Depois do Aeroclube do Brasil, será o Aeroclube de São Paulo o próximo da lista de despejados pela INFRAERO?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Ontem, no post sobre o despejo do Aeroclube do Brasil do Aeroporto de Jacarepaguá, disse que voltaria a este o assunto dos aeroclubes brasileiros sendo expulsos de seus hangares em breve. Pois bem, eu estou voltando agora, para falar do Aeroclube de São Paulo – que, se não se cuidar, poderá ter o mesmo fim do ACB. Então vamos lá.

O ACSP possui três áreas distintas nas instalações que ocupa no Campo de Marte: um hangar destinado à guarda de aeronaves de sócios; um prédio central, que abriga as salas de aula dos cursos teóricos e o Bar Brahma; e um hangar destinado à manutenção e guarda de aeronaves de instrução, com a secretaria e as salas de briefing anexas. A frota efetivamente operacional está por volta de uma dúzia de aeronaves, sendo a espinha dorsal composta pelos Piper Cherokee adquiridos em 1973. Esta é a atual configuração do aeroclube, que já foi bem mais ativo, com mais de 40 aeronaves operacionais na década de 1980 (inclusive helicópteros) – lembrando que a cidade, a Economia, e a aviação naquela época eram muito menores do que são hoje.

Embora o Aeroclube de São Paulo não seja insignificante para a formação de pilotos paulistanos, sua importância frente aos seus concorrentes diretos – a EJ e os aeroclubes de Bragança Paulista, e Jundiaí (só para ficar nos mais relevantes) – é reduzida, e deve responder por algo próximo a 10-15% do volume total de instrução prática ofertada aos paulistanos. E, para isso, carrega um hangar que só serve para subsidiar a guarda de aeronaves particulares de alguns sócios privilegiados; um mega bar-restaurante frequentado principalmente por um público estranho à aviação; e salas de aula que poderiam estar fora do aeroporto… Na verdade, somente cerca de 1/3 da área do aeroclube é realmente essencial para a instrução prática, e precisa ficar dentro dos limites do Campo de Marte: o resto seria facilmente sacrificável sem prejuízo à formação de pilotos.

Ou seja: para formar 10-15% dos pilotos de São Paulo, usa-se somente uma fração da área de um dos espaços mais nobres da aviação da capital. Então, se a moda agora é tomar decisões pelo lado da racionalidade econômica, eu pergunto: quanto tempo ainda vai levar para a INFRAERO olhar para essa situação e, em nome desta racionalidade, concluir que não faz sentido manter o Aeroclube de São Paulo onde hoje ele está? Um ano, dois, dez… Pode demorar, mas uma hora isso vai acontecer. E, quando esse dia chegar, não vai ser a placa dizendo que a instituição foi fundada em 1931 que vai resolver alguma coisa (o ACB é de 1911!).O governo está se lixando para isso, como ficou claro na atitude  tomada em relação ao ACB.

Eu não estou, com isso, querendo que o ACSP saia do Campo de Marte – muito pelo contrário! Eu estou falando é que, se os seus dirigentes não reformularem a instituição, fazendo dela um centro realmente importante para a formação aeronáutica paulista e brasileira, o seu fim é certo. O problema é que isso significa despejar as aeronaves particulares de lá, acabar com o Bar Brahma, investir na aquisição de novas aeronaves… Coisa que, pelo que percebo, passa longe dos planos de sua administração. Então, meus amigos, podem esperar que, daqui a algum tempo, será o despejo do Aeroclube de São Paulo do Campo de Marte que estará sendo noticiado. E, para os demais aeroclubes com política semelhante, podem contar com o mesmo. Infelizmente.

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