Por que a formação de piloto é tão diferente da que acontece nas outras profissões?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Recebi do leitor (mesmo que esporádico) Vinicius o seguinte comentário ao post “PCH, a bola da vez!”:

Me desculpem, numa boa, até hj só vi esse Raul metendo o pau e desestimulando os que estão ingressando agora na aviação! Como se fosse difícil conseguir emprego só na aviação!! Por acaso tem emprego fácil para quem acaba de se formar em direito, engenharia, medicina, economia, psicologia, odontologia, administração, etc, etc, etc… Não tem molezinha em lugar nenhum não meu amigo!

O Vinicius está desculpado, numa boa, mesmo porque eu não me ofendo com este tipo de ataque que ele me fez no início de seu simpático comentário (“até hj só vi esse Raul metendo o pau e desestimulando os que estão ingressando agora na aviação”). Eu não criei o Para Ser Piloto para ser um blog de estímulo a quem está ingressando agora na aviação (nem de desestímulo, aliás!): meu compromisso aqui é com a realidade dos fatos – que, desafortunadamente, têm sido mais negativos do que positivos para o mercado de trabalho de pilotos nos últimos tempos. Mas também não é verdade que eu só “meta o pau”: veja, por exemplo, este post que publiquei nesta semana, sobre uma boa notícia para o mercado e trabalho de pilotos; assim como toda a série sobre o Programa ASA, em que praticamente só elogiei a Azul (menos em relação ao financiamento do Santander) – para ficar em somente dois exemplos. Então, se o Vinicius SÓ me vê “metendo o pau” é porque ele não lê o blog com frequência… Ou ele ainda não entendeu qual é a razão de ser do Para Ser Piloto.

O propósito inicial deste blog é o “coaching de formação aeronáutica” – ou seja: fornecer orientações práticas e de importância efetiva a quem está ou pretender estar inserido no processo de formação de piloto profissional. Depois, incluí mais dois assuntos: as análises e discussões sobre o mercado de trabalho para pilotos (especialmente para os recém-formados), e sobre a segurança de voo; ambos relacionados ao propósito inicial, que continua sendo o foco, só que, agora, ampliado. Mas… Se, para realizar o meu trabalho, eventualmente for necessário “meter o pau” em alguém ou em alguma entidade (escola, empresa, ANAC, etc.), e se isso vier a desestimular as pessoas a seguir com a formação ou com a profissão, eu lamento, mas acho que estou no caminho certo. Se alguém desistiu da carreira de piloto por ter lido algum texto meu, eu acho ótimo, pois isso prova que a pessoa não estava realmente interessada em se tornar piloto, ela só se encontrava iludida por alguma fantasia que lhe colocaram na cabeça (provavelmente, por algum aeroclube ou escola de aviação sem escrúpulos). Então, na verdade, a crítica inicial do Vinícius é, para mim, um elogio. Embora seu objetivo tenha sido o de me ofender, ela mostrou que estou fazendo o meu trabalho direito: eu quero mesmo incomodar os Vinicius da vida! Porque mantê-los na zona de conforto, mostrando como é legal e divertida a aviação, só vai aumentar as chances de frustração lá na frente, quando eles descobrirem a realidade da profissão.

De qualquer maneira, o propósito deste post é outro. Eu quero aqui explorar a segunda parte do comentário do tal do Vinícius, quando ele compara as dificuldades iniciais de um piloto com as de outros profissionais, como médicos, advogados, engenheiros, etc. E explicar as diferenças da formação destas diferentes carreiras, para mostrar que uma das principais bandeiras que este blog carrega é justamente a defesa de que a formação de piloto possa contar com os mesmos mecanismos que as outras carreiras possuem nos seus processos de formação.

