8,8 birdstrikes são “normais”? Como assim?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Leiam a notícia publicada pelo G1, logo abaixo (fonte: Aeroclipping do SNA). Nela, está-se noticiando que o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus-AM, registrou 7 birdstrikes no primeiro trimestre de 2013 (sendo que o mês de março ainda nem acabou), mas nos tranquiliza ao afirmar que “conforme o padrão internacional da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), até 8,8 colisões são consideradas dentro da normalidade.”

Espera um pouco… De onde saiu esse número? 8,8 colisões em que período de tempo? É trimestral mesmo? (Não é anual, não?) E vale para qualquer aeroporto, não importa o volume de tráfego? E que “padrão internacional” é esse? Em qual o documento ele está baseado? Emitido por quem? Enfim: onde essa “normalidade” está baseada, sr. G1? Ou isso é só o que alguma fonte da ANAC afirmou? (Percebam que a fonte do SERIPA não fala nada sobre esse número).

Eu não sei qual seria o número aceitável, nem que metodologia é utilizada para medir esse tipo de ocorrência. Mas tudo isso me parece muito estranho… Quase 9 birstrikes num trimestre dá cerca de 3 eventos ao mês. E são ocorrências com elevado potencial para evoluir para um acidente grave, matando centenas de pessoas. Então, parece-me um tanto quanto ilógica essa afirmação, muito embora eu só esteja baseando minha afirmação numa percepção leiga sobre o assunto. Gostaria muito de saber se isso está correto. Se alguém puder ajudar, agradeço.

Infraero detecta sete choques entre aves e aviões neste ano em Manaus

Conforme padrão internacional, até 8,8 colisões está dentro da normalidade. Segundo Infraero, número de colisões se deve ao período chuvoso.
Girlene Medeiros
Do G1 AM


Aeronave passa por manutenção no Aeroporto Internacional Eduardo
Gomes após pássaro entrar na turbina, segundo Infraero
(Foto: Ana Graziela Maia/G1 AM)

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) identificou a ocorrência de sete colisões de pássaros em aeronaves durante os três primeiros meses de 2013 no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus. O índice é considerado normal para o período chuvoso em que as aves tendem a migrar de local. Conforme o padrão internacional da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), até 8,8 colisões são consideradas dentro da normalidade.

No último dia oito de março, um pássaro entrou na turbina de um avião e assustou 132 passageiros em um voo da TAM que seguia até o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. No ano passado, a Infraero detectou 22 colisões. A causa para a presença de tantas aves na área do aeroporto é a existência de lixões e feiras clandestinas nos bairros próximos, como Redenção, Parque Riachuelo e Alvorada, na Zona Oeste da capital amazonense.

Uma equipe da Infraero monitora o raio de 20 km no entorno do aeroporto a cada dois dias, de acordo com o superintendente do Aeroporto de Manaus, Aldecir de Oliveira Lima. A estratégia é para evitar a presença de aves. “A ação já fechou pocilgas, lixões e descarte irregular de resíduos, mas tudo está relacionado com a educação ambiental”, afirmou o superintendente.

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A atuação de combate envolve autoridades estaduais e órgãos da Prefeitura de Manaus, entre eles a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp). A Comissão de Prevenção do Perigo da Fauna (CPPF) faz visitas periódicas aos bairros fazendo palestras de educação ambiental, recolhendo lixo depositado em locais impróprios e fazendo a conscientização em feiras. A Infraero possui também um convênio com o Centro de Desenvolvimento Tecnólogico da Universidade de Brasília (CDT/UnB) para redução dos fatores atrativos da fauna.

Segundo o tenente-coronel Artur Rangel, do Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VII), cabe a Aeronáutica investigar a localização dos pontos atrativos para as aves. “Existem muitos urubus em Manaus e há um trabalho de remover as aves com maior incidência de colisão para um trabalho de manejo feitos pelos biólogos. O risco aviário envolve muitos órgãos para que, inclusive, o lixo do entorno do aeroporto seja combatido”, explicou o coronel.

Durante as operações de fiscalização, o titular da Semulsp, Paulo Farias, afirmou identificar também áreas desertas utilizadas para a prática de oferendas. “Fazemos a coleta diária nos locais, mas sempre encontramos lixeiras viciadas com oferendas. Já apreendemos veículos que estava fazendo descarte clandestinos, mas insistimos que a população colabore porque a colisão de aves em aviões é algo muito perigoso que pode derrubar voos”, disse.

3 comments

  1. Carla
    4 anos ago

    Olá, notícia antiga mas só esclarecendo. Isso foi erro do G1 mesmo. Aquela velha mania de reporter… é falado de um jeito e é publicado de outro totalmente errôneo… gerando interpretaçoes erradas tbm. Há níveis aceitáveis de índices de número de colisoes por movimento de aeronave em outros países, mas a ANAC nao aplica isso no Brasil.

  2. Rodrigo Edson
    4 anos ago

    Tb desconheço o doc que contém essa tolerancia.

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