Bolsa do Prouni para pagar horas de voo – o caso do Volney

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Leiam a matéria abaixo, publicada no jornal gaúcho Zero Hora de 24/12 último. Ela trata de um aluno do curso de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS e bolsista do ProUni que está enfrentando dificuldades para pagar as horas de voo necessárias para a sua graduação. Retorno para os meus comentários em seguida.

Volney Junior adquiriu bolsa do ProUni, mas não consegue pagar as horas de voo exigidas pela graduação

Jovem de 18 anos cursa Ciências Aeronáuticas na PUCRS, graças a uma bolsa integral do programa

Volney Junior adquiriu bolsa do ProUni, mas não consegue pagar as horas de voo exigidas pela graduação Jean Schwarz/Agencia RBS

Foto: Jean Schwarz / Agencia RBS

— Ele voou e eu me enterrei.

A tristeza do aposentado Volney da Silva Ferraz quase encobre o orgulho de ver nos céus o filho de 18 anos que batizou com o seu próprio nome.

Ex-caminhoneiro e vendedor, o pai sempre acalentou o sonho que o único herdeiro homem um dia fosse jogador de futebol. Mas o menino recusava as bolas de futebol a cada aniversário, a cada loja de presentes que entrava. Só queria saber de miniaturas de aviões — e alimentando a desconfiança do pai de que não teria um craque dos gramados na família.

Aos nove anos, o garoto entrou pela primeira vez em uma cabine, num voo da Vasp entre Porto Alegre e Goiânia, para onde viajou com a mãe a fim de visitar antigos amigos do tempo em que viveram na cidade. Descobriu sua vocação na vida. Enquanto o pai cruzava o país dentro de um caminhão, faria o mesmo, mas em uma aeronave.

— Quando eu era criança e ia no Aeroporto Salgado Filho, ficava olhando os aviões e sentia a necessidade de saber como pilotar aquela máquina. A minha vida é virar piloto, conhecer o Brasil e o mundo, falar várias línguas e conhecer várias culturas — projeta o garoto.

De origem humilde, a família sabia que seria difícil realizar o sonho do menino de se formar piloto, o que considerava um privilégio para milionários. Tudo mudou quando Volney da Silva Ferraz Junior foi sorteado para estudar no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desde a 1ª série do Ensino Fundamental.

Volney Filho aproveitou a oportunidade. Em 2007, surpreendeu a professora de francês pela facilidade com o idioma a ponto de conseguir uma bolsa de estudos no curso de línguas da universidade. Hoje, carrega o R para falar o nome da empresa onde sonha trabalhar:

— Air France.

As políticas do governo federal para permitir o acesso à universidade de alunos de baixa renda fizeram o garoto imaginar que a França estava mais perto. Aprovado no Vestibular para Ciências Aeronáuticas na PUCRS, conseguiu pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) a bolsa integral para o curso que nenhum aluno se forma sem pagar 73,2 mil.

A surpresa da família aconteceu ao tomar conhecimento dos documentos exigidos para a matrícula na universidade. As aulas de voo, realizadas obrigatoriamente fora da instituição, não eram cobertas pelo ProUni. E Volney precisava ter pelo menos 15 horas delas antes mesmo de que as aulas começassem. Cada hora custava R$ 250, mas o preço vai aumentando durante o curso, de acordo com a complexidade da aeronave que o futuro piloto precisa praticar.

O pai recebe aposentadoria de R$ 1.250,00. Para realizar o sonho do garoto, recorreu a tios, avós, padrinhos e amigos. Pediram empréstimos, empenharam a palavra para o que o garoto, então com 17 anos e que nunca havia dirigido um carro, tivesse aulas de aviação no Aeroclube de Eldorado do Sul.

A cada momento, descobriam uma formalidade nova que lhes custava, invariavelmente, algumas centenas de reais. Exame médico, prova teórica da Agência Nacional de Avição Civil (Anac), caderneta individual voo… Recibos que Volney, o pai, guarda em uma pastinha para a qual pensa em desistir toda a vez que lança um olhar. A PUCRS estima em R$ 51 mil o valor que o aluno deve investir para a formação prática em voos de avião realizados em aeroclubes.

— Não é possível que só filho de rico pode ser formar piloto — inconforma-se.

