“Veni, vini, vici”: a formação aeronáutica nos EUA em prosa

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Veni vini vici

Algum tempo atrás, eu publiquei no post “Formação aeronáutica nos EUA – uma visão de quem faz” o relato do leitor e amigo Enderson Rafael sobre sua experiência de estar iniciando o PP nos EUA, com o delicioso (e poético) texto “Os Cessnas que aqui gorjeiam” (que parafraseava a “Canção do exílio“, de Gonçalves Dias). Agora, 8 meses depois, o Enderson publicou um novo texto, desta vez “full prosa”, mas muito mais completo sobre a formação de PP-IFR-PC-MLTE nos EUA, que é o “Veni, vini, vici”, acima. Vale a pena a leitura, mesmo para quem não pretendo realizar a instrução nos EUA, não só para conhecer as diferenças que existem na formação americana, como pelo prazer de ler um texto bem escrito. Para quem não sabe, o Enderson é escritor (mas não como este escriba aqui, que espanca a Inculta & Bela somente para poder se expressar com um mínimo de clareza): ele é escritor de verdade, de literatura, tendo lançado recentemente o livro “Três céus“, que de acordo com a sinopse:

…é um romance que tem como protagonistas tripulantes técnicos e comerciais de uma grande companhia aérea brasileira. Suas três tramas, que se entrelaçam e se somam na parte final do livro, e suas histórias de amor, dramas pessoais, aventuras e paixões têm como pano de fundo o universo da aviação.

Ou seja: é o tipo de literatura que os leitores deste blog deverão gostar! #Ficaadica

Muito obrigado, pelo texto, Enderson! E ficamos ansiosos pelo seu relato sobre a convalidação (e espero que inclua as horas, que será fato inédito – pelo menos em relação aos casos que eu conheço).

 

 

29 comments

  1. John Noarm
    5 anos ago

    Sorry Enderson, mas you usa tantas words simples em english que fica até tiring de ler. E pior, em frases simples, como “(…) uma bela high pressure dominante, a density tava lá embaixo (…)”. Precisa?

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      sorry, no próximo post vou corrigir isso;-) Mas se até os manuais das aeronaves da Embraer são em inglês, quem sou eu, né…

  2. Enderson Rafael
    5 anos ago

    oi, André, tinha respondido dias atrás mas não apareceu aqui. Bom, vai de novo. Sei sim disso, e vou adiantar tudo que puder, até pq quero fugir daquele curso de PLA de qualquer jeito (afinal, só a ANAC pra inventar um curso que vc precisa estar desempregado pra fazer). Vc tá fazendo em SP? Tem mta gente fazendo em MG, mas qto mais perto de casa melhor, né? Mesmo que saia um pouco mais caro. Grande abraço!

  3. Enderson Rafael
    5 anos ago

    Oi, André, já tinha escutado as duas versões – de que dava e de que não dava. The good news are: quem tem feito a convalidação aí ultimamente, a ANAC tem colocado a licença no sistema entre uma a duas semanas depois do envio dos documentos. A carteira de pvc da ANAC chega não muito tempo depois tb. Bom, assim que eu chegar vou tentar adiantar tudo o máximo possível pra inclusive, tentar fugir do cursinho de PLA, né. Mas antes de junho, acho difícil eu estar com tudo pronto:-/ PS: onde vc vai fazer mesmo? O IFR o pessoal tem feito em mono pra ficar mais barato;-) .

    • André Pavin
      5 anos ago

      É, realmente o processo está mais rápido do que era alguns anos atrás. Eu vim começo deste mês pro Brasil com a mesma intenção, fugir do PLA teórico, hehe, quero fazer antes de ser obrigatório o curso, acho que conseguirei e você também, pelo que tenho visto não foge muito do que aprendemos aí nos EUA, somente teoria de alta mesmo que é algo que não aprendemos aí, já weight/balance é just the same. Vou fazer tudo na EJ pelo knowhow deles, não são os mais baratos mas também não foge muito das outras! Ah outra coisa importante, não sei se você checou PC no mono aí, caso tenha checado somente no multi, você convalidará somente multi aqui, não é mais como antigamente, onde o seu multi da FAA dava seu PC multi e mono da ANAC, se quiser PC mono aqui deverá fazer familiarização em mono também, ou seja, mais horas de voo aqui. Quanto ao IFR, farei em simulador mesmo.

  4. Um excelente texto para um blog excelente!

    Seria fazer uso de pleunasmo qualquer tentativa de definir a poesia que saltam aos olhos em cada texto que por aqui vemos publicados. As vezes as palavras são suaves e amplas para incentivar as dúvidas, outras são duras e diretas para aterrizar a quem sempre gosta de estar próximo as nuvens.

