O “apagão de empregos na aviação” finalmente entra na pauta da imprensa

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Já faz mais de um ano que eu venho escrevendo exaustivamente neste blog que o tal do “apagão de pilotos” não existe. Comecei com este post de 15/11/2011 “Apagão de pilotos??? Bullshit!!!“, e logo depois eu comecei minha campanha junto a imprensa para tentar mostrar a realidade para a população: escrevi uma “carta aos editores“, que enviei para todos os principais órgãos de imprensa do país. Ninguém me respondeu, nem sequer um trecho da tal carta foi publicado em alguma coluna de leitores, nada aconteceu. Um dos jornais que mais alegremente cantavam o tal apagão, inclusive, foi o Estadão, vide este post aqui.

Agora, com as demissões no setor aéreo tornando óbvio que o tal do “apagão de pilotos” é uma falácia, o mesmo Estadão publica uma matéria de página inteira na sua edição deste domingo, falando que estão sobrando pilotos, e que tem gente atrasando a formação aeronáutica devido à baixa demanda por profissionais no mercado. Pois é, né… Se o Estadão tivesse me ouvido um ano atrás, quanta gente não poderia ter repensado a sua formação lá atrás, e evitado gastar tempo e dinheiro à toa?

Abaixo, reproduzo as reportagens publicadas no Estadão de hoje, complementando com meus comentários sobre os trechos grifados na sequência:

Reportagem #1

Agora, sobram pilotos de avião no País
Há bem pouco tempo, com o setor aéreo em alta, temor era a falta de profissionais

MARINA GAZZONI
O piloto Derek Medeiros, de 26 anos, não tinha medo de ficar desempregado quando começou a voar, há quatro anos. Ele iniciou sua carreira em um momento bem diferente da aviação brasileira, quando as companhias aéreas disputavam tripulantes para pilotar as aeronaves que não paravam de chegar. Mas, neste ano, o cenário mudou. Medeiros é um dos 850 profissionais que perderam o emprego com o fim da Webjet, anunciado no último dia 23, e teme não conseguir mais voar no Brasil.

O temor faz sentido. O setor aéreo deve fechar 2012 com menos pilotos contratados do que em 2011, segundo números das quatro principais empresas do setor (veja abaixo). Essa será a primeira vez que haverá retração de vagas para esses profissionais desde 2007, quando o setor perdeu parte dos pilotos da Varig, que havia parado de voar no ano anterior.

“Quero continuar a voar no Brasil e chegar a ser comandante. Mas, se não conseguir, vou tentar emprego no exterior”, diz Medeiros.

As quatro maiores empresas do País – TAM, Gol/Webjet, Azul/Trip e Avianca – empregam hoje 5,8 mil pilotos, cerca de 200 a menos que em 2011, segundo levantamento feito pelo Estado com base em dados das empresas e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Essa redução na equipe é puxada pela Gol, que chega ao fim deste ano com 1.565 pilotos, exatos 591 a menos do que empregavam Gol e Webjet em 2011. Em comunicado, a empresa atribuiu as demissões à redução da malha no primeiro semestre deste ano, quando cortou cerca de 100 voos para se readequar a uma demanda menor.

Falta ou sobra? O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que representa a categoria, estima que existam atualmente entre 500 e 800 pilotos desempregados no Brasil. “Estão sobrando pilotos no Brasil”, disse o presidente do SNA, Gelson Fochesato.

O diagnóstico do sindicato contraria o cenário desenhado pelas empresas aéreas em 2010, quando as companhias diziam temer escassez de profissionais. Naquele ano, a demanda por voos cresceu 23,5% e as empresas correram para encomendar novas aeronaves.

As companhias precisavam manter em seus quadros tripulantes prontos para comandar esses aviões assim que eles chegassem, e aceleraram as contratações. De 2010 para 2011, as quatro maiores empresas abriram cerca de 750 vagas para pilotos.

“O cenário muda a partir do fim de 2010, quando houve uma explosão nos custos. A rentabilidade das empresas começa a cair, mas elas mantiveram seus planos de expansão e as contratações até o limite. A situação piorou em 2012 e houve um ajuste”, explica o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz .

O ajuste veio com corte de voos e frota das líderes TAM e Gol. Com um plano mais conservador, as empresas só precisavam de pilotos para sua frota atual, e não para novos aviões.

A estimativa de Sanovicz é de que o setor só volte a crescer – e, consequentemente, a contratar – no segundo semestre do ano que vem. “Se superarmos as questões que inibem a competitividade do setor, a aviação voltará a crescer e a criar empregos.”

“Bem pouco tempo”, Estadão? Como assim? Já faz mais de um ano que eu enviei minha carta para vocês falando sobre a falácia do “apagão”, e agora vocês vem com esse papo de “oh, que surpresa”?

Mas a estimativa da ABEAR bate com o que também tenho falado aqui: o final do ano que vem e 2014 podem significar a retomada da aviação. Veremos…

Reportagem #2

‘Vou tentar algo fora da aviação’

A carreira de piloto de Ronaldo Coelho, 62 anos, chegou ao fim no último dia 23, três anos antes do que gostaria. Apesar de ser aposentado, Coelho ainda trabalhava como piloto da Webjet havia quatro anos para complementar a renda. “Não recebo a minha aposentadoria do fundo Aerus, que paguei desde 1983, quando trabalhava na Transbrasil”, disse o comandante, que viu a empresa suspender os voos em 2001. Ele queria voar até os 65 anos, a idade máxima permitida para o exercício da função. Agora, sem esperança de encontrar outro emprego de piloto, vai tentar outra ocupação. “Vou ver o que consigo fazer fora da aviação.”

Reportagem #3

Azul e Avianca, ao contrário das líderes, devem contratar mais
Com perspectiva de receber novas aeronaves, companhias emergentes aumentam quadro de pilotos em 2012 e 2013

O cenário do emprego no setor aéreo não é igual para todas as empresas brasileiras. Enquanto Gol e TAM falam em redução de oferta e demissões neste ano ou no próximo, a Azul e a Avianca ampliaram sua frota e admitiram profissionais em 2012.

“Contratamos 150 pilotos neste ano e vamos admitir mais 168 ano que vem“, disse o diretor de recursos humanos da Azul, Johannes Castellano. A empresa precisará de profissionais para expandir sua frota – cada aeronave requer 7 comandantes, 7 copilotos e 21 comissários. “Só nos próximos 30 dias vamos receber seis aviões”, disse.

Castellano disse que a fusão com a companhia aérea Trip, anunciada em maio, não trará demissões na tripulação -ajustes já foram feitos na diretoria. “É uma fusão desenhada para somar receitas e não para reduzir custos. A Azul contratou 1.150 pessoas após anunciar a fusão”, disse.

A Avianca Brasil também abriu vagas neste ano e ampliou em 20% o número de pilotos da companhia. “Trouxemos nove aeronaves para nossa frota nesse ano e contratamos mais”, disse o presidente da Avianca, José Efromovich.

No ano que vem, a empresa vai reduzir seu ritmo de expansão e iniciar, um ano antes do previsto, a devolução de 9 de suas 14 aeronaves Fokker. Efromovich afirma que demissões não estão no radar da empresa em 2013, mas as contratações devem diminuir. “Vamos empatar”, conclui.

Exportação. Apesar de 2012 ter registrado baixas no setor aéreo brasileiro, as contratações seguem fortes em empresas da Ásia e do Oriente Médio. A estimativa do sindicato do setor é que existam cerca de 500 pilotos brasileiros voando no exterior. Só na Emirates, com sede em Dubai, há 90 contratados.

A perspectiva do setor aéreo é geração de empregos no longo prazo. Uma pesquisa deste ano da Boeing estima que as companhias aéreas contratarão 460 mil pilotos no mundo todo nos próximos 20 anos – 42 mil só na América Latina.

O risco de falta de pilotos não está superado no longo prazo. O País precisa investir em formação“, disse o presidente da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz. Neste ano, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) emitiu 6.153 licenças para pilotos nas seis categorias existentes. O piloto de linha aérea respondeu por 301 licenças.