Para passar para o próximo semestre, o terceiro, Volney calcula precisar de mais cerca de 40 horas de voo. Em reais: R$ 10 mil. Apenas na PUCRS, o curso de Ciências Aeronáuticas tem 12 alunos bolsistas do ProUni. O coordenador da gradução, Hildebrando Hoffmann, afirma que a instituição abordou o tema com o Conselho Nacional de Educação e com a Anac, que tem disponibilizado bolsas para fomentar a formação prática de voo em avião.

Mais recentemente, a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República também começou a estudar uma forma de fomentar a formação prática de pilotos. Procurado por ZH, o Ministério da Educação afirmou que “irá chamar todas as instituições de ensino superior que participam do Prouni ou do Fies que ofertam o curso de Ciências Aeronáuticas, a fim de balizar uma solução que garanta aos estudantes a conclusão de sua formação, na totalidade da grade curricular e pré-requisitos externos do curso”.

Voltei

Em primeiro lugar: é inadmissível que não haja no Brasil nenhuma opção de bolsa para a formação aeronáutica. Nenhuma profissão é mais excludente que a de piloto civil: você pode ser qualquer coisa sendo pobre: médico, advogado, estilista, chef de cozinha… Menos piloto. E isso porque estamos em um governo de orientação socialista, né?

Em segundo: se o ProUni é aplicável a um curso como o de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS – que requer, obrigatoriamente, que o aluno obtenha a carteira de PC-IFR/MLTE para se formar -, parece-me evidente que o programa tem que custear as horas de voo para que esse aluno possa obter tal carteira. Não entendo nada de Direito, mas a lógica é cristalina: ou o ProUni não abrange o curso de CA da PUC, ou abrange e inclui as horas de voo. Do jeito que está, não faz sentido.

Em terceiro: se há 12 alunos bolsistas do ProUni no curso de CA da PUC, só há duas opções. Ou estes alunos fraudaram o programa, ou estão pedindo esmola no semáforo para pagar as horas de voo. Porque não dá para o aluno regularmente qualificado ao ProUni ter condições de pagar as horas de voo.

Finalmente: até quando os Volney da vida vão ter que passar por esse tipo de constrangimento? Só agora que o MEC percebeu o problema? E ainda vai “chamar todas as instituições de ensino superior que participam do Prouni ou do Fies que ofertam o curso de Ciências Aeronáuticas, a fim de balizar uma solução que garanta aos estudantes a conclusão de sua formação, na totalidade da grade curricular e pré-requisitos externos do curso”???? Poxa, no mínimo, era para já ter o problema mapeado e a solução no forno. No mínimo!

27 comments

  1. kent davidge
    3 anos ago

    Me expliquem como funciona o curso de ciências aeronáuticas? Primeiro eu me cadastro no Aeroclube, depois vou para a Facul? Ou os voos no aero são durante a Facul?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Vou dizer como é o caso do curso de C.A. da PUC-RS (pode ser diferente em outras faculdades):

      Uma vez aprovado no vestibular, para efetuar a matrícula na faculdade vc precisa ter um mínimo de 15h de voo. Para vc voar essas horas, não é obrigatório estar aprovado na banca de PP da ANAC e nem no curso teórico de PP de algum aeroclube/escola – porém, é preciso ter o CMA de 2a. classe, no mínimo. Em tese, vc nem precisaria estar matriculado num curso prático de PP em algum aeroclube/escola, vc poderia voar essas 15h numa aeronave particular, desde que acompanhado por um INVA. Porém, como a ANAC requer que se voe todas as horas em curso homologado para deferir a emissão da licença de PP, então é bastante recomendável que essas 15h iniciais já tenham sido feitas no aeroclube/escola.

      Então, lembrando que o prazo entre a aprovação no vestibular e a matrícula é bastante curto (ou seja: não dá para fazer as 15h só depois de aprovado), o fluxo de eventos ficaria assim:

      1) Fazer exame médico e tirar o CMA;
      2) Matricular-se num curso prático de PP;
      3) Voar as 15h mínimas;
      4) Prestar o vestibular; e
      5) Se aprovado, apresentar os comprovantes das horas de voo para efetivar a matrícula.

      Aí, durante o curso, vc terá que voar as demais horas para checar o PP e, depois, o PC também – incluindo as horas para a obtenção das habilitações IFRA e MLTE. Sem isso, vc não se forma.