    Parabéns Enderson e obrigado por trazer seu relato a essa comunidade do para ser piloto!

    • Enderson Rafael
      5 anos ago

      Grande Fábio, mto obrigado! Quero ver mais relatos do Chile, hein! Grande abraço e bons vuelos!

  5. André Pavin
    5 anos ago

    Adoro quando falam sobre a formação nos EUA pois foi lá que me formei também e aconselho a todos meus amigos! Fico a disposição também para qualquer dúvida, vou ler ainda o texto do Enderson que com certeza deve ser interessante. Me tornei PC IFR Multi em Los Angeles, se for uma região do Enderson poderei ajudar bastante. Abraços!

    • Enderson Rafael
      5 anos ago

      Onde vc vai fazer a convalidação, André? O pessoal tem falado mto bem de Pará de Minas, mas se eu pudesse fazer em SP tb preferia. Abraço!

  6. Enderson Rafael
    5 anos ago

    Oi, Raul, muito obrigado pelo espaço e pela amizade, recíproca, pode ter certeza, e inclusive por falar do meu querido “Três Céus”, que a editora conseguiu e com a procura, está em destaque nas La Selva, a livraria de quem vive em aeroporto, como nós! Quanto à convalidação, farei um texto sim! Hoje, de certa forma, ela começa: estou indo a Miami para consularizar as horas, ou seja, o consulado brasileiro reconhecerá a autenticidade da minha logbook americana. Mas isso é uma outra história, pra uma outra vez hehehe Grande abraço!

  7. Sander Ruscigno
    5 anos ago

    De fato é uma obra prima, muito bem escrita e detalhada. Para mim e outros que estão pensando seriamente em ir para os EUA, ajudará muito.

    Além disso, gostaria de saber, se possível:
    1 – Do custo de cada parte, se não for pedir muito, ou pelo menos o total;
    2 – Da escola onde o curso foi realizado.

    Abraço e mais uma vez: parabéns!

    • Enderson Rafael
      5 anos ago

      Sander, não quis colocar custos poi variam muito de escola pra escola e de aluno pra aluno. O meu curso, só o curso mesmo (sem moradia, nem comida, nem passeios, nem passagens), ficou em torno de 45 mil dólares, já incluído os extra-training (q.

      • Enderson Rafael
        5 anos ago

        (que são o que vc estoura do mínimo de horas + o que vc paga de diferença do combustível qdo o preço do galão ultrapassa o gatilho do seu pacote) Mas como eu disse, na mesma escola vai ter gente pagando bem mais e bem menos, depende muito se vc reprova em um check, se vc pede mais flight reviews, depende de mta coisa mesmo. Tudo isso vira extra um dia… Mas vc paga e voa, entao naum eh de todo perdido (o custo do voo de time-share eh obviamente diferente do custo do voo solo que eh obviamente diferente do custo do voo de instrução e assim por diante). Quanto à escola, conheço além da minha gente que voa em duas diferentes. As três que indico pra vc dar uma pesquisada são a minha em DeLand http://www.flycda.com/ a Epic em New Smyrna http://www.epicaviation.com/ e a Phoenix East, em Daytona http://www.pea.com/ Umas tem aeronaves mais novas, outras mais antigas, e tanto Epic qto Phoenix são Part 141, onde vc se forma com 140h.

        • Sander Ruscigno
          5 anos ago

          Primeiro, obrigado pelas respostas… Agora vem as próximas (kakaka):

          1 – Você saberia me dizer se lá há a possibilidade de dar instrução após o curso, se há, era algo palpável na época em que esteve por lá ou era uma possibilidade distante?

          2 – Quanto você gastava com a moradia mensalmente?

          3 – Quantas horas de dedicação ao dia você gastava? pergunto isso porque devido à minha profissão eu conseguiria trabalhar remotamente em alguns projetos, mas para isso eu precisarei de algumas horas livres no dia. Contudo, o mais importante seria realizar o curso com a maior eficiência possível.

          4 – Quando foste para lá, algum intermediário te ajudou, ou você desembaraçou sozinho tudo com a escola?

          5 – O Rau se preocupa muito com a questão do QI no retorno para o Brasil, principalmente pelo faço de você não conhecer ninguém nos aeroclubes; isso é mais relevante ainda, segundo ele, nos casos do camarada não ter ficado um tempo “voando INVA” lá, parece-me que é o seu caso. Como foi a sua experiência em relação a isso?

          Por em quanto é isso, espero que você tenha tempo e paciência para respondê-las.

          Sabe como é, informação é tudo nessa vida moderna, se bem utilizada ela nunca será demais…

          Abraço e parabéns comandante.