Esta é a melhor reportagem da série, vejamos os pontos mais importantes:

  1. A Azul revela o número estimado de contratações para 2013: 168 pilotos. É um número robusto, mas deverá ser bem menor que as demissões. Na verdade, esse número mal dá conta do corte da Gol/Webjet deste ano…
  2. Essa história do Efromovich falar que vai terminar 2013 empatado não é de todo confiável. Concluímos ontem que haverá um potencial de demissão de 56 piloto na Avianca. Pode ser que a empresa não demita todo esse contingente, para criar uma reserva para voltar a crescer rapidamente em 2014, mas manter todo mundo também é improvável.
  3. Como também tenho afirmado, a demanda por piloto na Ásia e Oriente Médio permanece aquecida. Para quem pode, é um ótimo caminho!
  4. O risco de falta de pilotos no longo prazo é realmente preocupante, especialmente se os demitidos de agora forem para o exterior. Quando a aviação voltar a crescer, haverá uma escassez absurda de pilotos experientes.
  5. Quer dizer que a ANAC emitiu 301 licenças de PLA este ano!!!??? Que número ridículo!!! Desse jeito, haverá realmente um “apagão de comandantes” na linha aérea.

Reportagem #4

Crise na aviação faz piloto atrasar conclusão do curso

As demissões no setor aéreo fizerem o ex-comissário da Webjet, Douglas Antunes, de 25 anos, repensar se vale a pena investir na carreira de piloto. Ele está no meio da formação e já gastou R$ 40 mil. Para completar o curso precisará pagar por mais horas de voo -a formação completa de um piloto de linha aérea custa pelo menos R$ 80 mil.

“Estou em dúvida se uso o dinheiro da rescisão para concluir o curso de piloto ou se vou fazer outra coisa”, disse Antunes, que pensa também em abrir uma pousada em Florianópolis, sua cidade natal. “Meu medo é investir tudo em uma carreira e não ter emprego depois.”

Os aeroclubes ainda não sentem evasão de alunos, mas percebem uma redução nas horas voadas por aluno, segundo o presidente da Federação de Aeroclubes do Rio Grande do Sul, Nelson Riet, que representa 32 escolas. “O aluno que fazia dois voos por semana, passou a fazer um. Eles esperam a reação do mercado”, disse. As novas licenças para pilotos profissionais valem por seis meses -se não voarem neste prazo, terão de refazer o teste.

Por “coincidência” é o que vários leitores daqui tem falado que estão fazendo (atrasando a formação), nos comentários do blog… E ao tal do Douglas, eu diria que, se ele está se perguntando “se vale a pena ser piloto”, a resposta é sempre não. Quem faz essa pergunta já está começando pelo lado errado. Mas o que me espanta é o fato dos aeroclubes ainda estarem cheios – com os alunos voando menos, mas ainda ativos. Isso é algo que ainda não consegui entender. Alguém teria alguma ideia?

23 comments

  1. vitorio
    4 anos ago

    Boa noite Raul!
    Ja sou formado em Administracao e cursando o PP.
    Vc acha que a formacao de administracao serve como diferencial para piloto?

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Um curso superior sempre será bem visto num processo seletivo para pilotos, e um diploma de administração será especialmente interessante numa vaga para a aviacao executiva. Porém, o que conta mesmo em termos de empregabilidade para pilotos é:
      1)QI;
      2)QI;
      3)QI;

      100)Horas de voo;
      101)Inglês;
      102)Habilitações de TIPO;
      E…
      103)Faculdade.
      Não sei se me fiz entender…

      • vitorio
        4 anos ago

        Perfeitamente. A aviacao executiva e o taxi sao meus objetivos. Na verdade, a princípio voar é o meu objetivo. Claro que o QI tbm ajuda. Vamos corres atras! Obrigado pela atençao.

