“Cenipa muda normas e vai investigar casos de ‘quase colisão’ entre aviões”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O G1 publicou uma extensa reportagem no sábado sobre algumas das alterações que a NSCA 3-13 irá trazer – “Cenipa muda normas e vai investigar casos de ‘quase colisão’ entre aviões” -, cuja leitura é altamente recomendável. Agora, as famigeradas “RAs do TCAS” (ou “situações de quase colisão”)  também serão investigadas pelo CENIPA, assim como ocorrências com drones (ou VANTs), o que é ótimo.

Entretanto, os acidentes da aviação geral agora vão ficar ainda menos conhecidos, uma vez que, na prática, somente serão investigados acidentes com mortes, ou se ocorrerem com aeronaves do porte de um Seneca/Baron para cima. Se o acidente não tiver vítimas fatais e ocorrer com aeronaves com menos de 2.250kg – que é o caso da maioria dos MNTEs -, não haverá mais a necessidade de Relatório Final. Ou seja: o AeroBoero pilonado do aeroclube deixará de ser investigado, se ninguém morrer.

Não será, assim, uma mudança muito radical, haja vista os RFs desse tipo de ocorrência já serem bastante “pro forma” atualmente. Mas seria interessante se o CENIPA aumentasse a profundidade na investigação desse tipo de acidente, ao invés de diminuir. Claro, tem o problema de “cobertor curto” que atinge todo o serviços público, e se incluirão as RAs, tem que diminuir em algum lugar, etc e tal. Mas eu acho que quanto mais esforço em investigação e prevenção de acidentes se colocar na base da aviação (e os MNTEs com menos de 2.250kg são 99% das frotas dos aeroclubes/escolas), menos ocorrências acontecerão na aviação mais sofisticada no futuro. É o que eu penso, pelo menos…

3 comments

  1. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Começo a me perguntar se não seria o caso de começarmos a terceirizar até a investigação… Afinal, cada vez mais o Estado não dá conta de suas atribuições, e se ficarmos aqui só assistindo, estamos colocando a nós mesmos em bem mais risco. O fato é que todos nós, envolvidos na aviação, deveríamos nos ver coo agentes de segurança de voo. Mas infelizmente, a cultura da segurança é assustadoramente ausente. Seja porque fulano se acha indestrutível, seja porque nem entidades públicas e muitas vezes sequer os patrões cobram isso – isso quando não chegam a desencorajar quem trabalha sério. Enfim, a coisa é séria no mundo todo, e aqui, com as regras confusas e com a falta de estrutura que é marca registrada da aviação brasileira, ficamos ainda mais à mercê da sorte. Lamentável.

  2. Simone s vaz
    4 anos ago

    Raul ainda não sei dizer se isso é bom ou ruim, mas pelas estatísticas de acidentes/incidentes graves nos últimos 10 anos, podemos observar um real aumento dos mesmos, não são proporcionais a frota, são um aumento real.
    Essa nova regra me deixa apreensiva se essa estatística não aumente mais ainda pelo simples fato de que ninguém mais vai ficar preocupado se o pouso forçado no meio da plantação se deu por uma pane seca por falta de planejamento e que esse planejamento foi feito por piloto com uma formação duvidosa e se a aeronave tem sua manutenção bem feita, ninguém mais vai saber se a base da aviação está sendo feita com responsabilidade.
    E esse sumário de investigação pode levar a resultados desastrosos, podendo culpar um ou outro sem uma profunda investigação e justamente em uma hora em que a regra da investigação aérea mudou, hoje se procura culpados e a polícia tb a faz para colocar atrás das grades o “criminoso”…..isso não me cheira nada bem nesse momento.
    A falta de pessoal na ANAC/CENIPA/DECEA é, para mim a verdadeira causa dessas regras, não recomendações de OACI, que tb está com falta de pessoal, a falta de $$$ na aviação tem sido regra e por isso diminuir custos é o que interessa aos governantes de todos os Países.
    Vejo um futuro para a aviação de muitos acidentes e muitos sem saber o porque ocorreu, deixando totalmente de lado o lema: aprender com os erros dos outros para não cometermos!!
    De agora em diante vale a frase: APERTEM OS CINTOS O CENIPA SUMIU!!!!

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