Sobre a qualidade da instrução aeronáutica brasileira

By: Author Raul MarinhoPosted on
630Views11

Ontem, publiquei um post para discutir a tese das barreiras à entrada nos cursos de PC – que, como imaginava, gerou uma certa polêmica nos comentários. Mas a discussão saiu um pouco do foco, caminhando mais para a qualidade da instrução aeronáutica do Brasil “lato sensu”, ao invés de ficar nas tais barreiras, especificamente. Por isso, e para comentar algumas das intervenções dos leitores que achei mais interessantes, resolvi abrir este novo post, mais amplo sobre a questão da qualidade da instrução aeronáutica brasileira. Antes, gostaria de agradecer a participação de todos, que foi excepcional! – e espero que possamos continuar essa saudável discussão aqui. Mas vamos aos pontos que considero mais importantes comentar:

1) Se a formação aeronáutica brasileira é ruim, então por que as companhias estrangeiras vêm recrutar pilotos no Brasil?

Não é “dos frutos que se conhece a árvore”, como diz a Bíblia? Então, “se os pilotos brasileiros são bons o suficiente para comandar um Boeing-777 em voos transcontinentais, é porque eles foram bem formados no Brasil”. Será isso verdadeiro?

Em primeiro lugar, a qualidade da formação aeronáutica brasileira não é uniforme. Há casos de excelente qualidade de formação no país, como por exemplo os alunos da FACA/PUC-RS que realizam o PVPUCRS; ou o pessoal do “Programa ASA“, da Azul/EJ – e, “coincidentemente”, em ambos os casos há fortes barreiras à entrada… Bem, mas não só os formados em ilhas de excelência que são bons pilotos. Mesmo quem aprende a voar num aeroclube de interior num curso medíocre pode vir a ser um bom profissional, pois como em qualquer profissão, muitas vezes é o aluno que faz a escola, e não o contrário. E, especificamente na aviação, o autodidatismo, a força de vontade, e características pessoais (inteligência, disciplina, personalidade, etc.) contribuem para isso. Portanto, as companhias estrangeiras podem estar recrutando estes profissionais específicos, o que não significa que a formação brasileira possa ser considerada como boa em termos gerais.

Além disso, há o que já foi comentado por outro leitor: as companhias possuem centros de treinamento capazes de suprir eventuais deficiências de formação, e muitas vezes elas estão mais interessadas na “matéria-prima humana” do que na formação que o piloto recebeu. É uma questão de “oferta & demanda” e de “custo & benefício”: eles vão avaliar a disponibilidade de profissionais “full treinados” no mercado versus o quanto custaria atraí-los, e comparar com o custo de treinar os menos qualificados (mas com bom potencial) disponíveis em maior número…  É tudo uma questão de números, no fim das contas. Isso sem contar que a formação aeronáutica avançada no Brasil – a oferecida internamente pelas companhias aéreas – é muito superior à formação básica dos aeroclubes/escolas, e as companhias estrangeiras querem pegar os pilotos já treinados pelas companhias brasileiras.

Com tudo isso, fica fácil entender porque é possível que o Brasil seja exportador de bons pilotos e, ao mesmo tempo, possuir baixa qualidade na formação aeronáutica básica. Aliás, como são os melhores pilotos que emigram, isto é mais um fator que contribui para a diminuição da qualidade dos pilotos no Brasil, o que vai influenciar indiretamente na baixa qualidade da instrução em nosso país.

2) Academia de voo – o modelo francês

Outro assunto abordado foi a criação de uma academia civil de pilotos, uma espécie de AFA não militar para formar pilotos para a aviação civil. Para quem não conhece, a França adota este modelo, com a ENAC-École Nationale de l’Aviation Civile – vide este post. Lá na França funciona muito bem, mas é preciso lembrar que a aviação francesa é bem diferente da brasileira, especialmente no que se refere à aviação geral, que aqui é muito mais importante do que lá. De qualquer maneira, é de se pensar se faria sentido criar uma instituição do porte de uma ENAC no Brasil, nem que seja somente para formar mão-de-obra exclusivamente para a aviação comercial, e deixar a geral do jeito que está. Dá um bom debate…

3) Formação americana X brasileira

Muitos leitores comentaram como é a qualidade da formação de pilotos nos EUA em comparação com o Brasil – e, de fato, ela é inquestionavelmente melhor em diversos aspectos:

– A FAA é muito mais bem estruturada do que a ANAC para administrar a formação de pilotos;

– A infraestrutura aeroportuária e de ATC é muito melhor nos EUA;

– A filosofia de ensino, focada na instrução oral pré-voo, as avaliações orais, a quantidade de horas de voo, os manuais de curso, e os instrutores são muito melhores também;

– Há uma diversidade de aeronaves muito maior; etc.