  2. Gustavo Tanaka
    5 anos ago

    Boa tarde Raul,
    Esta crise atinge Helicópteros também ?? Estou iniciando o meu PP Prático e não pretendo demorar para me formar. Não tenho QI também, mas quero estar preparado quando surgir a oportunidade…Abraços

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Também, Gustavo, infelizmente. Procure pelos posts escritos na época do congresso da ABRAPHE, que vc vai encontrar diversas analises sobre isso.

  3. JPacc
    5 anos ago

    No fundo, pouco importa a condição do mercado. É o que mais ouvi/li por esses meses… reclamações sobre a situação atual do setor; crise sem fim.

    Me surpreende o cidadão não compreender que numa época dessa, quanto mais voce estudar, maiores suas chances. Sei que tem muitos que preferem nem enxergar isso, como forma de esconder a própria preguiça.

    É lógico que não serão absorvidos todos os formados. Alguém tem dúvidas acerca da responsabilidade e empenho de alguns estudantes de aeroclubes/escolas por aí?

    Existem empregos na aviação, não tanto quanto em épocas de desespero que passamos alguns anos atrás, mas eles estão aí.

    Quanto a história do ‘meu amigo vai me dar uma força’, se referindo a um Q.I., tenham certeza de que ele não irá colocar o dele na reta indicando um preguiçoso ou alguém sem o mínimo de preparo, este, não só técnico mas intelectual. Amizade é uma coisa, bem diferente do profissional.

    Não dá pra estudar/ter só o necessário… especialmente nessa seleta e dinâmica área.

    Portanto, entusiastas da aviação ou não: Tenham o máximo de conhecimento e preparo. No fim, é isso que determinará suas chances de colocação, não o quanto voce gosta.

  4. Skyhawk
    5 anos ago

    Mas é lógico que os aeroclubes e escolas estão cheios e voando! Isso é um negócio! Jamais vão dizer que o mercado está ruim, pois eles querem vender horas de vôo e cursos! Aquela grande escola aviação no país publicou o seguinte no seu facebook: “É o momento dos pilotos se prepararem, o mercado está crescendo e as empresas encolhendo, uma hora aparece novas empresas no mercado para ocupar este espaço”……
    é mole?? rsrs..

    • O próprio “reclame” da XPTO se auto-contradiz: “…mercado crescendo e empresa encolhendo…” E tem gente que acredita… Rsrsrsrs

  5. Marilton Batista
    5 anos ago

    Matéria recente:

    http://g1.globo.com/videos/parana/paranatv-1edicao/t/londrina/v/trabalho-nas-nuvens-aviacao-tem-muitas-oportunidades-de-emprego-em-londrina/2273663/

    Será que só em londrina a avição está bombando rsss

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Putz… Que lixo de matéria! Nem prá explicar que o aluno do curso superior terá que arcar com a parte prática dos voos, ele serve.

      • Cassio
        5 anos ago

        Mas olha, estive em SBLO há duas semanas, e no tocante aos pilotos mencionados, sobre o 14 bis, e outros detalhes, posso dar meu testemunho que é verídico. Aquele piloto mencionado de apenas 24 anos e que acabou de ser contratado, também é verdade, foi para a Azul.

  6. Ferrari
    5 anos ago

    Mais uma notícia:

    DO PORTAL NE 10
    Publicado em 02.12.2012

    Números mostram que sobram pilotos de avião no País

    O piloto Derek Medeiros, de 26 anos, não tinha medo de ficar desempregado quando começou a voar, há quatro anos. Ele iniciou sua carreira em um momento bem diferente da aviação brasileira, quando as companhias aéreas disputavam tripulantes para pilotar as aeronaves que não paravam de chegar. Mas, neste ano, o cenário mudou. Medeiros é um dos 850 profissionais que perderam o emprego com o fim da Webjet, anunciado no último dia 23, e teme não conseguir mais voar no Brasil.

    O temor faz sentido. O setor aéreo deve fechar 2012 com menos pilotos contratados do que em 2011, segundo números das quatro principais empresas do setor. Essa será a primeira vez que haverá retração de vagas para esses profissionais desde 2007, quando o setor perdeu parte dos pilotos da Varig, que havia parado de voar no ano anterior. “Quero continuar a voar no Brasil e chegar a ser comandante. Mas, se não conseguir, vou tentar emprego no exterior”, diz Medeiros.

