TAM corta 9% dos voos – Ou: Como era aquela história de que a aviação iria bombar por causa da Copa do Mundo, mesmo?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Um dos principais argumentos dos aeroclubes/escolas de aviação para atrair novos alunos para os cursos de formação de pilotos nos últimos anos é o de que a aviação iria bombar em 2014, por causa da Copa do Mundo. Nunca entendi porque uma companhia aérea iria investir em aumento de frota e em contratação de funcionários para atender a um aumento de demanda que duraria pouco mais de um mês – se é que a demanda realmente aumentaria, uma vez que a experiência com a Copa das Confederações mostrou que ela pode até cair, já que o público executivo diminui drasticamente o interesse por voar num momento como esse -, mas tudo bem. O ponto é que, ao contrário do que se poderia supor anteriormente, as companhias não estão se preparando para aumentar a oferta no período da Copa, pelo contrário. A Gol recentemente revisou para baixo sua oferta, e a Azul acabou de cancelar o IPO que a permitiria crescer com vigor até 2014. Agora, é a TAM que anuncia um corte significativo na demanda, conforme noticia o jornal o Globo na reportagem a seguir reproduzida (fonte: Aeroclipping do SNA). Ou seja: se alguém ainda tinha esperanças de que o mercado aeronáutico se recuperasse por conta da Copa, pode esquecer.

TAM cortará oferta de voos domésticos em até 9%
Galeão perde espaço para Guarulhos na malha internacional da companhia
DANIELLE NOGUEIRA

RIO E BUENOS AIRES – A TAM reduzirá de 7% a 9% sua oferta de voos domésticos em 2013 e também cortará a oferta nos voos internacionais, dentro da estratégia de diminuir custos e elevar a taxa de ocupação dos aviões, informou ontem a Latam, empresa criada a partir da fusão da aérea brasileira e da chilena LAN. Na área internacional, o corte será possível principalmente por meio de suspensão de voos a partir do Galeão para a Europa, o que fará com que o aeroporto carioca perca espaço na malha aérea da companhia. A TAM optou pelo aeroporto paulista de Guarulhos para ser seu hub (centro de distribuição de voos) na América do Sul.

A estratégia de reduzir a oferta de voos domésticos elevou a taxa de ocupação dos voos em nove pontos percentuais no segundo trimestre deste ano (para 77,9%), ante igual período do ano passado. Nos países de língua espanhola onde a Latam atua, a expectativa é de crescimento de oferta de 12% a 14% em 2013.

Na área internacional, a TAM cancelou os voos diretos do Rio para Frankfurt e Paris a partir deste mês, o que lhe permitirá atingir a meta de corte de 10% nos voos internacionais este ano do grupo Latam. As duas cidades serão atendidas por São Paulo.

Os cortes na oferta levaram a Latam a reduzir também o tamanho da frota para o triênio 2013-2015. A companhia suspendeu a entrega de 22 aeronaves nesse período. Com isso, encerrará este ano com 327 aeronaves (menos que a frota atual, de 336 aviões) e fechará 2015 com 334 unidades. O redesenho da frota permitirá economia de US$ 1,1 bilhão no período.

A Latam teve prejuízo de US$ 329,8 milhões no segundo trimestre de 2013, queda de 26,5% em relação a igual período de 2012. A desvalorização do real de 10,4% no período foi uma das razões para as perdas.

Briga com governo argentino
Os governos de Argentina e Chile mergulharam na quarta-feira num delicado conflito provocado pela decisão das autoridades aeroportuárias argentinas de anularem unilateralmente um contrato da LAN que permitia o uso de um hangar no aeroporto metropolitano de Buenos Aires, até 2023. A aérea anunciou que recorrerá à Justiça e assegurou que sem o hangar, onde é feita a manutenção das aeronaves, suas operações no mercado doméstico se tornarão inviáveis.

De acordo com o jornal “La Nación”, o presidente chileno pediu ao chanceler Alfredo Moreno que entre em contato com seu colega de pasta argentino, Héctor Timerman, para tentar contornar a crise da LAN, que há muito tempo enfrenta dificuldades para operar na Argentina e acusa (em conversas informais) a Casa Rosada de prejudicá-la, principalmente, para favorecer a estatal Aerolíneas Argentinas.

— Vamos defender nossos direitos, as operações internas da LAN são inviáveis sem o hangar — disse Agustin Agraz, diretor de Assuntos Corporativos da LAN na Argentina.
O conflito se estende a outras empresas. Mais de 30, entre elas TAM e Gol, denunciaram problemas para operar com a estatal Intercargo, encarregada de serviços terrestres como traslado de bagagens.

