“Azul cria índice para avaliar pilotos por economia de combustível”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Alguns dias atrás, nós discutimos a iniciativa da Gol em bonificar seus pilotos por economia de combustível, inicialmente neste post – “Gol estabelece bônus polêmico para pilotos por economia de combustível” -, e depois neste: “O caso da bonificação por economia de combustível da Gol – A retratação“. O assunto é complexo, tanto é que eu tive uma opinião inicial, e depois refleti melhor, e mudei de posição (e, em ambos os casos, há quem discorde de mim). E no segundo post, pode-se ler o seguinte comentário do leitor “Anônimo” (possivelmente, um tripulante da Azul/TRIP):

Posso afirmar categoricamente que na TRIP não existe incentivo financeiro para economia de combustível. Acho que deveria ter, mas não tem.

Pois muito bem. Leiam agora essa reportagem recém-publicada no G1: “Azul cria índice para avaliar pilotos por economia de combustível – Pilotos chamam de ‘índice de perigo’; é incentivo a uso consciente, diz Azul. Gol criou bônus em dinheiro para tripulações que reduzirem querosene.”, que mostra como a Azul/TRIP está lidando com o assunto. De fato, não há “incentivo financeiro para economia de combustível” no plano da empresa, como disse o leitor não identificado – o que não significa inexistir algum tipo de incentivo à economia de combustível na companhia. Na realidade, uma vez que o desempenho é individualizado, o incentivo a práticas mais, digamos, “radicais de economia de combustível”, podem ser ainda mais incentivadas. Não acho, contudo, que haverá um surto de irresponsabilidade no comportamento dos pilotos da Azul com a adoção do tal índice IP. É um bom assunto para discussão, de qualquer maneira.

Fora essa discussão, uma outra coisa que me chamou a atenção na reportagem foi a existência de um blog anônimo dos “pilotos ‘fusionados'” da Azul e TRIP, o “Pilotos da Fusão“. Não sabia da existência deste espaço, e agora que sei digo o mesmo que disse sobre o blog “Aviador Anônimo TAM” neste post “Sobre os ‘aviadores anônimos’ da TAM“. Ou melhor, peço que o Capitão Nascimento o diga: “Já avisei que vai dar merda isso!!!“. O engraçado dessa história é que, no post que eu escrevi sobre o blog dos pilotos da TAM, estava citando os elogios que eles, da TAM, faziam para a Azul… Será que, daqui a pouco, veremos os “fusionados” falando bem da TAM?

P.S.: Agradeço ao leitor Wagner Francisco pelo alerta sobre a reportagem do G1.

14 comments

  1. topviper74r
    4 anos ago

    Ontem dia 09/05/2013 as 8 da manha, um aviao da azul pouso sem combustivel em Caxias do sul. Ele iria para POA. mas nem pra ir para la fazer procedimento ele tinha combustível. Foi a maior fulia, ele pousou so com o cheiro do combustivel. Ate o salvaero tava ligado. Quase que houve uma tragédia mas nao foi divulgado pela imprensa. Ta PERIGOSO isso.. Pois caxias do sul no horario em que pousou vira e mexe esta fechado com nevoeiro. Ou seja, podia estar fechado e pelo que sei ate o horario da radio la era outro. Foi uma correria.
    Acho que essa politica tem que ser revista, pois com certeza isso foi a causadora dessa catastrofe.

  2. joseluizdacosta@yahoo.com.br
    4 anos ago

    Mas tem falar com Infraero, Petrobras e controladores. A Infraero para melhorar o chão do aeroportos, a Petrobras baixar os preços do combustíveis e os controladores liberarem rotas mais diretas. Sendo assim teremos 10% de redução no consumo.

  3. Felipp Frassetto
    4 anos ago

    Caramba, é mesmo a lei do cão…

  4. Maurício
    4 anos ago

    Caro Raul Marinho, tenho certeza de que você nunca voou um avião se preocupando com o combustível. Porque no aeroclube e aviação geral, é tanque cheio e vamos embora. O patrão não regula, todo mundo vai lá e enche mesmo. E também não ensinam nada sobre gerenciamento de combustível, ou fuel management.