Para começo de conversa, em todas as outras profissões, há a possibilidade de formação gratuita. Existe faculdade pública para Medicina, Engenharia, Direito… Até Publicidade, Teatro e Música possuem cursos oferecidos pelas Universidades Federais e Estaduais – e isso sem contar com os programas de bolsas e de financiamento, tanto os privados quanto os públicos. Já para a aviação – e estou me referindo, obviamente, à formação prática de piloto, não às faculdades –, não há NADA: nem cursos gratuitos, nem bolsas, nem financiamentos. E, não obstante isso, a formação prática de piloto é uma das mais caras entre todas as profissões… Com R$80mil, que é o que custa, em média, uma formação completa de PC, temos o equivalente a uma mensalidade de R$1,7mil num curso superior de 4 anos – e isso é bem mais do que cobram quase todas as faculdades privadas de Direito, Administração ou Jornalismo atualmente. Então, de saída, seria interessante que a formação de piloto se equiparasse à de outras profissões neste quesito: a gratuidade e as possibilidades de bolsas e de financiamento. Mas o principal ainda não chegou: complicado mesmo é a inserção no mercado de trabalho!

Na Medicina, há os programas de residência, que fazem a transição da faculdade para o mercado de trabalho concedendo uma especialidade ao médico. E, na prática, não existe médico desempregado, seja ele recém-formado, oriundo de faculdades obscuras (desde que brasileiras), ou sem QI na Medicina: se o sujeito tem CRM, na pior das hipóteses ele vai ser um médico plantonista (e ganhar mais do que um copila da Azul, por exemplo). No Direito, há a figura do estagiário registrado na OAB, e se esse sujeito se mostrar competente durante o estágio, e conseguir passar no exame da ordem depois de formado, também é quase certo que ele conseguirá um emprego no escritório em que estagiou. Isso sem contar com as possibilidades de emprego público e de atuar como profissional liberal, que também estão à disposção do advogado novato. Para a Administração (minha formação original), eu vou contar uma historinha sobre a minha própria experiência de recém-formado para ilustrar, que ocorreu num dos piores momentos possíveis do mercado de trabalho no Brasil.

Talvez o Vinicius nem fosse nascido em 1990, mas naquele ano eu me formei em Administração de Empresas, pela FEA-USP. Para quem não se lembra ou não sabe, 1990 foi o ano do  confisco do Plano Collor (procurem isso no Google para saber mais), que levou a economia a um estado de estagflação (recessão econômica com hiperinflação), e o mercado de trabalho estava péssimo. Apesar disso, eu não fiquei nem um dia sequer desempregado: fui contratado pelo Citibank como trainee no mesmo dia em que colei grau – e o mesmo ocorreu com grande parte da minha turma: uns foram trabalhar em grandes empresas e bancos; outros ficaram na faculdade mesmo, e seguiram uma carreira acadêmica; teve gente que partiu para empreender um negócio próprio; alguns foram prestar concurso público, e assim por diante. Acho que, hoje em dia, a situação está bem melhor do que a que enfrentei, mas estou falando sobre o que aconteceu em 1990 porque é a época que tenho como referência como um momento catastrófico para o mercado de trabalho. E o que quero concluir é que, apesar da situação caótica do Plano Collor, era bem mais fácil encontrar uma colocação como administrador naquela época do que conseguir uma vaga de piloto hoje – o que dá uma medida de como o mercado está ruim para pilotos atualmente. E isso não é de ouvir falar: eu fui recém-formado nas duas situações, então posso comparar com a minha vivência prática!

Meu sonho é que, um dia, a aviação tenha os mesmos mecanismos que as demais profissões têm para os estudantes e para os recém-formados: ensino gratuito (mesmo que limitado a poucas vagas por ano), bolsas (totais e parciais), e financiamento adequado para os primeiros; e programas de estágio, de trainee ou de “residência”, estruturados e fiscalizados, com remuneração e dignidade, para o segundo. É preciso que haja maneiras de fazer a transição do aeroclube/escola para a aviação profissional sem tanta dependência do QI, e lutar para que haja uma verdadeira profissionalização da formação aeronáutica, como ocorre nas demais profissões. Porque hoje, a não ser que a pessoa tenha um ótimo QI, a única opção realmente viável é a de dar instrução, não raramente em condições de segurança e de trabalho deploráveis, e com uma remuneração absolutamente incompatível. É por isso que eu “meto o pau” aqui neste blog! Deu para entender, Vinicinho? Ou você quer que o tio desenhe para você?

27 comments

  1. Wellinton
    2 meses ago

    Boa noite
    Raul Marinho tudo bem com tigo ?
    Queria saber se você sabe algo de como que está a questão de emprego pra esse ano de 2017 ? Se está mais fácil as chances para os iniciante dá tão desejada carreira de aviação ? Os indicadores está pra melhor ou mais pra pior ? Porque vendo por um lado o curso de piloto é muito caro, não é todos que tem a oportunidade de realizar o sonho de fazer esse curso e então pra ter pouco profissional formado nessa área não é ?

