais usada para instrução de pilotos
RONALDO BRAGA
Atualizado: 22/11/12 – 23h56


Helicóptero caiu em em gramado no Aeroporto de Maricá
Leitor Fernando Silva / Eu-Repórter

RIO — Mesmo trabalhando com a hipótese de ser uma “infeliz coincidência” o fato de dois acidentes seguidos terem acontecido com o mesmo modelo de helicóptero, o Robinson 22, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Aeronáutica, vai fazer um levantamento sobre os voos dessas aeronaves no Estado do Rio. Na quarta-feira, duas pessoas morreram quando um helicóptero caiu na Serra da Grota Funda, em Guaratiba, na Zona Oeste da capital. Menos de 24 horas depois, na manhã de quinta-feira, outra aeronave do mesmo modelo caiu, dessa vez no terreno do Aeroporto de Maricá, na Região dos Lagos, mas sem deixar feridos.

Os helicópteros Robinson 22 são baratos, leves e de manutenção simples, de acordo com alguns pilotos, que não quiseram se identificar. Fabricadas pela Robinson Helicopter, a aeronave tem capacidade para dois tripulantes e custa cerca de R$ 250 mil. Graças ao baixo custo de aquisição e operação, o aparelho se tornou padrão para treinamento de pilotos.

Além dos acidentes de quarta e quinta-feira, outros já foram registrados com aeronaves do mesmo tipo. Um deles aconteceu em 24 de outubro passado. Um vento forte teria causado o acidente, ocorrido no Aeroclube do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O instrutor de voo se machucou ao bater com a cabeça no para-brisa e teve ferimentos leves.

Em setembro, outro helicóptero Robinson 22 fez um pouso forçado às margens da Rodovia Ayrton Senna, na região de Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, a aeronave era usada no treinamento de novos pilotos. Ninguém ficou ferido.

Ainda este ano, em julho, um outro Robson 22 caiu em São Paulo, sobre um galpão, matando os dois tripulantes: o instrutor de voo Maílson Rocha Lopes, de 23 anos, e o aluno Denis Frank Thomazi, de 32. O piloto decolou às 9h15m para uma aula. Quando voltava, uma hora depois, caiu sobre uma transportadora, na Zona Oeste, ao lado de uma linha de trem.

Subsecretário acredita que ventos causaram acidentes
Sobre o acidente de quinta-feira, na Região dos Lagos, o subsecretário de Defesa Civil do município, coronel Jorge Braga, disse que o helicóptero era tripulado por um instrutor e por um aluno de pilotagem. Segundo Braga, ainda não se sabe a causa do acidente, mas ele acredita que os ventos fortes tenham provocado a queda da aeronave. Uma equipe regional do Cenipa foi para o local para analisar o caso. De acordo com o aeroclube da cidade, a aeronave pertence à empresa Helimax. O helicóptero fazia uma manobra quando virou e caiu, ficando destruído, conforme foi confirmado pelo Corpo de Bombeiros.

Já na quarta-feira, na queda do Robinson 22, prefixo PR-UTJ, na Serra da Grota Funda, morreram o instrutor Silvestre Travassos Neto, de 34 anos, e Felipe Berredo, de 18. O jovem era aluno da Escola de Pilotagem Rio 22, que fica na Barra da Tijuca. Bruno Di Nelli, instrutor teórico de Felipe, disse não acreditar que uma falha humana tenha provocado o acidente. Segundo o major Silvestre Almeida Cerqueira, do Cenipa, ainda não é possível apontar o que causou a queda. O resultado da investigação deve sair em 30 dias.

Vítimas são enterradas
O corpo de Felipe Berredo, que completaria de 19 anos na próxima segunda-feira, foi enterrado na manhã de quinta-feira no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Já o piloto Silvestre Travassos foi sepultado às 16h, no Cemitério do Caju.
Tia de Felipe, Ana Carolina Berredo disse no enterro que ele vivia um momento especial e estava no auge da felicidade:

— Ele estava muito realizado. Muito feliz porque o Fluminense tinha sido tetra e também porque já estava terminando o curso de aviação de que tanto gostava.

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