Barreiras à entrada nos cursos de PC – Faz sentido?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Sabemos que há dois problemas críticos na formação de pilotos profissionais da aviação no Brasil (que não são os únicos, mas são relevantes):

  1. A qualidade da formação aeronáutica em si, com PCs se formando sem condições de exercer a profissão com segurança e competência; e
  2. A quantidade de profissionais que chega ao mercado, geralmente em número muito superior ao que pode ser absorvido pela aviação comercial e geral.

Uma das causas da má qualidade de formação é o baixo nível educacional prévio dos alunos. Não é raro encontrar alunos matriculados nos cursos de PC semi-analfabetos (ou “analfabetos funcionais”, para usar um termo que está na moda), ou com deficiências graves em Matemática, sem condições de resolver uma regra de três ou um cálculo de porcentagem, e por aí vai. A presença de alunos com essas características em sala de aula reduz o nível geral do ensino nos cursos de PC, que têm que se adaptar para atender aos menos capazes (é o tal do “nivelar por baixo”), mas este nem é o maior problema. Como, para passar na banca online da ANAC, basta decorar as repostas dos testes (que variam dentro de um universo restrito e de conhecimento público), o sujeito pode se qualificar em termos de conhecimentos teóricos de PC sem entender patavina de Teoria de Voo, Regulamentos, Meteorologia, etc. E aí, como esse aluno nunca mais será questionado quanto a estes conhecimentos – já que, na prática, não há provas orais eficientes nos cheques práticos –, o sujeito se forma PC somente com o seu conhecimento básico de pilotagem prática, mas sem condições efetivas de exercer a profissão de Piloto Comercial.

Por outro lado, a quantidade de PCs que se forma anualmente depende exclusivamente do “mercado” – isto é: do número de pessoas (com recursos suficientes) interessadas em fazer o curso, e da quantidade de vagas que as escolas estão dispostas a oferecer a um determinado preço. Se, como agora, há um excesso de pilotos formados – e estes se formam, muitas vezes, sem a menor condição de exercer a profissão –, o “mercado” vai resolver o problema do jeito dele. Isso significa que pode haver uma seleção natural baseada na meritocracia, em que somente os melhores encontrarão emprego (o que é até saudável para a aviação); mas pode acontecer também de os menos qualificados conseguirem trabalho, se estes tiverem um bom QI, ou se eles se dispuserem a voar em condições marginais de segurança e remuneração (que é uma realidade, infelizmente).

Resolver esses problemas não é tarefa fácil, pois envolve mudanças na maneira como o ensino aeronáutico está estruturado, na regulamentação, e na própria ANAC – dente outras. Mas uma coisa poderia ser feita sem grande dificuldade, que é criar barreiras à entrada nos cursos de PC. Imaginemos que, para ingressar num curso de PC, o aluno (que já deveria ser PP, para o qual não haveria barreiras à entrada) tivesse que passar por um concurso anual, assim estruturado:

  • Uma prova teórica de assuntos do PP, mais as disciplinas básicas que um piloto deve saber: Português, Matemática, Geografia, Física, etc.;
  • Um teste prático, avaliando a proficiência de voo do aluno em nível de PP (MNTE/VFR); e
  • Uma “análise de currículo”, onde a presença de um curso superior “genérico” ou de uma faculdade de aviação, do ICAO-4+, de experiência profissional na aviação como MMA/CMS/DOV, e outros itens pudessem somar pontos.

A média ponderada final destes três quesitos daria uma pontuação geral, e somente os X primeiros poderiam se matricular num curso de PC. Se o sujeito não estivesse entre esses X primeiros, ele poderia se requalificar e tentar novamente no ano seguinte, até passar (ou desistir). Com isso, o nível geral dos alunos melhoraria, e o excedente de formados diminuiria, com claros benefícios para a classe dos pilotos como um todo.

Esta é uma ideia que eu tive conversando com amigos médicos alguns dias atrás, que acusaram a piora na qualidade da Medicina no Brasil justamente pela diminuição das barreiras à entrada nos cursos de Medicina, com a criação de “n” faculdades nos últimos anos. Não sei se existe coisa semelhante em algum lugar do mundo, e se houver alguma falha lógica no raciocínio acima, fiquem à vontade para apontar. Mas, em princípio, acho que pode ser interessante criar algum tipo de barreira à entrada nos cursos de PC.

E vocês, o que acham?

46 comments

  1. Pedro Eda
    2 anos ago

    Bravo!

  2. Eduardo
    3 anos ago

    Bem Raul, respeito sua opinião, mas permita-me discordar de alguns pontos, vamos por partes:

    1) Barreira à entrada – quer uma barreira ainda maior que o investimento necessário pra ser PC?!

    2) Português, Matemática, Geografia, Física, etc. – Isso é Ensino médio (pré-requisito – RBAC 61 – para ser PC). Se o ensino médio oferecido pelas escolas públicas é fraco, é outra discussão, mas o problema deveria ser atacado na raiz, ou seja, na melhoria da educação de base (ensino fundamental + ensino médio), não na ponta.

    3) Calcular o número de vagas nos cursos de PC, quem calcularia? O governo (SAC / ANAC / Ministério do Planejamento???). Mas quem emprega os pilotos? O MERCADO! E você acha que as empresas aéreas vão divulgar seus planos de negócios/investimentos assim de “mão beijada”?? Se uma empresa concorrente obtiver esses dados (planejamento de futuro) pode empreender ações para conter uma possível ameaça (brigas por nichos de mercado). Então, a fonte de dados para o cálculo de vagas é fraco, tanto pelo governo quanto pelas empresas.

