“A revolução tech das aeronaves sem piloto”

By: Author Raul MarinhoPosted on
271Views4

Alguém já andou na linha 4-amarela do metrô de São Paulo? Quem ainda não teve a oportunidade, faça assim que possível: é o melhor metrô que eu já andei na vida. Trata-se de um trem sem condutor, totalmente automático, mas sujeito à intervenção dos controladores, em uma central remota. Se falássemos sobre isso a um maquinista de uma Maria Fumaça do início do século XX, o que será que ele iria dizer? Provavelmente, o mesmo que um piloto de hoje diria sobre os aviões não tripulados… Só que a FEDEX já está pensando em aviões cargueiros sem pilotos, vide matéria abaixo – do jornal “O Globo” de ontem (fonte: Aeroclipping do SNA). Na minha opinião, a questão não é SE haverá aviões comerciais de passageiros sem pilotos, mas QUANDO isso ocorrerá. Leiam a matéria a seguir, que está muito interessante.

 A revolução tech das aeronaves sem piloto

Veículos Aéreos Não Tripulados ganham uso civil em setores como petróleo, energia e agricultura

RENNAN SETTIrennan.setti@oglobo.com.br

Assim como a internet comercial resultou de pesquisas conduzidas por uma agência militar americana a partir dos anos 1960, já extrapola as trincheiras da Defesa a revolução das aeronaves que voam sem piloto e executam sozinhas missões programadas.Diversas empresas do Brasil e do mundo adotaram recentemente, ainda que de forma experimental, a tecnologia dos Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants), que foi uma das protagonistas da Guerra do Afeganistão. Enxergam na solução uma oportunidade de baixar custos e automatizar tarefas como a inspeção de obras, a previsão do clima, a vigilância de áreas de proteção ambiental e a avaliação das lavouras.

Mas, enquanto tentam firmar voo, os Vants civis penetram um ar turbulento onde falta regulamentação, há risco de acidentes e sobram questões de ética e privacidade.Os Vants lembram aeromodelos, mas não foram criados para recreação, e sim para missões que só podiam ser executadas por helicópteros e aviões. Além disso, transportam um rol de sensores e câmeras e podem voar sem a intervenção humana, obedecendo a um percurso previamente determinado. Vêm ainda em uma profusão de formatos e tamanhos: uns parecem aviões tradicionais, outros são helicópteros de quatro hélices.

O segmento é o que mais cresce na indústria aeroespacial, segundo estimativa do Teal Group. As vendas globais já somam US$ 6,6 bilhões ao ano e devem atingir US$ 11,4 bilhões por ano em 2022. Grande parte disso vem do uso militar, mas a autoridade aeroviária dos EUA prevê que, em 2017, 10 mil Vants civis estarão voando no país, mesmo com o uso da tecnologia sendo investigado pela ONU, por morte de civis no combate ao terrorismo.Apesar de ainda não haver regulação nesse mercado, grandes empresas já encaram a tecnologia com seriedade.

O fundador da FedEx, Fred Smith, já disse que os Vants devem transportar as cargas que entrega no futuro. Redes de TV e estúdios de cinema nos EUA já discutem usar Vants para captar imagens. Além disso, emerge entre os americanos um movimento de Vants amadores que custam até US$ 500.

PETROBRAS USA O RECURSO

No Brasil, a Petrobras utilizou um Vant em 2011.Durante o primeiro semestre daquele ano, um modelo criado em parceria com a empresa Space Airships monitorou as obras de construção dos gasodutos Gasan II e Gaspal, nas cidades paulistas de Guararema, Mauá e Ribeirão Pires.Tratou-se de um dirigível remotamente pilotado, com 21,3 metros de comprimento e autonomia de voo de quatro horas.A cem metros de altura, o dirigível sobrevoava 120 quilômetros de obras carregando câmera fotográfica de 12 megapixels, filmadora 3D e sensores infravermelhos. Cumpriu essa rotina levantando voo duas vezes por semana durante seis meses.— O Vant é muito útil no monitoramento de obras lineares, que se estendem por longas distâncias.

Montar uma sala para visualizar os dados coletados pelo Vant sai mais barato do que pôr toda a equipe em helicópteros, cuja hora de serviço custa milhares de reais — contou Paulo Montes, gerente de engenharia e tecnologia para construção e montagem da Petrobras.Todo o investimento no projeto somou R$ 2,7 milhões, calculou Montes .Paralelamente, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras estuda se o uso de Vants vale a pena. Em agosto, decolou pela primeira vez seu mini-Vant, modelo com menos de 3kg remotamente controlado, autonomia de 40 minutos e capacidade de transmitir vídeo em tempo real. Chamado de SAMA, ele teve sua estreia sobre a área militar do Campo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.— O objetivo é saber se o uso de Vants é prático e vantajoso financeiramente, mas nada temos de conclusivo. — disse o pesquisador Heitor Araújo, acrescentando que a Petrobras pode testar Vants no futuro em missões de monitoramento de manchas de óleo no mar.Já a Cemig experimenta um Vant na inspeção de linhas de transmissão.

Desde o ano passado, a aeronave já fez mais de cem horas de voo em busca de problemas nas linhas que passam por áreas distantes da região metropolitana de Belo Horizonte. As câmeras ficam atentas ao que Alexandre Bueno, superintendente de tecnologia da companhia, chama de interferências mais grosseiras em sua rede: vegetação crescendo fora de controle, construção de barracos em áreas de risco, furto de componentes etc.