Isso sem contar com as opções de financiamento e de bolsas de estudo para alunos de aviação americanos, o ensino em nível superior muito mais amplo e de melhor qualidade, e muitos outros fatores que fazem da formação aeronáutica americana melhor que a brasileira. Maaaasss…

Dá para reproduzir o modelo americano no Brasil? É o que a gente vem tentando fazer há décadas, e não chegamos nem perto disso ainda. Será que é uma questão de “tentar com mais afinco”, ou partir para um modelo diferente do que os EUA adotam? E que modelo seria esse? Não sei, mas uma coisa está clara: o modelo adotado no Brasil hoje não está atendendo às necessidades da aviação brasileira. Nós temos uma formação aeronáutica cara, elitista, e ao mesmo tempo, de baixa qualidade (na média, ao menos). É o pior dos mundos!

4) Ensino superior na aviação

Vários leitores também comentaram sobre a obrigatoriedade (ou conveniência) do ensino superior para pilotos profissionais no Brasil, como uma maneira de aumentar a qualidade da formação aeronáutica. Por sinal, isto faz parte do modelo francês de formação de pilotos, e é um caso a se pensar para o Brasil, sim. O que temo é a capacidade que nós temos para desvirtuar boa iniciativas, especialmente as relacionadas à educação… Porque, se for para criar universidades de araque, sem infraestrutura, sem corpo docente, só com a “casca” – que é o que tem acontecido com as universidades públicas federais nos últimos anos -, é melhor ficar do jeito que está, pois pelo menos é mais barato.

Mas o fato é que, mesmo não sendo obrigatório, portar um diploma de nível superior (mesmo que de um curso “genérico”) está se tornando indispensável para pilotos no Brasil. No médio prazo, ficará praticamente impossível ingressar na linha aérea sem nível superior simplesmente porque a concorrência de quem tem diploma será muito forte. Mas, volto a dizer, se for para fazer uma faculdadezinha de araque como as que tem por aí – inclusive nos cursos de aviação -, então não vai adiantar muita coisa exigir nível superior dos pilotos. Vai ser só um custo a mais para a formação, sem necessariamente melhorar a qualidade do produto final.

5) O bom piloto nasce piloto? “A Simone de Beauvoir da aviação ao contrário”

Num dos posts que eu mais gostei de ter escrito neste blog, eu comentei esse ponto de vista de que “não se tona piloto, mas se nasce piloto” nestes termos, que acho perfeitamente aplicáveis ao novo comentário recebido nesta mesma linha:

Na década de 1960, a Filósofa Simone de Beauvoir – uma ícone do feminismo da época – disse, ao referir-se à condição feminina, que “não se nasce mulher; torna-se mulher” (era um ponto de vista equivocado sobre a importância da cultura nas questões de identidade de gênero, uma rematada bobagem, na verdade). Agora, o autor do comentário faz afirmação semelhante, só que invertida, mas igualmente sem sentido: “não se tona piloto, mas se nasce piloto”. De fato, é preciso contar com algumas características inatas para ser um bom piloto – boa coordenação motora, raciocínio lógico-espacial apurado, rapidez para tomar decisões, capacidade de manter a calma em situações de forte estresse, etc. – além da já citada “vocação genuína” para a aviação. Mas isso não significa que somente por trazer tais qualidades de berço, a pessoa torna-se automaticamente um bom piloto, muito pelo contrário! Sem estudar – e cada vez mais a necessidade de estudo formal torna-se mais relevante –, ninguém, por mais que nasça segurando um manche, vai ser um bom aviador. Aliás, a consciência da necessidade de estudar muito, e por toda a vida, é condição primeira para pilotar com segurança. Não há como uma pessoa conduzir um voo com segurança sem conhecer o equipamento que pilota, os regulamentos de tráfego aéreo, a Física envolvida no voo, as leis da Meteorologia, etc. Este é, talvez, um dos maiores equívocos do autor do comentário, mas não é o único.

