Recuperação de parafusos

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Como a recuperação de parafusos não consta mais do programa de treinamento de pilotos no Brasil, resta observar como isso acontece, pelo menos. Neste sentido, vale a pena assistir ao vídeo abaixo, compartilhado pelo nosso amigo Fábio Carvalho:

18 comments

  1. Augusto Fonseca da Costa
    2 anos ago

    Sou piloto há 40 anos e no meu tempo se treinava parafusos. Não sabia que hoje não se exige mais.
    Há 2 meses perdi meu filho de 19 anos que entrou em parafuso com um Petrel e nunca mais saiu.
    Estava em outra aeronave e só ouvi seu grito na fonia: “Pai, acho que entrei em parafuso”.
    Foram suas últimas palavras, mas não as minhas. Vou lutar contra essa suspeitíssima omissão da ANAC ( que recomenda treinar parafuso apenas “se possível”) e das próprias escolas de aviação.
    Gostaria de sugestões e dicas para municiar minha luta. Nada mais tenho a fazer pelo resto de minha agora triste vida. Antecipo agradecimentos a todos.

  2. Cmte. Silveira
    4 anos ago

    Boa cmtes,

    Essa instrução de spin recovery é muito boa. Sobre isso tenho uma experiência muitíssimo particular. Vou contar para quem quiser lêr e se achar nescessário, aplicar durante seu treinamento.

    Em 2010 quando fazia meu treinamento prático de PP na EJ tive a oportunidade de voar com um INVA faca na caveira e vale salientar era o único INVA que voei que posso rotular assim.

    Depois do meu voo solo que ocorreu na lição prevista para isso PS 16, estava voando aquela missões solo intercalando com duplo comando na fase de aperfeiçoamento. Em uma dessas missões duplo este instrutor já dentro do avião me perguntou: “quer fazer recuperação de parafuso?” De pronto aceitei mesmo sabendo que essa manobra não era prevista naquela missão e nem em missão alguma. Voamos para a 460 e no caminho ele me “brifou” todo o procedimento e que eu não comentasse com ninguem (ooops) que isso era um “plus” para minha vida como aviador. Já na area realizamos 3 procedimentos, a primeira totalmente executado por ele e as outras duas por mim.
    Sobre a manobra vale a regra máxima na aviação: muito pano preto. Manobra normal tirando um pouco de desconforto na primeira vez e o cuidado para não deixar a acft atingir as velocidade no arco amarelo, no C152 o procedimento é neutralizar os comando e cabrar quando a rotação terminar. Isto no C152, em outros equipamento existe procedimentos diferentes, mas que são muito parecidas.

    Hoje como INVA recomendo, assim que possível analizando experiência do instrutor (se este não tem medo de voar) estado geral da acft, a meteorologia do local de treinamento, solicite a execução desta manobra. O fator mais importante na execução e você sentir o comportamento da acft e ter a confiança que pode realizar essa recuperação que nada mais é que uma atitude anormal de voo. Perigosa em baixa altura e completamente contornável em altitude segura com bom equipamento e bom treinamento, claro se você tiver a oportunidade de praticar ela durante sua formação. Fuja do pano preto, estude, leia bastante, e fique longe do “achismo”.

    Me desculpem os erros, detesto escrever no ipad, mas é o que tem pra hoje. Abraço a todos.

    Nota do Editor: Comentário editado, com a supressão de parágrafo sobre o estado de conservação de aeronaves da referida escola.

  3. Quanto mais se aprende , mais se Vive (sobrevive ) ,Sempre temos a aprender ; mas o parafuso que mais mata é aquele já no circuito , girando a base, e nesse , a baixa altura ,não temos tempo para recuperação.
    A prevenção da atitude anormal é a verdadeira salvação.

  4. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Estava revendo o vídeo agora, e acabei lembrando de duas coisas:
    Imagino que a maioria, pra não dizer “Todos” os instrutores em atividade, nos aeroclubes, escolas, etc., nunca passaram por um treinamento desse tipo.
    Prestando atenção nas condições climáticas, imagino também, que nenhum instrutor brasileiro decolaria om esse “Tempo”.
    O quê também não é nada demais, pois os caras se mantiveram VFR o tempo todo, sem problemas.

  5. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Lá nos EUA treinamos exaustivamente power on stall (o mais apto a levar a um spin) e unusual attitude, especialmente com hood nas 3h IFR do PP, pois a FAA quer que, se vc inadvertidamente entrar em IMC, saia vivo dela. O procedimento de spin recovery é explicado em teoria e cobrado no oral check, mas só é mandatória a manobra no CFI (INVA). É impossivel se formar lá sem um “opposite rudder” colado no cerébro. Mas apesar de assustadora pros que não gostam de acrobacia, tenho certeza que este tipo de recovery sendo treinado salvaria mais vidas do que ceifaria. Mas pra isso precisa de uma acft que dê conta.

