Na briga da aviação comercial, quem leva a pior é a aviação geral

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Vejam só o absurdo da matéria abaixo reproduzida da Folha de hoje (fonte: Aeroclipping do SNA). Está havendo uma briga pelos slots de Congonhas, de modo a acomodar a Azul no aeroporto central de São Paulo. As companhias tradicionais (TAM e Gol) estão, obviamente, descontentes pela entrada de mais um concorrente, e principalmente por terem de ceder seus slots – que, hoje, é um dos ativos mais importantes de uma companhia aérea. E aí, qual é a solução? Simples: esmagar a aviação geral, excluindo-a de Congonhas. Legal, né? E para onde ela vai? Marte só opera visual. Jundiaí também. Guarulhos está tão complicado quanto Congonhas… Só restaria, então, aeroportos como Viracopos e São José dos Campos para acomodar a aviação geral paulistana de alto desempenho. Que ficam a cerca de 1h:30min. de carro da capital! Ou seja: isso simplesmente inviabilizaria esse segmento da aviação na maior cidade do país. Mas, tudo bem, essa aviação é só um “brinquedo de rico” mesmo, né?

Alô ABAG! Alô APPA! Vamos botar a boca no mundo! Não é possível que uma proposta estapafúrdia como essa prospere!

TAM e Gol pedem saída de aviação executiva de Congonhas para dar espaço a Azul
MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO

A TAM e a Gol defendem a retirada dos direitos de pouso e decolagem da aviação executiva para permitir a entrada da Azul e de companhias menores no aeroporto de Congonhas. Atualmente, o aeroporto opera com 34 pousos e decolagens por hora, sendo quatro dedicados à aviação executiva.

Eduardo Anizelli – 27.abr.12/Folhapress
Passageiros na fila do atendimento
da TAM em Congonhas

A proposta já foi apresentada ao governo e seria uma alternativa para minimizar o impacto da nova política que está sendo desenhada em Brasília, de mudar as regras de distribuição de direitos de uso da infraestrutura –os chamados slots– para abrir espaço para a Azul.

Como o aeroporto opera no limite da capacidade, a ideia do governo é retirar horários de TAM e Gol para poder fazer a redistribuição.

“A gente não ganhou nada de graça, tudo foi conquistado”, afirmou o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, durante um seminário em São Paulo nesta terça-feira (19). “A intervenção prejudica as malhas já existentes e os investimentos que já foram feitos.”

A proposta do governo, que já foi posta em consulta pública, favorece a Azul mais do que qualquer outra empresa.

Mariana Barbosa/Folhapress
Paulo Kakinoff, presidente da Gol, que
pede fim de horários da aviação executiva
de Congonhas para dar espaço à Azul

Outras companhias aéreas menores, como Avianca e Brava (ex-NHT, regional que opera no Sul do país), entendem que não serão beneficiadas se as medidas forem implementadas da forma como foram apresentadas pelo governo porque a redistribuição privilegia os maiores dentre os menores.

O governo já descartou uma outra sugestão das empresas aéreas, de aumentar a capacidade do aeroporto. O aeroporto já recebeu mais de 50 pousos e decolagens por hora. Desde o acidente com o Airbus da TAM, em 2007, a operação ficou restrita a 34 movimentos por hora.

RECEPÇÃO

Segundo o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, a proposta de transferir os direitos da aviação executiva para os novos entrantes foi bem recebida pelo governo. “Tivemos um retorno do governo de que a proposta está sendo encaminhada para o controle de tráfego aéreo e para a Infraero”, disse o presidente da Gol.

Pela proposta, os aviões executivos continuarão podendo usar o aeroporto, mas sem um horário previamente definido.

“O desejo de abrir Congonhas é legitimo. Mas o estímulo à concorrência não pode desestimular as conquistas realizadas”, disse o presidente da Gol. “O crescimento do setor, de quatro vezes o PIB na última década, é fruto da concorrência e de investimetos que as companhias aéreas vêm fazendo.”

O diretor de marketing da Azul, Gianfranco Beting, afirmou que a empresa não quer só quatro slots por dia, mas que quatro por hora “já dá para ganhar dinheiro”.

“Com pelo menos quatro slots por hora, podemos fazer uma boa operação com os jatos da Embraer, mantendo o preço das passagens competitivo.”

Procurada, a Secretaria de Aviação Civil diz que recebeu a proposta das empresas e que ela será “devidamente analisada e respondida”.

Divulgação

Azul quer operar com aviões Embraer em Congonhas e ter pelo menos quatro slots por hora no aeroporto

7 comments

  1. Lorran
    5 anos ago

    E a Tam n se importa que a Tam Executiva tmb teria que parar suas operações em CGH?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Prá vc ver como essa história é, na verdade, muito mais cenográfica do que real…

  2. O Brasil e sua recorrente solução que mata a vaca pra acabar com os carrapatos.

  3. Rodrigo Edson
    5 anos ago

    O que deve ser levado em consideração é que a aviação executiva transporta as pessoas mais influentes desse país. De politicos a bilionários que preferem fretar um jatinho ao inves de utilizar o serviço de uma 121. Porque? Conforto, privacidade e segurança.
    Nõa pode o governo agir com populismo, pois se obrigar as empresas de táxi aéreo a sairem de CGH imagine o quanto se perderia em negocios. E isso seria só o primeiro passo, pois agora é CGH, depois SDU e por aí vai.
    Que as 121 têm o direito de exigir uma melhor redistribuição, que então a façam cobrando do governo investimentos nesse aeroporto, ampliação (quantas residencias são ilegais?) aumento dos slots/hora, enfim…
    abs

    • Rodrigo Edson
      5 anos ago

      correção no…Que as 121 têm o direito de exigir uma melhor redistribuição tudo bem, mas que o façam cobrando do governo investimentos

  4. Agora a Abag se mexe, para não perder o local da “feira”. Se fosse para “correr atrás do prejuízo” da Aviação Geral iria continuar “tudo dantes no quartel de Abrantes”.

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