    As quatro maiores empresas do País – TAM, Gol/Webjet, Azul/Trip e Avianca – empregam hoje 5,8 mil pilotos, cerca de 200 a menos que em 2011, segundo levantamento feito pelo Estado com base em dados das empresas e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    Essa redução na equipe é puxada pela Gol, que chega ao fim deste ano com 1.565 pilotos, exatos 591 a menos do que empregavam Gol e Webjet em 2011. Em comunicado, a empresa atribuiu as demissões à redução da malha no primeiro semestre deste ano, quando cortou cerca de 100 voos para se readequar a uma demanda menor.

    O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que representa a categoria, estima que existam atualmente entre 500 e 800 pilotos desempregados no Brasil. “Estão sobrando pilotos no Brasil”, disse o presidente do SNA, Gelson Fochesato.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Trata-se de uma reprodução da reportagem do Estadão,contida neste post.

  7. Carlos
    5 anos ago

    nao entendo porque os aeroclubes deveriam estar vazios…tanto quanto nao entendo quando é dito que muitos ao saber da crise iriam desistir…todos tem direito de seguir seu sonho, e tendo crise ou nao, quem quer ser piloto deve lutar…devemos parar de enxergar apenas nos mesmos como os amantes da aviaçao, e todos os outros como iludidos que estao de carona na profissao…cada um tem seus motivos, e julgar nao cabe a ninguem…todo mundo tem direito de tentar sem ter que sofrer um julgamento de outros que sao simplesmente mais um tambem.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Vc não entende por que os aeroclubes deveriam estar vazios? Ora, é simples: eles se encheram quando o mito do “apagão de pilotos” começou a ser divulgado na imprensa; logo, quando a verdade veio á tona, seria de se esperar que os iludidos acordassem, e partissem para outra.
      Todos têm o direito de “perseguir seu sonho”, mas o problema é que muitos dos que ingressaram nos aeroclubes nesse período não tinham a mínima vocação para a aviação, eles estavam mesmo era atrás de um jeito fácil de ganhar R$30mil por mês, esse é que é o problema.

      • Carlos
        5 anos ago

        e quem garante que muitos deles nao pensam a mesma coisa daqueles que se dizem os guardioes da aviacao…enfim nao cabe a ninguem julgar vocacao.

  8. Porto
    5 anos ago

    Concordo com o Beto. Investir em um bom treinamento é uma boa. E se você realmente quer ser piloto vai ter que abrir mão de muita coisa, exceto da segurança. Não é raro ver pessoas que voam em instrução em aeronave que nem é homologada, checa com checadores fantasmas, que passam na prova por sorte. Esses caras não duram muito tempo na aviação. E acima de tudo, a parte romântica da aviação não existe desde, muitos anos atrás. Então parem e pensem todos.

