“Aeronáutica estuda impacto de veto a aviões no Campo de Marte”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Dando prosseguimento ao informado na sexta-feira neste post, leiam essa reportagem do G1 “Aeronáutica estuda impacto de veto a aviões no Campo de Marte“, e prestem atenção a este último parágrafo:

O Campo de Marte é o quinto aeroporto brasileiro em número de operações e funciona exclusivamente para a aviação geral, executiva, táxi aéreo e escolas de pilotagem como o Aeroclube de São Paulo. Lá se encontra baseado também todo o grupamento aéreo da PM e da Polícia Civil.

Para quem não conhece muito bem a questão, parece que esse trecho defende a permanência dos aviões no Campo de Marte, mas:

  • Este aeroporto só é o quinto do país em número de decolagens e pousos devido à operação dos helicópteros, que respondem por cerca de 60% do seu movimento;
  • A única escola de pilotagem de asa fixa que lá opera é o Aeroclube de São Paulo, que hoje é quase irrelevante no cenário da formação aeronáutica paulistana (treinamento prático para pilotos de avião); e
  • Os grupamentos das polícias militar e civil operam, basicamente, com helicópteros (que eu saiba, a PM só tem um Cessna 206 do destacamento florestal, que aparece de vez em quando em SBMT).

Então, analisando aquele parágrafo à luz destas informações, percebe-se que a argumentação do final da reportagem na verdade é favorável à intenção do prefeito de vetar os aviões no Campo de Marte… Voltaremos a este assunto – especialmente sobre o papel do Aeroclube de São Paulo nessa história – oportunamente.

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Correções: O leitor Alex Mena Barreto retifica, via comentário, a minha informação sobre a frota de asa fixa da PMSP presente em SBMT, que na verdade é composta por 3 aeronaves (1 Cessna 210, 1 Bonanza, e 1 King Air); e o leitor Diego Rochini me envia um e-mail informando que, além do ACSP, há duas outras escolas atuando naquele aeródromo com aeronaves de asa fixa: a Bravo, com um C152 e um Tupi, e a ESA, com um Piper Archer e um Seneca II.

Peço desculpas pela incorreção inicial, mas, de qualquer maneira, o raciocínio original permanece o mesmo: não serão sete aeronaves a mais ou a menos que farão alguma diferença na avaliação da importância do Campo de Marte para a aviação de asa fixa de São Paulo. Voltaremos a este assunto em um post mais elaborado sobre o assunto.

6 comments

  1. Luciano Possani
    5 anos ago

    Movimentos semelhantes (especulação imobiliária) tem ocorrido em várias partes do Brasil. Mesmo os EUA tem situações como esta. Os usuários e defensores da manutenção do Campo de Marte precisam levantar todas as informações sobre as operações de asa fixa mostrando o que elas representam para a economia da cidade e fazer a pressão política necessária.

  2. Pedro Villa Lobos
    5 anos ago

    enfim, aviação executiva ja esta sendo enxutada de CGH… os 40% do movimento que representam os aviões são de inestimável valor para nossa aviação executiva. A helimarte está expandindo as operações em asa fixa, e há uma grande fila para hangaragem neste aeródromo. Desnecessário destruir este patrimônio e sobrecarregar aerodromos pequenos que mal tem infra estrutura para suportar seu atual movimento.
    Há sim um grande movimento de aeronaves executivas em marte que já não se comporta em CGH. Enviar todo mundo para SBJD? SBBP? SDAI? É assim que se trata a aviação? manda pro acre que ta tudo certo.
    até quando deixar o PT destruir o que é nosso…isso é lobby de construtora, mesmo que o movimento fosse pequeno, nao é DESTRUIR que vai fazer a aviação ir pra frente. Calcule o dano que causara os pilotos das 30 aeronaves pertencentes e agregadas somente da helimarte em repouso… emprego isso nao vai gerar.

  3. Beto Arcaro
    5 anos ago

    E a JP Martins, representante Piper e oficina homologada?
    Que eu saiba a JP não da manutenção em Helicopteros e nem a Piper fabrica “asa rotativa”.
    A JP é só um exemplo.
    Tem muita gente operando “Avião” ainda em Marte!
    O número de Helicópteros é realmente muito maior, afinal, o ambiente exige(estamos falando de “Sampa”, não?)
    Se tem pouca operação de asa fixa em SBMT, é por que a situação ficou tão “dificultosa” para esse tipo de aeronave, que muitos acabaram migrando para outros aeroportos como Jundiaí ou Sorocaba.
    Slots, Pátio “on request”, Autorizações de FPLN demoradissimas, restrições de horários para operação…
    Será que criaram tudo isso para “espantar” aviões de lá?
    E agora dizem: Tem pouco avião mesmo, então vamos acabar com os restantes!
    Acho que é por aí.
    Tudo bem, para um País onde estam “sobrando” aeroportos, né ?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Pois é, mas a JP Martins não está na reportagem do G1… De qualquer maneira, Betão, levar a JP para Jundiaí ou Sorocaba não me parece algo tão complexo assim. Mas vc já começou a falar o que eu vou dizer no próximo post sobre este assunto: acabar com uma operação de pequena importância é muito mais fácil que encerrar as operações de um aeroporto de grande relevância, como era SBMT algum tempo atrás. Falaremos bastante sobre isso em breve!

  4. Alex Mena Barreto
    5 anos ago

    Raul,

    Apenas para informação, o Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar atualmente tem uma frota de asa fixa que compreende 2 C210, 1 Bonanza e 1 King Air.

    Um dos C210 fica na nossa base em Bauru, os demais estão mesmo baseados no Campo de Marte.

    Att,

    ALEX MENA BARRETO

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