      • kent davidge
        3 anos ago

        Era o tipo de resposta que eu esperava, tio Raul.
        Não entendi uma coisa: quer dizer que essas 15 h só precisam ser “voadas”, não importando se estou no controle da aeronave ou não? Pois, vc disse que, eu posso faze-las, até mesmo, sem curso teórico nem prático. Mas se não tenho a formação, não me deixariam pilotar, ou não?

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          Quando falo que as horas precisam ser “voadas”, isso significa que, no mínimo, estes voos sejam efetuados em duplo-comando de instrução, com vc na esquerda manipulando os comandos, e o instrutor na direita, supervisionando o que vc faz e te orientando sobre o que fazer. Para isto, pelo regulamento, vc não precisa ter o CCT de PP, muito menos o respectivo curso teórico. Somente para voar solo – o que ocorre após as 15h de voo – é que o CCT é requerido. Porém, se vc tiver o CMA de 2a. classe válido e estiver matriculado num curso prático de PP, o aeroclube ou escola vai permitir que vc faça esses voos, sim, sem problemas.

          • kent davidge
            3 anos ago

            Entendi

  2. Adriano Siqueira
    4 anos ago

    então cara, larguei avc na anhembi morumbi em são paulo porque não tive condições de pagar minhas horas de vôo, larguei no final do 4º semestre porque precisei trabalhar pra me manter e ajudar em casa. Era bolsista do prouni e em meu ultimo ano do ens medio (2009) estudei de forma obcecada pra conseguir minha bolsa, cheguei a passar para jornalismo na USP no mesmo ano, mas resolvi ir atras do meu sonho, resultado: por causa das benditas horas de vôo, nem tenho um diploma de superior em jornalismo que fosse e estou estagnado na busca pelo meu sonho….

    muito engraçado isso, descobri na minha propria pele que pobre não tem direito de sonhar….

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Adriano, sem coitadismos, por favor. O seu problema foi falta de orientação. Vc nunca deveria ter ingressado no curso da UAM, que só faria sentido como um “plus a mais” no caso de vc já ter como bancar a sua formação prática de PP+PC. Mas como não era esse o seu caso, o certo a fazer seria obter uma qualificação que permitisse a vc conseguir os recursos para a sua formação de piloto, e esta qualificação nem precisaria ser em nível superior. E aí, trabalhar para juntar o dinheiro para a sua formação prática e, depois, se julgar necessário, fazer a faculdade de Aviação Civil. Percebe como vc inverteu completamente o processo?

      • Anderson
        2 anos ago

        Não é coitadismo senhor Adriano é apenas a realidade, pois como o senhor mesmo disse, ele deveria trabalhar para juntar o dinheiro do curso. Se fosse assim teria que trabalhar sempre que quisesse ingressar em alguma universidade, não precisaria do Fies nem do Prouni, bastava trabalhar. Na verdade, o Fies e o Prouni não se aplicam a este curso, pois como o próprio nome diz, são para financiar o curso e não parte dele, logo não serviriam e não existiriam as bolsas de 100%, tanto para Fies como para Prouni.

        • Anderson
          2 anos ago

          Senhor Raul*

        • raulmarinho
          2 anos ago

          A questão, meu caro, é que um piloto endividado tem um risco potencial muito grande, é só por isso que eu não recomendo o FIES – que, em algumas faculdades, é oferecido inclusive para pagar as horas de voo.

  3. elielsenaviator
    5 anos ago

    Eu também sonho em ser piloto. Mas a dificuldade é grande, pois também sou de família humilde. Admiro muito as pessoas que assim como eu, lutam para conquistar os seus sonhos. Eu queria entrar no curso de C.A. através do prouni. Mas vejo que o programa não cobre os custos das horas de voo, e a faculdade exige as horas em aeroclube durante o curso. Mas não vou desistir, um dia sei que vou conseguir. Só espero que no futuro o prouni, ou bolsa parecida cubra também as horas dos voos. Um pouco frustrado.

