…E a discussão sobre a automação nos cockpits continua: agora na “The Economist”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Depois do acidente com o B777 da Asiana em San Francisco, oceanos de tinta (mesmo que virtuais) vêm sendo gastos para publicar artigos sobre a questão da automação na aviação – o que é ótimo, por sinal: este é um assunto que deve ser, de fato, muito debatido. O último deles (e um dos melhores, em minha opinião) é o que acabou de sair no blog de Ciência & Tecnologia da The Economist – “Difference Engine: Crash program?” -, que recomendo a leitura a todos os que se interessam pelo assunto.

Somente uma observação: a anedota inicial do cachorro no cockpit (aliás, recentemente mencionada pelo amigo Enderson Rafael em um comentário neste blog) fazia parte da propaganda de lançamento do MD-11, lá nos idos de 1990. Para vocês verem como essa discussão é antiga…

2 comments

  1. Enquanto a reforma de mentalidade não for feita, principalmente nos programas de treinamento em simuladores, pouco ou nenhum progresso será atingido. Não adianta as agências ficarem gerando documentação que nem gêlo mais enxuga. Até aqui, os “major players” abusam do cinismo, tendo um discurso para o distinto público e outro “interna corporis”. A maioria dos syllabi se assemelha a beber água numa mangueira de bombeiro, o sujeito entra no simulador apavorado e sai zonzo, 4 horas depois, sem entender 20% do que foi ministrado. O paperwork é meticulosamente preenchido e assinado (afinal, o mais importante é passar nas auditorias e fiscalizações, e se manter ao largo de “liabilities”), esporros de panos quentes são dados no debriefing, um lado da mesa finge que ensinou, o outro lado finge que apreendeu, apertos de mão são dados, despedidas são celebradas, e a próxima dupla de treinandos/checandos é chamada, para que o massacre prossiga. Assim não se chega a lugar nenhum. Enquanto não se voltar ao “arco & flecha”, ensinando as pessoas a se tornarem o que são realmente pagas para ser (i.e. o backup para as falhas na automação, que – a despeito do que pensam certos “engenheiros-pitch-15” – IRÃO OCORRER, pq o ser humano é falho, conseqüentemente tudo o que ele produz também o é), o potencial para que se repitam tragédias como a do AF447 e do Asiana em SFO continuarão a ser “crônicas das lenhas anunciadas”…lamentavelmente.

    • Drausio
      4 anos ago

      Interessante, Fábio.
      Eu percebi que havia algo muito errado com a maneira de ensinar praticada na instrução nas escolas e aeroclubes por onde passei. Principalmente no treinamento inicial de vôo IFR, e ainda mais na parcela deste treinamento feita em simulador. Sua analogia com o gesto de beber água em mangueira de hidrante foi perfeita, e um nome bastante adequado para o tipo de prática que tem lugar nestas ocasiões seria mesmo massacre.
      A novidade que o seu comentário me trouxe é que essa situação é mesmo um mal mundial. Eu imaginava que se tratasse de alguma idiossincrasia das latitudes ao sul do equador. Contudo, agora está me parecendo que mesmo nos centros de treinamento dos EUA e Europa, e nas principais companhias aéreas (nestes casos tratando-se do treinamento específico nos equipamentos operados pela companhia), parece que a banda toca mesmo dessa forma. Um desalento pra quem, como eu, imaginava existir alguma Passargada à qual poderíamos, quem sabe um dia, copiar.

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