    4) Imagine que você pretende investir numa escola de aviação civil, compra aviões, simuladores, contrata professores, INVAs, etc. Investe uma grana, ai vem o governo e estabelece uma cota de alunos que você pode formar (hj esta cota estaria = 0, porque o mercado está retraído e, além do mais, existem 203 escolas de aviação civil e 127 aeroclubes e o suposto investidor seria o fundador da escola nº 204);

    5) E se a cota fosse de 100 PCs? Como se daria a distribuição entre as escolas e aeroclubes (universo de 331 instituições)? 0.06 horas de voo pra cada instituição?

    6) Com um programa deste implementado (cotas anuais para formação de PCs) você investiria numa escola de aviação civil?? Eu não!

    7) Se você fosse dono de uma escola de aviação e, em função do programa, tivesse uma redução no número de alunos, impactando diretamente no seu faturamento, permaneceria com essa escola? Eu não, procuraria outro negócio.

    8) Sou 100% a favor da reformulação dos currículos mínimos dos cursos de PP, PC, PLA, INVA, etc. Mas estabelecer um número de Pcs que se pode formar em um determinado prazo, não creio que seja a melhor forma de termos um mercado justo e competitivo.

    • raulmarinho
      3 anos ago

      1) Barreira à entrada – quer uma barreira ainda maior que o investimento necessário pra ser PC?!
      R: Então! É justamente esse o problema! Esta é a única barreira, e seguramente não é a mais adequada.

      2) Português, Matemática, Geografia, Física, etc. – Isso é Ensino médio (pré-requisito – RBAC 61 – para ser PC). Se o ensino médio oferecido pelas escolas públicas é fraco, é outra discussão, mas o problema deveria ser atacado na raiz, ou seja, na melhoria da educação de base (ensino fundamental + ensino médio), não na ponta.
      R: Admitindo que não será a aviação que irá modificar todo o sistema de ensino do país, então é preciso criar um mecanismo que assegure que os pilotos tenham um nível mínimo de instrução. O que não dá é continuar a exigir que instrutores de cursos de PP e de PC ensinem o bê-a-bá da regra de três para os marmanjos, né?

      3) Calcular o número de vagas nos cursos de PC, quem calcularia? O governo (SAC / ANAC / Ministério do Planejamento???). Mas quem emprega os pilotos? O MERCADO! E você acha que as empresas aéreas vão divulgar seus planos de negócios/investimentos assim de “mão beijada”?? Se uma empresa concorrente obtiver esses dados (planejamento de futuro) pode empreender ações para conter uma possível ameaça (brigas por nichos de mercado). Então, a fonte de dados para o cálculo de vagas é fraco, tanto pelo governo quanto pelas empresas.
      R: Nunca cogitei criar cotas de alunos com base em projeções de mercado das empresas.

      4) Imagine que você pretende investir numa escola de aviação civil, compra aviões, simuladores, contrata professores, INVAs, etc. Investe uma grana, ai vem o governo e estabelece uma cota de alunos que você pode formar (hj esta cota estaria = 0, porque o mercado está retraído e, além do mais, existem 203 escolas de aviação civil e 127 aeroclubes e o suposto investidor seria o fundador da escola nº 204);
      R: Eu acredito que é possível estabelecer mecanismos melhores que este. Mas nem quero entrar nesse mérito neste momento.

      5) E se a cota fosse de 100 PCs? Como se daria a distribuição entre as escolas e aeroclubes (universo de 331 instituições)? 0.06 horas de voo pra cada instituição?
      R: Essa história de cotas não precisa ser da maneira como vc está pensando. Dá para fazer algo muito mais simples, baseado na capacidade e qualidade da instituição. Mas, novamente, acho que não é o momento de entrar nesse detalhe.

      6) Com um programa deste implementado (cotas anuais para formação de PCs) você investiria numa escola de aviação civil?? Eu não!
      R: Todo curso superior tem regras para abrir vagas, ninguém sai abrindo uma faculdade de Medicina, p.ex,., do jeito que quer. E nem por isso os empresários do setor deixam de investir (pelo contrário).

      7) Se você fosse dono de uma escola de aviação e, em função do programa, tivesse uma redução no número de alunos, impactando diretamente no seu faturamento, permaneceria com essa escola? Eu não, procuraria outro negócio.
      R: Depende. Se o programa elevasse o nivel geral e fechasse as escolas sem qualidade, que sobrevivem vendendo horas de voo abaixo do custo, o meu negócio poderia, inclusive, ficar ainda melhor. Vc está entendendo tudo como se somente fosse uma questão de “cotas”, mas não é bem isso.

      8) Sou 100% a favor da reformulação dos currículos mínimos dos cursos de PP, PC, PLA, INVA, etc. Mas estabelecer um número de Pcs que se pode formar em um determinado prazo, não creio que seja a melhor forma de termos um mercado justo e competitivo.
      R: Pois é, eu já acho isso fundamental. Porque deixar o mercado se auto-regulamentar já se provou uma péssima escolha.