  4. Eudes Malemene
    5 anos ago

    Em primeiro lugar meus parabéns para essa família que ta correndo atras desse sonho mesmo diante de todas as dificuldades. No lugar desse rapaz eu já teria desistido do curso antes de começar e tentaria me formar pela AFA. Agradeço a Deus todos os dias pois tenho 17 anos, to me planejando, e vejo que, mesmo no aperto, vai dar pra pagar o CA e o PC IFR MLTE. Infelizmente isso não é possível na faculdade onde eu desejava realizar o curso que é a PUC-RS pois oferece o melhor (mas mais caro!!) curso do tipo no pais. É nesse ponto que entra o um dos grandes erros, na minha opinião, da formação de pilotos nesse pais . Eu acho que independente de custo ou de qualquer fator externo o principal divisor de águas entre chegar ou não “lá” é o esforço, o ESTUDO. Eu por exemplo não poderei estudar na melhor universidade do pais e não é por ter sido, por exemplo, reprovado no vestibular mas por que não tenho dinheiro. Esse jovem deve ter medias ótimas nas matérias da faculdade mas talvez não se forme por não ter dinheiro assim como tantos outros. O dinheiro não pode ser o fator determinante. Eu não sei exatamente qual pode ser a solução desse problema mas o fato é que quem se esforça tem que conseguir e quem não der a devida atenção aos estudos NÃO, independente da conta bancária, Mas infelizmente no Brasil a realidade da aviação civil não é essa.

  5. amgarten
    5 anos ago

    De fato a aviação é cara e inacessível para muitos brasileiros. E temos que parabenizar aos colegas lutadores que com muito suor e sacrifício conseguem chegar ao PC/MLTE, IFR, etc. Parabéns! Não desistam nunca, pois sempre vai acontecer alguma boa proposta para quem luta, pode demorar, mas acontece. Não precisam puxar tapete de ninguém, não precisa de pano preto. Sejam honestos, estudem muito, façam e mantenham boas amizades e, mais importante de tudo: uma vez alcançado o emprego de piloto nunca esqueçam da origem humilde e batalhadora e sempre ajudem a quem precise e mereça. Assim a aviação fica melhor para todos!

  6. Pera ai… mas também tem que levar em consideração que o cara se meteu na confusão sem nem pesquisar antes.

    Se tivesse passado em qualquer aeroclube, ele teria sido informado de todos os gastos relacionados à formação.

    Quanto ao financiamento, o problema, até onde eu entendi, é que as faculdades não incluem na mensalidade o valor da hora de voo, então não tem como o Pró-Uni pagar a mensalidade para a faculdade e as horas de voo para o aeroclube.

    A faculdade Positivo aqui em Curitiba está com um curso de Pilotagem de Aeronaves que inclui o valor das horas de voo, inclusive eles divulgam o curso informando que ele pode ser financiado integralmente pelo FIES.

    Mais informações:
    http://ctpositivo.com.br/curso/pilotagem-aeronaves-batel

    • Thalyson Ramos
      5 anos ago

      Verdade, por isso que eu penso em passar pelo UP, para depois (talvez) pensar numa PUC. Pois (a UP) aos meus olhos parece muito mais acessivel

  7. Gustavo
    5 anos ago

    Eu discordo sobre a frase do pai: — Não é possível que só filho de rico pode se formar piloto — Sabe pq? Pois eu batalhei muito pra checar meu PC MLTE IFR, mais precisamente 13 anos, pois como ele, também sou de origem pobre. Tive que passar na prova de PC duas vezes estudando em casa, pois venceu meu CCT e não tinha grana pra voar. Comecei aos 17 anos no PP, e somente hoje aos 30 chequei o PC MLTE IFR. Tive que trabalhar em uma empresa 9 anos para juntar a grana. Trabalhe, estude, faça horas extras e siga seu objetivo até conseguir…Tem que correr atrás, e não só esperar a vontade dos outros. Quantas pessoas me prometeram que voaria e ganharia horas de voo? Muitas. Quantas pessoas me disseram para desistir…a maioria. Mas aqui estou eu, e continuo na batalha…