    Na aviação comercial, o combustível é contado. É o mínimo. E se você levar mais do que o mínimo tem que ter motivo. Isso quer dizer que você decola sem ter combustível pra fazer mais de uma órbita na maioria das vezes.

    Aí então a sua companhia começa a lhe dizer indiretamente que você está gastando mais do que os outros… hm, e aí? E pra eu fazer o que? Gastar menos? Mas como? Vou levar menos combustível então? Aí é que está o perigo.

    O piloto não gasta mais porque quer!! Ele gasta mais por algum motivo! Porque ele não usa das melhores práticas, porque ele não sabe interagir da melhor forma com a máquina e o meio, porque ele não tem a mais fina das pilotagens.

    Só que aí então a cia só diz assim, bem baixinho, discretamente, de forma indireta… ‘tu tá gastando mais’… e aí mira o cidadão… e o cidadão tem medo. Aí o cidadão desprovido do melhor conhecimento de fuel management vai lá e começa a tirar, a sair com menos, até o dia que acontece caca…

    Olha, avião comercial pousando com low fuel, declarando emergência por combustível, sempre teve e sempre vai existir… mas agora, com essa quase competição instaurada, meu amigo, até eu estou com medo do que eu vou ver!!

    A Azul tinha diversas maneiras de reduzir o consumo de combustível, inclusive utilizando o IP. Mas não se pode o revelar! Este é o segredo, aqui está o perigo! Era muito melhor ter o IP de cada piloto, manter em segredo. A partir disto, investigar as deficiências técnicas dos ‘gastadores’ e corrigi-las!

    Mas não, virou competição. A Azul quer ver inventores desta arte… e não tem prêmio, nem funcionário do mês!!

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Entendo perfeitamente o que vc disse, Maurício. Mas vc há de convir que a empresa é quem teria mais a perder em caso de um acidente. Seria a administração da Azul tão irresponsável a ponto de colocar a empresa em risco para economizar uns trocados no combustível? Não creio… Mas só vamos saber o resultado dessa nova política no longo prazo.

      • Maurício
        4 anos ago

        Entenda que o problema das empresas aéreas no Brasil é custo. Então tudo é custo, para onde elas olham, o que enxergam é custo. Então aquele piloto que gasta 50kg a mais por etapa é custo. E aquele que gasta 50kg a menos é a referência.

        Se segurança fosse a prioridade, isso não estaria acontecendo. Disso não resta dúvidas. Mas a dificuldade de se ganhar dinheiro com aviação no Brasil e a alta competitividade entre as empresas faz com que as empresas só enxerguem CUSTO.

        Então se a TAM vai lá e cria o smart fuel, se a Gol vai lá e cria um programa de economia de combustível, a Azul faz o que? IP neles… ou vai ter o custo mais alto com combustível? Se a Azul não cria o IP ou algo parecido, ela seria a grande perdedora, pois as outras empresas já tem programas de redução do consumo de combustível.

        As empresas não enxergam as políticas de redução do consumo de combustível como um perigo, pelo contrário: é questão de sobrevivência para elas!

        No entanto, o IP é o mais sádico de todos, porque é pessoal. Mexe com o ego. Eu nunca ouvi NENHUM aviador dizer que realmente é abaixo da média e tudo certo. E vai ter muita gente abaixo da média, e vai ter muita gente que estará na média e só aceitará se estiver acima da média, e vai ter gente brigando para ser a referência… vai ter gente com medo de ser demitido por estar abaixo da média!

        E outra… A Azul não está pedindo diretamente para que você faça coisas ilegais, pelo contrário. O email é muito bonzinho, “esclarecedor”. Lembre-se que nem tudo que é legal é seguro, e mesmo que você esteja dentro da lei você pode ser considerado culpado em um acidente ou incidente por deficiente julgamento. É o que mais acontece. Então mesmo que aconteçam incidentes a Azul está resguardada, pois nunca pediu a seus pilotos que deixassem a segurança de lado… hehe, mas pediu indiretamente que trabalhassem na tênue linha entre o considerado seguro e o incidente/acidente… Que trocassem a segurança a mais pela eficiência operacional.