  3. Yurgan
    4 anos ago

    Tenho 14 anos e quero ser piloto e acho que para melhorar a qualidade dos pilotos as empresas aéreas poderiam tem “contato” as empresas virtuais para avaliar o desempenho de pessoas desde o começo de quando a pessoa se interessa pela profissão.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Desconheço algum país que adote este princípio em sua legislação.

  4. Felipp Frassetto
    5 anos ago

    Não creio que curso superior deva ser uma das ditas barreiras para iniciar-se um PC, por dois motivos:

    1- Ainda que os anos passem e as coisas evoluam e devam(os nos) adaptar, Vasp e Varig (só pra citar as mais famosas), viveram toda a sua história com seus pilotos sem esse requisito. Sim, sim, outros tempos e outras condições (técnico-operacionais principalmente). Mas mesmo assim, em se tratando de curso superior como requisito, me vem à cabeça esse exemplo;
    2- Igual como comentado em relação aos cursos de Medicina, querendo-se ou não, gostando-se ou não, o fato é que também com outros cursos universitários a situação se repete país afora e há décadas já.

    Não é apenas com PPs e PCs que se vêem os tais analfabetos funcionais. Gente que escreve tacanhamente, que tem dificuldades de interpretação e não saber fazer contas simples é cada vez mais comum entre os que possuem um diploma de curso superior.

    Ou seja: seria mais uma barreira econômica do que de “capacidade”, eu acho.

    Já as outras duas, com certeza viriam muito bem a calhar!

    Abraços!

  5. Editor
    5 anos ago

    Olha so, eu não acho que seja realmente necessário algo desse tipo. Eu sou piloto, e sinceramente acho que as pessoas superestimam demais esta profissão, não é preciso saber português para ser um piloto no garimpo, mas talvez seja necessário saber inglês para fazer vôos internacionais e por ai vai.. So acho que essa idéia de super-piloto mega qualificado não se aplica a todas as atuações como piloto, e sejamos onestos, como pilotos ninguém vai desenvolver um sataleti para mandar ao espaço, ou gerênciar milhões de funcionários de uma multinacional, no máximo vamos voar baixo aplicando produtos químicos ou decorar a seqüência correta dos botões que temos que apertar. Como piloto eu sei sim das nossas responsabilidades e das ações que podem decorrer dos nossos atos, mas as vezes eu sinceramente penso que há muito exagero a respeito do que realmente somos e fazemos.

    A minha opinião a respeito dessa idéia é que ela seria maravilhosa em uma escola, e não genericamente. Uma escola selecionando os melhores e formando os melhores. Não faz mais sentido?

    Ninguém precisa contratar o fulano que estudou na faculdade x se achar que ela não é de qualidade para a função que ele vai contratar. Ainda mais em um mercado como o da aviação com uma sobra enorme de pilotos.

  6. Bruno
    5 anos ago

    eu não acho que um idiota completo consiga fazer uma navegação de PC até o fim, então já é uma barreira

    • Leandro
      5 anos ago

      Será que não consegue???? Tenho minhas dúvidas, mas é uma boa discussão. Aliás, será que tem em algum lugar o percentual de alunos que são reprovados ou ficam de 2a época nas bancas da ANAC?

  7. Chumbrega
    5 anos ago

    Parabéns pelo post Raul! Um recorde de boas respostas e um tema bom de ser discutido: a QUALIDADE da formação. Concordo bastante com o que você disse, sobretudo com os dois primeiros pontos. Hoje em dia quem já tá com o PC é direito adquirido, então uma eventual nova regra não afetaria quem já tá com as carteiras na mão.
    Em relação aos pontos que você colocou: no primeiro, concordo plenamente. E nem é necessário reinventar a roda. Pode ser feita, por exemplo, uma exigência mínima de nota no ENEM. Já que o exame engloba conhecimentos genéricos, em que física, matematica, geografia e inglês (disciplinas que mais usamos no dia a dia) são cobrados, a ANAC poderia exigir uma pontuação mínima antes que o cara se matriculasse (ou pedisse o cheque) de PP.
    Já para o segundo ponto, também concordo. Os níveis do vôo de cheque no Brasil são baixíssimos… o comentário do colega Christian Troy “deu a real” de como são feitos os cheques no Brasil, e a realidade é dura de fato. TEM QUE APERTAR!

    SUGESTÃO: explique pro pessoal o que são barreiras a entrada. Muita gente não compreende ao certo o que é isso.

  8. Alexandre Fabiano
    5 anos ago

    As empresas estrangeiras vem para o Brasil para fazer suas seleções pois buscam a mão de obra qualificada que não está recolocada no mercado de trabalho. Mas eles fazem isso nos EUA também pelo mesmo motivo. Tive oportunidade de participar de uma seleção ha alguns anos atras, e não quera saber a média de reprovação dessas seleções aqui no Brasil. Na seleção dos copilotos, as Empresas “toleram” certas deficiências pois apostam e investem em treinamento para aperfeicoa-los e “molda-los” para que produzam para a empresa. Já para Comandantes, muitas vezes passamos vergonha nessas seleções.
    Quanto a idéia de Academias de vôo, acho uma excelente ideia. A Edra no interior de São Paulo, adota uma metodologia “semelhante” a que o colega descreveu. Não existe vestibular para o ingresso, mas o processo de treinamento é parecido com o que se tem nos EUA, onde teoria e prática são ensinados simultaneamente. Tive a oportunidade de conhecer a escola e minha esposa está fazendo o seu curso lá. Tenho acompanhado o seu treinamento e estamos bem satisfeitos com a DISCIPLINA e o nível de profissionalismo do departamento de operações. Não é a toa que quase 100% das corporações militares do país optam por treinar seus futuros pilotos lá.