– x –

Bem, pessoal, era isso o que tinha para comentar sobre o que vocês escreveram ontem. Vamos continuar com o debate, que está legal! Mesmo que não se chegue a nada de concreto no final, pelo menos ajuda a formar uma opinião melhor sobre a aviação no Brasil.

 

11 comments

  1. Felipp Frassetto
    5 anos ago

    Sobre a necessidade de se aumentar a fiscalização, acho que isso é ponto pacífico. Lembrando que ela deve ser continuada e não somente algumas “blitz pra meter medo”. Deve tornar-se um método e não um instrumento de terror, subornos e caça às bruxas.
    Porém, uma vez que se a tenha desse modo intenso (portanto, desejável); de início, só ela não resolverá. Deve vir junto com outras medidas pois senão, apenas inviabilizaria muita coisa e o seu fim; fiscalizar para melhorar algo, não seria alcançado.

  2. Eduardo
    5 anos ago

    Raul,me desculpe fugir do topico mas estou com uma duvida com relacao ao meu IFR teorico que vence agora no proximo mes(tenho apenas o teorico nao sou checado IFR)gostaria de saber se tem um prazo ou se posso renovar a prova de regulamentos quando eu bem entender…grande abraco e novamente o parabenizo pelo belo trabalho!!

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Vc está falando da banca de PC-IFR/Avião, é isso? Se for, vc tem 2 anos para checar sem precisar repetir a banca toda, somente fazendo a prova de regulamentos antes do dia do cheque.

  3. Löhrs
    5 anos ago

    Já que é pra comentar…

    Em primeiro lugar, é muito complicado discutir sobre aviação, porque aquela imagem antiga de uma aviação romântica e de um aviador aventureiro, intrépido e destemido precisa dar lugar à figura extremamente profissional que deve ser um aviador dos tempos atuais. E eu vi muito essa imagem romântica insistindo em permanecer e atrapalhando minha instrução num aeroclube onde eu fui INVA por dois anos. Foi muito stress para tentar mudar a mentalidade de aero “Clube!” Voar é muito bonito e romântico, com a namorada nos finais-de-semana ensolarados, mas encarar uma TMA-SP lotada à noite e chovendo, tentando uma brecha na fonia pra pedir a descida, tudo brifado, de repente o APP paga outra descida, mudou a pista, muda tudo!…de romântico isso não tem nada, ou a tripulação é profissional e está preparada ou vai dar M…

    NASCER PILOTO…Não acredito que alguém nasce piloto, mas acredito que o cabra nasce com talento para ser piloto. Ele pode levar isso adiante ou não. É claro que ter talento pra exercer uma profissão é “meio caminho andado”. Características psicológicas e motoras citadas acima, dinheiro para custear a formação, boa vontade para estudar muito e paixão pelo que se faz são os complementos indispensáveis, e é claro que um sujeito desses será no mínimo “MUITO BOM” entre bom e excelente. Sem dúvida o avião ainda é uma máquina encantadora e apaixonante, assim como foi para seus inventores (os Wright, Santos Dumont, Otto Lilienthal…). O problema é que essa máquina apaixonante evoluiu bastante, e principalmente a operação aérea tornou-se tão complexa e congestionada que hoje em dia é impossível a um candidato a Comandante de Corisco, ou de King ou de 747 dispor APENAS de talento (pé e mão) ou de ter a ICA 100-12 e os outros livros decorados na cabeça!

    FORMAÇÃO… Mas qual formação superior não é cara e elitista? Ela é elitista justamente porque é cara! E no nosso caso ela é cara por causa dos insumos de aviação (entenda-se AVGAS, taxas ANAC, DECEA entre outros) e não por causa do excelente corpo docente, que ou é mal pago ou é formado por professores amadores oriundos de áreas completamente distintas da aviação, mas que apaixonados pela causa acabam por apagar incêndios dos coordenadores de cursos teóricos. No final das contas acabam é contribuindo para os futuros novos incêndios Brasil afora…

    A saída:

