“Aviação a um passo do caos”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Reproduzo a seguir parte do artigo “Aviação a um passo do caos”, de autoria do prof. de Direito Aeronáutico da PUC-GO Georges Ferreira, publicado em O Popular de hoje (a íntegra está disponível aqui).

Aviação a um passo do caos

A aviação é um dos maiores gargalos do Brasil. Os entraves que dominam o setor já são preocupantes em um cenário ordinário. Com a aproximação de grandes eventos no País, se não corrigidas as rotas emergenciais de estrutura e logística, é possível que haja um caos aéreo, com riscos reais de apagões.

(…)

A regionalização da aviação, anunciada como prioridade pela presidente Dilma Rousseff, não passou de discurso. Enquanto apenas Rio Verde, Caldas Novas, Minaçu e a capital goiana têm voos regulares, polos como Itumbiara, Catalão e Jataí apresentam potencial, mas não recebem investimento. A atividade aérea é constantemente cerceada por quem deveria promovê-la.

Em agosto, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e executivos das principais companhias aéreas apresentaram ao governo federal uma série de pedidos de ajuda para o setor. As principais motivações foram a alta no preço da querosene e a subida do dólar nas últimas semanas. No Brasil, o combustível representa 40% dos custos de uma companhia aérea, o mais caro do mundo. Se as empresas seguissem o que foi orientado desde o ano passado, quando foi entregue o relatório da Subcomissão da Aviação Civil do Senado, com o qual colaborei no diagnóstico e na redação, as coisas poderiam ter começado a mudar.

A demissão em massa de funcionários da Companhia Aérea TAM é apenas a ponta do iceberg e deve se repetir em outras empresas. O que temos hoje é uma política voltada para a construção de aeroportos, sem vínculo entre os diversos setores que fazem a aviação funcionar. Se o governo não agir depressa, o Brasil corre o risco de ver as empresas estrangeiras tomarem conta do mercado interno.

Se a aviação comercial não prospera, a executiva emperra por questões que têm origem nas mesmas fontes. Empresas de táxis aéreos, de manutenção e aviação geral estão sendo despejadas de seus hangares por não conseguirem saudar aluguéis considerados exorbitantes. Isto ocorre, supostamente, porque a Infraero tem perdido aeroportos para a iniciativa privada. Desta forma, o aumento da arrecadação nos aluguéis é uma reação.

As empresas de táxis aéreos prestam serviços relevantes e não podem ser ignoradas. Se o desenvolvimento econômico não é considerado, o poder público deveria considerar ao menos a agilidade necessária em casos de saúde: distribuição de vacinas, transporte de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), órgãos para transplantes etc. É um setor que tem crescido juntamente com o País, mas sofre pela falta de políticas de incentivo.

Além disso, os aeronautas da aviação executiva e de táxis aéreos estão com sérias dificuldades na revalidação de suas habilitações, que vão desde a não disponibilidade de inspetores da aviação civil para efetuar os voos de cheque, até a falta de atendimento qualificado pelos servidores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A burocracia na emissão deste documento impossibilita os profissionais de voarem e coloca empregos em risco. Se o Detran demorasse para renovar a carteira de habilitação de um motorista de ônibus como a Anac demora para renovar a dos pilotos de avião, o Brasil pararia.

Esse mercado movimenta um setor da indústria importante, especialmente para um país cujas distâncias em certas localidades são consideradas por centenas ou milhares de quilômetros. A agência está operando com apenas 50% da mão de obra de que necessita e a União já deveria ter feito ao menos mais três concursos para contratar pessoal. Sem contar que, na última contratação, recrutaram profissionais de outras áreas, que não possuem conhecimentos aprofundados do setor de aviação.

A continuar com todos estes entraves, já diagnosticados e sem segredos para o apontamento de caminhos e a execução de soluções, o País do futebol será também o País do ônibus, pois voar será cada vez mais difícil. Tão difícil que pode se tornar impossível.

4 comments

  1. Mateus Lopes Silva
    4 anos ago

    Fé em DEUS não percamos a esperança nossa vez vai chegar.

  2. Marcius
    4 anos ago

    Quem viver verá.

  3. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Corram pras montanhas. Até com alto risco de CFIT vale mais à pena…

  4. Julio Petruchio
    4 anos ago

    Mais do mesmo… Tudo como dantes, no quartel de Abrantes…

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