        Veja que a divulgação do IP não melhora o nível técnico, ou a capacidade de economizar combustível do aviador. Apenas mexe com o seu ego! E aí ele terá de mudar seus parâmetros de seguro/não seguro, se colocar em condições desconfortáveis a fim de estar de melhorar o seu IP.

        Segurança não se mede com acidentes e incidentes… Isso é como as autoridades tratam do assunto.
        Eu não preciso esperar cenas do próximo capítulo para saber como estão se sentindo hoje os pilotos na linha de frente. Preocupados, no mínimo. Aliás, só mais uma preocupação…

        A tempo, eu conheço muita gente na TRIP que já trabalha com este IP por lá. A maioria trabalha de forma tranquila, mas existem muitos que não aceitam “perder”. E eles estão por aí.

  5. Luis
    4 anos ago

    Esse blog da TAM, quem lê fica perplexo com a desmotivacao geral das tripulações técnicas com a política da cia, e fazem uma cruzada contra o Ruy Amparo. A verdade é que o clima lá azedou faz tempo e há graves avisos sobre a possibilidade de acidentes. Em que ponto essa cia admirada noas anos 90 chegou ?

  6. Wagner
    4 anos ago

    Acredito que essa moda veio pra ficar, acho que em breve teremos cursos teóricos e práticos em aeroclubes sobre aviação com eficiência, como pilotar de modo seguro e econômico… ou pelo menos, esses tópicos serão abordados em matéria de algumas aulas no curso de PP/PC, ou ainda, nas graduações de ciências aeronáuticas/aviação civil.

    Abraços

    • Wagner,
      na minha experiência de formação, esse tópico associado a gestão do combustível (consumo x eficiencia) foi abordado em clareza e profundidade. Ainda assim, entendo que dependendo da aeronave na qual o aluno faz o curso, é que dependerá de o mesmo cair na perigosa tentação de suprimir a gestão fina do uso de combustível.

  7. Júlio Petruchio
    4 anos ago

    O discurso da preservação do meio-ambiente, futuro do planeta, economia e bla bla bla são “bonitinhos”, mas com relação aos Tripulantes Técnicos, esse IP tem caráter punitivo? Ou é só para criar disputa entre eles e incentivar a operarem de forma insegura?

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Júlio, eu não sou ingênuo em afirmar que a adoção desse índice não poderá gerar disputa entre pilotos. Mas daí a afirmar que o IP tem caráter punitivo ou que gera insegurança, acho temerário. Pelo menos, não há como se afirmar isso hoje.

      • Júlio Petruchio
        4 anos ago

        Seria então um método um tanto quanto “camulflado” de “Assédio Moral” ou “Fator de Indução ao Constrangimento”? Parece que esse IP fica meio sem sentido quando se é considerado o tripulante, pois com relação a esse, a princípio não há conseqüências positivas nem negativas “diretamente” falando

        • Raul Marinho
          4 anos ago

          Isso só saberemos no longo prazo. Hoje, nào se pode afirmar nada.

    • Silva
      3 anos ago

      O interessante, que a “preocupação com o planeta” por empresas aéreas, é uma cortina de fumaça; pois, citando apenas o exemplo da própria TAM, esta usava e abusava do marketing com propagandas em vídeo durante o táxi, contribuindo ao desperdício já no início do táxi de qualquer vôo .
      Fora, o transporte de mantas sujas nos porões ( peso morto mesmo ) em vôos internacionais ou ainda, a escolha de uma rota mais longa e demorada, justificada apenas para evitar pagar taxas de sobrevôo e comunicações mais cara, isso não se pressupõe qualquer preocupação com emissões de CO2 na atmosfera ( e fazem propaganda de preservação rsrs )

      A maior preocupação das empresas é o CUSTO!

      Pois, a maior razão da existência de uma empresa é o LUCRO !

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