    1) Seleção natural das espécies: Prova sim, Banca sim! Prova oral antes do check. Não sabe nada, é burrão, grosso feito casca de sequóia? Não pode ser piloto, procura outra coisa.
    2) Fiscalização com sangue no olho: Todo mundo sabe o que fazer e conhece o mínimo da Legislação. Ferro e punição pra quem é espertalhão: piloto, empresário ou escola.
    3) RBAC/IAC/IS decifráceis: Essa turma nova da ANAC prometeu que ia revisar a legislação que baliza a atividade aérea, mas continuam a fazer crtl C crtl V da legislação americana.
    4) Administração profissional de escola de aviação: Não dá conta de suprir o mercado com mão-de-obra qualificada, fecha ou muda de ramo. E é obrigação da ANAC fiscalizar as escolas e cobrar qualidade no ensino.

    Meio radical mas é minha opinião!

    • Chumbrega
      5 anos ago

      Raul,parabéns por este e pelo outro post. Acho q este ta menos polemico porque,digamos,esta consensual.
      E eu concordo c o q vc disse e tb c o q o colega acima… O q tenho a acrescentar e q nossa formação e apenas reflexo da qualidade da educação,como um todo,no pais! Do mesmo jeito q neguinho forma em ADM sem saber taylor e fayol,cara se torna piloto sem saber português ou sem conhecer nada das matérias da Anac. Muita gente e incapaz de compreender q todo ensino tem uma base. No outro post o leitor mencionou q nada disso e importante,e q “qquer um pode se formar piloto”. Nessa linha de raciocínio,a profissão ta mesmo fadada a mediocridade.
      Apenas um tema q advogo contra e vincular uma licença de piloto a uma faculdade.só acho q isso deva acontecer se a icao assim solicitar. Do mesmo jeito q tem PC q vai voar 320,tem PC q vai puxar faixa,e não vejo o porque dos requisitos acadêmicos serem os mesmos para grupos heterogêneos.

      PS vi sua resposta a respeito da GPEL sim obrigado

  4. Will Batera
    5 anos ago

    Caro, Raul Parabéns pelo blog, é realmente muito bacana!

    Tenho 38 anos, estou estudando teórico de PP, com a pretenção de me tornar um piloto da aviação geral, como escrito neste post a linha aérea para mim esta um pouco longe, devido a minha idade e ao fato de não ter curso superior ( e tb não pretendo fazer C. Aeronauticas ), mas percebo mesmo um nível de instrução realmente baixo, e como vc mesmo disse, cursos graduadores de faculdades existem, mas poucos são de real qualidade, e concordo com vc, depende muitas vezes do aluno.

    Para ilustrar um exemplo, existe um em minha turma que acabou de se formar em Ciencias Aeronáuticas, e acredite, ele tem dificuldades enormes de conseguir entender coisas simples, como uma regra de três, converversão de esclas, latidudes, longitudes entre outras coisas, quando questionado por alguém, ele se defende dizendo que tal assunto foi visto por ele no primeiro semestre de faculdade, e que ja não se lembra mais, ( fico pensando, ” tudo foi visto no primeiro semestre ? O que foi ensinado então nos outros ?” ) Este é um típico caso de alguém que se conseguir passar na Banca da Anac não se lembrá de nada e não terá como vc mencionou, os conhecimentos de regulamentos de tráfego aéreo, a Física envolvida no voo, as leis da Meteorologia, etc, tão importantes para a segurança da condução de uma aeronave.

    Masssss, ele pode não passar novamente, ( parece que ele ja tentou umas duas vezes) e desistir como acontece com tantos, porém o que será que aconteceria se não existisse a tão temida Banca da Anac ?

    Sabemos que mudanças significativas estão acontecendo, e uma delas é a pretenção ( ou fato ) da ANAC em extinguir a Banca, deixando esta responsabilidade apenas para as Escolas de Formação, isso realmente me preocupa pois se não existe fiscalização para uma série de coisas será que isso vai funcionar ? Para PP tudo bem, mas pela conversa que tive com os coordenadores do curso isso será para todas as licenças, e como vc mencionou em outro post, não existe uma triagem para ingresso e conclusão do PC ( excluido ser PP ) a única que “má-le-má” filtra é a Banca, e ainda vai acabar ?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Olha… Até o momento, não existe nada oficial sobre essa história de acabar a banca da ANAC, não. Vamos aguardar para ver se esse boato se confirma.

