Mesmo sem o “Arco do futuro”, Haddad quer acabar com a aviação de asa fixa no Campo de Marte

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Conforme informado neste post, publicado há mais de três meses – “Prefeito de SP quer proibir aviões no Campo de Marte” -, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, queria extinguir a aviação de  asa fixa no Campo de Marte para viabilizar o “Arco do Futuro” (veja explicações sobre isso aqui, inclusive porque ele é uma péssima ideia), uma de suas principais promessas de campanha. Pois muito bem. Alguns dias atrás, a prefeitura veio a público afirmar que o tal do Arco era uma proposta muito bacana, etc. e tal, porém não poderia ser executada neste gestão por falta de recursos – vide esta reportagem do Estadão: “Sem recursos, gestão Haddad desiste de pacote viário do Arco do Futuro“. Donde se conclui que, uma vez que não haveria mais Arco, não mais seria necessário mexer com o Campo de Marte, correto?

ERRADO!!! É claro que uma péssima ideia como essa não morreria assim, tão fácil! Arco não tem mais mesmo, mas nem por isso o prefeito vai perder a oportunidade de prejudicar a aviação executiva paulista, né? Afinal de contas, para que espaço tão grande só para ajudar os ricos a se divertir? Quem quiser brincar de voar de avião que vá para São Roque! É o que informa a reportagem abaixo reproduzida da Folha de hoje (fonte: Aeroclipping do SNA):

Haddad quer tirar aviões do Campo de Marte
DE SÃO PAULO

Para desenvolver a zona norte da capital, o Plano Diretor indica uma medida polêmica: fechar o Campo de Marte para aviões.

Só os helicópteros poderiam usar o local, diz o prefeito Fernando Haddad (PT). “Não é para agora. Em dois anos, teremos uma alternativa viável para retirar os aviões de lá.”

A tese de Haddad é que falta emprego hoje na zona norte de São Paulo –a região, neste índice, perde apenas para a zona leste– porque a presença do Campo de Marte impõe limitações à verticalização.

As restrições decorrem do movimento de aviões no entorno do aeroporto no pouso e na decolagem.

A ideia é que o entorno do Campo de Marte possa ser ocupado principalmente por edifícios comerciais.

Para acomodar a demanda da aviação executiva, há dois projetos em andamento. Um deles é um aeroporto na cidade de São Roque, a aproximadamente 60 km da capital.

Orçado em R$ 700 milhões, o projeto tem o aval do governo federal e da prefeitura local.

O segundo projeto é do aeroporto em Parelheiros. Mas ele acaba de ser vetado pela prefeitura, por estar em área ambiental. O empreendedor recorrerá da decisão, ainda em âmbito administrativo.

O estudo da Prefeitura de São Paulo tem que ser submetido ao Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), órgão da Aeronáutica e à Secretaria de Aviação Civil.

DISCUSSÃO

Sem antecipar a opinião da pasta, o ministro Moreira Franco (Aviação Civil) disse que o assunto tem de ser discutido “amplamente” e considerar, por exemplo, que a aviação executiva cresce em São Paulo e precisa ter para onde ir.

A Abag (Associação brasileira de Aviação Geral) disse que o plano significa “desconectar São Paulo de quase mil destinos por via aérea” e o desaparecimento de empresas e empregos. Trará, ainda, insegurança a quem está lá hoje.

A entidade prepara um estudo sobre o peso do Campo de Marte na economia da cidade e pretende entregá-lo a Haddad.

9 comments

  1. Renato
    4 anos ago

    “Sem antecipar a opinião da pasta, o ministro Moreira Franco (Aviação Civil) disse coisas óbvias pois não entende coisa alguma de aviação e tenta se manter em cima do muro.”

  2. 800 aeroportos regionais p´rá mais… Se lembram?!

  3. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Aeroporto executivo no Rooanel não pode. Marte não pode. Slot em Congonhas não pode. Quero ver se o GTE fosse proibido de levar essa gente… Eles mudavam de ideia rapidinho!

  4. Felipp Frassetto
    4 anos ago

    Bom, quem leu entendeu né?
    A culpa do desemprego da região é da aviação, é claro!

    Na verdade, acho que este prefeito não quer é que ninguém se locomova. Não é ele que quer aumentar cobrar uma taxa de R$ 0,50 por litro no preço da gasolina? Diz que é pra “financiar o transporte público”. Tá bom. O populista aqui sou eu.

  5. Rogério Aviador
    4 anos ago

    Parece que o buraco em que a aviação brasileira está caindo não acaba mais.

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