Porque as autoridades aeronáuticas têm tantas restrições ao GPS

By: Author Raul MarinhoPosted on
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GPS com senha

GPS com senha: o pesadelo do pessoal do DECEA!

Quem voa sob as regras de voo por instrumentos sabe que as autoridades aeronáuticas – especialmente o DECEA, no caso do Brasil – têm muitas restrições ao uso do GPS. Mesmo não sendo exatamente “novos”, só muito recentemente é que as autoridades brasileiras começaram a publicar procedimentos baseados em sistemas de posicionamento por satélites – mas, ainda hoje, a maioria das cartas aeronáuticas utilizadas na aviação de nosso país continuam sendo baseadas em NDBs ou VORs. O motivo disto, segundo diz a lenda que corre nos aeroclubes Brasil afora, seria o temor de que o governo dos EUA desabilitasse o acesso ao sistema para aeronaves não-americanas – o que não é mentira, mas eu nunca havia lido uma explicação completa e fundamentada sobre isso. Então, para quem se interessar em entender mais sobre este assunto (e tenha um bom inglês, já que o artigo está escrito nessa língua), eu recomendo ler este artigo, que é mais uma contribuição do nosso amigo e colaborador Freddy Silva.

O fato é que o temor de que os EUA “desliguem” o GPS de uma hora para outra é realmente fundamentado: no passado, as Forças Armadas americanas já restringiram o acesso ao sinal do GPS, que nasceu como uma arma de guerra de uso exclusivo deles. Mas isso foi há bastante tempo, e mesmo com o governo americano garantindo que nunca mais bloqueariam o sinal para usuários civis de fora dos EUA (o que ocorreu no governo Clinton, se não me engano), todo mundo – as autoridades aeronáuticas em particular – ficou com um pé atrás para abandonar o confiável NDB.

Só que atualmente já há concorrência para o GPS: o sistema russo GLONASS já está disponível, e em breve o europeu GALILEO também. Com isso, os sistemas de posicionamento por satélites não ficam mais reféns de um único “fornecedor”, o que diminui drasticamente o risco de um general maluco resolver desligar o sistema de uma hora para outra. A propósito, neste post eu falo do GLO, um aparelhinho da Garmin para ser conectado ao iPad que transforma o tablet em um GNSS que pega tanto o sinal da constelação GPS quanto o da GLONASS. Ou seja: por US$128, já dá para ter garantias de que o sistema nunca sai do ar (sem contar que, com as duas constelações, a qualidade do posicionamento é muito superior). Neste mesmo post, eu também falo do GDL, que é outro aparelhinho da Garmin que serve para transformar o iPad num receptor ADS-B. Sobre este assunto, o nosso amigo Beto Arcaro me enviou um link para um artigo bem completo explicando como ele funciona, e as vantagens em utilizá-lo. O único senão é que ele não funciona no espaço aéreo brasileiro por enquanto…

 

 

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