    • Beto Arcaro
      4 anos ago

      Qualquer aeronave que aguente no mínimo +4 Gs, logo, todas utilizadas em instrução básica, com manutenção bem feita.
      Cessnas, Beechs e Pipers (e outros certificados) têm sempre uma “Nota” em seus POH´s, dizendo que “todos os limites excedem em 50% os limites de projeto”.
      O Cessna 152 “Aerobat” seria ideal para isso!
      Já fiz parafusos de Cessna 172. Ele demora pra “Entrar” (você tem que comandar o parafuso!) mas quando entra, entra “Legal”!!
      A recuperação é bem fácil!
      Cessnas em geral, são assim.
      Acho que por isso são bem utilizados nesse tipo de treinamento, pois o parafuso fica bem caracterizado.

  6. Fábio Carvalho
    4 anos ago

    Raul, obrigado por publicar algo que realmente vale a pena ser motivo de reflexão quando da formação ou mesmo reciclagem de um piloto.

    Aqui no Chile tive a oportunidade de praticar a recuperação de parafuso, e de atitudes e posições anormais em um Beechcraft Mentor T-34. A minha opinião é que o piloto formando sem essa prática de recuperação de ‘spin’, fica com uma lacuna perigosa na formação.

    • Beto Arcaro
      4 anos ago

      O T34 é ideal para treinamento de “Upset Recovery”!
      É uma situação que todo aviador, um dia, vai enfrentar! Lucky you!!

  7. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Voei P56 em Piracicaba em 1987.
    Minha turma no PP foi a última à fazer parafusos!!
    Mesmo no Paulistinha proibiram, provavelmente porque alguém conseguiu se matar. É assim que eles fazem! Morreu fazendo parafuso, proíbe !!

    • Felipp Frassetto
      4 anos ago

      Ia perguntar inclusive:
      Já se constou alguma vez no Brasil a prática de recuperação de parafuso em cursos de PP?
      Isso era prática até 87?
      Pensava que o normal era justamente não praticá-la (em cursos de PP).

      • Beto Arcaro
        4 anos ago

        Na verdade, acho que “Proibição” mesmo, nunca existiu. Simplesmente tiraram do curso!
        Aliás, a ANAC possui algum manual que contenha os mínimos requeridos em manobras do prático de PP?
        Acho que não, né?
        Ela só fala em 40 Hrs! O que se faz nessas 40 Hrs, ninguém sabe.

        • Raul Marinho
          4 anos ago

          Olha, Betão… Na verdade, todas as manobras estão previstas no Manual do Curso de PP, em detalhes. É um manual defasado, meio idiota, mas existe, sim.

    • Felipp Frassetto
      4 anos ago

      Agora que vi a resposta, mais abaixo, em outro comentário.
      Bom, deu pra ver que eu realmente tinha ficado surpreso, rs.
      Abraço.

  8. Ricardo D'Angelo
    4 anos ago

    Prezado Rau,
    Realmente é lamentável o despreparo dos pilotos em manobras básicas. Lembro-me de que, quando era INSPAC, aproximadamente 90% dos pilotos da aviação geral não conseguiam realizar a recuperação de estol da forma correta. Geralmente era necessário um pequeno treinamento antes e só depois cobrar a realização da manobra valendo para o cheque!

  9. Isso é ridículo. Tiraram dos currículos, segundo se ouve na AFA, pq os tais de Aero Boeros têm cauda muito pesada, então um parafuso mal recuperado (ou não recuperado) poderia se transformar em um parafuso chato, do qual seria muito difícil sair. Não sei, pq nunca tive o desprazer de voar aquelas desgraças. Quando entraram em serviço, eu já havia parado de voar monomotores de treinamento, muitos anos antes. Tive a sorte de fazer meu treinamento elementar em Neiva P56 (“C” e “B1”), Piper J3, CAP IV e Fairchild PT19. Em todos eles treinávamos perdas de todos os tipos, bem como entrada e saída de parafuso.

    • Boero? Cauda pesada? Sabe onde é o CG do Boero? Ele é um “ótimo” avião de instrução, com suas limitações. O fato do Boero não ter sido homologado para voo acrobático, foi um desacordo entre o CTA e o Sr. Boero.
      No mais, é um avião desconfortável, convencional, exige muito pé e mão, motor fraco (para você ter uma ideia, o treino de curva de grande inclinação é com motor praticamente a pleno). Ótimo para instrução =)

  10. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Então Raul…. Será que é tão difícil, perigoso assim, pra terem tirado do programa, ou será que “quem tirou” do programa, está assumindo que nossos instrutores não “dão conta”, e de que nossos aviões estão em frangalhos??

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