    • Otaviano
      5 anos ago

      Gustavo… Impressionante… Sua história é igual a minha!.. só com 30 anos chequei o PC/MLTE/IFR depois de 13 anos na luta.. ainda não trabalho, mas estou na procura.. já investi milhares de reais nesta profissão.. Tenho familia de Pilotos e digo o seguinte! O QI ajudou!? NÃAAOOO….Tive também que fazer a banca de PC 2 vezes!!! E Sabe como consegui voar.. Trabalhando de garçon, final de semana juntando dinheiro, voando de graça, tudo pra conseguir a licença de PC… Que inclusive está a 140 dias na P….da ANAC pra se analisada… Após o ano novo irei ingressar com uma ação para requerer a liberação da minha licença… Conheço muita gente no meio aeronáutico que me prometeu mundos e fundos … e no fim das contas.. NADA… Profissão ingrata essa… e o governo, mais ainda….
      Mas por isso é que somos brasileiros… Não desistimos nunca…
      Parabéns ao paraserpiloto.com e ao Raul pelas matérias muito bem estruturadas e realistas…

      • Gustavo
        5 anos ago

        Também estou desempregado na aviação. Estou aqui nesse momento escrevendo envelopes para mandar mais currículos. Mas uma coisa é certa, quando conseguirmos a vitória terá um gosto especial, não é mesmo?

        Abraços

      • Thalyson Ramos
        5 anos ago

        Eu fico (também) indignado, como foi colocado no post, você pode ser qualquer coisa menos piloto!!! voce estuda muito, gasta muito, se esforça muito, e corre ainda o risco de ficar “”anos””” esperando uma carteira e depois “””anos””” pra poder voar, e ai quando voamos ainda poe um monte de pilha no cara porque tem que fazer tudo no horario pre determinado, com segurança e de uma maneira $$ economicamente $$ correta…. Mais faze oque, e nosso sonho…rsrs

      • Cadu
        5 anos ago

        A história de vocês é identica a minha também!!!!!!!!!! Ter que estudar em casa para refazer banca, trabalhando 10 anos em outros segmentos par juntar dinehrio e por ai vai!!!

    • João
      5 anos ago

      Mas uma parcela majoritária dos pilotos em formação e dos já formados, são de um poder aquisitivo maior, isso é inegavel.

    • Eduardo
      5 anos ago

      Pessoal, eu sou mais um neste barco.

      Desde criança já sabia minha vocação e tive o interesse de pesquisar e estudar sobre como chegar ao nosso desejado sonho – em comum. Eu como várias pessoas aqui também sou pobre e não conto com a ajuda dos meus pais e de nenhuma outra pessoa para custear os gastos. Eu escolhi batalhar e correr atrás do sonho, decidi começar em outra profissão que não é da mesma área e atualmente estou trabalhando e ajuntando uma boa grana por mês. Tenho 20 anos e nem comecei o PP ainda pois estou com o foco em ajuntar dinheiro e estudar para entrar na faculdade ano que vem e começar finalmente o meu PP fazendo em paralelo a faculdade e trabalhando (em outra área) e fazendo algumas horas por mês.

      Na minha opinião o Volney deveria ter se informado antes de prestar o ENEM sobre os gastos e como seria a sua formação de PP, PC até chegar ao PLA. Muitas pessoas realmente precisa trabalhar em outra área e assim conquistar futuramente o seu sonho e acho que essa é a melhor opção atualmente. Obviamente, concordo que deveria haver bolsa que paga-se as horas de vôo pois realmente quem adquire o Pro-Uni não irá ter dinheiro para pagar as horas de vôo em um aeroclube.

      Concluído, na minha opinião muitas pessoas são extremamente ansiosas e querem se tornar PLA com 17 anos (exemplo tosco). Essa profissão exige tempo, paciência, estudo, vontade e muito dinheiro. E quem escolhe só ter a carreira de piloto como profissão corre um sério risco de passar apuros em tempos de “baixa” como a situação que está acontecendo no mercado atualmente.

  8. Humberto Rodrigues
    5 anos ago

    Tudo isso é consequência da profissão ser considerada “dazelite”. Lembro de um vídeo de um garoto pobre e negro pedindo para o então presidente Lula e governador do Rio pedindo para eles construírem quadras de Tênis, não apenas campos de Futebol para a garotada carente e os dois “dirigentes públicos” tirando o sarro na cara do garoto: “Pô, mas você vai querer jogar jogo de burguês?”.
    Quero dizer que por essas e outras podemos ter noção do que as autoridades pensam sobre nós reles mortais.

  9. airguga
    5 anos ago

    Seria cômico se não fosse trágico! Realmente sem sentido… esse garoto certamente conseguirá realizar seu sonho!

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