As fotografias feitas pela nave sofrem um processo de “colagem”, resultando em imensas fotografias digitais — uma delas chegou a medir 60 quilômetros — que são analisadas pelos técnicos.De acordo com Bueno, helicópteros custam R$ 10 mil por hora, valor que supera em mais de 20 vezes a manutenção do Vant. A Cemig já investiu R$ 10 milhões na tecnologia e planeja fabricar mais cinco aviões.Os aviões não tripulados têm sido aclamados como uma solução barata e prática nas lavouras. O agronegócio utiliza fotos aéreas para identificar pragas e avaliar a saúde das safras, mas as imagens de satélite só são possíveis em dias livres de nuvens, e o custo de um avião comum é muito elevado. A AGX, empresa especializada em agricultura de precisão, diz já ter vendido mais de cem unidades dos Vants que fabrica. Os clientes são latifundiários, dispostos a pagar de R$ 60 mil — o preço mais em conta pela pequena nave Tiriba — a R$ 800 mil, o mais caro já pago pelo modelo com conjunto óptico completo.

Embora sua empresa tenha foco na área rural, Adriano Kancelkis, diretorexecutivo da AGX, enxerga um potencial maior. Ele acredita, por exemplo, que aviões de passageiros não precisarão mais ter pilotos daqui a uma década.— O Vant é para a aviação o que o MP3 foi para a indústria da música.“Os veículos aéreos não tripulados (Vants) representam para a aviação o mesmo que o formato de arquivo MP3 representou para a indústria da música”Adriano KancelkisDiretor da empresa AGX

4 comments

  1. Felipp Frassetto
    4 anos ago

    A julgar pelo ritmo atual, dizer que daqui a 10 anos haverá vôos comerciais com VANTs me soa como otimista demais, mesmo com a tecnologia evoluindo de maneira exponencial. Toda a inovação adotada deve passar por uma série de testes até ser validada. E, ao ocorrer o primeiro acidente causada por ela, é totalmente revisada, questionada e aperfeiçoada. Logo, fazer previsões é sempre arriscado.
    É bom lembrar de “contra-exemplos” . A RAF, no início dos anos 60 havia “previsto” que os caças estavam com seus dias contados, que simplesmente não existiriam (leia-se seriam inuteis) mais dali a um certo tempo, dado o emprego dos mísseis e sua rápida evolução. Pode-se dizer que erraram feio. Mas, claro; só se pode dizer isso hoje, pois na época certamente parecia plausível.

  2. Davysson Souza
    4 anos ago

    VANTs é a evolução da tecnologia a favor do homem , mas como também não poderá ser aplicada a todas as áreas , na minha opinião eles não iram popularizar em Linhas Aéreas . Pois já é “complicado” do ser humano usar esse meio de transporte por vários motivos entre eles os acidentes , entra em um que não seja tripulado por um comandante presente ali é outra realidade ! levando em conta um fato , o acidente com o Boeing no Rio Hudson em Nova York ! se não não contassem com a habilidade daquele piloto ,imagina a tragédia que aconteceria , estou ciente que existem Vants em que o piloto fica em uma sala de controle ,onde ele não é totalmente guiado por somente programação , mas nada substitui um piloto presente no momento .

  3. Augusto Gentile
    4 anos ago

    Sinceramente, não acredito muito nessa questão da tecnologia tomar o emprego em quase toda sua totalidade dos humanos, explicando isso por um fator humano e outro comercial;

    Fator humano: Eu não me importo de voar aeronaves automatizadas, e nem que elas voem em cima da minha casa. DESDE QUE TENHA UM CARA LÁ DENTRO, pra hora que o GPS perder o sinal, ou der uma pane na bateria (cá entre nós, a Boeing tá num belo pepino, e o avião é top em tecnologia), ou o sistema operacional “travar”, a aeronave não caia na cabeça de todo mundo. Não faz muito tempo, uma aeronave de uma grande empresa aérea deu pane total de painel, e o piloto declarou emergência e veio na vetoração pra pouso, lembram? Se o computador der pane, quem declara emergência? Quem vetora? Quem pousa visual?

    Aqui, o principal fator, o ECONÔMICO: Vamos supor que os postos de gasolina não tenham frentistas; que as lanchonetes possuam robôs; táxis que se locomovem sem motoristas, e assim por diante, até chegarmos nos aviões comerciais sem pilotos a bordo.

    Sem contar que, 99% dos passageiros de avião não subiriam numa aeronave na qual não tivesse um “cara” lá na frente pra resolver qualquer problema que surgir (e cá entre nós, eu trabalhei anos com tecnologia, e dá problema pra caramba…), temos a seguinte questão: Se as pessoas forem substituidas por máquinas, elas não terão renda. E se não houver renda, não vai haver compra, certo?

    De que vai adiantar ter uma empresa totalmente automatizada, com custo zero em pessoal, se as pessoas não vão poder comprar passagem, ou fretar um voo num táxi aéreo? Sem emprego, não há renda. E sem renda, não há cliente pra colocar gasolina no carro, pra comer um hambúrguer, e inclusive, pra pegar um voo.

  4. Seria até legal ver isso, mas – muito provavelmente – meu corpo (atual) já terá sido cremado e as cinzas jogadas ao mar, quando isto ocorrer. Mas é matéria para as gerações atuais pensarem a respeito (i.e. se querem mesmo investir até mais do que custa uma formação de Medicina, numa carreira que – se já está decadente hoje – não promete muita coisa boa para os próximos anos, não só por conta desta automação toda que já existe – e da que ainda vem por aí -, mas também em função da insanidade e falta de escrúpulos de certos “gestores”)…

Deixe uma resposta