  9. Carlos Triebsees
    5 anos ago

    Porque não criar academias de voo. Imagina ao invés de termos Aeroclubes e Escolas de aviação, que possuem um forte apelo comercial ( Aonde começam a surgir os problemas). Façam Academias de Aviação Civil, onde existam provas de ingresso ( Vestibular),numero limitado de vagas. Após o ingresso ter uma parte teórica forte com provas em que se exija um grau minimo (80%),sem chance de recuperação ou segunda época, passou passou, não passou refaça a matéria novamente. Conciliar prática com teoria, instrução em turno integral. E um dos fatores fundamentais que sejam academias com instrutores experientes que tenham passado pela aviação comercial ou tiveram experiência em comando de diversas aeronaves,jatos enfim. Que essa academia tenha uma grade curricular, com acrobacia , voo em planador, mnte, mlte,IFR. Que essa academia receba uma certificação e seja vistoriada anualmente e principalmente que alguma empresa aérea dê legitimidade a instrução ofertada nessa academia. Que ela tenha uma reputação no mercado. Acredito que seria um centro de excelência. Cursei a ESPM, e sei que o conceito que essa Faculdade tem no mercado não é de graça,pois é até fácil entrar mas se formar é bem diferente.

    • Enderson Rafael
      5 anos ago

      faço parte dos EXPM;-)

      • carlos barros
        5 anos ago

        No momento que criarem a Academia de Aviação Civil, a mesma já nascerá com o sistema de cotas social e racial!

  10. carlos barros
    5 anos ago

    Uma questão que eu não entendo? Se o curso de aviação aqui no país é ruim, como se explica a seleção de comandantes e co-pilotos pela Emirates, Qatar,etc, aqui no Brasil? O colega do meu filho nunca voou nos EEUU e foi selecionado pela Emirates para co-piloto sem ter curso superior, somente inglês ICAO 5.

    • Chumbrega
      5 anos ago

      Vamos começar pelo seguinte: o senhor concorda que o ensino no Brasil é ruim? Acho que sim, né? Ainda assim temos economistas brasileiros na Universidade de Chicago, Engenheiros brasileiros no MIT e Médicos brasileiros em Harvard. Ou seja: a grande massa dos brasileiros pena para “tirar” uma faculdade. Entretanto, temos gente entre os melhores do mundo.

      A aviação, como em outra indústria qualquer, também tem suas exceções no que diz respeito à mão de obra. O cara pode ter feito um péssimo “curso de aviação” para usar as suas palavras, mas pode ter se esforçado pessoalmente e ter “chegado lá”. E aí, para passar nessas empresas fodonas, ele COM CERTEZA teve um emprego aqui como co-pila de linha aérea por pelo menos dois (QATAR) ou três (EMIRATES) anos. E não é de qquer companhia, é voando jato.

      Agora, me diga: qual é o percentual de pilotos que o senhor acha que tem condições de passar nesse tipo de seleção, em relação ao total de pilotos formados no país? Imagino que uns 5% a 10% no máximo, que deve ser +- a mesma proporção de brasileiros formados que conseguiriam ir estudar em Chicago, no MIT ou em Harvard.

      • carlos barros
        5 anos ago

        O problema é que as empresas estrangeiras dão preferência à pilotos brasileiros pois os mesmos se adaptam a qualquer tipo de
        cultura do país contratante; o mesmo não se aplica aos pilotos americanos e europeus.Falo isso por que tenho amigos que voam no exterior e se adaptaram facilmente. Meu filho só não foi para a TAM, como co-piloto. por que tem menos de 21 anos e a psicóloga disse que ele
        é muito imaturo para sentar na cabine do A 320. Ele continua na executiva.

  11. Alexandre Fabiano
    5 anos ago

    Ola Raul,
    Infelizmente a sua idéia é uma utopia no Brasil. Nenhuma escola “dificultaria” a matrícula de nenhum aluno, pois isso faria com que elas (escolas) perdessem dinheiro, principalmente nos últimos tempos, quando parece que todo mundo decidiu “virar piloto”.
    Acho que a exigência DURANTE O CURSO deveria ser maior, tanto técnico quanto DISCIPLINAR. Deveriam haver mais provas avaliativas e quem não passar, ESTA FORA!!!! Acabar com a MAMATA de o aluno assistir o primeiro turno das aulas, responder chamada e ir embora na hora do intervalo.
    Na parte prática, o aluno não deveria ser só instruído e avaliado no PE E MAO. Preparação de um vôo, que no meu ponto de vista é um dos sucessos de um vôo seguro, nem se quer existe em algumas escolas de formação de pilotos. O aluno sai PCH checado de algumas escolas sem se quer saber consultar um ROTAER, sem se quer saber ONDE buscar e como ler e avaliar um NOTAM. Peso e balanceamento e performance alguns PCHs formados nem sabem que existem…E a ANAC deveria fazer a sua parte, checando os pilotos DE VERDADE. Não é fazendo “perguntas de roda pé de manual” como dizíamos a um tempo atrás, mas avaliando a real CONDICAO TECNICA do aluno checando. Tenho acompanhado alguns processos de instrução e check de alguns novatos na aviação, e não é muito difícil entender por que o pessoal “ESTA SE MATANDO” principalmente na aviação geral.
    Nos países desenvolvidos, os alunos dedicam horas de estudos diários semanas antes do seu check final, assim como você já apresentou em seu blog, um “oral test” pode levar horas para ser concluído.
    Coincidentemente (ou não), o problema de formação aeronáutica do Brasil é o mesmo problema do Brasil como um todo, FALTA DE EDUCAÇAO!!!!!!!!!!

