“Colt Aviation vai disputar setor de carga”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A seguir, reproduzo reportagem publicada hoje pelo Valor Econômico sobre os planos da Colt Aviation para o futuro próximo (os grifos são meus). Em seguida, faço meus comentários sobre a matéria.

Colt Aviation vai disputar setor de carga

Por Alberto Komatsu | De São Paulo

A Colt Aviation, empresa de táxi-aéreo com 10 anos de operação, vai ampliar seu raio de ação neste ano. Em meados de agosto, o plano é transportar cargas aéreas com uma nova companhia, a Colt Cargo. Em novembro, poderá ser a vez de uma terceira empresa, de logística. Em 2014, há ainda interesse na aviação regional de passageiros.

Quem conta esses planos é o empresário e piloto de avião Alexandre Eckmann, acionista e presidente da Colt Aviation. Junto com seu sócio, Alex Meyerfreund, da família fundadora da Chocolates Garoto, pretendem investir R$ 75 milhões no transporte de cargas e na logística, com apoio de investidores e bancos.

“Tem gente que fala que estou entrando num negócio no qual todo mundo quebrou. Estamos entrando no mercado no fundo do poço. Pior que isso não fica“, afirmou Eckmann, ciente das dificuldades do transporte aéreo de passageiros e de cargas.

No primeiro bimestre, o transporte aéreo de cargas, no Brasil, encolheu 61,3% na comparação anual. Os dados são da Infraero e não incluem os três terminais que foram concedidos para a iniciativa privada no fim de 2012 – Cumbica, Viracopos e Brasília.

O transporte aéreo de passageiros, também no primeiro bimestre, acumula queda de 2,29% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Mesmo diante desses números negativos, a dupla Eckmann e Meyerfreund planeja uma quarta companhia. Animados com o pacote de incentivo para a aviação regional, anunciado pela presidente Dilma Rousseff em dezembro, planejam operar no transporte de passageiros entre as regiões Nordeste e Norte.

A ideia é lançar a companhia no segundo semestre de 2014. Volume de investimentos e nome dessa terceira investida não foram revelados.

“Há hoje no Brasil uma oportunidade muito grande na aviação regional. A gente pensa nesse projeto para o ano que vem”, disse Eckmann. O empresário carioca, ex-piloto da Varig e da Transbrasil, concedeu entrevista um dia depois de a Gol Linhas Aéreas ter divulgado o maior prejuízo em 12 anos de história, de R$ 1,5 bilhão, em 2012.

Um dos motivos que levam o empresário a ter um plano para aviação regional são os subsídios para quem operar nesse segmento. Além do investimento de R$ 7,3 bilhões em 270 aeroportos regionais, o governo federal planeja subsidiar os assentos ocupados de uma rota regional até o limite de 50% da capacidade do avião, ou o equivalente ao teto de 60 assentos.

O investimento na Colt Cargo será de R$ 15 milhões, com recursos próprios dos acionistas. Financiamentos bancários também poderão ser uma alternativa. O primeiro passo técnico para a sua criação foi dado em outubro, quando a Colt Cargo recebeu autorização para funcionamento jurídico.

Em abril a companhia receberá três modelos 737- 400, da americana Boeing, versão cargueiro. Cada aeronave tem capacidade para 21,8 toneladas de carga. O plano é operar três voos por dia de São Paulo (Cumbica) e do Rio (Galeão) para capitais das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

Até o fim deste ano, a Colt receberá mais dois aviões, totalizando cinco aeronaves na frota. “Hoje você tem uma rentabilidade por hora voada média 30% maior em carga do que para passageiro. E o custo para operar passageiro é 30% maior do que carga”, afirmou Eckmann.

O plano para o braço de logística inclui outros investidores. Segundo Eckmann, há duas negociações em andamento, mas detalhes não foram divulgados. O objetivo é levantar R$ 60 milhões para lançar essa empresa, com o apoio de parceiros e fundos de investimento. “É gente grande da área de logística”, afirmou o sócio da Colt Aviation, com frota de 15 aeronaves e faturamento anual de R$ 50 milhões.

Comento

Dos destaques do texto, gostaria de enfatizar que:

1)A avaliação é de que a aviação estaria no fundo do poço; logo, haveria mais espaço para melhorar do que para piorar; e

2)No fim das contas, o grande foco da empresa nem é o transporte de cargas, como anunciado no título, e sim o transporte regional de passageiros, que o governo diz ter interesse em subsidiar.

Os donos da Colt podem estar certos, muito embora confiar muito no governo nunca tenha se mostrado uma estratégia das mais prudentes. Mas se as expectativas deles se confirmarem, fiquem atentos porque é na Colt ou em alguma empresa similar a ela que a gente vai estar voando dentro de alguns anos!

9 comments

  1. neila reis
    4 anos ago

    Estávamos à um bom tempo esperando esta notícia,meu marido trabalha há 24 anos neste ramo de carga aérea e sabe que com bons empresários não tem como dar errado ,parabéns e bem vindos

  2. “(…) muito embora confiar muito no governo nunca tenha se mostrado uma estratégia das mais prudentes (…)”

    Principalmente quando a causa envolvida não rende votos nem propicia oportunidade de grandes desvios de verba… São raros os casos onde o estado investiu pesado sem levar o “seu” na contrapartida.

  3. Secreto
    5 anos ago

    Podiam falir … porque pior que está, fica.

  4. Julio Petruchio
    5 anos ago

    Alguém confia no que o governo diz?

  5. “Frota de 15 aeronaves”??? Juraaammm??? Sem mais comentários…

    • Otavio Guerra
      5 anos ago

      Só quem voa lá sabe né Capitão rsrsrs

  6. Tiago Ribeiro
    5 anos ago

    Ótima notícia, tomara que vá pra frente.

    • Nilson
      4 anos ago

      Tambem torçopra dar certo

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