“TAM demite piloto que deixou Latino entrar na cabine durante voo”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Pois é, né? E no fim, quem é que entrou pelo cano naquela história do Latino pagar de “amar estar começando como copiloto de Boeing” (sic) nas redes sociais? Os tripulantes, é claro! Vejam na reportagem do Ricardo Gallo publicada na Folha de hoje – “TAM demite piloto que deixou Latino entrar na cabine durante voo” – que o comandante e o copiloto envolvidos no caso foram sumariamente demitidos. O que nos leva a alguns ensinamentos importantes sobre como um tripulante deve se comportar.

O primeiro e mais óbvio é que regulamento é para ser seguido. Ponto. “Ah, mas eu achei que seria bom para a imagem da companhia, e…”. Sei. O que está escrito? Que pode colocar celebridade na poltrona do comandante em voo? Mas o que acho mais relevante comentar aqui é que não é porque você é copiloto que tem que concordar com as atitudes do comandante. “Ah, mas seu eu reclamo, pega mal prá mim!”. E ficar desempregado, não pega mal prá você? Eu duvido que se o copiloto tivesse uma conversa assertiva e respeitosa com o comandante, colocando seu ponto de vista de maneira clara, o comandante o teria desprezado. E isso salvaria ambos!

No fim das contas, o comandante pode ir voar na China amanhã, se ele quiser, ganhando o dobro, e está tudo certo. Já o copila… Vai ter dificuldade para se recolocar com um padrão de remuneração semelhante ao que tinha na TAM nesse momento ruim de mercado. Percebem como o risco era muito mais dele que do comandante?

E para terminar, ouçam a paródia que está circulando na rede baixando o link a seguir, que ficou muito engraçada!

 

Rock do Latino

13 comments

  1. Rubens
    4 anos ago

    Quem lembra do Garcez que derrubou o RG-254 por nao ouvir o copila ??
    Tudo bem que as coisas mudaram daquele tempo pra ca, mas o copila questionar o comando ai vcs ja tao querendo demais. Se o comando e/ou chefe da cabine quebrou regulamento da empresa a obrigação do copila é reportar. acredito que se tivesse reportado o comando estaria fora (corretissimo) e ele nao teria sido conivente e sendo conivente e acobertando sua demissão foi tb justificavel.

  2. Thiago thomaz de souza
    4 anos ago

    Essa foi a cagada do ano! Putz…Que m…que esses caras fizeram!

  3. Rafael Gonçalves
    4 anos ago

    Temos que lembrar que qualquer um que faça parte da tripulação a meta número 1 é levar os passageiros do ponto A ao ponto B vivos e de forma segura, independente de qual seja o sua função. Falou-se muito do Comandante e do Co-piloto, mas onde estava o(a) Chefe de Cabine? Pois vale lembrar que alguém fez o pedido para o Comandante, mesmo sabendo que o regulamento não permitia. Duvido que o Latino tenha chegado de alegre na cabine sem ter passado por pelo menos um(a) comissário(a).

    • Ricardo Carvalho
      4 anos ago

      Concordo. Mas é responsabilidade do comandante. Ele pisou na bola e pagou…

      • Raul Marinho
        4 anos ago

        Vc está certíssimo, Rafael! O CMS realmente foi co-responsável.
        Os comissários não vivem reclamando que são vistos como meros garçons/garçonetes? Então, se eles realmente têm importância na segurança do voo, é claro que eles têm co-responsabilidade num evento desses!

  4. Felipp Frassetto
    4 anos ago

    Nesse caso, acho que dá pra entender a postura do copiloto.

    Não podendo prever que seria demitido, é lícito supor que, de sua parte, seria visto como um “estraga-prazer”, “certinho”, ou que “quer mostrar serviço”, para o caso em que chamasse a atenção do comandante.
    Bem como estaria “marcado” por parte deste último.
    Com certeza, não justifica e não é correto. Mas, creio, explica a sua atuação. Se soubesse que seria demitido, com certeza teria feito algo.
    Infelizmente, da teoria (seguir à risca o regulamento) à prática, há uma distância muito grande a ser percorrida ainda. E isso não é só na aviação, mas no ambiente empresarial no Brasil como um todo.
    Pena que acabou pagando o pato da pior maneira.

    • Chumbrega
      4 anos ago

      Finalmente um comentário razoável sobre o ocorrido.

      Se colocar no lugar dos outros sem estar lá é fácil, facílimo!!! Difícil é saber como sair da situação, estando lá na real, em uma decisão que você tem 5 segundos pra tomar. De novo: falar sem estar lá é muito fácil !

      O que está escrito é lindo, mas funciona na prática?!? É muito bonito estar no SOP o seguinte: a ACFT deve estar estabilizada a 500 pés VMC diurno. Durante a APP vê que com 500 pés não vai estabilizar, mas com 430 vai. TODOS que tão condenando a atitude do co-pila aqui mandariam o comandante arremeter? D-U-V-I-D-O! E 500 pés são 500 pés, não tem meio termo. Se não mandou arremeter com 499, tá errado. E aproximação desestabilizada com certeza é mais crítico do que um zé ruela sentado no assento de piloto em cruzeiro, com o PA ligado e o co-piloto do lado. Se passageiro em assento de piloto fosse algo tão crítico assim, o Phenom 300, o Mustang e outros jatos não seriam single pilot, e o passageiro não poderia sentar no assento do co-piloto.

      Get real guys. Não quero defender o co-piloto, mas, de novo:é muito fácil criticar sem ter sido você quem estava lá!

      • Felipp Frassetto
        4 anos ago

        Obrigado pela “referência”, rs.
        Nas condições que você menciona (arremeter a 500 pés, etc), não sou gabaritado para comentar.
        Quando escrevi, pensei na situação de que, como copiloto dessa empresa, que; sem exageros, é literalmente um sonho, com certeza pensou no emprego dele e na sua “vida-útil” nele, ao ter pensado em deixar passar.
        Reforço: não fez certo. Tanto que se estrepou e a sua tal vida-útil lá acabou justamente por isso.
        Mas não se pode cobrar moralidade e retidão sabendo como é o ambiente numa empresa aérea do país. E, embora eu não seja piloto ainda, sim já conheci um e outro e; também, muitas vêzes isso já foi comentado no blog, de uma e outra maneira. Ou seja: sabemos como é.
        E, justamente por ter chegado a copiloto na TAM, deve sim ter sentido na pele até ter conseguido.

        Mesmo assim, no meu entender, fica a lição, que não poupa veteranos nem novatos.

        Abraços.

  5. asenci
    4 anos ago

    Se o copila tivesse virado para o comandante e simplesmente falado: “Eu não concordo com essa situação”, eu duvido que o comandante tivesse se arriscado a permitir a entrada do camarada e depois ser denunciado para a empresa pelo copila.

    Pode até ser que o clima ficasse estranho entre os dois, mas ambos ainda estariam com o emprego.

    Fica a lição sobre complacência e CRM… :(

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