12 comments

  1. Marco
    4 anos ago

    O crescimento da nossa aviação vai depender em muito dos investimentos em infra-estrutura aeroportuária, pois os aeroportos não comportam mais crescimento de frotas!, nem para aviação real e muito menos para aviação comercial.

  2. Higor
    4 anos ago

    Boa noite a todos, tudo isso é triste, mas, hoje ví um vídeo antigo, que não deixa de ser atual. sobre a crise aérea de 1991. Gostaria de compartilhar com vocês, que, assim como eu ama a aviação e que tem fé que essa tempestade atual possa passar.
    Abraço!
    http://m.youtube.com/watch?v=vo_U63Shbzc

  3. Luiz Reis
    4 anos ago

    Tudo isso é fruto da política econômica experimental e incompetente do “gobierno brasileño”, que cria inúmeras distorções econômicas e não resolve os gargalos estruturais, o excesso de tributação, o querosene caríssimo, dentre outras deficiências país afora. Um mínimo de seriedade e medidas eficazes poderia ajudar na criação das condições necessárias para o aumento da eficiência e competitividade das empresas nacionais. A aviação é só mais um dos setores que sofrem com o declínio do país.
    Notem, no artigo do Globo, que a presidANTA da Argentina (que a nossa ADORA e se inspira) está prejudicando as companhias estrangeiras através de dificuldades criadas pela estatal Intercargo. Não duvido que aqui, já que não resolvem nada mesmo, adotem esta “política” de dificultar as coisas para os estrangeiros, em prol de “defender o nosso paiz e nossas empreza dessa elite branca e de zóios azul”, como dizia o atual consultor geral da República.

  4. Enderson Rafael
    4 anos ago

    O mais triste é ver que o potencial que o Brasil tem está sendo entregue pras estrangeiras (vide American estreando voo direto pra POA e CWB), e portanto, estamos criando empregos no Panamá, nos EUA, em Portugal… O governo não dá a menor condi;cão de nem a comercial nem a geral crescerem aqui. A aviação no Brasil existe apesar do governo. É uma vergonha mesmo… Aos que têm TR de jato, a hora de sair é agora: China contratando, Canadá contratando… A mim, com meras 260h, nem uma formação maravilhosa como tive nos EUA me salvam… É vermos o que vai ser de nós, os low hours…

    • Löhrs
      4 anos ago

      Enderson, permita-me um aparte, na verdade é o que será de todos nós: low hours como você, middle hours como eu, e amazing top level hours como alguns que não estão conectados nos “Open Days” da vida e ficarão por aqui. Conheci a história de um ex-cmte da Webjet desligado nesta última leva, com 56 anos e 12.000 horas que está tratando dos gados da família dele no RGS, porque não acha emprego, é mole? Às vezes é mais fácil conseguir emprego pra alguém com o seu perfil do que para alguém com o meu, porque esbarramos no “Overqualified”. O negócio é replanejar a carreira com planos-alternativa A,B,C.. e partir para a ação até o limite do suportável para manter o “sonho” vivo antes de virar pesadelo. Esse é meu voto!

  5. Löhrs
    4 anos ago

    Depois dos últimos acontecimentos, entendo que esse foi um golpe decisivo para pôr fim às expectativas de reaquecimento da aviação, em geral, para os próximos meses. É um momento cuidadoso de replanejamento de nossas carreiras. Dependendo do perfil e momento profissional do aviador, seus erros de julgamento agora, podem inviabilizar sua carreira em definitivo. Espero ter calma e discernimento para os próximos passos. Que tenhamos todos Boa Sorte!

    • Chumbrega
      4 anos ago

      Muito ponderado seu comentário.
      Boa sorte a todos! Tenho quase 3 anos de casa e tô com muito medo de “rodar”. Acho que não tem lugar seguro (emprego) para estar agora. É contar com a sorte e com a ajuda de Deus.

      • Löhrs
        4 anos ago

        Concordo em número, gênero e grau. Para quem conseguir se manter no emprego e passar por mais essa…UFA! Mas não estará livre da próxima crise, portanto…planejamento e ação, porque para os empresários tudo é negócio! Precisamos aprender a dar menos importância ao romantismo e aprender a administrar nossas carreiras como “eles” administram nossos empregos, ou seja: como um verdadeiro negócio!

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