O problema das “cartas oficiais” do DECEA

By: Author Raul MarinhoPosted on
574Views10

O blog Canal Piloto marcou um golaço hoje, com a estreia de seu novo colunista para falar sobre tecnologia & aviação, o engenheiro e piloto Rodrigo Almeida, que assina a coluna “Nas Asas da Tecnologia”. Parabéns ao Sales e ao Rodrigo!

No artigo de hoje, o Rodrigo trata de um tema muito caro a nós, que é o “iPad na aviação“, e num dado momento de seu texto, o autor diz algo que vou reproduzir abaixo, para depois comentar:

(…)

Para completar o quadro de luta contra o inevitável progresso, o DECEA recentemente passou a divulgar, nas cartas e materiais que podem ser obtidos através do seu site AISWEB (por sinal, de grande valia, rapidez e qualidade), uma marca d´água, que se não fosse verdadeira seria motivo de risos, com a inscrição: “Não use em voo. Somente para Planejamento”.

Anacronicamente, a estrutura de cartografia do DECEA e todas as suas publicações, em plena era digital que vivemos, segundo o Departamento, só servem quando impressas “oficialmente”, mesmo as distribuídas pelo seu próprio website!

Comento

Pois é… Eu nunca comentei sobre isso aqui antes, mas agora que o Rodrigo levantou a bola, acho que é oportuno reforçar o que ele disse: se você imprimir em casa uma carta aeronáutica obtida no AISWEB, você não poderá utilizá-la em voo; para ficar dentro da lei, é obrigatório que você adquira a carta (o papel impresso propriamente dito) diretamente do DECEA. Em outras palavras: as autoridades aeronáuticas exigem que você aja como se estivesse na década de 1980, antes da internet, e do iPad. Dá para acreditar num negócio desses? Impressionante, né?

10 comments

  1. João
    4 anos ago

    Fico impressionado com a qualidade dos posts que publicam na internet. O Sr Rodrigo mais quis aparecer dizendo que era engenheiro do que fundamentar a sua tese. A mais de anos não existe a marca d’água nas cartas do DECEA. Fica a dica! Antes de postarem besteiras na internet, fundamentem suas teses para não confundir mais as pessoas.

  2. Júlio Petruchio
    4 anos ago

    Rá! A África nos ultrapassou faz tempo!!!

  3. Carlos Eduardo
    4 anos ago

    Querem dinheiro com as assinaturas como tudo neste país…

  4. Senemix
    4 anos ago

    1) As cartas do AISWEB já não vem mais com a marca d’ agua.

    2) Um DECEA fez um workshop sobre o uso de dados digitais há 2 anos, onde a ANAC (que é responsável pela regulamentação, o DECEA só produz a carta) fez uma apresentação dizendo que estudava a regulamentação do uso de dispositivo móveis e as cartas em formato digital. Já se passaram 2 anos e nada…

    3) No meio militar, onde as regras não são ditadas pela ANAC, já são utilizadas cartas (inclusive as reservadas) em formato digital.

  5. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Ainda mais grave que isso, Raul, é o fato de que as cartas são péssimas de ler, os procedimentos são mal feitos (cheios de mudanças de altitude desnecessárias, entre outras características que induzem ao erro), as cartas de VFR e IFR carecem das frequências dos navaids… olha, deve ter país da África colocando a aviação brasileira no bolso, porque a coisa aqui é realmente precária. E claro: achar essas cartas pra vender é um parto. Eu mesmo nunca vi, tive que pedir emprestado pros meus voos da convalidação – as WAC e REA, pq as app plates eu imprimi mesmo, paciência. É até maldade comparar com FAA, e é uma pena que todos não tenham tido a oportunidade de voar lá. Especialmente o pessoal do DECEA, da ANAC e da Infraero. Quem sabe assim eles aprenderiam a fazer uma aviação de verdade (a mágoa ainda é por essa palhaçada de curso de PLA que não me desce, e agora pela surreal situação dos copilas de avião single pilot).

    • João Ximenes
      4 anos ago

      No rodapé do AISWEB tem um link “Assinar Publicações/Cartas”. É só preencher o formulário pra solicitar o orçamento.

    • Enderson Rafael
      4 anos ago

      Eu vou escrever o post sobre a convalidação ainda, mesmo porque eu ainda não a terminei. Mas essa história de corredores visuais lambendo o chão com auto coordenação dentro de TMA, isso é uma coisa sem pé nem cabeça. É surpreendente que não morra mais gente. E é fruto da falta de estrutura para controlar todo o tráfego VFR dentro da TMA, o que é uma vergonha também. Comparando com EUA, a TMA SP, por exemplo, seria um Bravo, tendo como aeroporto primário Congonhas, e Guarulhos e Campinas como Charlies sob o Bravo, e Marte um Delta sob o Bravo. Dava pra fazer, acabava com essa p%$$#*& de corredor visual. Mas precisa dinheiro e vontade política. Um sobra, outro falta. As cartas visuais precisavam primeiro deixarem de ser WACs e passarem a ser Sectionals, que têm uma escala bem menor, ampliando em muito as referências visuais. Em seguida, todos os aeroportos da carta deveriam ter seus nomes, seus códigos ICAO, suas altitudes, frequências de torre ou CTAF (AFIS aqui), e ATIS ou AWOS (aqui não tem AWOS, mas com o clima traiçoeiro do verão, também deveria ter) os que tivessem. Só isso já melhoraria em muito a segurança, afinal é ridículo ter que consultar ROTAER pra descobrir coisas que deveriam constar na carta. Segurança zero colocar as coisas separadas desse jeito. Eu ainda sei muito pouco sobre a aviação daqui pra comparar tudo que precisa ser melhorado aqui, e uma coisa ou outra de lá que é melhor não copiar (como a regra do logar VFR vs IFR, por exemplo). Mas na boa, é tanta coisa surreal que é até difícil enumerá-las. E falta falar de muita coisa, dos recursos limitadíssimos de consulta ao clima, por exemplo. O AISWEB é um grande avanço, e ajuda muito. Mas as regras retrógradas da ANAC são um atentado à nossa segurança, à nossa sanidade e claro, à sustentabilidade da nossa profissão. Olha, brasileiro tem mania de se achar melhor em tudo que não é, inclusive os pilotos. Mas na boa, pra voar aqui e sobreviver tem que ser muito bom mesmo…

      • Humberto Rodrigues
        4 anos ago

        Colega, calma! Você ainda lidou pouco com atendimento Sala AIS via fone ocupada, reserva de pátio disponível por 3 horas, Slot de pouso, decolagem, DLAs, e passageiros que atrasam e fodem com tudo isso anteriormente explanado… Você. Vai querer voltar rapidinho para os EUA…

        • Enderson Rafael
          4 anos ago

          hahaha eu já voo como comissário há 8 anos no Brasil, tenho ideia do que me espera;-) E mais que voltar pros EUA, eu gostaria é de que aprendêssemos com bons exemplos mundo afora ao invés de ficar inventando jaboticaba:-/ E, infelizmente, licença FAA não é a mesma coisa que visto de trabalho nos EUA:-/

Deixe uma resposta