Quer dizer então que o governo quer liquidar a aviação comercial brasileira?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Acabei de ler no portal UOL a notícia, abaixo reproduzida, de que o Exmo. Sr. Ministro do Turismo quer abrir o mercado de voos domésticos no Brasil às companhias estrangeiras. Que ótimo! A gente vai comprar uma passagem de ponte aérea Rio-S.Paulo operada pela American Airlines, olha só que chique. E esta, por sua vez, vai trucidar as companhias nacionais, é óbvio – que, em pouquíssimo tempo, desaparecerão. E a tripulação destas aeronaves será, evidentemente, full gringa. Ou seja: também os empregos para pilotos brasileiros irão para o vinagre.

Pois é… Para quem estava com medo da mudança no CBA permitindo a entrada de tripulantes estrangeiros nas aeronaves nacionais, está aí agora um problema um milhão de vezes maior.

Ministro defende voo doméstico operado por empresas estrangeiras

O ministro do Turismo, Gastão Vieira, defendeu, nesta segunda-feira (21), a abertura do mercado brasileiro de aviação civil para que empresas estrangeiras operem voos domésticos no país. “Essa ideia tem sido defendida pelo presidente da Embratur, Flávio Dino, e conta com o apoio do ministério”, afirmou depois de visitar o teleférico do Complexo do Alemão, no Rio.

De acordo com ele, a proposta do ministério –ainda sem prazo para ser levada ao governo– é mais ampla que a da Embratur, que defende a abertura desse mercado apenas para as companhias aéreas da América do Sul. Vieira disse que a ideia do ministério é que empresas de qualquer nacionalidade possam operar voos dentro do Brasil.

O objetivo, segundo ele, é aumentar a oferta de assentos no segmento doméstico para forçar uma queda nos preços das passagens e fomentar o turismo interno.

Atualmente, porém, as principais companhias aéreas brasileiras têm cortado oferta. “O grande problema é aumentar a oferta. Pela lei de mercado, isso faz diminuir o preço”, declarou. O ministro afirmou ainda que, apesar to atual cenário de restrição de voos, as empresas nacionais assumiram o compromisso de aumentar a oferta em 20% nos próximos três anos e estender a cobertura para mais 22 cidades.

22 comments

  1. Leonardo Assad
    5 anos ago

    Sem problemas, amigos. A ICAO proibe tais procedimentos. Uma empresa aérea só pode transportar passageiros de seu próprio país para uma destinação internacional e de lá para outra destinação internacional, como a VASP fazia Guarulhos-LA-Tokyo ou a Emirates faz Dubai-Rio-Buenos Aires. Mesmo que o governo aprove tal medida, ela não acontecerá na prática. Essa é uma regra tão inflexível, que até na Europa, que é uma área de livre comércio, as empresas pan-européias (Easy Jet, Ryan Air, Norwegian) precisam abrir uma filial em cada país com um de seus hubs, para operar suas diversas rotas. :) .. .

  2. Augusto Gentile
    5 anos ago

    Bom, pelo que parece, essa idéia ministerial é natimorta.

  3. Fabio
    5 anos ago

    No coments.

  4. Guilherme Moser
    5 anos ago

    O ministro quer que as empresas vendam o produto abaixo do
    preço de custo. Custo esse, é preciso sempre ressaltar, oriundo em
    maior parte da altíssima carga tributária brasileira. Será que ele
    é tão burro (ele e o resto da corja que nos “governa”) a ponto de
    não ver que, não importa quantas empresas venham operar aqui, os
    preços não vão cair nada ou quase nada?

  5. amgarten
    5 anos ago

    Como estamos mal de gestores públicos, fico impressionado, e ao mesmo tempo curioso em saber como a popularidade dos governantes anda batendo recordes positivos. Este ministro do turismo é mais um exemplo de incompetência. Precisavam encontrar uma vaga para ele; põe onde? Ah, joga na pasta do turismo! Já tivemos sexóloga naquele ministério, depois aquele tiozinho que foi farrear no motel com varias garotas sob o patrocínio dos brasileiros. Agora temos o Gastao. Destaquei o seguinte trecho da reportagem: “O objetivo, segundo ele, é aumentar a oferta de assentos no segmento doméstico para forçar uma queda nos preços das passagens e fomentar o turismo interno”. Como ele entende de turismo!!! Baixar a carga tributaria, incentivar os empreendedores, melhorar a infraestrutura, educar o povo? Não, isso tudo não consiste em problema ou entrave ao turismo brasileiro, na visão dele.
    Todos os colegas que opinaram aqui têm sua dose de razão. Mas fiquem tranqüilos esta bobagem de idéia nao deve vingar. O mercado nao funciona desta maneira que ele acha. Aposto com vocês que uma AA jamais entraria numa fria destas. Nao vale a pena, perde dinheiro. Vai por um 777 para concorrer no GRU-GIG? E vender o bilhete a 80 pratas? Por quê? E a LH vai por o 747 para operar GRU-REC? Meu Deus, é tanta bobagem que fica até difícil imaginar que foi um ministro de Estado que falou isso. E pensar que temos tantos ótimos profissionais em turismo que poderiam realizar um bom trabalho…
    Só má correção, sob o chapter 11, éa primeira vez em sua história que a AA faz uso deste artificio. Até então era a única das “legacy carriers” dos EUA que nunca havia entrado nesta.
    Abs,
    Cássio

  6. Tiago Braga
    5 anos ago

    Se vc precisasse viajar com freqüência,
    concordaria.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Legal. Vamos acabar com a aviação comercial brasileira pro viajante economizar uns trocados. Afinal, o cliente sempre tem razão, né?