    Obrigado​ .

    • Raul Marinho
      2 meses ago

      Em breve vou escrever sobre isso.
      ABs,
      Raul

  2. Felipe Bie
    3 anos ago

    Eu nunca comentei aqui nesse blog, porém quero aqui deixar meus parabéns a você Raul, que Deus possa abençoar sua vida te proporcionando cada vez mais sabedoria. Estou com 25 e pretendo me tornar Piloto sonho de criança que começa a Criar forma a minha presente idade;
    Sei das dificuldades que enfrentarei pela empreitada, todavia pretendo Eu, usar sempre da Ética profissional citada por você em um Tópico perfeitamente bem colocado;
    Venho de uma Origem Bem Humilde, porém minha fome pelo conhecimento e pela Aviação vão além das lacunas terrenas.
    Nada em minha vida Foi fácil, e espero que nada nela seja fácil, pois pretendo com Toda Humildade e empenho conquistar meu objetivo, Me tornar Um Aviador.
    Que Deus abençoe aos caros colegas que postam aqui suas Reflexões e experiências, pois nessa vida Somar para multiplicar e consequentemente dividir são como combustíveis para um Bom Humanismo, e sem dúvida para toda nossa Classe.

  3. Danilo
    3 anos ago

    Gostei do seu post. Esqueceu de mencionar os pilotos militares que se formam como pilotos tendo o curso pago pelos brasileiros e que depois que saem da corporação com muitas horas de vôo, conseguem facilmente um trabalho. Na minha opinião, não deveria valer nem as horas de vôo deles, pois, eles ganharam essas horas e não pagaram por elas, se tornando uma competição muito desigual.

  4. Joel jones
    4 anos ago

    Decuraçao a minha maior paixao é de pilotar, antes de me preucupar onde trabalhar e quanto me pagarao! O meu maior sonho é de sircular ao ar…

  5. Vinicius Piassa
    4 anos ago

    Concordo contigo Raul. O xará esta triste com a realidade.

    Valeu.

  6. Sidney
    4 anos ago

    Bom dia a todos! Tenho este sonho desde criança de se tornar piloto, porém estou o vendo ir pelo ralo. É muito bom saber que tem pessoas preocupadas com esta relação de formação e inserção no mercado de trabalho, pois o que a gente sonha é apenas sonho, na realidade a coisa é bem diferente. Eu tenho apenas a minha casa que poderia estar vendendo para poder investir na carreira, será até que ponto é viável? Já sou casado e tenho que pensar bem antes de fazer qualquer coisa. Se alguém puder me ajudar com mais orientações, fico grato.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Então, Sidney, vc está no lugar certo! Explore o blog, que vc vai encontrar muita informação para embasar essa sua tomada de decisão.

  7. Bernardes
    4 anos ago

    Verdade. No aeroclube que voo fazendo o PC/MLTE/IFR, era impossivel marcar horas de voo a uns 8/9 meses atras. Hj a escala está regularizada com menores frequencias. Mas apesar de tudo, pensamos no esforço pessoal e dedicação que é a nossa base para finalização do curso com sucesso.

  8. Rodrigo Edson
    4 anos ago

    Raul
    Voce descreveu muito bem nosso ambiente. Como safety já vi e ainda vejo muita gente que só está voando por conhecer fulano e ciclano. Já cheguei ao ponto de ficar puto (desculpe a expressão) quando pedi ao um piloto, que já possuia 2 mil hs/voo, para ler uma carta aeronautica e o mesmo não soube.
    Enfim, dificuldades sempre existirão, há pessoas como voce que não se desanimam quando as ve pela frente.
    abs

  9. André Liotti
    4 anos ago

    Raul, bom dia.
    Sou piloto em uma linha aérea, nessa já se vão 7 anos na.comercial Para chegar não foi fácil, mas a aviação e auto seletiva. Se colocar todos esses mecanismos que sugere, tira o poder aviação fazer a sua seleção natural de quem tem pedigree.
    Costumo dizer que só alcança o sucesso quem não desiste, sou prova disso, tudo era desfavorável em todos os momentos, formação até a procura e conseguir o primeiro emprego na aviação .