  5. Carlos Triebsees
    5 anos ago

    Brilhante Raul!!!! Acho que estamos perto de um ponto de inflexão,em que na verdade o governo/ANAC não sabe como resolver a questão da formação aeronáutica/Aviação Geral e está vendo se as melancias se ajeitam no andar da carruagem. Acredito que uma das soluções estaria em uma outra discussão do Blog , qual seria uma Ordem dos Aviadores do Brasil com subsedes regionais. Talvez pensem que estou fugindo do tema , mas acho que como é uma solução complexa que envolve diversos fatores,ela deve ser amplamente discutida até chegarmos a um consenso. A palavra dos INVA é importante, dos Diretores operacionais das companhias, os Gerentes do Aeroclubes, a ANAC, todos devem contribuir, até porque ( também já foi dito aqui no blog) as soluções existentes são como enxugar gelo. Bom , concluindo, eu ainda sou adepto do modelo ACADEMIA ENAC. Abraços

  6. Enderson Rafael
    5 anos ago

    Acho que o modelo de aula teórica extensiva não seguida de voos (que só ocorrem meses depois) é péssimo. O aproveitamento de qualquer aluno depois de 6h de aula é inquestionavelmente ruim, imagina após meses nesse ritmo – sem contar que é desnecessário, afinal não há tanta matéria assim. Defendo ferrenhamente alternar grounds e voos. Afinal, aplicando-se o que acabou de ver na aula, vc realmente aprende. Do contrário, é jogar tempo e dinheiro fora – e sabe lá se não há um lobby de algumas escolas pra que a ANAC requeira esse tipo de coisa. Do Brasil dá pra esperar tudo… Defendo, portanto, o modelo americano. Quanto às cias do Oriente Médio buscarem pilotos no Brasil, como o Raul bem disse, pegam que já foi treinado pelas cias – que oferecem treinamento mto superior ao das escolas e aeroclubes em média – e tb por um motio simples: eles vão tirar pillotos da Europa ou dos EUA? Claro que não, o cara que mora nesses lugares prefere dar instrução na escola do lado de casa do que se despencar com família pro outro lado do mundo. Claro que há pilotos ótimos no Brasil, mas o mérito é bem mais deles do que da estrutura educacional do país, isso é fato. E não existem pilotos natos. Vc pode amar isso desde pequeno, mas se não estudar, nunca será um bom piloto. Vc pode desenvolver a vontade de pilotar desde cedo, mas a vontade de ler regulamentos acho que dificilmente aparece em tão tenra idade:-)

  7. Christian Troy
    5 anos ago

    Matéria muito esclarecedora.

  8. André
    5 anos ago

    De tudo aquilo que li, entendo que nada nos conduz a dificultar a entrada de qualquer que seja a um curso de formação de pilotos, mas tão somente,a falta de fiscalização da atividade. Da mesma forma que me assombra ouvir no noticiário da TV enfermeiros denunciando a médica que exterminava pacientes na UTI há pelo menos três anos, me assombra achar que a avaliação de tantos pilotos seja esta coisa tão mal-feita quanto sabida de todos. E, num caso quanto noutro, que tantas dessas corajosas denúncias seriam mais eficazes se feitas em hora e local apropriados. Enfim, quantos ainda viveriam se os tais enfermeiros tivessem “posto a boca no trombone” três anos antes?
    Me vem a mente um acidente em que se soube depois que o colega voava sem habilitação para a aeronave, mesmo em emergência não a quis declarar com medo de ser descoberto e acabou se espatifando poucos metros da pista – pessoa excelente, disseram nos comentários deste mesmo blog.
    Então, juntando tudo, vejo que é muito mais uma questão de fiscalização e de atitude (denúncia, cobrança, alarde…) impedir que alguem utilize meu código para voar abaixo de mínimos sem ter IFR, ou que aquela conhecida azêmola tire brevê naquela escolinha pereba…
    Todas as demais coisas como curso superior, uma redação melhor, são desejáveis? Podem ser, mas não farão, de fato, tanta diferença. Creio que estas são coisas que derivam simplesmente da vontade e do apreço individual. De certo modo, concordo que voar seja um dom; ainda hoje tenho um sentimento bastante romântico em relação ao vôo. Mas lembro de aviação é diferente de voar.

Deixe uma resposta