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Eu não estou sugerindo que as escolas imponham barreiras á entrada de novos pilotos – é óbvio que isso jamais aconteceria. Minha tese é sobre a regulamentação exigir que haja um processo seletivo com número limitado de vagas para que as pessoas possam se matricular num curso de PC.

  12. Christian Troy
    5 anos ago

    Comentários Impecáveis.

    Poderia haver uma prova obrigatória de matemática e português antes da matrícula,
    na minha época de PP vi pessoas que não sabiam fazer contas básicas.

    Acho que a ANARC deveria renovar todo conteúdo dos cursos teóricos pois são muito pobres,incluir mais disciplinas como Gerenciamento de Risco,Segurança de Voo como lá no norte etc.

    Poderiam fazer testes Orais de 1 hora como nos EUA, daí não teria como o cara não estudar e isso elevaria o já baixo nível dos candidatos.

    Acho também que para obtenção de Carteira de PLA deveria ser obrigatório ensino superior.

    Se me permitem , a um tempo atrás vi 2 comentários no Fórum Contato Radar que ilustram bem o nível da formação aeronáutica no Brasil:

    1-

    “Mas ao invés de tentarmos balizar nossa aviação por cima, nós a balizamos por baixo, infelizmente! Só quem voou nos EUA sabe o quanto grande é o abismo entre a aviação lá e a daqui!!
    Venho batendo nessa tecla a muito tempo, acho que todo aviador brasileiro deveria tirar um tempo e voar nos EUA.

    O que eu acho e já disse, o ensino aqui é frouxo e na base da camaradagem, n é a toa que se formam PP que mal consegue trazer um monomotor na rampa e se quer fazer um pouso técnico!! O ensino de IFR e MLTE aqui é péssimo, é ensinado NDB e olhe lá. Se formam alunos IFR hj que nunca fizeram uma aproximação ILS na vida real (culpa do ensino e da infra-estrutura nacional). É um absurdo n baterem na tecla do voo monomotor em MLTE e todas as suas variáveis, VYSE, VMCA, O que o trem de pouso faz na VMC, o que full flaps faria e por ai vai. Cara, já vi nego levando pau em PC lá pq no último pouso ele saiu fora da centerline!! Pior que os milicos, mas sem os tapas na cabeça!!! heheheh

    Vc sente que realmente mereceu sua carteira depois de um check de 6hrs e meia contando oral e voo realizado por um ex piloto de B52 da USAF e instrutor de B747 na Northwestern (Ná época). A satisfação dele dando um tapinha no ombro e falando “Good Job” é impagável!!

    Sei muito bem que é impossível comparar esses 2 mundos de aviações, mas já acho que está na hr da aviação no brasil se profissionalizar!”

    2-

    Todo PP sai com 35 horas cravadas!?!? isso é um absurdo… “Checador” com 1000 horas de voo????

    Nos EUA pra vc ser checador vc tem q ser um cara com MUITA experiencia e conhecido localmente e convidado pelo FAA para ser checador do faa “terceirizado”.

    E o checador dá pau em MUITA gente… aqui é só “passassao de mão na cabeça” até em cheque de simulador de linha aérea tem “passar a mão na cabeça”.

    “checador” é amigão do aluno que ele vai checar? checador associado com escola??? checador que pede uma carona de uma base da escola pra outra, não pede UMA manobra e assina a FAP como se tivesse feito um monte de coisa no cheque,checador que não faz prova oral com o aluno antes do voo, o cara “tira” o IFR e fez um meio-ILS na vida real, nunca fez um voo em actual IFR,

    instrutores que nunca fizeram um spin de cessna pra ver como é, bancas da anac que perguntam pra PPs sobre adiantamento e atraso de valvula??? e nao perguntam sobre como se recuperar de uma hiperventilação,

    controladores que odeiam cessninhas na sua terminal e nao deixam a mulecada fazer procedimentos, escolas que tem lucros absurdamente abusivos nas horas de voo, escola que nao deixa solar!!! inves de “formar” o cara com 35 hrs de PP, faz em 55 hrs e ensina o cara direito, deixa ele solar. nao!!! tudo é “pacote” pague 14 mil e saia com o seu PP! nenhuma escola nos eua promete isso, cada aluno é diferente, um vai fazer o pp em 37 hrs o outro em 60 hrs. ai vc ouve de cmtes das linhas que o “copiloto” nao sabe nem ler e brifar uma carta,

    cara na linha que fica com safety pilot por 350 horas, “piloto” multi motor que nunca cortou um motor em voo e teve que acionar de novo, “pilotos” multi que nao sabem as 5 coisas que afetam a VMC, “piloto” comercial” de helicoptero que NUNCA fez uma hora de voo solo, nunca fez uma auto-rotação ate o fim ai vira instrutor com 150 hrs e vai “ensinar” uma coisa que ele mesmo nunca viu.