          • Enderson Rafael
            5 anos ago

            Hahah Estou na correria aqui, mas vou tentar responder rápido.

            1- há sim, em umas escolas mais, outras menos. Mas como eu não tinha tempo nem dinheiro, não fiz. Mas existe a possibilidade sim, e vários casos de instrutores brasileiros por aqui.

            2-moradia varia MUITO. Depende se vc vai morar numa apartamento dividindo ou numa casa enorme sozinho. Ou seja, vai desde menos de 300 dólares/mês pra quem divide quarto a mais de 700 dólares por mês pra quem mora sozinho, como eu fiz.

            3-como vc viu, temos poucas horas/aula, principalmente no Part 61. Então, estudar em casa é fundamental e inevitável. Mas fora as semanas que antecedem os checks ou as provas escritas, dá pra levar tranquilamente. 2h por dia além do que vc já faz na escola em geral tá ótimo. Com foco vc conseguiria sim trabalhar nos seus projetos no tempo em que alguns vão à Disney:-) (em tempo: meu próximo livro está parado, mas pq eu realmente não tava com cabeça pra escrevê-lo no tempo que estive aqui, tanta coisa que eu tinha pra ler)

            4- eu e a escola, mas todas as que te falei têm representantes brasileiros, caso vc prefira falar em português. Mas tudo por email, relativamente simples. No post anterior essa parte tava mais explicada.

            5-Bom, não sei ainda, pq ainda não voltei. Mas o que posso adiantar é que vc não fica tão isolado assim, pois muitos brasileiros que vc conhece aqui se formam antes de vc, e todo mundo tem um link aqui outro ali. Mas realmente não sei qual o peso de um QI e tudo que consegui na vida até hoje – inclusive entrar numa companhia aérea como comissário – foi sem QI. Então acho que ajuda, claro – na aviação geral então, nem se fala – mas não quer dizer q

            • Enderson Rafael
              5 anos ago

              não quer dizer que sem QI vc ficará desempregado pra sempre. Depende muito da sua formação, do quanto vc tenta, e claro, dos humores do mercado naquele momento. E como não descarto a possibilidade de voar no exterior, a dependência do QI torna-se ainda mais discutível. É esperar pra ver. O bom do INVA aqui (CFI, pra FAA) é que vc volta com muitas horas, então isso claro, faz muita diferença sempre. Espero ter respondido todas as perguntas, abraço!

              • Sander Ruscigno
                5 anos ago

                Enderson,

                vou colocar a pergunta aqui porque onde eu queria colocar não tem mais a opção “responder”, acho que é por que chegou no limite…

                Por que você diz que tem que esperar meses até poder fazer o seu ICAO? É por causa da convalidação?

                • Enderson Rafael
                  5 anos ago

                  Exato. Como vc tem carteira da FAA, a ICAO diz que vc não precisa fazer teste da ICAO, pois proficiência em inglês é requisito da carteira FAA, mas a ANAC não reconhece isso. Então, pra fazer ICAO, vc precisa ter carteira da ANAC. E pra ter a carteira da ANAC, só depois de vc fazer a convalidação toda e a ANAC colocar tudo no sistema… É surreal e bizarro, eu sei, mas é verdade.

        • André Pavin
          5 anos ago

          Olá Enderson! Fiz a consularização de minhas horas à mais ou menos 1 mês atrás em Los Angeles onde voava, e já estou convalidando por aqui no Brasil. Qualquer coisa que precisar dá um toque! Abraços e bons voos!

          • Raul Marinho
            5 anos ago

            André, nos informe sobre o seu processo de convalidação de horas, se deu certo ou não. Porque, até onde eu sei, ninguém está conseguindo convalidar as horas, apesar do RBAC estar muito claro sobre como proceder.

            • André Pavin
              5 anos ago

              Bom, esse processo de consularização não é nada burocrático, basta chegar com seu logbook no Consulado Brasileiro e um money order (ordem de pagamento) de US$ 20 (você consegue nos USPS) e pedir para autenticarem para você, é feito na hora e tudo que farão é colocar um selo no seu logbook dizendo que as horas ali registradas foram conferidas em conjunto com a FAA e o Consulado Brasileiro e portanto são verdadeiras. Além disso, peguei uma carta do dono dos aviões que eu voava e pedi que ele declarasse que todas as horas que registrei com seus aviões eram verdadeiras também.

