E o “apagão de pilotos” ainda não morreu…

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Apesar da crise que o mercado de trabalho para pilotos está atravessando, alguns veículos de imprensa ainda insistem em publicar reportagens como a reproduzida abaixo, que saiu na Gazeta Digital do Mato Grosso hoje (fonte: Aeroclipping do SNA). Tem até um piloto de Boing (sic) dando entrevista!

Setor aéreo atrai profissionais
Estado tem o 6º maior número de aviões do país, com crescimento de 20% nos últimos 2 anos, motivando a qualificação dos futuros pilotos, comissários e mecânicos
EVANIA COSTA
DA REDAÇÃO

Chico Ferreira

Está cada vez maior a procura de pessoas por cursos para formação no setor de transporte aéreo

Safra recorde, municípios em plena expansão, investimentos privados e públicos. Economia aquecida que chega ao espaço aéreo mato-grossense. O Estado, que tem o 6º maior número de aviões do país, registrou crescimento de 20% na quantidade de aeronaves nos últimos 2 anos, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em 2010, eram 1,052 mil unidades, saltando para 1,263 mil no ano passado, o que impacta diretamente no mercado de trabalho cada vez mais promissor no segmento. Anderson Zaniolo, 29, já pensou bastante sobre tudo isso. Calculou os prós e contras da profissão, “pesou” os custos da qualificação e do sonho de se tornar piloto. A escolha pela área agrícola foi baseada na velocidade do retorno financeiro e alguns benefícios como tempo de aposentadoria. Motorista profissional há 10 anos, Zaniolo confia no crescimento da aviação no Estado e se planeja para aproveitar o bom momento. A primeira conquista foi a aprovação de 100% do financiamento do curso superior de Pilotagem Profissional de Aeronaves pelo Financiamento Estudantil (Fies).

Demanda que também pode ser contabilizada nas salas de aula das instituições que preparam candidatos à pilotos para as provas teóricas e práticas da Anac. São aeroclubes, escolas de aviação e faculdades instaladas em Cuiabá, Várzea Grande, Jaciará e Sinop. O coordenador do curso de Pilotagem da Universidade de Cuiabá (Unic), Henrique Cesar Gallina Barbosa, conta que a 1ª turma começou em meados de 2006 ofertando 60 vagas, mas 12 alunos se inscreveram. Hoje, no entanto, as turmas iniciam completas.

“A faculdade tem um intuito de formação do piloto com a cultura aeronáutica de segurança de voo. Hoje, as empresas preferem os alunos que têm uma faculdade. Com isso, muitos alunos que têm carteira e já são pilotos estão vindo para a faculdade para ter a graduação”, afirma Barbosa, frisando que o curso oferece toda a formação teórica e as aulas práticas são feitas nos aeroclubes ou escolas de aviação. Conforme o coordenador, a promoção na carreira fica mais próxima com a formação de nível superior, além da facilidade para entrar nas empresas. Com aproximadamente 3,5 mil horas de voo, Jakson Aureliano Rondon Mendonça é piloto de Boing 737-800 contratado por uma grande companhia aérea brasileira -uma posição sonhada pela maioria dos aspirantes a piloto. Experiente e profissionalmente realizado, Mendonça decidiu ainda assim retornar à sala de aula. “Não é obrigatório, mas conta ponto. Em grandes companhias, as horas de voo cobradas para contratação diminuem mais de 50%. Eu fui contratado quando tinha mais de 1,5 mil e para quem tem faculdade passa para 500 horas”.

Remuneração e claro, “paixão” pela aviação fizeram com que ele desse um tempo na atividade administrativa desenvolvida como servidor público para iniciar a carreira, primeiro como piloto comercial de táxi aéreo e depois como piloto agrícola. “Aaviação agrícola é um ramo rápido de ganhar dinheiro, mas não é fácil. São 6 meses na fazenda, sem a família, e a aviação comercial, mesmo também sendo dinâmico, me dá mais tempo para fazer outras coisas que gosto”.

Para chegar ao mesmo destino do xará, Jackson Francisco dos Santos, 20, decidiu mudar o rumo profissional. “Hoje é um mercado bom financeiramente. Mais que tudo, eu gosto da sensação de controle de uma máquina que se aproxima da perfeição”, diz entusiasmado ao comentar que sabe que o investimento para chegar às grandes companhias será alto.