    Resultado: 42 % no aumento de incidentes/acidentes no brasil em 2011! pura “coincidência” com o sistema atual… e 52 ocorrências em 5 meses de 2012.

    • Enderson Rafael
      5 anos ago

      5? To tendo que aprender 12 fatores que afetam a VMC. hehehe Não sei como é no Brasil, tenho apenas vaga ideia, mas foi mto bem explicitado como é aqui nos EUA. Uma pena que a formação brasileira seja tao deficiente, isso compromete em muito a segurança (inclusive na linha aérea, onde em pleno RBAC 121 temos 20 vezes mais incidentes proporcionalmente que o Part121 dos EUA) Qdo chequei o PP aqui com 56h, eu jah sabia que sabia pouco. Depois de 220h de Cessna voando o sudeste dos EUA todo, eu ainda não sei tudo. Depois de 80 app IFR eu ainda tenho mto pra aprender. Depois de desligar e ligar motor e fazer ILS mono uma dúzia de vezes eu ainda tenho muito que aprender. Não dá pra imaginar voando menos que isso e sendo menos exigido que isso. Pelo contrário, o que se faz no Brasil é encher os alunos de hora/aula. Somando PP/IFR/PC devo ter tido umas 80h/aula e pra FAA tah otimo. O resto eh estudar em casa. Essa historia de copiar no ensino da aviação o modelo falido da escola está errada. Mas a ANAC obriga a isso, criando absurdos como esse curso de PLA (que terá umas 160h, prum sujeito que jah devia saber aquilo tudo do PC…), em que o cara precisa estar desempregado pra fazer, né, afinal, quem pode ter um mês de aula todo dia o dia todo?… aff desculpa, me revoltam essas coisas.

  13. fernando
    5 anos ago

    Vou dizer o que eu acho ! O que forma piloto, e voar, esses cursos de pp e pc , com nivel de banca anac na realidade serve para NADA, Uma vez que voce aprende para passar na banca, voce passa e nao usa para nada. e sao coisas como aprender a voar que vai fazer de voce um bom piloto. Eu acho que a anac e’ o DETRAN aereo, onde se tira a abilitacao sem saber dirigir. voar n precisa ser um professor de matematica, fisica e nem de portugues, mais sim ser um bom piloto, piloto nasce pronto, ser piloto qualquer um pode ser.

    • RodFigueiroa
      5 anos ago

      Posso até concordar que alguns cursos preparatórios por aí servem apenas para ensinar o sujeito a passar na banca, sem o minimo de preparo adequado. Mas temos que lembrar também que muitas escolas oferecem os cursos preparatórios com professores especialistas nas matérias, ao contrario de algumas onde geralmente é um piloto que dá as aulas, e que nessas escolas onde o preparo é mais qualificado, o aluno realmente sai com uma base muito boa, não só para a banca mas para lidar com os assuntos “extra-banca” também.

    • Chumbrega
      5 anos ago

      Você sinceramente acha isso? Que temeridade… “SER PILOTO QUALQUER UM PODE SER”. Pô, fazia muito tempo que eu não via essa profissão ser valorizada dessa forma. Pra fazer esse tipo de comentário você não deve entender muito nem da aviação e nem da vida.
      Tá voando o que? Quanto ganha por mês? Trabalha com carteira assinada? Quantas horas de vôo?

      Mas uma coisa que você falou é verdade: voar n precisa nem de português. “abilitação”; “esses cursos não serve”…

  14. Rodrigo Edson
    5 anos ago

    Senhores
    Esse é um tema que precisa ser pensado e repensado com cautela. Digamos que a ANAC comece a exigir o ensino superior para os PC’s, como ficaria aquele sujeito que junta seu “salarinho” (conheço pilotos que lavavam avião etc..) para poder pagar as horas de voo orbitantes? Ele deixará de voar para fazer qqr faculdade, apenas para ter um diploma? Bom, se já é dificil, eu acho que muitos desistiriam.
    Sobre se é facil para um filhinho de papai pagar suas horas, isso não se discute, nem tão pouco se ele pode ou não ser um baita profissional.
    Devemos pensar com a razão, avaliar todos os prós e contras e aí sim lutar por mudanças

    abs

    Rodrigo
    safety@voeglobal.com

  15. Frederico
    5 anos ago

    A melhor e única ‘barreira’ à entrada que na verdade não deveria ser vista como barreira mas sim como qualificação mínima seria regulamentar a profissão de piloto comercial como uma PROFISSÃO DE NÍVEL SUPERIOR, tal como ocorre com a maioria das demais profissões.
    O problema é que esta solução estruturada de longo prazo desagrada a classe de pilotos, pois aparentemente ‘dificulta’ o caminho, só que esta visão é míope pois o que os pilotos mais precisam é exatamente a valorização da sua profissão, tal como ocorre em diversas outras, como médicos, advogados, dentistas, engenheiros, etc, onde existem áreas de atuação cuja habilitação especifica é requisito para o trabalho (um médico não pode advogar tal como um advogado não pode clinicar).
    Para os amantes da aviação, tal como é meu caso (sou PC mas nunca trabalhei como piloto), fica a formação alternativa como PP e as demais habilitações especificas, com as devidas restrições no que se refere a atuar profissionalmente como piloto.