              Mas tudo isso tem um porém, segundo o RBAC você poderia utilizar essas horas como experiência recente para convalidar suas carteiras aqui, acontece que as escolas (praticamente todas) não querem aceitar isso! Vou fazer minha convalidação mês que vem em SP e tenho que voar pelo menos 5 horas no Seneca II (avião que sou checado PC Multi IFR pela FAA), são as horas de familiarização que a escola chama, não importa se você tem 20, 30, 500 horas no avião e já tem domínio dele! Eu já sabia isso antes de vim dos EUA mas optei por fazer a consularização pelo baixo custo e por saber que as empresas aéreas estão cobrando isso como comprovação de experiência, afinal, nos EUA o registro das horas é um sistema de confiança, muita gente sai canetando e é praticamente impossível descobrir, já com a consularização uma análise ‘por cima’ é feita das horas.

              É isso aí gente, espero que tenha ajudado, se tiverem mais dúvidas fico a disposição! Bons voos!

              • Raul Marinho
                5 anos ago

                É isso mesmo: o processo de consularização é simples, e o RBAC é muito claro quanto à viabilidade da convalidação das horas. O problema é que, na “hora do vamuvê”, a ANAC alega mil coisas, e acaba negando a apropriação das horas no Brasil… Pelo menos, era assim na era Camilo Baldy na GPEL/ANAC, e não conheço ninguém que tenha tentado convalidar as horas recentemente. Pode ser que isso tenha melhorado, e estou ansioso para saber se o seu caso deu certo, para poder noticiar essa boa novidade.

                • André Pavin
                  5 anos ago

                  Pois é, chega a ser tão simples que assusta. Na verdade acho que é simples porque não deram o tempo suficiente e merecido para estudar esse assunto e por isso no “vamuvê” as coisas acabam complicando. Qualquer novidade te aviso, abraços!

                  • Sander Ruscigno
                    5 anos ago

                    Raul e André,

                    façam o favor de compartilhar essa informação assim que ela sair, estou muito interessado no assunto.

                    • Enderson Rafael
                      5 anos ago

                      O RBAC é bem claro mesmo, fala inclusive da consularização. Mas tem IACRA, tem log, é tudo uma imensa palhaçada – só menor do que a ANAC não reconhecer ICAO 4 pra quem tem FAA (tá publicado pela ICAO essa regra, mas a ANAC é mais gostosa que todo mundo, né). No fim, veremos quando eu voltar, consularizei hj, e assim que chegar minha carteira definitiva (a ANAC naum aceita a temporária por frescura, o numero eh o mesmo), vou descobrir o que me aguarda, inclusive se o fato de eu já ter codigo ANAC me adianta em alguma coisa (chegar com ATC fresquinho dos EUA e ter que passar meses no Brasil antes de fazer o ICAO é patético). Enfim, sei que ainda vou me aborrecer muito por aí… Mas, vamos que vamos. Podia ser pior, eu podia ter nascido em Myanmar. E qto a experiência recente, André, vê direitinho. Tem o lance das 6h de IFR com um belo “OU” pra quem checar, ou seja… cerveja! Mas as escolas claro estão querendo tirar mais dinheiro da gente (e dói pagar o dobro pra voar Seneca, né…). Tudo uma imensa palhaçada, ligada a conceitos estúpidos de soberania, reciprocidade, numa indústria que é, em tese, nivelada por um orgão da ONU. Vamos nos falando, muita água vai rolar nessa brincadeira ainda… Grande abraço a todos e obrigado pelo carinho. Desculpa, fico amargo qdo lembro da ANAC…

                    • André Pavin
                      5 anos ago

                      Fala Enderson! O não reconhecimento do ICAO realmente é desanimador, é mais um custo que temos aqui de no mínimo R$ 600 só para fazer essa prova, mas fazer o que. Sobre esperar chegar a definitiva da FAA é correto, a minha sempre foi entregue no Brasil (até por questão do endereço permanente que a FAA cobra) mas você não precisa esperar ela chegar para iniciar sua convalidação. Não sei se você sabe como funciona ainda, mas basicamente esses serão seus passos:

                      1º – Tirar CMA;
                      2º – Fazer prova de regulamentos;
                      3º – Fazer as horas de familiarização/ground/simulador IFR;
                      4º – Enviar os documentos para a ANAC (é nesse ponto que você deverá estar com a permanente da FAA).

                      Não é complicado, o que complica só é a demora da ANAC após você enviar os documentos, pois até eles entrarem em contato com a FAA é uma novela, mas já te dou uma dica. No site da FAA, faça seu login de airmen e imprima aquele comprovante que mostra suas carteiras e mande com os documentos da convalidação, isso agiliza o processo da ANAC.

                      É complicado pagar R$ 1.400 na hora de Seneca enquanto se paga US$ 300 nos EUA, mas welcome to Brazil buddy! Ah, e ter código ANAC não ajuda, aliás, é obrigatório ter para tirar o CMA, então teria que fazer de qualquer forma.

                      Abraços!

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