  9. betoarcaro
    5 anos ago

    E se eu disser pra vocês que “sempre foi assim”??
    Existem Pilotos que sonham em ganhar dinheiro fácil.
    Acham que vai ser uma “Vida Mansa”, altos salários, etc.
    Só que existem aqueles “Entusiastas”!
    Aqueles que vêem a Aviação de fora e ficam apaixonados!
    Fazem de tudo “pelo amor à Aviação” até a grana começar a “miar” para pagar as contas.
    O primeiro tipo de “Piloto”, no meu entender, é “Vagabundo”! Normalmente, envereda pelo lado “Mal caráter” da Aviação. Na Executiva, acaba virando “Administrador” de Aviões, corretor de “Fretinhos”, “Pseudo Assessor Aeronáutico”, etc.
    Na “Linha Aérea”, vira “Puxa Saco” da Chefia, “Trocador de Lâmpadas, etc.
    Não são “Realmente Inteligentes” (Por que “Aviador” tem que ser!), e geralmente se dão bem, até que a “Casa Caia”!!
    O segundo tipo, as vezes é “Irritante”, mal informado, “Alice no País das Maravilhas”!!
    Quando consegue um emprego, geralmente é pra ganhar mal e fazer “Peladas operacionais”!!
    Tudo ao gosto do Patrão!!
    É movido pela “Paixão”, aí vira um Cara perigoso!
    Se sobreviver, acaba se desiludindo, e vai voar o resto da vida “Viajando”!
    Comecei a voar, profissionalmente à cerca de 20 anos.
    Não existiam “Empregos”, linha aérea era a “Varig” e a coisa tava feia.
    Digo e repito: Sempre foi assim!
    Não sei se me dei bem!
    Tenho quase tudo que eu quero, em termos de VIDA, e tenho muito ainda à voar, à conquistar.
    Ainda tenho “Tesão”, num “Casamento” de mais de 20 anos!!
    Hoje em dia as coisas não estão piores do que à 20 anos!
    Estão no mínimo “Iguais”!!
    Se eu fosse um de vocês, não me preocuparia com a oferta de empregos.
    Me preocuparia, na verdade, com o tipo de “Formação” que eu estou recebendo!
    Quanto melhor formado, melhores serão suas chances, numa Aviação em constante crise.
    Emprego, vocês arrumam, agora “nem tentem escolher”, por que aí….

    Bons vôos !

  10. Eduardo S.
    5 anos ago

    Realmente os aeroclubes estão cheios!
    Não sei quanto ao restante do Brasil, mas no aeroclube de SP o que há é um grande numero de alunos desinformados e iludidos! Ontem mesmo ouvi alunos falando que o mercado está em ótimo momento e que sonha com o dia em que ganhará um salário altissímo em uma companhia aérea… o que um cara desse faz o dia inteiro? não é preciso ler um blog sobre aviação para saber a verdadeira situação atual.. ou será que ele ignorou as notícias sobre crises, demissões e etc.?

  11. Gustavo
    5 anos ago

    Raul, excelente iniciativa sua de mostrar aos “futuros pilotos”, que não amam a aviação de verdade e só estão fazendo cursos pelo dinheiro, que o caminho é muito mais árduo que estão pensando. Pelo menos a crise está tendo sua vantagem, e creio que logo que a economia melhore, e os aspirantes oportunistas desistirem, tudo volta a melhorar no setor aéreo.
    OBS: Nos ultimos meses, conhecí cada figura em aeroclubes que não sabem nem que dia é hoje, quanto mais o qu estão fazendo no aeroclube. Desistam oportunistas!!!!!

  12. Wesley de Paula
    5 anos ago

    Boa tarde Raul,

    Creio que os aeroclubes continuam tendo alunos pois muitos alunos vão voar suas horas meio que já tendo algo garantido na aviação muitas vezes apenas com uma mera promessa de algum amigo ou um QI,claro não digo que é assim em todo aeroclube mas no aeroclube onde eu estava voando havia 17 alunos voando de segunda a segunda e os 17 já tinham algo garantido depois que checassem,tanto PP quanto PC,uns iam voar com parente,ser copila de um primo,outro ia voar transportando remédios em Manaus,outro ia voar um sêneca e corisco em Bélem outro ia voar o avião do tio e etc.Nesse aeroclube que fiquei conheci 27 alunos ao todo.Dos 27 alunos que conheci somente 3 não tinham algum emprego garantido,sendo eu um destes 3.Entendo bem como está o mercado de trabalho pra área,principalmente com o que tenho lido aqui mas não tenho intenção de atrasar minha formação,prefiro terminar logo pra procurar algo por aqui onde moro,caso eu não encontre nada na aviação eu arrumo trabalho sem ser como piloto até que as coisas melhorem.Na minha mente prefiro estar formado caso apareça algo(mesmo que raro)do que perder alguma oportunidade por estar atrasando a formação.

    Abraços.

    • Gustavo
      5 anos ago

      Wesley, eu também conhecí vários destes que vc falou. Mas vou te falar uma coisa….tem muitos desses caras que são faladores viu…na hora do vamos ver…nada!!! Abraços e vamos que vamos…

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