    • Chumbrega
      5 anos ago

      Prezado Colega, discordo respeitosamente…

      Tenho curso superior por uma faculdade “de verdade”, e fiz um curso “de verdade”, e ainda assim não acho que para a LICENÇA de PC deva se exigir faculdade. Ou mesmo pra PLA. Para as emissões de LICENÇA, o Brasil deve seguir o q tá escrito no anexo da ICAO que fala de licenças e PONTO FINAL. Cópia ipsis literis. São essas “invenções de moda” da ANAC em relação à ICAO que dificultam a vida do piloto brasileiro. Essa seria só mais uma.
      Agora: nada impede que o MERCADO (companhia aérea ou operador de jato/turbo-hélice executivo) demande de seus candidatos uma faculdade. É o que acontece nos EUA, onde é possível, mas bem difícil, entrar num bom emprego sem um 4-year degree (como dizem lá). Até porque, esse curso superior daria condições, ou melhor, daria a base mínima para um piloto exercer outras funções que seriam úteis para o empregador.
      Outra coisa: o ensino superior aqui tem se tornado uma extensão do ensino básico no quesito qualidade. Parte significativa dos cursos superiores aqui (inclusive de “aviação civil” ou “ciências aeronáuticas”) não ensinam nada que não possa ser aprendido com um pouco de esforço pessoal, ou seja: não formam, verdadeiramente, a base teórica do profissional.

  16. Felipe Araujo Machado
    5 anos ago

    Concordo plenamente…
    Estou terminando o PP e vejo diversos alunos do aeroclube filho de pais com maior facilidade de pagamento do curso que praticamente enxergam a aviação como ultimo recurso para o filho de “QI baixo” ter uma vida de receita acima da média.

    Oque acaba sim desvalorizando não só os profissionais Pilotos mas todo o cenario da Aviação nacional.

    Mas descordo do ponto onde voce diz que há uma oferta maior que a demanda graças a esses alunos menos esforçados…Não creio que isso vá afetar a oferta nem que possa deixar de fora bons estudantes.

    Mas muito interessante seu texto, realmente gostei!
    conheci o blog semana passada e to impressionado, fora de serie…

    Grande Abraço a todos.
    Felipe A. Machado

  17. Gustavo Franco
    5 anos ago

    Concordo em partes.

  18. Fábio
    5 anos ago

    Concordo plenamente! É deprimente ver a minha formação e educação perante à muitos que não sabem falar e escrever. E essas pessoas ainda conseguem algum trabalho. Acho que a receita é se fazer de coitadinho para os outros dizerem: “Ahhh dê uma oportunidade pra ele, pois é tão humilde!”. Muitos confundem humildade com gente que se faz de sonso!

  19. RodFigueiroa
    5 anos ago

    Seria um sonho, realmente, se existisse algo do tipo quanto a formação de PCs. O problema, pelo menos ao meu ver é que, as instituições de ensino aeronáutico, no que tange ao voo, pelo menos, em sua grande maioria não estão assim tão interessadas em formar um profissional de qualidade. Muitas sim, tem o compromisso para com o seu aluno, que também deve fazer o seu papel, bem como para a aviação em si, entregando para o mercado profissionais bem preparados e capacitados para o exercício das suas respectivas funções. Em contrapartida vemos também um grande numero de escolas, com pouca estrutura e preparo para ministrarem ensino aeronáutico, pessoal pouco proficiente, e que só querem sugar a conta bancaria do aluno. Não sei se esse modelo existe mundo afora, mas no Brasil, infelizmente, pouquíssimas escolas se interessariam por um modelo de seleção dessa forma. Já havia pensado em algo do tipo a alguns meses atrás, quando percebia a falta de preparo de quem está chegando ao PC e de quem já está formado ou prestes a se formar.
    Em tempo, estive um poco afastado do blog, mas voltarei a frequentar a casa regularmente.
    Grande abraço, Raul e a todos!

  20. Enderson Rafael
    5 anos ago

    Sou contra mais barreiras, mas sou a favor de maior cobrança. Requisitos maiores no curso de PP, IFR e PC, e claro, um check oral como temos nos EUA. Não tem como passar numa prova oral de 1h se vc não souber do que está falando… Isso melhoraria muitíssimo a qualidade da formação. Aqui a prova escrita também é em boa parte decoreba. Mas no oral, não dá pra escapar.

    • Enderson Rafael
      5 anos ago

      resumindo: sou contra barreiras na entrada, mas sou a favor de barreiras na saída.

  21. Sander Ruscigno
    5 anos ago

    Acho a ideia plausível, mas creio que na pratica não funcionaria graças ao tamanho do Brasil. Quero dizer que em São Paulo, por ser a cidade com maior número de habitante, haveria muito mais escolas oferecendo o curso que em qualquer outra região, além disso, também teria o maior número de alunos qualificados (mesma lógica). Isso criaria, digamos, uma discriminação.

    Bom, você pode argumentar que a classificação seria por região, contudo, neste caso, em algumas regiões as notas dos classificados seriam muito inferiores à media desejada. Consigo ver outros problemas ainda…

    Entendo e concordo com a sua preocupação, só acho que melhor seria melhorar a qualidade das verificações de proficiência, como o exame da OAB, ao invés de restringir o acesso ao curso. Veja bem, todo aluno de Direito sabe que ao final do curso terá que prestar o exame, a preço de não poder exercer a profissão. Então considero este um bom método.

