O fla-flu dos pilotos da Geral e da Comercial

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Por indicação do meu amigo Beto Arcaro, tive acesso ao excelente artigo publicado na última edição da revista Flying Magazine – “The love/hate of airline pilots” -, abaixo reproduzido. O autor, piloto da aviação comercial americana há 30 anos,  comenta sua experiência na aquisição de um pequeno multimotor para uso próprio, e seus dilemas quanto às questões de segurança na operação da sua pequena aeronave com conceitos da aviação comercial em mente. É um artigo interessante, que reproduz o mesmo tipo de embate que ocorre também no Brasil, mas um detalhe que me chamou a atenção é o trecho em que o autor fala dos sindicatos de pilotos nos EUA.

Na terceira e última página do artigo, o autor diz, numa tradução livre, que  (…) “os sindicatos de pilotos têm influenciado em vários aspectos positivos para beneficiar muitos profissionais da aviação. Quais exatamente? Para citar alguns: os padrões de qualificação dos pilotos, os procedimentos IFR, limites de jornada de trabalho, coleta e divulgação de estatísticas de segurança, projetos de cockpits, e procedimentos de controle de tráfego aéreo e de meteorologia. Incrível, não? Fora a questão da jornada de trabalho, o nosso SNA não atua em nenhum dos outros aspectos citados pelo autor. Não seria o caso do Sindicato dos Aeronautas atuar junto com a ANAC na elaboração da regulamentação da qualificação de pilotos (RBAC-61, por exemplo)? Ou junto com o DECEA na elaboração de procedimentos IFR? Ou em parceria com o CENIPA na divulgação de estatísticas de acidentes? E, por que não, atuar junto à indústria aeronáutica no desenvolvimento do ambiente em que os pilotos trabalham (os cockpits)? Não seria fantástico isso?

PS: Eu sei que a qualidade gráfica do texto das imagens abaixo não é das melhores, mas foi o melhor que eu consegui, dado que ele ainda não se encontra disponível no site da revista (trata-se de uma imagem do aplicativo do iPad). Recomendo a quem quiser ter acesso ao texto original com boa qualidade, adquiri-lo no site: custa só US$3,99, e vale muito a pena.

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5 comments

  1. Roosevelt Viana
    5 anos ago

    Comecei minha carreira na aviação na FAB, como mecânico de vôo. Depois fui voar em linha aérea como “Flight Engineer”. Fui instrutor em empresas 121 e também dono e instrutor de escola de vôo no Rio de Janeiro. Vim para os USA há 10 anos, e entre outras atividades aqui, tirei minhas licenças de piloto. Já nos primeiros dias eu descobri a maravilhosa forma como os americanos tratam a aviação. Não apenas a comercial não, mas como um todo. Eles sabem o poder que a aviação tem no desenvolvimento do país (de extensão tão grande como a brasileira). A aviação geral aqui é incrível! Totalmente diferente da estrutura que há no Brasil.
    Antes mesmo de ter tirar meu PP eu já fazia parte da AOPA (Aircraft Owners and Pilot Association), que é o braço forte do setor da aviação geral (GA) aqui, até com forte representação no Congresso americano. A entidade privada tem uma estrutura de dar inveja às grandes corporações no Brail. E olhe que funciona à base de filiações de pessoas comuns, pilotos e entusiastas da aviação que pagam uma merreca anual (na base de US$50.00) para ter uma série enorme de facilidades para quem voa aqui. O Governo (Senado e orgãos como a FAA) respeita e escuta as revindicações da categoria de aviação privada.
    Uma coisa tão simples que poderia ser copiada e aplicada no Brasil e que teria sucesso garantido, SE… digo SE, houvesse suporte e infraestrutura das autoridades tupiniquins.

    Recentemente participei de um encontro em que a FAA convidou pilotos de todas as categorias para dar dicas e sugestões no plano que há de se expandir o espaço aéreo Classe B de Miami e Classe C de Fort Lauderdale. Onde já houve algo parecido no Brasil??? Se houve, eu nunca ouvi falar… e olhe que tenho 24 anos de aviação.
    Não quero me extender no assunto, mas digo que o Brasil está ainda longe… anos-luz de se tornar um grão de areia do que os países sérios fazem no que diz respeito à aviação.
    ANAC é uma piada. Cabide de emprego para afiliados do Governo e cuja maioria dos integrantes desconhecem o setor. Só querem ser “funcionários públicos estáveis” e nem se importam se conhecem ou não a área em que atuam. Uma vergonha!

    É uma pena para os jovens que sonham em ter uma carreira no ramo.

  2. Phil
    5 anos ago

    Arthur Vaz – Faço de minhas palavras a sua!!! perfeita colocação temos que mudar.

  3. Arthur VAZ
    5 anos ago

    Então Raul,
    Sindicato aqui no Brasil é uma comédia mesmo e digo todos.
    O pessoal só quer saber de arrecadas a contribuição sindical anual e usar a grana em causa própria.
    Não tem interesse em lutar pelas condições de trabalho dos tripulantes, qualificações, regular carga e condição de trabalho junto a todos os meios, ANAC, DECEA, CIAS, aeropostos, etc.
    Quando fazem alguma coisa é GREVE, que só atrapalha o usuário do sistema.
    Bom seria como o comentário citado por você onde entende-se que se deve lutar com todas as forças para se ter uma profissão digna com qualidade.
    Tem coisas simples que eu não entendo que até hoje continua a funcionar assim.
    Você pode passar um plano de vôo com meu código ANAC? Alguém verifica se o piloto em comando é o mesmo que está passando o plano ou está usando o código de outro? CHT com chip serve pra que? 200 dias pra ANAC enviar sua CHT. Serviço de meteorologia então… péssimo, tarifas aeroportuárias altíssimas, cartas do DECEA não são livres (Está escrito, usar apenas para planejamento). Tenho que pagar para o DECEA para usar uma carta autorizada? Então vou comprar da Jeppesen…. Bem….. parece que não posso usar somente Jeppsen, tenho que ter as cartas do DECEA no avião.
    Apesar de tudo isso, a formação é pobre, cara e o primeiro emprego então, nem se fala.
    O que será da aviação brasileira, padrinho Santos Dumont?

    • Rodrigo Edson
      5 anos ago

      Concordo com você. ÓTIMO texto

  4. Sei lá…em tese, é interessante, mas a gente cansa de enviar sugestões nas consultas públicas e nego se lixa. Na hora de redigirem os docs., fazem da cabeça deles ou simplesmente transcrevem em português o que está nos FAR’s ou nos Anexos da ICAO em inglês.

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