“Costumo mostrar para os alunos que é um ciclo. Como a aviação brasileira está crescendo, muitos pilotos das grandes companhias são mão de obra retirada das empresas regionais. Eles começam com salários menores, mas por pouco tempo”, diz o coordenador do curso de pilotagem da Unic. Fundado há 22 anos, o Aeroclube de Várzea Grande (Aerovag) é o mais antigo do Estado, ofertando cursos de piloto privado, piloto comercial, comissário de bordo e mecânicos. Segundo o diretor do Aerovag, José Jalmar Vargas, a demanda crescente no setor “suportou” o aumento da concorrência com a abertura de novas escolas de aviação em Cuiabá. “Mato Grosso é maior que muitos países e pela necessidade surgem outras empresas de voos regionais. E não é só isso. Na agricultura, por exemplo, não tem como fazer a pulverização de uma área grande sem o avião. Mesmo com tratores não se tem velocidade de trabalho. O avião faz mil hectares por dia e o trator não chega 200 hectares”.

Em 2013 – O empresário Hélio Vicente, proprietário da Abelha Táxi Aéreo, está esperando que a expansão sentida nos anos passados seja notada em 2013. Conforme ele, a aviação regional está se readequando a nova realidade vivida pelas grandes companhias nacionais, que foram vendidas ou se associaram, passando por um processo de enxugamento de custos e reestruturação. O reflexo disso é a “calmaria” na rotatividade comum no mercado de trabalho local. “Sonho de aviador é voar em empresas maiores, o que não tem ocorrido neste período”, avalia o empresário, que acredita em um cenário diferente no futuro com as transformações que estão ocorrendo em Mato Grosso.

Anac – A estrutura da Agência em Mato Grosso é alvo de reclamações dos profissionais do setor. “Se você fosse fazer um comparativo, o Detran ganha (da Anac) porque tem informações, desde o número de motocicletas ao de carteiras de provisória e permanente”, avalia o diretor do Aerovag, frisando que o tempo de liberação dos documentos no órgão estadual também é menor. Conforme Vargas, na Anac o aluno termina a parte teórica e prática e tem que sair de Mato Grosso para fazer os exames. Após a aprovação, demora até 30 dias para o aluno receber a carteira provisória. “Igual era há 50 anos porque o exame itinerante da Anac não tem mais”.

De acordo com o coordenador do Curso de Pilotagem, o cancelamento total do atendimento da Anac no aeroporto de Várzea Grande só não ocorreu porque os profissionais se mobilizaram e uma sala do órgão foi mantida. “Teoricamente tinha que ser um escritório regional da Anac com funcionários para fazer provas e fiscalização. Enviamos ofício a Brasília, mas não deram prazo para voltar a fazer exame. Tem apenas um funcionário concursado agendando as provas”.

Em nota, a Anac informou que a diretoria da agência publicou, em fevereiro, a transformação de postos de serviço em escritórios de aviação civil em 19 Núcleos Regionais de Aviação Civil (Nurac), e um deles está em Cuiabá. A instituição dos núcleos segue um novo modelo de administração descentralizada, implantada com a alteração do regimento interno da agência, instituída por meio da Resolução 245, de setembro de 2012. Em relação às provas de profissionais da aviação, o servidor da Anac lotado no Núcleo de Cuiabá marca as provas regularmente e as provas são realizadas nos locais disponíveis optados pelos alunos.

Média salarial na aviação

4 comments

  1. anonimo
    4 anos ago

    quem está lucrando agora são as universidades e faculdades de ciências aeronáuticas.

    Pois com essas notícias o mercado vai inflar de gente com curso superior e quem não tem vai ser prejudicado.

  2. Quanta bobagem, quem é leigo no assunto fica logo entusiasmado!!!! gastando o que não tem em busca de um sonho, quando vai ver não era nada o que esperava….. Tenho colegas que estão desempregados, esperando a boa vontade das companhias, e isso que já tem o ICAO 5, tipo e 1000h de voô é um absurdo o que aviação do Brasil está passando…. to com a carteira do PP e esperando a famosa ANAC para fazer a prova do PC aiaiaiaia…

  3. Rubens
    4 anos ago

    Quem “planta” estas noticias de apagao tem interesses… muita gente ganha com isso ou talvez pouca gente ganhe muito com isso.
    Alguma escola ou aeroclube reclamou do “apagão de pilotos” lotando as suas escalas?
    As Cias estao reclamando dos candidatos batendo as suas portas, querendo trabalhar a qualquer custo ( qualquer custo literalmente, os candidatos estao dispostos a pagar pela formação que antes era dada pela contratante)
    O apagão só é ruim para os pilotos………..para o resto da aviação o apagão pode ser muito bom sim

  4. Washington
    4 anos ago

    Mais uma matéria paga..

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