    Também entendo que o modelo da OAB tem seus problemas (péssima qualidade no ensino), mas entendo ser mais fácil de resolver do que a questão regional.

    Abraço

  22. Vitor Castro
    5 anos ago

    Não sei se desta forma, mas concordo que as coisas deveriam ser diferentes sim. Nos dias atuais qualquer um consegue se tornar Piloto Comercial do 0 em menos de um ano sem a mínima condição de exercer a profissão.

  23. Felipe Terranova
    5 anos ago

    O curso pra se formar já é caríssimo e ainda colocar mais barreiras? Eu acho isso um absurdo. Se o custo pra ser Piloto Comercial fosse baixo, até concordo que deveria ter suas barreiras. Mas com um curso tão caro colocar barreiras pra que? É pra prejudicar quem esta se formando.

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Então… O problema é que a barreira que existe atualmente é a errada! O sujeito pode ser um idiota, mas se tiver o dinheiro para pagar o curso, tudo bem. Se a barreira for a capacidade/conhecimento, abre espaço, inclusive, para que os melhores consigam bolsas, financiamentos, ou descontos na formação.

      • André Matiolli
        5 anos ago

        Raul, eu acho que é bem por ai mesmo, a parte financeira conta e muito, nessa história toda.
        Passa pela cabeça de alguém que algum aeroclube / escola de aviação civil barraria alunos, antes destes começarem as aulas teóricas.

        Sejamos realistas, raríssimas são as entidades que querem formar um bom piloto, querem mais é que tenha rotatividade, $ entrando cada vez mais…não estou generalizando mas pense friamente.

        Como voce mesmo disse, o mercado vai se ajustando seja de maneira menos dramática (desemprego) ou da pior…vcs que são inteligentes sabe o que quero dizer.

        • Leandro
          5 anos ago

          Raul, concordo com seu pensamento e discordo do Felipe. Como o Vitor disse, tendo dinheiro e tempo, é possível se formar PP, PC/IFR e MLTE em apenas poucos meses.

          Aos que acham que a aviação tem muitas barreiras, pensem como são as demais profissões:

          – Médico –> Quantos anos de estudo e residência?
          – Advogado –> Quantos anos de estudo, estágio, exames de oab, etc?
          – Engenheiro –> Quantos anos de estudos, especialização, pós, estágio, etc etc etc?

          Pois bem, não falo isso da boca para fora, pois me graduei, fiz mestrado, pós, e depois de muito tempo é que consegui algo “bacana” para me estabilizar. Na aviação é tudo muito mais simples, ficando como obstáculo principal a parte financeira. O tempo é complicado? Sim, mas nada que 2/3 anos não resolva se você tiver dinheiro.

          Quantos anos de estudo precisa ter um piloto PC? 12 de escola (estou correto na conta? 09 de estudo básico e 03 do ensino médio) e mais, no máximo, 01 de curso de PP e PC (e ainda chutando, pois muitas escolas fazem cursos de 01 mês).

          Então um piloto teria 13 anos de estudo, sendo que pode ter tido um ensino péssimo nestes 12 anos de escola. Tive colegas no curso de PP e PC não sabiam fazer soma, por exemplo.

          É complicado, mas sou totalmente a favor de nivelar por cima. Muitos dirão: “ahhhh só os ricos irão conseguir”… engano. Quanto “playboyzinhos” estão nos aeroclubes e escolas de aviação e nem conseguem passar nas bancas?

          Quanto as escolas barrarem alunos, conheço 05 casos de alunos que foram “convidados” a se desligar de uma escola de aviação do interior paulista po diversos motivos: não estudavam e assim não sabiam fazer as manobras, má conduta, etc…

          Abs e parabéns a todos pelas discussões produtivas.

          • Celso
            5 anos ago

            Concordo em “numero,genero e grau!!!”.
            Estou completando 28 anos na aviaçao,e eh ATERRORIZANTE constatar o quanto caiu a qualidade e o nivel dos pilotos…
            Eu que estive por 21 anos na aviaçao agricola,presenciei cenas realmente inacreditaveis de pilotos nao saberem fazer uma regra de tres…e muito mais…mas nesse particular(pilotos agricolas) a culpa tambem cabe as escolas que formam esses profissionais,as quais sao verdadeiras ESCOLINHAS WALLITA,vendendo a carteira(sim,vendendo LITERALMENTE) a quem estiver disposto a pagar!!!
            Mas nem a geral escapa disso,ou ate mesmo a comercial de linha…estive por um ano numa grande companhia e tambem encontrei colegas “nos minimos”…
            Sou totalmente a favor de se endurecer a coisa para candidatos a PC.

      • Gilmar Da Luz
        5 anos ago

        Com essa explicação final ficou bem mais claro, apoiado! Isso é um fato, alguns alunos que fizeram PP comigo não tinham nem vontade de estudar, mas o pai deles estavam bancando, daí fica fácil! E com avaliações sobre capacidade e conhecimento seria ótimo porque além incentivar o aluno a não ficar tão disperso na formação (que exige muita disciplina pois o aluno fica “meio largado”), incentivaria o governo de de repente fazerem bolsas e financiamentos, que é a luta da maioria nesse ramo.

    • Chumbrega
      5 anos ago

      Colega, acho que você não entendeu a expressão “barreiras a entrada”. Ou entendeu errado…

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