  10. Rogério Aviador
    4 anos ago

    Concordo contigo Raul. E comparado ao mundo da aviação, as outras formações são relativamente fáceis de encontrar empregos, pois não faltam oportunidades de estágio por ai.

  11. Löhrs
    4 anos ago

    Está aplaudido de pé!!! Comecei a voar aos 17, chequei PP aos 20; PC/IFR/MULTI aos 23. Voei de graça muuito pra acumular horas pro PC, voei freelancer quando ainda era permitido em taxi aéreo. Fiz seleção pra Cia Aérea 7 vezes entre 1988-2011. Consegui passar em 2 mas não me chamaram. Ralei como INVA por 2 anos num determinado aeroclube com mentalidade atrasada…Hoje sou PLA/ICAO 4, formado em Aviação Civil, 2500 horas totais e sou Cmte de um King Air C90. Falo inglês bem, tenho curso na Flight Safety e vou solicitar minha FAA convalidation nas próximas férias, e desde 2006 tenho tentado uma colocação na Linha Aérea SEM SUCESSO e posso afirmar uma coisa fácil, fácil: TER UM BOM (eu disse BOM) EMPREGO COMO PILOTO NO BRASIL SEM PAPAI CORONEL DA FAB OU CMTE/INSTRUTOR DE ALGUMA 121 OU EXECUTIVA DE ALTO NÍVEL É DIFÍCIL DEMAIS!!!

    Esse papo de faltar piloto no Brasil é a maior lorota que eu já ouvi (fora a de que o sapo barbudo não sabia de nada?!). Tem piloto de sobra, e os salários já não são mais os mesmos dos tempos de glória da Varig. A tecnologia embarcada está cada vez mais complexa e precisa. Voar profissionalmente hoje, embora prazeroso alguns dias é tenso e estressante. Sem falar que um bom advogado novato ganha o que eu ganho, pode fumar à vontade, ficar todo fim de semana na boate com 110dB no ouvido e se encharcar no álcool. O piloto não pode ter cárie, infiltração gengival, sinusite, problema de audição e o visual tem limites (ceratocone tá fora!)..não pode voar gripado, ansioso ou preocupado porque afeta a segurança de voo….caraca!!!

    Opinião do Alemão:
    É a melhor profissão que existe, mas…paga mal, é implacável com os erros, é egoísta, exigente uma saúde de ferro e faz da sua vida pessoal um inferno!
    Definitivamente NÃO É PRA QUALQUER UM!!

    • Gilmar Da Luz
      4 anos ago

      Li seu comentário com gosto, ótimo alemão, tens que mostrar (assim como o Raul vem fazendo) a realidade, tô fora de papo de imprensa, diga aos que estão começando (como eu) a realidade!

    • Chumbrega
      4 anos ago

      Concordo Mr. Lohrs! Sobretudo c o q vc disse sobre a irritante necessidade de indicação e de apadrinhamento. Eu,mais por sorte do q qquer outra coisa,consegui indicação p a comercial qdo já estava totalmente sem esperanças. Mas e algo q de fato chateia bastante. Permita-me dizer q vc ta bem melhor no seu emprego atual.

      Em relação ao post, acho q, de fato, a Aviacao e uma das profissões menos meritocraticas q existem. Ao contrário das outras profissões em que há ampla demanda por profissionais e ampla divulgação de vagas, na Aviacao a demanda e suprida, em 90% das vagas,pela indicação, e não pela seleção.

      Dito isso, o q me conforta (e incomoda simultaneamente) e q e possível para os mortais conseguirem indicação. Se eu consegui outros tb conseguem!

      Abs, Chumbrega
      PP – 2000
      PC – 2005
      Aviacao como principal atividade – 2010
      Na comercial – 2011

  12. Gilmar Da Luz
    4 anos ago

    Se pudesse eu aplaudiria de pé, exatamente a mesma opinião que tenho, hoje recém formado PPH e começando PCH não tenho nenhuma alternativa a não ser juntar dinheiro do meu emprego de manutenção de micros para fazer horas, sem contar o fato de que o pior está por vir que é arrumar uma colocação no mercado. Não precisamos de mais gente de opinião medíocre como o Vinícius e sim apoio de todos para podermos transformar tudo que tem de ruim e que atrapalhe o nosso esforço e ter todos os auxílios atribuídos na formação de outras profissões e condições para o inicio do exercício da atividade. Ps: Parabéns pelo blog, indico para todos aqui do hangar.