      • Valmor Jr
        5 anos ago

        E o pior de tudo é que gera um ciclo muito maior, fazendo o país que era manco se tornar aleijado. “Arrumar a casa pra visita não é fácil, mas jogar a sujeira pra baixo do tapete não adianta;”

  7. Gustavo
    5 anos ago

    Eu nem vou comentar mais nada…estou amargurado demais com o estado que se encontra nossa aviação. Qualquer profissão tem mais valor que ser piloto…Antes meu problema é que não tinha as carteiras…Hoje que tenho, o problema é que não tem emprego….Só Deus

  8. Mais bodes do Stalin, alijando esterco no carpete da sala. Balões de ensaio proferidos por “ministros” analfabetos funcionais que não entendem lhufas nem de turismo, nem de Aviação, nem de Direito Aeronáutico, nem de…..(será que ele concluiu o primário, gente???). Esqueçam. A carga tributária em cima das cias. de Aviação aqui é 34% a 37%, na América do Norte é em torno de 12% e na Europa 16%, em média. As empresas de lá não estão bem das pernas, tampouco (a American Airlines mesmo continua em reestruturação judicial, sob o Chapter 11, pela 2a. vez após o 11 de Setembro, se não me falha a memória). Isso aí é que nem aquela onda que rolou, a respeito da liberação do mercado de trabalho para os pilotos estrangeiros….amigos, isso me cansa, acho que estou realmente ficando velho, por que tal volume de asneira é demais para o meu estômago. Que pilotos estrangeiros (de preferência fluentes em português) viriam para cá, com esses salários pateticamente miseráveis que pagam as empresas de transporte regular, praticamente zero benefícios sociais, condições ridículas de trabalho e infraestrutura perigosamente esculhambada do jeito que é? Que estrutura teria a ANArC, para processar as validations, se não consegue nem processar as nossas, a um ponto em que tem gente voando com licença vencida e uma liminar emoldurada no plástico? Que Itamaraty e Polícia Federal, que – para processar os RNE’s dessa gente toda, teriam que ter íntima vinculação com as autoridades aeronáuticas? (coisa que nunca existiu e dificilmente existirá um dia). O expatriate não viria para cá brincar Carnaval, só viria para cá se pudesse ter boa qualidade de vida e poupar uma grana boa para depois levar para o país de origem, coisa que é impossível na atual (caótica) conjuntura da Aviação Brasileira. ESSA GENTE DO (DES)GOVERNO PTRALHATEM QUE PARAR DE VOMITAR BESTEIRA NOS OUVIDOS DA SOCIEDADE E COMEÇAR A TRABALHAR, de verdade. SE NÃO SABEM fazer o serviço, PERGUNTEM PARA A GENTE, OU ENTÃO COPIEM DO PESSOAL DE HONG KONG, DE SEUL, DE ABU DHABI. Chega de abobrinha, pelo Amor de Deus!!!!

    • Augusto Gentile
      5 anos ago

      Tá aí, o Otero matou muitas duvidas…

    • Eduardo
      5 anos ago

      É como diz a frase da nossa bandeira:
      “Desordem e Regresso”
      Opss…

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Excelente comentário, Fábio!

  9. Augusto Gentile
    5 anos ago

    Tenho algumas duvidas quanto a cabotagem… Essas empresas irão operar dentro das leis fiscais e trabalhistas brasileiras? Se sim, os gringos se sujeitarão a pagar os impostos que aqui são cobrados, e seus tripulantes aceitarão receber o que se recebe de salário por aqui? Terão essas empresas condições de cobrar 150 reais por uma passagem “ida e volta” (ir de ônibus custa muito mais caro)?
    Será que algum estudo mostra viabilidade de se operar no Brasil, dentro da sua legislação, pagando salários melhores com passagens mais baratas?
    Não quero aqui defender empresa nenhuma, longe disso… Só questiono que, se nós, leitores do site, nos arriscaríamos a topar algo nessas condições, caso tivéssemos grana pra investir nisso.

    • Humberto
      5 anos ago

      Muito interessante seu pensamento…

    • Arthur VAZ
      5 anos ago

      E se, dentro dos critérios para se operar no Brasil, exigir que a tripulação seja brasileira?
      Problema resolvido. E ainda, de quebra, vamos conseguir nosso emprego como copila, porque do jeito que esta hoje, tá complicado. Nem trampo de INVA nos finais de semana eu consigo.

      • Eduardo
        5 anos ago

        Arthur,
        isso de certa forma seria benéfico para os futuros funcionários, mas acredito que abrindo o mercado para empresas de outros países irá prejudicar a economia do país, pois não serão empresas Brasileiras operando – eu sou um pouco ignorante em economia, porém acredito que irá acontecer isso.

        Para conseguir emprego no mercado agora esta bem difícil. Se o mercado for aberto para a “gringaiada”, será quase impossível conseguir uma vaga em uma Linha Aérea, Taxi Aéreo ou INVA e com essa situação eu me pergunto:
        Ainda é uma boa opção fazer a formação aqui no Brasil para ter um bom QI, sendo que no futuro provavelmente todos teremos que conseguir emprego no exterior?

        Raul, a sua opinião sobre a formação no exterior continua a mesma depois desta notícia?

        • Raul Marinho
          5 anos ago

          Independente desta noticia, minha opinião sobre a instrução no exterior mudou bastante. É complexo de explicar aqui, mas no livro eu vou explicar direito isso.

      • Raul Marinho
        5 anos ago

        É bom ser otimista… Pelo menos, evita depressão.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Essa proposta não tem como funcionar, na verdade…

  10. Vinicius
    5 anos ago

    Ao invés de estruturar os aeroclubes, a Anac, melhorar a
    formação. Começam a tirar as poucas oportunidades que ainda temos

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