    • Rodrigo Edson
      4 anos ago

      Gilmar

      Continue com suas horas pagas honestamente, não desanime. Tenho amigos que limpavam aviões e hoje são comandantes.

      Abs

      • Gilmar Da Luz
        4 anos ago

        Isso sempre Rodrigo, se até mesmo Rolim Adolfo Amaro que teve que dormir cobrido em jornais (vide livro O Sonho Brasileiro) para ter dinheiro para fazer horas fundou a maior linha aérea do país na atualidade por que eu não posso conseguir? Vou ficar reclamando da minha sorte, não mesmo, me inspiro nos bons.

  13. André
    4 anos ago

    Boa tarde Raul,

    Tenho acompanhado o seu blog e gosto bastante da maneira como o escreve sem rodeios e acima de tudo dizendo aquilo que acha sem medo de ferir susceptibilidades. Continue… e proteja sempre essa posição de liberdade de expressão e de imparcialidade!

    Já reparei que não gosta muito de opinar sobre aeroclubes ou aconselhar escolas de aviação ou então porque não tem informações suficientes para tal. Mas, se puder dizer o que acha, ou dar uma vista de olhos no site agradecia, no outro dia encontrei a helicopteracademy.com na web, conhece? É uma escola de aviação que opera principalmente com helicópteros e que depois do programa de treino dos seus pilotos dá oportunidade de trabalhar com eles em parceria com uma empresa de fotos aéreas a barcos. Gostaria de saber a sua opinião sobre esta academia….

    Obrigado

    André

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Não é que eu não goste de falar sobre aeroclubes e escolas, é que eu só falo quando conheço… E, no caso da escola que você citou, por exemplo, eu não conheço, então não posso falar nada.

  14. Gustavo
    4 anos ago

    Estou com PC MLTE IFR INVA checados à algum tempo. Já mandei currículos pra Brasil todo e até o momento não conseguí nada. Outro dia um pivete que estava começando no PP, me viu dando uma reclamada sobre o desemprego e falou que não posso ser tão negativo e me deu as costas. Na verdade ele não gostou que eu tentei mostrar a realidade pra ele, e disse: faça uma outra faculdade pra garantir sua vida e um dia você volta e faz seu curso de piloto, pois a situação realmente está feia. Ele é mais um bobão mimado desinformado….coitado, vai sofrer muito ainda. Bom, fiquei sabendo em alguns aeroclubes que os alunos estão diminuindo muito este último mês. Alguém ouviu algo sobre isso?

    • Thiago
      4 anos ago

      Olá Gustavo, essa sua informação é bem realista, pelo menos aqui no Aeroclube que eu vôo. Uns 7 meses atras era extremamente difícil conseguir uma hora de vôo no final de semana, hoje fica um avião quase o dia inteiro ocioso! Raul mais uma vez parabéns pelo seu blog, continue sendo realista, pois não devemos viver num mundo de ilusões como muita gente diz!!!

    • Chumbrega
      4 anos ago

      Boa sorte colega,o começo e difícil mesmo. Mas não se incomode c a opinião dos outros! Sobre a diminuição dos alunos,acho BEM possível mesmo…

      • Frequento o Carlos Prates (aeroclube de minas gerais e demais escolas de aviação daquele AD) , Pará de Minas, assim como o AD de Divinópolis, onde quase todas as escolas/AC da região vem fazer treinamento.

        O que percebi é que o movimento de aeronaves de instrução nesses locais caiu uns 70% … e isso já vem desde meados de 2012.

  15. É isso aí. A realidade dos fatos, doa a quem doer. Tá certo…

  16. Victor Costa
    4 anos ago

    Boa Raul!!! A realidade por mais dolorosa que seja ainda é melhor que a doce ilusão de emprego fácil!! E pra quem tem aviação no sangue não se deixa abalar por qualquer crise no setor aéreo!!! Sem sacrifício não há grandes conquistas!!!

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